Uzumaki Ahmya Shinden: Livro do Sol Nascente
21 Família
Notas iniciais

Ahmya estava treinando há quase dez horas. Ela queria muito dominar a nova habilidade para apresentá-la a Shisui no próximo encontro.
A menina estava para completar seis anos e a evolução de suas habilidades era nítida.
Além de Yahiko que aparecia sempre nos intervalos entre suas missões, a pequena Uzumaki ainda contava com lições e sessões de treinamento acompanhadas por sua mãe e irmão.
Com cinco anos, Ahmya já era capaz de usar seu chakra para manipular o movimento da água, conhecia alguns ninjutsus estilo fogo, invocava um louva-deus do tamanho de um cão e treinava as artes ninja rotineiramente…
Neste momento ela colocava-se diante de um novo desafio, ninjutsu médico.
Sua mãe havia passado parte do dia dando orientações à filha e agora estava no interior da casa preparando o jantar. Azumi estava de folga.
Mas aquele não estava sendo um dia fácil para Ahmya.
A mãe a advertiu que ninjutsu médico era uma técnica extremamente avançada e difícil de dominar.
Desde muito pequena, Ahmya já demonstrava um controle de chakra impressionante e habilidades sensoriais dignas de um jounin. O que, de certa forma, era uma herança do clã Uzumaki, assim como as grandes reservas.
Confiando no potencial da filha, a médica dedicou algumas horas do seu dia às lições e depois a deixou a sós para explorar os novos conhecimentos.
Debaixo da sombra de uma árvore no quintal, a menina estava de pé em frente a uma pequena mesa improvisada com caixotes.
Sobre a mesa, um peixe de tamanho médio se debatia. Ao lado um balde com tantos outros rescèm pescados debatendo-se em águas rasas.
Grossas gotas de suor escorriam pela testa e ela as limpava com o pulso.
Tantas horas de dedicação e Ahmya ainda não havia avançado nada.
Seguindo os conselhos de sua mãe, ela decidiu dedicar-se ao tratamento dos animais que ainda não estavam com a saúde muito deteriorada.
Mas as marcas de anzol no corpo do peixe não passavam por qualquer alteração, por mais que ela infundisse chakra.
Frustrada, exausta e começando a descontrolar-se mediante o sofrimento do animal à sua frente, Ahmya desejava curá-lo.
Ela tinha matado todos os peixes que passaram por suas tentativas de cura. E a imagem do animal nadando livremente pelas águas do rio inundava a sua mente.
Ahmya detestava sofrimento animal, ela sequer comia carne. E quanto mais o peixe se debatia, mais angustiada ela se sentia.
A um passo de desistir, acidentalmente, a Uzumaki inverteu o movimento do fluxo e natureza de chakra concentrado nas pequenas mãos de palmas abertas sobre o peixe.
O efeito também foi inverso ao esperado. Ela desejava curar as feridas do animal, mas o peixe foi reduzindo gradativamente a velocidade em que se debatia.
Um momento depois o peixe estava paralisado.
Não estava morto. Mas a cauda e barbatanas que debatiam-se intensamente foram tranquilizadas até perder completamente o movimento. O animal parecia anestesiado.
Ahmya ficou profundamente decepcionada. Ela não compreendeu o poder que saía de suas mãos.
O peixe que desejava salvar não estava sofrendo, é verdade. Mas também não estava livre e vívido.
Uma sensação agradável interrompeu a frustração da menina.
Ela sentiu uma vibração fraca, porém quente atravessar seu corpo. Era exatamente o que ela precisava para afastar o sentimento de fracasso.
Ahmya se apressou em ageitar sua área de trabalho e se limpar.
***
Pouco mais de vinte minutos após encerrar seu treitamento, Ahmya viu três silhuetas humanas formaram-se no contraste entre os corpos dos shinobis e o sol poente na entrada da propriedade.
“Tia Konan! Nagato! Yahiko-sensei!” a menina que já aguardava a chegada dos três sentada na soleira da casa, levantou-se em um pulo e correu alegremente na direção deles.
“Como você está grande” Konan era uma mulher muito bonita, mas neste dia parecia radiante. Ela era para Ahmya uma inspiração, uma grande kunoichi.
“Hey pirralha” botando a mão sobre a cabeça da menina, Yahiko bagunçou levemente o topo dos cabelos vermelhos presos em duas tranças laterais.
Ele era seu mestre, mas às vezes parecia um tio chato.
“Para com isso, sensei” a criança desviou-se da mão de Yahiko e cumprimentou o último com um grande sorriso “Nagato, veio ver a mamãe?”
O homem de pele pálida e escuros cabelos vermelhos era o mais calado dos três. Seu rosto se enrubesceu e ele sorriu envergonhado.
Se Ahmya tivesse um pai, ela gostaria que ele fosse como o Nagato. Quando era mais nova a menina chegou a pronunciar esse desejo na frente de todos.
Yahiko teve uma crise de risos. Konan fingiu não estar ouvindo. Sua mãe corou, deixando seu rosto quase com o mesmo tom dos cabelos.
Desde então, Nagato portava-se timidamente na presença da criança, embora não conseguisse disfarçar o afeto.
Uma vez Azumi contou à filha que aquele homem também era um Uzumaki. Mas havia mudado seu sobrenome depois de uma tragédia sobre a qual a mãe não quis contar detalhes.
Azumi disse apenas que, juntos, o grupo construiria um mundo no qual coisas como aquela jamais aconteceriam outra vez.
Yahiko cruzou os braços e fez uma expressão forçada de indignação “horas e mais horas treinando essa pirralha e ela só tem olhos para o Nagato”
O rosto de Nagato tornou-se ainda mais corado e os outros gargalharam com a reação.
Nagato, Konan e Yahiko jantaram com mãe e filha naquela noite.
Azumi também já os esperava. A visita dos três amigos tinha como propósito anunciar algo importante. Mas não parecia uma revelação problemática. O humor de todos estava ótimo.
A noite já tinha chegado e Ahmya colocava-se na ponta dos pés se pendurando na borda da janela, na expectativa de espiar o que acontecia do lado de fora.
Azumi e Nagato estavam no quintal, próximos à cerca, um ao lado do outro. A menina os via pelas costas.
O homem disse alguma coisa que Ahmya não conseguiu escutar. A mãe virou o rosto lateralmente para ele e sorriu docemente.
“Espionar a conversa dos outros é muito feio” do lado de dentro da casa, Yahiko implicava mais uma vez a pequena. “você deveria gastar seu tempo treinando ao invés de vigiar os outros. Ou nunca vai conseguir me superar”
Apesar do tom desafiador, ele sorria abertamente.
Ahmya inclinou as sobrancelhas para baixo e se virou para o Yahiko apontando o dedo de uma forma imponente. O gesto indicava que aceitava o desafio com seriedade.
“Sensei, eu treino todos os dias” as palavras eram cheias de confiança “e se você relaxar, em pouco tempo eu te passo”
Yahiko sorriu mais uma vez, demonstrando que acreditava nas palavras que ouvia.
Konan, que prestava atenção na conversa, esboçou um leve sorriso também. Era bom se sentir confortável assim.
Mas os olhos de Ahmya inclinaram, ela se lembrou do treinamento daquele dia.
“Hã…” sua voz não era mais tão confiante “talvez demore um pouco mais para alcançar vocês. Hoje eu não consegui aplicar o ninjutsu médico direito. Eu deveria curar o peixe, mas aconteceu alguma coisa com o meu chakra. Em vez de curar, eu fiz o peixe dormir”
Konan e Yahiko se entreolharam.
“Bom, não desanime. Isso pode ser…” o jovem foi interrompido pela entrada de Nagato e Azumi no cômodo.
“Temos que ir” Konan se levantou anunciando a despedida. Ela ainda teria uma longa noite pela frente.
“Você vem?” Nagato se dirigia a Azumi. Seu convite era sincero, mas parecia ter saído com algum esforço para vencer a timidez.
“É verdade! Um marco como esse merece ser comemorado”
O entusiasmo de Yahiko era evidente. Seu sonho, o sonho compartilhado entre todos ali, finalmente tomava forma. E, no dia seguinte, seria reconhecido por um dos maiores shinobis do mundo e líder do seu país.
O país da Chuva seria cenário para a negociação de um acordo de paz permanente entre as grandes nações e os representantes da Akatsuki foram convidados para participar deste momento.
“Não, eu…” Azumi olhou para a filha. “Divirtam-se vocês. Quando nos encontrarmos amanhã, já estaremos vivendo em um novo mundo”
Ela sorriu gentilmente para o casal à sua frente. E, ainda desse modo, fitou mais uma vez o homem de cabelos vermelhos ao seu lado, provocando uma leve vermelhidão nas bochechas dele.
“Falem por vocês. Enquanto esses dois comemoram eu ficarei na ronda” havia alguma ironia amigável nas palavras de Konan.
Mãe e filha se despediram dos amigos. Da varanda da casa, as duas os observavam partir.
Enquanto o trio atravessava o quintal, Yahiko se virou sorrindo para elas uma última vez.
“Ahmya-chan, não desista do seu treinamento. Quando voltarmos quero que você me mostre aquela técnica”.
Ainda na varanda a pequena pensava sobre as palavras do adulto.
‘Técnica?! O que aconteceu na prática de antes não foi um erro?’
Ela esperava ansiosa que Yahiko retornasse em breve para explicar o que queria dizer.
Esse dia nunca chegou.
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