Utopias

1 Do morrer


Se pudesse seria melhor

mas como ser se agora em tudo há preço?

o sentimento mais puro da minha criança interna

se vendeu no medo da oblivião, assassinando minha mente

e as noções de que aqui nunca mereceram lugar.

Se pudesse veria o mar, da forma como deve ser

Na mansidão e na leveza do correr até a fonte

e fazer parte do mar, como se ali sempre pertenci

E como me veria o pó seco e a miragem abreviada

que não é dada e sim tomada por aquele que

come oque há de amor numa poesia?

E os vendedores do sonho desviado nunca irão se envergonhar

pois ali sempre esteve a perversão e me trairão sem exitar

E se aqui nos resta a chance do mar e da porção que nos é dada

a oblivião é somente oque nos resta

E não há como negar que sempre pertencemos ali

e não a iremos evitar

se não, a abraçar.

Mas e a tu? Com esse karma da confiança que ostenta

Não seria melhor se corresse e caisse aos pés de quem te aguenta?

Mas e se assim não pode ser, aqui nunca serei

Pois a inocência que se resta já não cabe neste ser

Então me irei, já que não quero mais o nada, me irei daqui e estrela tornarei-me.

Aqui jás os sonhos, não há mar

só oque cega e faz tornar decadente

E o nada corrói e destrói a todos

sem medo de desfalecer.

Este simples poema é uma ânsia de reviver

Onde se pode e onde se encontra a chance de sobreviver

Mas a questão é se o desejo de viver ainda é maior que a utopia do morrer.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!