Utopia - A Cidade Do Futuro

2 Capítulo 1 | Começando O Dia


Começamos às sete horas da manhã, quando eu acordei. É uma segunda-feira calma e fria, como todas as outras. Me levantei da cama, observando pela janela, a linda cidade. Algumas naves aqui e ali, e os reluzentes aranha-céus no centro da cidade. Vesti minhas roupas, uma calça jeans, um sobre-tudo por cima de minha clássica camisa branca com um "bolsinho", onde pus a foto de minha filha e esposa, junto com um bloco de papel e uma pequena caneta portátil. Logo depois, botei os sapatos nos pés, minha luvas, pois estava frio lá fora, e finalmente, peguei minha arma, uma pistola de energia simples, e meu distintivo sobre o criado mudo, e segui para a porta, onde saí do apartamento.

Foi uma descida rápida. Peguei o elevador, e fui até o primeiro andar, seguindo para a entrada do prédio, onde dei um "tchau" para a secretária da portaria, e saí pela porta de vidro. Entrei no primeiro táxi que vi, e pedi que me levasse para o departamento de polícia da Zona Norte da cidade. Tive que usar o táxi pois uma das linhas do trem magnético estava em manutenção, e era justo a que eu sempre a usava, então dei um jeito. Foi uma viagem um pouco demorada, pois o transito estava um pouco engarrafado, provavelmente pelo mesmo motivo que eu peguei o táxi, devido ao trem magnético ser um dos meios de transporte mais usados da cidade.

Assim que cheguei até o departamento, paguei o taxista, e andei até a porta do prédio. Quando abri a porta, mostrei minha identificação para o guarda da entrada de funcionários, e quase que imediatamente, Ryan, o meu 'chefe', me pegou pelo braço, e quase que me arrastou para a minha mesa, enquanto falava ofegantemente:

_Temos um caso, muito, muito importante.

Chegando na minha mesa, eu me sentei enquanto falava:

_Me diz tudo que sabe.

Ryan estava agitado, ele não estava brincando:

_Ocorreu um assassinato no pé da Torre Greyheart. E adivinha quem era?

_Não faço idéia.

_O Vice-Presidente George Lions.

_O que? — disse, me inclinando para frente e pegando algumas folhas que Ryan me dava -

_Sim, eles mataram o Vice-Presidente, faz alguns minutos. Cerca de 13 ou 15.

_"Eles" mataram?

_Sim. Um grupo de prováveis terroristas que vem atacando estabelecimentos do governo em lugares isolados, porém estratégicos. Já estávamos cientes deles, mas agora estamos em alerta total.

_Eles tem um nome? — perguntei enquanto analisava os papéis -

_Não se pronunciaram ainda, então os chamamos de Fantasmas.

_Fantasmas? Sério? — olhei para Ryan — Não tinham um nome mais clichê?

_Não fui eu quem escolhi, Jake — ele jogou uma chave de um dos carros do departamento — Precisamos de você na investigação. Só tente não ferrar com o carro como na última vez.

Me levantei da cadeira, pegando meu comunicador e meu datapad de dentro da gaveta, e disse para Ryan, que agora se distanciava:

_Me mande mais detalhes pelo datapad, e sobre o carro, não prometo nada!

Pude ver Ryan sorrindo, o que é algo raro ultimamente. Ele está no processo de se divorciar de sua esposa, por isso está um pouco abatido. Mas de qualquer forma... Fui até a traseira da delegacia, onde fica a garagem dos carros. Usei meu código de acesso para abrir o portão, e destravei um dos carros com a chave.

Fui por uma rota livre de tráfego, então cheguei mais rápido até a Torre Greyheart, também conhecida como Torre Central.

Lá é onde o presidente de Aya mora, junto com outros políticos, incluindo o Vice-Presidente. É o arranha-céu mais alto da cidade, e possui um escudo de energia em volta dele, que o protege de qualquer veículo ou objeto que se aproxime pelo ar. Quando estacionei o carro, já podia ver toda a comoção na calçada. Todos olhando para as escadas que levavam para a entrada da Torre, e onde o corpo do Vice-Presidente estava jogado. Um pequeno 'rio de sangue' descia pelas escadas, que sujou minha bota, assim que mostrei meu distintivo para os policiais que faziam um perímetro em volta do corpo.

Subi alguns degraus, e a cada passo, percebia alguns detalhes na cena do crime. O Vice-Presidente estava em um terno formal, provavelmente estava indo para a reunião marcada para o meio-dia em seu escritório no topo da Torre. Ele devia estar voltando do aeroporto, pois estava em uma viajem de negócios com o Canadá. Eu agachei perto do corpo, que estava deitado de barriga para cima, e analisei o ferimento com uma lanterna. Parecia que ele levou um tiro na área do peito, que perfurou direto pelo coração, e saiu do outro lado. Provavelmente uma .45 ou .380. Talvez algo maior, já que não conseguimos achar a cápsula que atravessou o corpo, muito menos qualquer digital em seu corpo ou qualquer coisa que servisse como evidência nos arredores, mas eu percebi algo. O Vice-Presidente está sempre em seu escritório. Ele nunca sai da Torre, sem exceções, devido à dúzias e mais dúzias de papelada que tem que resolver por dia, e considerando que sua viagem para o Canadá não foi divulgada em lugar nenhum, a pessoa que o assassinou deveria saber que estaria de volta neste dia, neste horário, o que significa que quem o matou deve ter algum cúmplice na Torre, ou ele trabalha na Torre, mas isso seria improvável, visando que todos que sabiam sobre esta reunião eram de posições altas, e nenhum deles arriscaria sua vida, política, social e econômica, para matar alguém, mas com o pagamento certo, para a pessoa certa, ela com certeza iria delatar algo como uma simples reunião para qualquer pessoa. Agora, quem seria tal pessoa?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.