Utopia

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Demorei, mas voltei lol (como se alguém tivesse sentido minha falta...) Esse é o antepenúltimo capítulo. A história está completa tem um tempo, mas está fazendo 7 meses de postagens aqui no site. Foram bons tempos ♥ Agradecimentos à Kika por sempre ajudar dando pitacos e nas cenas com o morango. Tema usado: Nostalgia Boa leitura!

Katsuya não conseguiu pregar os olhos durante a noite, levantando de tempos em tempos, sempre voltando ao quarto de Mikaru para verificar se ele estava bem, se estava respirando e dormindo tranquilo ou se algo parecia estranho.

Aproveitou a visita de Hayato em sua casa para contar o que havia feito e, mais uma vez, pedir seus conselhos. Machucou Mikaru de uma forma que nunca imaginou fazer, falou coisas horríveis para ele, colocou-o para fora de sua casa e de sua vida, e agora pagava o preço. Nem Izumi ou seus pais podiam ajudar muito, não podiam mudar a cabeça de Mikaru, mas o dono da cafeteria deixou uma pergunta no ar que não saía de sua mente; se estava preparado para o fim definitivo do relacionamento. Ele não estava. Não sem tentar mais uma vez, sem implorar por uma chance de mostrar que ia melhorar. Se estivesse pronto para o fim, só ia provar que não o merecia. Estava disposto a correr riscos, mas se Mikaru desse a certeza que não queria nada, então teria que aceitar sua decisão. Contudo, se houvesse um fio de esperança, se apegaria a ele.

Ouviu passos pelo corredor quando o sol mal havia nascido, pondo-se sentado, esperando ansioso pelo momento do encontro, mas Mikaru apenas lhe dispensou um olhar de descaso, direcionando-se para a cozinha.

Acompanhou-o com o olhar, pensando se deveria ir atrás ou esperar seu retorno, que não tardou a acontecer, mas ele apenas passou por si, com uma fruta na mão, voltando ao quarto.

Dessa vez não esperou para agir, caminhando atrás dele, abordando-o ainda no corredor.

— Mikaru, posso falar com você?

— Não. – a resposta veio seca e sem inflexões, acompanhada de um olhar de desprezo.

— Eu só queria me de-

— Agora não. – e continuou seu caminho, sendo impedido por um novo chamado.

— Depois? Está indo pra empresa?

— Pensei que tivesse mandado você sair daqui, Katsuya.

— Você não especificou de onde eu deveria sair… levei apenas o quarto em consideração.

— Não banque o espertinho comigo. Agradeço o que fez ontem, mas não quero você aqui.

— Podemos conversar em outro lugar então?

Mikaru massageou a têmpora, sentindo a cabeça latejar. Ainda estava cansado e tinha tanto a resolver. Se fosse conversar e decidir alguma coisa naquele momento, certamente tomaria a pior decisão possível.

— Por favor, agora não.

Katsuya sentiu que, pela primeira vez naquela manhã, Mikaru o encarava de verdade e viu dor em seu olhar. Ele estava cansado, machucado e agora sendo pressionado… se queria se aproximar novamente, estava abordando de forma errada.

— Tudo bem, vou esperar você me procurar.

* * *

Hayato entrou cantarolando na sala da gerência, seu bom humor sendo visível desde que colocou os pés na cafeteria. Ter se entendido com Takeo havia melhorado tudo, até os menores detalhes.

— Ah, bom dia, Mikaru. – depositou a mochila no sofá, encarando o empresário sentado à frente do computador, que apenas resmungou uma saudação de volta.

Resolveu todas as pendências e diferenças com Takeo e certamente ficaria tudo bem entre ele e Katsuya. Não sabia como estava a situação entre Katsuya e o namorado, mas precisava se acertar com Mikaru também, para voltarem ao clima de paz de antes.

— Você parece cansado… – sentou-se de frente para o colega, conseguindo então notar as olheiras. Elas não eram recentes, mas pioravam a cada vez que o encontrava – Quer ajuda? Assim pode terminar mais cedo e voltar pra casa pra dormir.

— Eu vim até aqui pra resolver as pendências que você não conseguiu antes. Por que acha que agora pode ajudar?

— Bom, eu não consegui sozinho, mas se me disser o que preciso fazer, pode dar certo. – ele estava azedo, que maravilha.

— Prefiro resolver sozinho. Não estou com paciência para ensinar.

— Aconteceu alguma coisa, Mikaru? – Hayato imaginou que pudesse ter relação com Katsuya, mas não queria ser tão direto. Tinha quase certeza que isso o deixaria na defensiva.

— Um pequeno inconveniente essa madrugada.

Hayato pareceu animar um pouco, não que a resposta fosse boa, mas por ela ter vindo, sem rodeios ou ironias. Sempre era ignorado em suas tentativas de puxar conversa e se Mikaru havia respondido, então não estava tão mal humorado quanto imaginou.

— Quer me contar o que aconteceu? Pode se sentir melhor depois que desabafar.

— Você quer ouvir meus problemas? – Mikaru encarou-o incrédulo, decidindo testar até onde Hayato iria com aquela boa vontade – Não vejo motivos para querer me ajudar.

— Eu já disse isso antes e, mesmo que não acredite, me preocupo com você. – esperou que Mikaru começasse a contar o problema ou rebatesse seu comentário com uma provocação, mas ele apenas continuou a encará-lo, descrente – Aconteceu algo entre você e Katsuya? Ele te procurou?

— Você também não… – murmurou desanimado, suspirando fundo – Não quero falar sobre ele.

— Ele não merece uma segunda chance?

— Não mesmo.

— Olha, não tiro sua razão de estar decepcionado com Katsuya, mas essa foi a primeira vez que ele cometeu um deslize com você. Não está sendo rígido demais? Todo mundo erra e ele parece arrependido. Sem contar que isso mostra que ele não é certinho e perfeito como a gente imaginou que fosse. Ele também é humano.

— Você diz que sou um alien, lembra? – Mikaru resmungou com amargura – Eu gostava de como ele era, tranquilo e certinho. Era um porto seguro pra mim. Não quero descobrir o que mais de novo ele pode mostrar, principalmente se for algo ruim, como fez agora.

— Mikaru, não tem nada de novo pra descobrir. Eu sei que odeia o fato dele se abrir mais comigo, mas tenho certeza que é isso que falta na relação de vocês; conversarem e se conhecerem melhor. Não é certo ele ter medo de falar com você, pedir permissão para um abraço e outras coisas do tipo. Isso é algo que deveria acontecer naturalmente, e do seu lado, você precisa dar brechas e deixar ele se aproximar, mostrar como você realmente é também.

— … eu não consigo. – confessou – Já tentei e me machuquei o suficiente em outras relações para não querer correr riscos. Não quero voltar todo quebrado pra casa.

Hayato encarou-o com pena e compreensão, pensando que se estivesse ali com alguém com quem tivesse mais intimidade, estaria dando tapinhas consoladores em suas costas. Podia ser isso que Mikaru precisava, um abraço amigo, mas um passo devia ser dado de cada vez.

Pegou o telefone da sala, ligando no ramal que ficava no caixa, esperando ser atendido.

— Miura, poderia trazer chá e bolo pra mim e pro Mikaru? Temos muito serviço pra fazer por aqui. – esperou a resposta do outro lado, agradecendo-a a seguir – Não sei se isso conta pra você, mas sei que Katsuya te ama e está arrependido. Não estou dizendo para esquecer o que ele fez e perdoar tudo, mas para encarar isso como um aprendizado, uma oportunidade de recomeçarem, não de onde pararam, mas do jeito certo.

— Você é muito otimista… acha que as coisas se resolvem fácil, só porque conseguiu fazer dar certo na sua vida.

— Não é fácil, mas também não é um monstro de sete cabeças. Olhe pra nós: já imaginou que um dia estaríamos conversando como dois adultos, sem nos alfinetar e sem levar Takeo ao colapso? – na verdade, nem ele mesmo acreditaria se alguém dissesse há alguns anos que estariam conversando daquela forma, tão amigáveis – Pense mais um pouco. Dê um tempo antes de tomar uma decisão definitiva entre vocês.

Mikaru abriu um pequeno sorriso com o comentário, acenando em concordância. Iria pensar com calma, esfriar a cabeça e pesar os prós e contras. Só então tomaria uma atitude em relação à Katsuya.

Notas finais
É impressão minha ou sempre coloco os personagens comendo em algumas cenas? É por eles trabalharem numa cafeteria ou porque o lado taurina que gosta de boa comida fala mal alto? Divagações aleatórias... Até o próximo!