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4 Capítulo 4 - Corrigir seus erros.
Notas iniciais
Feliz Natal ~
E aqui está mais um capítulo ~
O loiro tocou a campainha da casa do amigo. Uruha abriu a porta depois de alguns instantes, com um cigarro em mãos, convidando Akira para entrar.
- Uau, — exclamou, olhando ao redor, não muito surpreso, na verdade. – esse apartamento fica realmente uma zona sem o Kai por perto, hein?
A sala do apartamento por si só já demonstrava o quão bagunceiro era Kouyou. Louça suja espalhada por todos os lados, roupas espalhadas por todos os lados, garrafas de bebida vazias largadas por todos os lados, carteiras de cigarros espalhadas por todos os lados e mais dezenas de detalhes que atordoariam qualquer pessoa com um mínimo de amor por limpeza.
Akira riu, jogando uma das jaquetas de Kouyou para longe e sentando no sofá. Kouyou pegou duas latas de cerveja na geladeira e sentou-se ao lado do amigo, estendendo-lhe uma.
- Então, o que houve, Uru? – perguntou, dando o primeiro gole na bebida gelada.
- Quero conversar com você. – murmurou, serio. Havia pensado e repensado a situação diversas vezes mais cedo, antes de decidir ligar para o amigo. Havia refletido sozinho, achando que não precisaria da ajuda de ninguém para encontrar as respostas que procurava, mas não obteve sucesso; e Akira pareceu a melhor pessoa para recorrer, já que bem, era a que provavelmente estava o odiando menos no momento. Queria entender que diabos estava se passando com ele e que aperto era aquele em seu peito. – Tem umas coisas que eu não estou entendendo direito, Reita.
- Desde que não tenha nada envolvido com assunto de escola, estou aqui. – disse, rindo. Odiara aquele inferno chamado escola desde sempre, e agora que se via livre daquela tortura, não queria nem saber de nada que tivesse relação com aquele lugar detestável.
Kouyou o encarou por alguns instantes, incrédulo com o quão babaca Reita poderia ser as vezes. Mas tudo bem, dizem que apenas um babaca pode reconhecer outro.
- Reita, você ama o Taka? – perguntou, tentando soar despreocupado. Akira engasgou.
- Amo, amo muito... – disse, tossindo. – Mas por que quer saber? Desculpa Uru, mas eu só te vejo como um amigo, um irmão, e foder com um irmão é incesto, e incesto é crime...
- CALA A BOCA REITA, SEU IDIOTA! – gritou, atirando uma almofada no outro, que ria descontroladamente. – EU TÔ FALANDO SÉRIO, PORRA!
Akira percebeu que o que Kouyou tinha para falar e queria que lhe explicassem era sério quando não viu o brilho debochado em seus olhos castanhos. Calou-se, enchendo a boca com mais cerveja.
- Você ama o Taka, certo? – Akira assentiu. – Como descobriu isso?
O loiro de faixa pensou por alguns instantes, pensando se por acaso perguntar aquilo e perguntar de onde vinham os bebês não seria quase a mesma coisa. Era uma pergunta simples, porem muito difícil de responder.
- Não sei, Uru, não é tão simples de explicar. – disse, com um suspiro. – Só acontece.
Kouyou bufou, frustrado, cruzando os braços sobre o peito e batendo as costas com força no sofá, com um bico armado. Parecia com um garotinho birrento que não se conformara com o ‘’porque sim’’ ou o ‘’porque não’’ dos pais.
- Você é mesmo um inútil, hein, Akira? – resmungou, emburrado. O loiro riu, já acostumado à personalidade do outro.
- Olhe só quem fala. Você não consegue nem arrumar a sua própria casa e vem dizer que eu sou inútil. – Kouyou botou-lhe a língua, como se fosse uma criança. Reita bebeu um último gole da bebida antes de colocar a lata vazia na mesa de centro, ignorando completamente o loiro-mel, que dizia, irritado, para que ele usasse o porta-copos, porque Kai detestava as manchas que ficavam na mesa. — Eu só queria entender.
Kouyou virou-se para encará-lo.
- Entender o quê?
Era ele quem estava confuso, era ele quem precisava entender as coisas e era ele quem precisava de ajuda, não Akira.
- Por que trazer o Kai de volta é tão importante pra você? – perguntou. Sem preparações. Simplesmente atirou a pergunta na cara do amigo, mesmo sabendo o quão confuso este estava e o quanto essa pergunta ia piorar as coisas em sua cabeça. Arqueou uma das sobrancelhas, sem obter resposta alguma. – Nós dois sabemos que você mereceu. Está com remorso agora, Kou?
Foi como se Reita lhe tivesse dado um tapa na cara; um tapa daqueles que só havia levado de sua mãe no máximo duas vezes na vida e que ardiam só de lembrar. Encarou o amigo por um instante, com os lábios entreabertos, mas nenhuma resposta saiu. Estava sem palavras, coisa que jamais acontecia. Não importava o quê, Uruha sempre tinha uma resposta, fosse esta grosseira ou não, fosse esta útil ou não. Ele sempre as tinha na ponta da língua, e agora estava ali, encarando Reita com a boca meio-aberta e com uma cara de idiota. Estava decaindo.
- Faça-me o favor. – disse, depois de alguns instantes. Seus olhos passeavam nervosos pela sala. – É só que… É útil tê-lo por perto.
- ‘’Útil’’? – perguntou Akira, retoricamente, com a voz carregada de sarcasmo. O amigo estava blefando, tentando esconder alguma coisa. – Está mentindo. E eu sei por que. – entrelaçou os dedos, apoiando os cotovelos nos joelhos. — Você gosta dele, Kouyou.
O loiro-mel encarou o amigo, por alguns segundos, antes de começar a rir. Histericamente. Ria tanto que sua barriga doía, ria tanto que lhe faltava ar. Ele? Gostando de alguém? Estavam falando de Takashima Kouyou, não estavam? Kouyou jamais se apaixonara, e jamais se apaixonaria. Por um instante, levou o amigo a serio, mas a ideia de estar apaixonado lhe soava tão absurda que a única coisa que conseguia fazer era rir.
Definitivamente, Kouyou era a pessoa mais dissimulada do mundo.
- Eu não amo o Kai, Reita. – disse, depois de parar de rir. – É um absurdo.
Mentiu. Mentiu para si mesmo, por mais que não soubesse. Ainda não havia se dado conta de seus sentimentos, a pequena parcela que havia percebido tratava de enganar à si mesma. Não amar ninguém, ou pelo menos fingir não amar era sua maneira de se proteger. Não se entregar a ninguém era sua tática. Passara parte de sua vida acreditando que isso o deixava um passo à frente de tudo e todos; ser sozinho. Aquilo o privaria daquela dor ridícula no peito, daquela dependência que ele se recusava a ter. Seria uma boa ideia, e daria certo, se não fosse a solidão que lhe assolava as vezes. Se não fosse a carência, a pequena pontada de inveja ao ver Reita e Ruki, por exemplo. Em seus mais internos desejos, desejava se apaixonar. O problema é que Kouyou tinha plena consciência de que não suportaria uma separação. O fato de ter perdido Kai estava fazendo com que ruísse pouco a pouco, não estava?
Lá no fundo, ele queria se apaixonar. Mais do quê ninguém.
- Se é um absurdo então por que você foi atrás dele? — questionou Akira, ácido. – Não teria ido se não se importasse. Essa sua ideia de se vingar de todo mundo já está ultrapassando os limites, Kouyou! Você está machucando gente inocente, gente que nem de longe merece passar por isso! – Uruha nada disse enquanto o amigo lhe esfregava verdades na cara. – Ou você acha que o Kai merece sofrer desse jeito? Acha que o Kai merece entrar nesse seu joguinho? – Reita levantou subitamente, respirando fundo. – Você é igual a quem você tanto despreza e odeia.
O loiro-mel sentiu seus olhos se encherem de lágrimas e sua visão ficou turva. As palavras do outro lhe estavam atingindo em um ponto extremamente sensível. Tão sensível que o estava fazendo chorar. E realmente, Kouyou não lembrava quando havia chorado pela ultima vez. Fazia tanto tempo assim?
- Não é verdade! – gritou, levantando-se também. Encarou Reita por alguns instantes, sentindo a primeira lagrima escorrer por seu rosto. – Eu não sou igual a eles!
O loiro de moicano encaminhou-se até a porta, pousando a mão sobre a maçaneta. Antes de deixar o lugar, virou-se para o amigo.
- Você não consegue pensar em ninguém além de si mesmo. Pisou no Kai sem hesitar, sem nem ao menos levar em consideração os sentimentos dele por você e o fato de que você também sente algo por ele. – abriu a porta – Se quer que ele volte, se quer ter uma chance mínima de não se tornar igual a eles, corra atrás. O Kai te ama, mas não vai esperar você pelo resto da vida.
A porta bateu, e em seguida, silêncio.
Kouyou tentava controlar as lágrimas. Akira amaldiçoava a si mesmo pela forma como havia falado com o amigo, entretanto sabia que esta era a única eficiente. Era uma cruel ajuda. Kouyou logo perceberia, e então o perdoaria. Pelo menos esperava que isso acontecesse.
Caso contrário, haveria uma grande probabilidade de que Uruha o odiasse pelo resto de sua vida.
Kouyou desabou no sofá, abraçando os próprios joelhos e escondendo seu rosto entre eles, escutando seus soluços ecoarem pela sala tão fria e vazia. Ainda não entendia o motivo pelo qual estava chorando. As palavras de Reita, lembrar do passado, o fato de estar se tornando igual àquelas pessoas, perder Kai...
Por que o simples fato de imaginar sua vida sem Kai estava fazendo seu peito apertar tanto? Por que queria tanto esconder-se em seus braços e escutar um ‘’eu estou aqui’’?
Realmente, o que dizem sobre as pessoas apenas aprenderem a dar valor ao que tem depois de perder, é verdade. A mais pura e dolorosa verdade.
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O som da porta se fechando ecoou pela silenciosa sala, atraindo a atenção do moreno que encontrava-se em outro comodo. Este caminhou até o comodo principal da casa, apenas para averiguar se era Takanori quem entrava, e de fato o pequenino recostava-se na parede enquanto atirava sua bolsa para um quanto qualquer, suspirando, visivelmente cansado. A faculdade estava lhe estressando mais do que o normal naquela semana – tinha um enorme trabalho em grupo para entregar e aparentemente estava fazendo tudo sozinho. Fechou os olhos, aproveitando toda a paz naquela sala. Kai lhe deu as boas vindas em um tom de voz extremamente baixo, como se tivesse medo de despertar Takanori de seu ‘’transe’’, mas suficientemente alto para que Ruki se sobressaltasse.
- Nee, Tadaima. – respondeu, sorrindo cansado. Permitiu que um pequeno bocejo escapasse por seus lábios, e esfregou os olhos, parecendo-se com uma criança. O moreno sorriu. – O Aki não ligou? – Kai assentiu negativamente. – Ele me mandou uma mensagem, disse que queria falar comigo.
- Passei parte do dia aqui e ele não ligou. Talvez tenha ligado pro seu celular e você não tenha escutado o toque, Taka.
O pequeno de um pulo colocou a mão em um dos bolsos do casaco, retirando deste o celular, rapidamente. De fato, deixava o telefone no silencioso durante as aulas e depois esquecia de colocá-lo normalmente outra vez. Sorriu perante a mensagem de 21 chamadas perdidas com o numero de Reita. Olhou para o moreninho, rindo baixo. – Bem, de fato, o Akira ligou. – mostrou-lhe o visor do celular. – 21 chamadas perdidas… Será que estou muito encrencado? – Kai deu os ombros, indo para a cozinha enquanto Ruki dirigia-se para seu quarto, com o telefone colado ao rosto, aguardando que a ligação fosse completa.
- Takanori Matsumoto, — quase rosnou Akira, ao atender o celular – você por acaso não atende mais o telefone ou o quê? Eu te liguei 21 vezes Takanori, achei que tinham te sequestrado, assaltado ou o caralho que fosse no caminho pra casa! – fez uma pausa, sorrindo de canto enquanto a risada de Ruki ecoava por seus ouvidos. – Quer me matar do coração?
- Desculpe, — falou, por entre as risadas. – mas é que eu esqueci o telefone no modo silencioso, Aki. – o loiro do outro lado da linha resmungou alguma coisa sobre fazer uma greve de sexo como punição, demonstrando que não estava mais bravo. – Sobre o que queria falar comigo?
A expressão divertida desmanchou-se no instante em que escutara o nome de Kouyou. Akira lhe contara a conversa que haviam tido e como se sentia culpado por suas palavras, depois de parar para realmente pensar nelas. Uruha de fato precisava aprender com seus erros, mas não lhe parecia tão correto usar seus ‘’traumas’’ para isso.
- Ele mereceu. – resmungou Ruki, com um pequeno bico formado. – Quantas pessoas ele já fez chorar? É bom que prove um pouco do proprio remédio e tenha que correr atrás de alguém só pra variar. É bom que sofra um pouco.
‘’De fato’’ começou o maior ‘’Mas sinceramente, acho que o Kou já evoluiu bastante, sabe? Quero dizer, ele já está percebendo a falta que Kai faz na vida dele. Precisa ver, Taka. É uma pena que ele não vai saber o que fazer depois. Quem sabe você não…’’
- Eu não vou ajudar o Kouyou, Akira. – cortou o namorado antes que este sequer terminasse a frase. – Ele que se vire pra reconquistar o Kai. Se ele realmente quiser conquistá-lo, de verdade, não por puro e simples orgulho, ele vai dar um jeito.
Reita suspirou, sem insistir. Sabia que Takanori tinha razão.
- Vai ser algo interessante, se me permite dizer, Aki. – murmurou.
‘’Sim’’o loiro do outro lado da linha assentiu. ‘’Vai sim.’’.
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Sorveu outro gole do chá que fumegava em sua caneca, sentindo toda sua garganta incendiar-se, causando uma sensação gostosa, e um pequeno sorriso escapou por entre seus lábios.
Mal pôde evitar que seus pensamentos se encaminhassem para o loiro. Na verdade, a cena de alguns dias antes estava completamente nitida em sua mente. Não conseguia entender o porquê de Kouyou ter ido atrás de si. Se bem que tentar entender Kouyou era implorar por uma enorme dor de cabeça.
‘’Eu vou conseguir o Uke-chan de volta.’’
As palavras ecoavam por sua mente, e Kai era incapaz de encontrar um sentido nelas. Por mais que tentasse, não conseguia entender o que diabos Kouyou queria com aquilo, não era capaz de encontrar motivos plausíveis para a atitude do loiro-mel. Por mais que tentasse, não conseguia entendê-lo.
Suspirou, recostando-se no balcão da cozinha de Ruki, bebendo outro gole do chá, agora morno.
‘’Eu vou conseguir o Uke-chan de volta.’’
A voz de Uruha ainda ecoava em sua mente, e no simples ato de piscar, o sorriso tão lindo do outro surgia em seus olhos, fazendo uma pontada estúpida de saudade brotar em seu peito.
- Kouyou… — murmurou, fitando o nada. –… Por que isso agora? – pousou a mão sobre o peito, como se quisesse arrancar seu coração fora. – Por que está fazendo isso comigo?
Notas finais
Deixar review não faz o dedo cair e se cair a gente costura /apanha
Feliz Natal e Ano Novo! :3
See ya ~
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