Use Somebody
4 O mundo é pequeno
Quando cheguei em casa após a faculdade tomei um banho e fui dormir cansada. Minha cabeça estava a mil por causa da proposta daquele tal de Uchiha Sasuke. No inicio eu pensei que fosse uma proposta indecente, cheguei a pensar em dizer a ele que não fazia programa, mas pelo que ele me disse era apenas o aniversário de 18 anos de uma mulher. Não seria nada demais, além disso, eu precisava do dinheiro, não tanto quanto na época que morava sozinha, mas eu tinha planos de algum dia entrar na faculdade de medicina então era bom guardar algum dinheiro fora que nunca se sabe do dia de amanhã. Pensei, pensei e pensei mais um pouquinho, mas não conseguia chegar a uma conclusão. O tal Uchiha era educado, fino, pra comprar naquela loja com certeza era rico, acredito que ele não seria capaz de me fazer algum mal e mesmo que fosse eu sou grandinha e sei me defender. Se a festa fosse muito chata eu poderia ir embora. É acho que vou aceitar o que ele me propôs, não seria tão ruim, afinal o tal Sasuke era bastante atraente. Quem sabe eu ate me divertisse não é? E eu tava precisando de diversão porque trabalhar e estudar consome boa parte da minha paciência. De repente batem na porta do meu quarto, como era de madrugada só poderia ser o Gaara.
— Pode entrar – falei e ele entrou
— desculpa incomodá-la a essa hora, é que eu acabei de chegar e queria saber se ta tudo bem.
— Estava preocupado comigo? – impressionante como Gaara era protetor, todo dia quando ele chegava depois de mim vinha saber como eu estava
— Sim, você andando tarde por essas ruas é perigoso. Queria saber se você não aceita voltar comigo todo dia da faculdade, assim eu fico menos preocupado e você não anda desprotegida.
— Obrigada, mas eu sei me defender. – sorri sincera
— Eu sei que sabe, mas não precisa arriscar, vai que algum dia você está sem sorte e topa com algum malfeitor?
— Tudo bem Gaara, eu volto da faculdade com você.
— Bem melhor assim. Como foi seu dia? – disse se sentando na minha cama
— Tumultuado. Trabalhei muito e ainda recebi uma proposta esquisita.
— Que proposta?
— Um cara que foi comprar um presente na loja que eu trabalho me convidou pra ir numa festa com ele.
— Pode ser roubada, Sakura.
— Eu sei, mas não parece que seja, ele é educado, fino. Acho que vou aceitar, amanhã ele falou que passa na loja pra ter uma resposta minha.
— Será que ele está interessado em você?
— Acho que não, ele apenas não tem acompanhante e não quer chegar sozinho na festa.
— Qual o nome desse cara?
— Uchiha Sasuke.
— Não acredito – disse e começou a rir
— Você conhece?
— Claro, realmente se foi ele você não corre perigo algum.
— Por quê? – perguntei confusa.
— Ele é o ex-namorado da minha irmã. E o aniversário que ele vai é o dela. A festa é nesse sábado no clube.
— O ex da sua irmã?
— Sim. Eles namoram desde crianças, mas aí a Karin conheceu o irmão mais velho dele e terminou pra começar a namorar o irmão dele, mas o Sasuke continua apaixonado pela Karin deve querer aparecer com uma mulher diferente pra colocar ciúmes nela.
— Entendi... viu não corro perigo e ele vai pagar pra eu fazer isso então de boa.
— Você só vai pelo dinheiro?
— Sim, eu não recebo um bom salário então uma grana extra sempre é bem vinda e ir a uma festa não é nada demais.
— Entendo. Vou gostar de te ver na festa da minha irmã.
— Vai ser bom conhecer alguém lá.
Ficamos conversando mais um pouco e depois ele saiu e eu dormi, porém antes de dormi eu fiquei pensando em como o mundo era pequeno, eu iria à festa da irmã do Gaara com um desconhecido que por sinal era ex da irmã dele. Engraçado essas coincidências. O Gaara era um bom homem, sempre me ajudava com as coisas da casa, se preocupava comigo e ainda me divertia muito. Acho que eu estou me apaixonando por ele, isso não deveria acontecer porque eu não sou o tipo de mulher certa pra ele, mas está acontecendo.
[...]
No dia seguinte como combinado o Uchiha apareceu na loja e veio falar comigo.
— Olá Sakura, pensou bem sobre a minha proposta?
— Pensei Sasuke e eu aceito. Vou nessa festa com você.
— Sabia que você não iria recusar. Agora me passe seu endereço, eu vou te buscar no sábado. – ele anotou meu endereço. – Vem, agora vamos jantar juntos, tenho que conhecer algo a mais sobre você.
— Por quê? Eu só tenho que ser a sua acompanhante.
— Mas como eu vou apresentá-la se eu não souber nada sobre você? venha. – disse me puxando pelo braço, ok agora ele estava sendo meio grosso comigo.
— Ta bom, mas para de me puxar que eu não sou seu bichinho de estimação ok?
— Tudo bem, é nervosinha? – disse enquanto me soltava
— Não, você que é. Se quer tanto que eu vá contigo nessa festa então trate de ser educado.
— Eu sou educado.
— É tanto que saiu me puxando pelo shopping, olha só seus modos. – o repreendi.
— Olha lá o tom de voz que você fala quando se refere a mim.
— Vai fazer o que? Vai me bater? Valentão.
— Atrevida!
— Idiota!
— Irritante!
— Eu não sou irritante caramba!
— É sim, agora se comporta que a gente vai jantar num restaurante fino.
— Eu não vou te obedecer.
— Não é me obedecer, é apenas ser educada. Você sabe ser educada não sabe?
— Sei, mas apenas com quem merece e você com certeza não é uma dessas pessoas que merece minha educação.
— Então em respeito às outras pessoas seja educada.
Entramos no restaurante e nos acomodamos na mesa de sempre do cavalheiro que me acompanhava (que por sinal era um completo imbecil) e jantamos durante o jantar ele me interrogou.
— Faz o que da vida além de trabalhar na loja?
— Sou estudante de administração, estou no segundo período e você?
— Sou estudante de economia, segundo período também. Sua família mora onde?
— No interior, meus pais são empregados numa fazenda.
— Veio à cidade grande em busca de uma vida melhor?
— Também, mas meu principal objetivo é a minha independência.
— Posso te ajudar nisso.
— Como?
— Estou precisando de uma secretária, você teria interesse de trabalhar comigo na empresa da minha família?
— Bem, eu ganharia mais do que ganho na butique?
— Pago o dobro.
— Por que essa boa vontade toda comigo? Qual seu interesse?
— Meu irmão despediu minha secretária, estou precisando de uma nova. – deu de ombros
— Só isso? – eu não acreditei nele.
— É, mas se você quiser pode fazer uns serviços por fora pra mim – sim, agora ele estava me ofendendo.
— Olha aqui seu filhinho de papai, você não pode ficar me... – fui interrompida
— Não me interprete mal. Eu não estou te cantando. O serviço que quero que faça é me ajudar a deixar a minha ex enciumada.
— Como eu faria isso?
— Apenas frequentando, como minha acompanhante, as festas da sociedade e trabalhando comigo.
— Sem envolvimento pessoal?
— Nenhum, apenas profissional.
— Tudo bem, vou pedir demissão na butique e começo a trabalhar quando?
— Depois de amanhã está bom pra você?
— Ótimo, chefinho.
— Você me irrita.
— Não pense que eu gosto de você, porque eu realmente não gosto.
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