Us Against The World
3 Capítulo 2 - Five Stages of Grief
Notas iniciais
O luto vem de maneiras e tempos diferentes para cada pessoa. Luto talvez seja a única coisa que todos nós temos em comum — além da morte, embora aja completamente diferente de pessoa para pessoa.
Não é apenas a morte que temos que ter luto por. É a vida. A perda. A mudança. E quando indagamos porque isso é literalmente uma merda, é aí que dói mais ainda.
Mas é assim que nós permanecemos vivos. É assim que conseguimos sobreviver de nascer de sol à pôr do sol. Quando dói tanto que não conseguimos respirar. E ainda, lembrando que, um dia, não vai sentir-se assim, não vai doer tanto. Então o máximo que podemos fazer é tentar. Tentar seguir em frente, apesar de tudo.
E a pior parte, nós não podemos controlar o luto. O melhor que podemos fazer é tentar sentir a nós mesmo quando ele vem. E deixar ele ir, quando podemos. Mas pior ainda, quando pensamos que conseguimos seguir em frente, começa tudo de novo. E toda vez, ele leva nosso fôlego.
Para seguirmos em frente, é preciso passar pelos cinco estados do luto. Eles sempre vem de formas diferentes, mas são sempre cinco.
Negação.
Raiva.
Barganha.
Depressão.
Aceitação.
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Uma vez terminada a cirurgia de Meredith, ela foi levada para um quarto, onde Callie colocou seu braço em uma tipóia, enquanto inconsciente.
Nenhum dos médicos sabia como lhe contar as notícias. Sabiam muito bem que ela não reagiria bem, não reagiria nada bem bem de fato. Meredith Grey já havia perdido várias pessoas em sua vida, mas certamente nenhum deles chegariam aos pés de Derek Shepherd, o amor de sua vida, o pai de suas crianças, o homem que ela fez votos de amar na alegria e na tristeza, até que a morte os separasse — e agora, a morte realmente havia os separado.
Cristina a assistia de longe, do outro lado do vidro. Não conseguiria enfrentá-la agora, seu marido acabara de morrer em suas mãos. Não sabia se ela jamais seria capaz de perdoá-la.
"Você deveria estar lá com ela" Owen se aproximou da sua ex mulher.
"Ela provavelmente não me quer lá com ela. Eu matei seu marido" Cristina suspirou.
"Você é sua melhor amiga. Com tudo que vai passar agora, certamente você será a pessoa que ela mais precisará"
"Ela me culpará" continuou.
"Você sabe que Derek não morreu por sua causa, não é?"
"Right" ela disse, embora havia um pouco de ironia em sua voz. Ela se virou e começou a andar para longe.
"Onde você está indo?" Hunt questionou.
Sem olhar para trás, ela respondeu: "Eu não posso ser a pessoa que lhe diz que Derek morreu"
Hunt suspirou e olhou para Meredith. Suspirou uma outra vez. Os dois sempre tiveram uma relação meio esquisita, especialmente por Cristina ser sua melhor amiga. E agora seria ele quem lhe daria as piores notícias de sua vida, o que provavelmente a faria odiá-lo ainda mai, embora ele não poderia culpá-la, além do mais, Derek tinha morrido em suas mãos.
O sol já começara a subir no céu.
Kepner havia ido a sua casa para trazer as crianças para o hospital. Não apenas para deixar a babá ir embora , mas porque, certamente, uma vez que Meredith ficasse sabendo sobre Derel, as únicas pessoas que quereria ver seria seus filhos.
Ele viu, ainda do outro lado do vidro, Meredith abrir seus olhos. Tomou uma respiração profunda e entrou em seu quarto. "Você está acordada, isso é bom"
Ignorou-o totalmente. "Como está Derek?"
Owen sentou-se na beirada da sua cama. "Meredith..." ele pausou por alguns segundos, e a médica se apavorou.
"Não diga isso..." ela implorou, lágrimas já aparecendo no canto de seus olhos.
"Eu sinto muito"
"Não..."
"We did everything we could"
"Não!"
Ela já estava histérica a esse ponto. Isso não podia estar acontecendo, ela pensava, Derek não podia estar morto! Ele não podia tê-la deixado sozinho com seus dois filhos!
"Derek..." ela sussurrou seu nome, em descrença.
April apareceu na janela, com o pequeno Bailey em seus braços e de mão dadas com Zola. "Suas crianças estão aqui" disse Owen "Você quer vê-las ou que Kepner as deixe na creche?"
Ela limpou as lágrimas que desciam em peso por suas bochechas, permitindo que as crianças entrassem. "Mamãe!" a menina gritou, correndo para os braços de sua mãe.
Meredith a abraçou forte, sem dizer uma única palavra.
Um outro par de lágrimas deslizou por suas bochechas.
"Mamãe, por que cholar?" Zola perguntou, ao perceber as lágrimas saírem dos olhos de sua mãe.
Meredith mordeu o lábio inferior. Como ela deveria dizer a sua filha de três anos que seu pai estava morto? Sem contar que seu outro filho sequer conseguiria entender o que estava acontecendo.
"Mamãe está apenas feliz por te ver" ela mentiu, então pegando o bebê dos braços de April.
Tanto Kepner quanto Hunt então saíram do quarto, deixando-a sozinha com seus filhos. Sozinha. Eram raros os momentos que ela estava completamente sozinha com os dois e agora seria apenas ela cuidando dos dois.
"Onde está papai?" a menina continuou a perguntar.
Meredith mais uma vez sentiu as lágrimas chegarem aos seus olhos. Zola sempre foi mais apegada a ela, mas no último ano, quando ela começou a trabalhar mais com sua pesquisa, as crianças acabavam por passar o dobro de tempo com seu pai. E, Bailey era o garotinho do papai, era apenas Derek quem conseguia fazê-lo dormir ou quem conseguia fazê-lo comer sua papinha.
"Papai está trabalhando" mentiu uma outra vez.
"Mas tia April disse que mamãe e papai ficaram dodóis e tiveram que ir pro hospital?"
Como se diz aquele ditado, a mentira é um monstro de perna curta. Meredith não pretendia mentir sobre Derek para sempre, apensas esconder a verdade até que estivesse pronta para dizer as três palavras em voz alta: Derek está morto. E até então, ela não estava pronto para dizer tais palavras e não sabia se estaria pronta para dize-las tão cedo.
"Sim, tia April estava dizendo a verdade. Mamãe e papai se machucaram e tiveram que vir para o hospital. Papai agora está dormindo"
De certo ponto, ela não estava mentindo. Tecnicamente, Derek estava dormindo, ele só não iria acordar novamente.
"Papai está bem?"
Meredith abriu a boca para dizer algo, mas não teve a chance, já que o pequeno Bailey começou a chorar em seus braços. Ela tentou ajustá-lo em seu colo, mas era difícil, já que um de seus braços estava em uma tipóia. E ela tampouco podia se levantar, devido a dor vinda da incisão da cirurgia que tivera na noite anterior.
"Zola, você pode ajudar a mamãe?" pediu e a criança assentiu. "Você pode ir ali e pegar a bolsa?"
Ela pegou e Meredith tirou uma mamadeira lá de dentro e tentou alimentar o bebê, mas ele simplesmente não queria morder o bico.
Callie passou pela porta de seu quarto com Sofia em seus braços e a viu com dificuldades para cuidar das duas crianças. Entrou. "Mer? Você quer ajuda?"
Com o decorrer do tempo, as duas tinham se tornado grandes amigas. Como Sofia e Zola eram praticamente melhores amigas, não tinha como elas não se tornarem amigas também. Quando Callie estava tendo problemas com Arizona, ela se hospedou em sua casa por um bom tempo. E agora, com todos os problemas que Meredith estava tendo com Cristina, podia-se dizer que Callie era sua nova melhor amiga.
Zola correu para ir falar e brincar com Sofia, e Meredith olhou para Callie com um olhar desesperado. Callie foi e pegou o bebê e com um pouco de dificuldade, conseguiu fazê-lo pegar a mamadeira. "Wow. Ele realmente é difícil" brincou, mas ficou séria novamente quando viu que Meredith não riu. "Como você está?"
Ela continuou em silêncio. Como ela estava? Não tinha ideia. E tampouco sabia se existia uma única palavra que descrevesse tudo que ela sentia. Estava triste, triste por ter perdido o amor de sua vida assim tão de repente. Estava com raiva, raiva dele tê-la deixado sozinha com seus dois filhos.
"Você já contou a Zola?"
"Não..." ela respondeu "Eu não posso dizer a ela que... eu não consigo dizer que Derek..."
Ainda, Meredith não conseguia dizer as três palavras. Era como se elas ficassem presas em sua garganta toda vez que ela tentasse dizê-las. Mal conseguia admitir que aquelas três palavras eram reais.
Negação. O primeiro estado do luto.
E agora, ela tinha que enfrentar outros quatros.
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