Us Against The World

6 Capítulo 5 - Carpe Diem


Notas iniciais
Olá seres :) Bem, não posso mentir que a quantidade de reviews do último capítulo me decepcionou um pouco, mas, como prometido, aqui está o capítulo 5. E, para aqueles que continuam aqui comigo, agradeço por continuarem a ter fé nessa fic, mesmo com o Derek estando parcialmente morto hahaah. Enjoy *-*

Carpe diem significa aproveitar o dia o máximo possível. Mas, se estivermos 'carpeando' o dia, como hemos de planejar uma vida? Uma família? Uma carreira?

Se realmente 'carpeássemos' o diem, não haveria profissionais, mal haveria relações entre pessoas, já que todos estariam ocupados demais vivendo no agora, o que seja que isso signifique, para irmos para a escola — não que houvesse alguém que deixaria de viver seu agora para ir partilhar seus conhecimentos.

Os romanos, de certa forma, tinham um ponto. Temos que viver nossa vida. E viver significa que toda manhã, ao acordarmos, temos que fazer uma escolha: acanhar o que a vida tem a oferecer no momento, ou seguir em frente, apesar de o tempo estar bom ou ruim.

E ainda, há a terceira opção: fechar as cortinas da vida e simplesmente bloquear o dia.
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O vestido preto apossou seu corpo. Os saltos, também pretos, faziam-na ficar um pouco mais alta — não que isso importasse. A maquiagem era de tons escuros, toda escuridão conveniente com as ocasiões daquele dia.

Assim como sua mãe, Zola e Bailey tinham vestimentas pretas. Era o dia do funeral.

"Mamãe, eu vou ver Sofia agola?"

"Hm... Talvez mais tarde, Zo"

"Ela vai ir ver o papai com a gente?"

Mais cedo naquela manhã, Zola perguntara a sua mãe onde iriam e Meredith respondeu-lhe que iriam dizer adeus ao seu pai. Claro que logo veio a pergunta da criança, "para onde papai vai?", e mais uma vez, Meredith teve que dizer: "papai foi morar no céu". Desta vez, a criança não chorou. Era como se estivesse bem com o fato de que seu pai iria morar no céu. Mas Meredith tinha dúvidas que ela realmente entendia o que estava acontecendo.

"Sim, ela vai" respondeu simplesmente"

Fazia-se dois dias que haviam voltado para casa. Cristina, desde então, tinha praticamente mudado-se para sua casa. Dizia que era para evitar as melações de Alex e seu novo amor, Jo, mas Meredith sabia muito bem que queria ajudá-la e não reclamava. Era realmente grata por tê-la ao seu lado.

"Mer? Você está pronta?" Cristina apareceu em sua porta.

Deu um último retoque no vestido de Zola e maneou a cabeça. "Onde está Bailey?"

"Eu já o coloquei em sua cadeirinha no carro"

Levantou uma sobrancelha "Você deixou uma criança de menos de um ano sozinha em um carro?!"

"Eu deixei a porta aberta" argumentou, mas Meredith continuou a encará-la "Relaxe, Mer, Bailey está bem, eu apenas o deixei sozinho por um par de minutos"

Meredith finalmente assentiu. Sabia que Cristina jamais faria mal a uma de suas crianças. Pegou então Zola em seus braços e dirigiu-se ao carro.

O céu estava escuro, nublado, como se estivesse prestes a chover. Não que isso fosse inusitado, eram raros os dias que não chovia em Seattle. Ela só desejava que não chovesse justamente neste dia.

Ao chegarem no local do velório, viram alguns de seus amigos e colegas de trabalhos já lá. Todos olhavam para ela com piedade e Meredith odiava isso. Certamente, se ela fosse uma outra pessoa, também sentiria dó de si mesma, mas isso não significava que gostaria de ser encarada.

"Todas essas pessoas tão aqui pala dizer tchau pala papai, mamãe?" Zola perguntou.

Meredith engoliu um nós na garganta. "Sim"

"Essas pessoas são amigas do papai?" curiosa, perguntava.

"Sim" repetiu.

Ela não queria chorar, não na frente de sua filha, não na frente de ninguém. Estava cansada de chorar. Honestamente, tudo que queria era entrar em um cômodo escuro e esquecer-se do mundo.

Pegou Zola em seus e junto a Cristina, quem tinha o pequeno Bailey em seu colo, aproximou-se do grupo de pessoas que ali já estavam.

Derek já estava dentro do caixão. Meredith não queria vê-lo uma outra vez, não daquele jeito, sem vida. A imagem dele morto naquela mesa já aterrorizava-a, e realmente não queria ter outra imagem assim em sua mente.

A cerimônia estava prestes a começar. Pessoas iam chegando cada vez mais e mais, até que o lugar estava, de certa forma, cheio.

Havia um reverendo a frente de todos. Como a ida de Derek tinha sido assim tão de repente, Meredith optou por fazer uma cerimônia tradicional, já que nenhum dos dois chegaram a conversar sobre o que fazer se algo acontecesse, enquanto ambos ainda estava vivos.

Tentava se focar no que o homem a sua frente dizia, mas simplesmente não conseguia. Lembrava-se do funeral de George, onde ela, Izzie, Cristina e Alex fugiram da cerimônia e começaram a rir. Se pudesse, se aquele não fosse seu marido que estava sendo enterrado, ela faria isso uma outra vez, só que ao invés de rir, choraria — por mais cansada de chorar que estivesse.

Uma chuva fina começou a cair do céu e Meredith amaldiçoou-se. Sabia que estava propenso a chover, mas ela esperava que não. Esse dia já era triste e depressivo suficiente, e a chuva apenas o piorava.

Sentiu de repente a chuva parar de cair sobre ela. Olhou para o lado e viu que Cristina segurava uma guarda-chuvas sobre ela. Tomou-o de sua mão e agradeceu a gentileza de sua amiga.

Logo, a cerimônia acabou. Meredith saiu de lá o mais rápido possível. Não queria que as pessoas viessem falar com ela, dizer-lhe o quanto sentiam muito. Pois bem, dizer-lhe que sentiam muito não a ajudaria, não a faria sentir-se melhor.

"Mamãe" Zola, em seus braços, chamou-a.

"Sim, Zozo?" sua mãe lhe respondeu, enquanto caminhava para longe.

"Quando papai vai voltar pala casa?"

Meredith nunca pensou que ouvir algo de sua filha doeria tanto. Ao menos, não nesta idade. Sabia que quando fosse mais velha, as chances da menina a machucar com suas palavras, só que propositadamente, eram grandes. Meredith havia machucado inúmeras vezes sua mãe — embora Ellis nunca se importou suficiente com ela para realmente se machucar.

Ela então engoliu um seco, e sem coragem de contar-lhe a verdade, uma outra vez, disse: "Logo, meu amor"

"Meredith!" Cristina veio atrás dela. "Você desapareceu do nada"

"Eu não conseguia ficar mais lá" respondeu "Can we please justo go home?"

Tem-se três escolhas para fazer diariamente: acanhar o que a vida ter a fornecer instantaneamente, seguir em frente ou simplesmente bloquear o dia.

E naquele momento, Meredith Grey escolheria fechar as cortinas da vida e simplesmente bloquear o dia.

Notas finais
O funeral, coitada da Mer.... Reviews me deixam felizes, não se esqueçam. Ah, e também não se esqueça que o Derek não está morto.