Ursula - A História Não Contada
2 Quer se casar comigo?
Notas iniciais
O tempo passou e a família de Úrsula visitava a família de Eric com certa frequência. Úrsula corria pelo castelo ao lado do pequeno Eric, que agora estava com cinco anos de idade. Úrsula adorava brincar com ele porque conseguia ser melhor em tudo, era mais rápida e mais alta, afinal, já estava com dez anos.
Algumas vezes os dois também roubavam alguns biscoitos da cozinha e se escondiam para comê-los em um lugar que poucos iam no castelo. Visitar Eric eram sempre dias divertidos.
Layla, agora com seus dezessete anos, sempre acompanhava a irmãzinha nessas visitas. Ela sempre levava um livro para passar o tempo. Algumas vezes conversava com a Rainha Frida, outras vezes brincava um pouco com Úrsula e Eric e era sempre ela que tinha de dar a má notícia que era hora de voltar para casa.
Chegando em casa, Úrsula ainda estava cheia de energia e falava de Eric sem parar. Era muito difícil colocá-la para dormir depois das visitas.
E os anos continuaram passando...
— Você é tão bonita — disse Eric para Úrsula enquanto estavam sentados em um banquinho no jardim.
— Você diz isso porque está acostumado comigo — Úrsula riu.
Ela estava com dezesseis anos e ele com onze. Os cabelos de Eric eram pretos e brilhantes e seus olhos azuis eram brilhantes. Os olhos de Úrsula eram levemente acinzentados e seus cabelos castanhos eram grandes e sedosos.
— Não é verdade! Eu realmente te acho bonita! A mais bonita de todas! — O pequeno Eric se sentiu ofendido com o comentário de Úrsula. — Eu quero me casar com você.
— Nós já vamos nos casar Eric — ela ria.
— Desde quando você ficou tão chata? — sua voz ainda não era tão grossa e ele parecia uma criança birrenta quando cruzou os braços e fechou o semblante.
— Desde que... eu não sei aceitar direito um elogio — ela riu e deu um beijo no rosto dele. — Também te acho bonito — ela fez carinho no rosto dele e ele a abraçou de forma carinhosa.
Quando ela e a irmã foram embora, Úrsula estava um pouco mais séria do que de costume. Layla, com vinte e três anos agora, nunca tinha visto a irmã tão triste como daquela vez. Ela se sentou ao lado dela para conversarem.
— Por que está triste assim?
— Ah, não é nada...
— Claro que é. Nunca te vi tão triste quando partimos da casa do Eric.
Úrsula suspirou e olhou para o sol que já estava sumindo.
— É que... eu cansei de ter que lidar com o Eric, sabe? Ele é uma criança, fica querendo brincar, correr, fica falando que eu sou bonita... mas na verdade eu sou a única que ele viu... eu queria que ele me achasse bonita porque realmente sou e também cansei de só ficar brincando, entende? — ela olhou para Layla buscando por compreensão.
— Entendo perfeitamente. Meu noivo também cansou de ter que lidar comigo durante um tempo. Agora que estamos nos conectando de novo.
— E daqui a pouco você vai embora... não é? — ela disse completamente triste.
Layla fez carinho no rosto de Úrsula e deu um sorriso.
— Vou sim. Mas você já está grande e Eric se tornará um grande homem, que vai te proteger e te amar pra sempre. Acho que ele consegue segurar você no meu lugar — ela deu uma risadinha e Úrsula a abraçou forte.
— Eu te amo, Layla.
— Também te amo, Úrsula — ela fez carinho nos cabelos da irmã.
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Quatro anos depois...
— Para que esse monte de pano? — Úrsula perguntou segurando um monte de tecido branco pesado e se embolando neles
— Para o meu casamento — disse Layla contente enquanto os costureiros tiravam suas medidas.
— Vou esconder seus panos, aí você não precisa ir — Úrsula apertou os olhos, como se estivesse tudo bem planejado.
— Deixa de ser boba — Layla riu. — Já está na hora de eu ir e em breve será você.
— Ai, o meu vai demorar... Eric só tem quinze anos... — disse Úrsula com um pouco de desânimo.
— Falando nisso, temos que visitá-los e entregar o meu convite de casamento a eles.
Úrsula revirou os olhos e se afundou no monte de tecido branco, ela não estava nem um pouco animada para ver Eric e suas visitas haviam diminuído durante esses quatro anos, eram quase uma visita por ano.
Dois dias depois elas foram visitá-los. Layla e Úrsula estavam com vestidos parecidos, eles eram levemente rosa com detalhes dourados e vermelhos e elas usavam a coroa de asinhas perto das orelhas. A diferença de seus vestidos era que o de Úrsula tinha mangas curtas e o de Layla mangas compridas e com renda em seu colo. Elas entraram no salão e antes que Layla pudesse fazer o convite, a Rainha Frida a interrompeu:
— Úrsula, Eric pediu que o encontrasse na entrada do jardim.
Úrsula ficou assustada. Respirou fundo, deu um sorriso e uma leve reverência e partiu ao encontro do Eric adolescente. Chegando lá, ele estava com uma roupa branca elegante com detalhes em azul e dourado. Seu cabelo estava com um corte elegante, era liso, porem com volume e movimento. Ele também estava um pouco mais alto que Úrsula e ela se surpreendeu.
— Desde quando está mais alto que eu? — ela perguntou surpresa ao vê-lo.
Ele deu uma risada e seu sorriso foi contagiante. Úrsula se assustou de tão bonito que ele estava.
— Desde quando parou de vir me ver — ele disse olhando fixamente nos olhos acinzentados de Úrsula.
— Ah... minha irmã está ocupada com o casamento e...
— Não quero falar da sua irmã — ele a cortou delicadamente. — Eu quero te mostrar uma coisa muito legal que pedi para construírem especialmente pra você — ele sorriu e esticou a mão para que ela pegasse.
Ela aceitou e de mãos dadas eles caminharam pelo jardim até um borboletário maravilhoso, branquinho, com flores ao redor. Eric abriu a porta e eles entraram. Lá dentro haviam muitas flores e muitas borboletas de várias cores que voavam perto de Úrsula, pousavam em seus cabelos e até em seu vestido. Úrsula se encantou e não conseguia parar de sorrir e Eric não parava de observá-la. Ela era o amor de sua vida e fazê-la sorrir foi sua grande conquista, pois haviam anos que ela não sorria e seus olhos não brilhavam daquela forma.
— Úrsula?
Ela olhou pra ele ainda sorrindo. Eric se ajoelhou e pegou a mão dela.
— Você aceita se casar comigo?
— Ora essa, já não vou me casar? — ela achou engraçado, mas permaneceu com a sua mão entregue e olhando para ele com um sorriso encantador.
— Não, eu quero te pedir. Na época eu era um bebê. Hoje eu sei a garota incrível que você é e tenho certeza que quero ter você ao meu lado para reinarmos juntos. Quero ver esse sorriso de hoje todos os dias, quero levar nossos filhos para brincar na praia, quero me casar com você e nenhuma outra. Você aceita se casar comigo?
— Claro que sim — Úrsula sorriu e ele sorriu de volta.
Eric se levantou, se aproximou dela, pegou sua nuca e lhe deu um beijo na boca. Úrsula se surpreendeu. Eles se olharam, ainda próximos um do outro e Eric a beijou novamente. Dessa vez ela fechou os olhos, ela nunca havia experimentado essa sensação antes. Seu coração se aqueceu, assim como o de Eric e quando pararam de se beijar, eles começaram a rir. Úrsula o abraçou forte, naquele momento ela percebeu que estava morrendo de saudades de Eric e decidiu correr pelo jardim, para que ele a pegasse, como se fossem crianças, mas dessa vez a brincadeira era diferente, os sentimento eram diferentes...
Layla os observou correr e começou a rir. Bastava apenas Eric crescer um pouco mais, ela entendia bem como era e estava feliz em vê-los juntos e felizes novamente.
Naquele dia elas decidiram voltar um pouco mais tarde, pois Layla queria deixar a irmã se divertir um pouco mais. Na volta, Úrsula estava em seu estado normal. Sorridente e falante. Até que o navio jogou Úrsula na direção de Layla. As duas se assustaram.
— Fique aqui, vou ver o que está acontecendo — disse Layla colocando a irmã ao seu lado.
O navio jogou para o lado mais uma vez. Úrsula decidiu sair atrás da irmã e viu que eles estavam no meio de uma horrível tempestade.
— Cuidado, princesas! — disse um dos marinheiros.
Layla estava no meio tentando ajudar a segurar as cordas, as velas, o que fosse preciso para manter o navio em equilíbrio. A água começou a subir no navio e quando voltou, um dos marinheiros foi puxado junto com a água. Layla olhou assustada para Úrsula.
— Sereias! — gritou o Capitão — Princesas! Voltem a seus aposentos, cuidado com a água, as sereias se aproveitam para conseguir a refeição delas!
— Sereias? — Ursula ficou assustada.
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