Urgência

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olha a hora que eu to postando isso, nem revisei aaaaaaa

Deu tudo errado. Todos os esforços que fizeram, todos os planos que bolaram, foi tudo por água abaixo. Vecna levou todas as crianças, e Will… descobriu ter… poderes?

Joyce observou aquilo acontecendo, viu seu menino salvar o amigo de um ataque fatal de demogorgon, como El fazia, ele até limpou o sangue do nariz! Como aquilo era possível? O que aquele monstro fez com seu Will?

Foi com desespero que o viu cair, provavelmente por se esforçar demais. Eleven também ficava fraca quando usava muito os poderes. Achou que tinha acabado, que aquelas sensações eram só sensações, não que ia piorar a ponto de deixá-lo assim, poderoso. Não sabia se isso era uma coisa boa, ela tinha medo, muito medo. Correu até ele e o chamou repetidas vezes, enquanto Mike também tentava acordá-lo.

— Will! Por favor, meu amor, fala comigo!

— Temos que sair daqui. Segura de um lado e eu seguro do outro.

Os dois carregaram Will para um dos carros militares que estava ali ainda inteiro, e Joyce pisou fundo até a rádio. O colocaram no sofá e Joyce cobriu o rosto com as mãos enquanto estava agachada ao lado dele.

— Ele matou o demogorgon do mesmo jeito que o Vecna matou as vítimas dele. — Mike comentou. — Lucas descreveu a mesma coisa sobre a Max. Vai ver ele… absorveu esse poder… sei lá.

— Na nossa situação… isso é bom, mas…— Joyce suspirou. — O que isso vai fazer com ele?

— Ele vai ficar bem, tia Joyce. Foi só… só um pouco de poder que ele absorveu, ele não vai ficar mau nem qualquer coisa do tipo. Eu sei que não. Ele me salvou, o Will ainda está aí.

Se não bastasse isso, Jonathan não respondia, não sabia onde Hopper e El estavam… Joyce era um poço de preocupações.

Will acordou, disse que estava bem e Joyce não sabia dizer quanto tempo se passou quando ouviu um carro e vozes conhecidas.

— El? — Mike saiu correndo pra fora. Se Eleven tinha voltado, Hopper também tinha. Será que Jonathan encontrou eles?

Foi com alegria que viu não só seus filhos, seus amigos e uma menina desconhecida, mas viu Hopper também vindo atrás.

Ela correu, só correu o mais rápido que pôde e se jogou em seus braços.

— Quer me matar de preocupação?

Sentiu os braços dele a envolverem por completo e os lábios dele encostaram em sua cabeça. Mas o que ela também sentiu foi uma superfície esquisita em sua bochecha enquanto estava abraçada a ele. Tinha algo embaixo do casaco, ela sabia, já tinha abraçado ele vezes o suficiente pra não perceber que tinha algo estranho ali.

— O que é isso?

Nem deu tempo dele impedi-la, só de fazer uma careta. Ela sentiu as bombas e ela viu as bombas.

— Que droga é essa, Hopper?? Tira isso! Ficou maluco? — ela mesma abriu o casaco e fez ele tirar.

Então ela percebeu, olhou bem nos olhos dele e virou para trás olhando para El. Ninguém precisou dizer nada.

— Você ia…?

Uma facada doeria menos do que o olhar de choque e medo que ela lhe dirigiu.

— Joyce, eu faria o que fosse preciso pra manter vocês duas em segurança. Isso foi só uma garantia que, olha! Não precisei usar. Está tudo bem.

— Não está tudo bem, Hopper! Todos os planos deram errado! Aquele babaca levou as crianças enquanto meu mais novo tinha outra crise por conta da conexão, eu não tinha sinal de vida do meu mais velho nem da minha menina, e o amor da minha vida estava prestes a se matar DE NOVO! Hopper, eu ia te perder de novo! — foi aí que depois de gritar, a voz dela falhou. — Eu não… eu não posso te perder de novo.

— Você não vai.

Hopper segurou o rosto de sua amada com as duas mãos enquanto os olhos dela brilhavam pelas lágrimas que teimava em segurar. Os demais deram privacidade a eles e entraram.

— Promete! Promete que não vai mais tentar se sacrificar por nós.

Hopper hesitou.

— Não posso prometer isso, amor.

Joyce deixou as lágrimas rolarem, de medo, de raiva.

— Teimoso metido a besta! — deu um soco em seu peito. Isso o fez sorrir, mas não deixou que ela visse, só a abraçou de novo. Joyce retribuiu forte pela cintura e isso o fez recuar involuntariamente.

— Que foi?

— Nada demais, só um machucadinho. El já fez um curativo.

— Foi ferido? Pelo amor de Deus, deixa eu ver isso!

— Tá tudo bem, Joyce.

— Pra dentro, Hop! Agora!

E lá vai ele, obediente, seguindo as ordens de um ser de 1,60 que dava mais medo que o Vecna.

Joyce trocou o curativo que já estava em momento de trocar e eles esqueceram seus dramas pessoais por um momento, para ouvir Kali e debaterem sobre os próximos passos. O que fariam agora que deu merda e tinham três jovens com poderes prontos pra briga? Tinham que ser rápidos, mas no momento Kali e El precisavam se recuperar e Will precisava processar o que aconteceu.

Foram todos descansar para mais tarde, com a bateria carregada, os três tentassem abrir um portal para o mundo invertido juntos. Antes de ir, Joyce garantiu que seus meninos e sua menina estavam bem, pois só assim conseguiria dormir.

El e os irmãos ficaram com os Wheelers na rádio para que Joyce e Hopper pudessem ter privacidade na cabana. O clima estava meio tenso, então era melhor.

O caminho foi silencioso, chegaram em casa sem dizer nada. Joyce foi direto tomar banho de porta trancada, sem chance de brecha pra ele entrar junto como já aconteceu.

Hopper foi em seguida e quando saiu a encontrou no quarto, olhando pela fresta da janela, por entre as tábuas. Estava distraída e se assustou um pouco quando ele a abraçou por trás.

— Hey…

— Oi…

— Você está bem?

— Não… Ele vai conseguir o que quer. — disse ela com raiva e ao mesmo tempo desesperança na voz. — Vamos todos morrer.

— Não, não. Não vamos não. — Hopper se soltou apenas o suficiente para virá-la para si. — Vamos matar esse desgraçado, vamos pôr um fim nisso de uma vez por todas. Dessa vez, dessa vez vai dar certo.

— Eu não acredito nisso, Hop.

— Hey. — ele acariciou o rosto dela. — Confia em mim. Nossos filhos vão conseguir, nós vamos conseguir. — o fato dele ter dito “nossos filhos” fez o coração dela aquecer. — E sabe o que vamos fazer depois? — ela esperou que ele continuasse. — Vamos sair desse buraco, mas não sem antes passar a noite no Enzo's e fazendo o que planejamos depois. — ele conseguiu colocar um sorriso mínimo no rosto dela com isso. — Depois vamos pra bem longe, morar numa casa no campo e vamos receber as crianças quando estiverem de férias da faculdade. E eu vou passar todos os meus dias te fazendo a mulher mais feliz e amada do mundo inteiro.

Não havia amor maior no mundo do que o que ele via nos olhos daquela mulher, e aquele sorriso! Aquele sorriso que fazia tudo valer a pena.

— Nós vamos conseguir, Joyce. — enfatizou por fim.

— Deus sabe que eu não vou parar de lutar, por mais desacreditada que esteja num final feliz. — a voz dela continuou embargada. — Tudo o que eu quero agora é proteger os meus filhos e… — o nó se formou ainda mais. — Não desgrudar de você nem por um minuto. — uma lágrima escorreu, com os últimos acontecimentos ela não conseguia evitar. — Por favor, Hop, não sai de perto de mim…

Naquele momento de desespero e desesperança, ela só precisava se sentir segura, e nos braços dele ela sempre estaria segura.

Hopper a segurou com firmeza e lhe deu um beijo que foi correspondido com vontade e urgência. Muita urgência.

Naquele quarto era uma mistura de calor, barulhos de beijos, respirações ofegantes, línguas enroscadas, mãos criando vida própria, peças de roupa voando, cama rangendo, gemidos, sussurros… dois corpos se amando como outras vezes já fizeram, mas com o medo de nunca mais terem essa chance de novo. A urgência daquele momento não deu espaço para preliminares, mas nem por isso foi tão rápido.

Quando desabaram, cansados, podiam sentir aquele medo se esvaindo. O silêncio de alguns minutos até a respiração voltar ao normal foi quebrado, assim que Hopper se apoiou no antebraço e cotovelo e a olhou com ternura, e com um sorriso escondido. Ela realmente ficava mais linda a cada dia.

— Estou perdoado?

Joyce tentou não sorrir.

— Temos que descansar.

— Estou bem descansado. — piscou. — Me diz se estou perdoado primeiro.

Vencida, ela sorriu daquele jeitinho dela.

— Está perdoado.

Hopper fingiu comemorar com o braço esticado dizendo um “uhuull” e isso a fez soltar o riso.

— Bobo!

— Senti saudade disso.

— Do que? Um momento a sós?

— Da sua risada. — ele chegou pertinho dela tocando seu rosto e fazendo uma leve carícia. — Senti falta de ouvir. — Joyce sorriu e beijou a palma da mão dele. — Mas o momento a sós também, é difícil já que vivo me escondendo. Pro resto do mundo eu sou um homem morto, lembra?

— Hm, eu diria que não tem nada morto aqui.

Não era só porque era fofa e séria que não soltava uma dessas às vezes.

— Ah, que beleza. — a cara de safado dele foi bem mais evidente e ela riu novamente, recebendo um beijo.

— Vamos dormir, vai.

Os dois se acomodaram na cama, de conchinha. Joyce a conchinha menor, claro, e Hopper a maior.

Antes de pegarem no sono — enrolados num lençol fino, pois seus corpos desnudos já se encarregavam de se aquecerem grudados um no outro —, Hopper a escutou sussurrar:

— Hop…

— Hm? — respondeu ele de olhos fechados.

— Eu amo você.

Um sorriso brotou nos lábios dele.

— Caramba, que sorte a minha. — Joyce sorriu e sentiu a barba dele roçar em suas costas, seu pescoço e seu ombro, até finalizar com um beijo em seu braço. — Também amo você.

Iam até o fim do mundo pra viver esse amor, não importava o quanto aquele enrugado sem nariz tentasse impedir.

Notas finais
Não teve detalhes do hot, peço desculpas as leitores fogosas, mas é que eu sou ruim nisso. Poréeeem, ficou bom assim também, vai! Sobre como voltaram do mundo invertido? Não sei, gente, não se apeguem a detalhes, eu só precisava do Hopper de volta pra fic funcionar shauhsajk enfim Adorei o volume 1 ♥ Que venha o volume 2 ♥ Obrigada a quem leu ^^ Abraço de urso :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!