Upside Down
3 Capítulo 3
Notas iniciais
No caminho para a padaria dos Dupain-Cheng, Marinette suava frio com a presença de Adrien ao seu lado. Geralmente, quando estavam a sós, ela não se sentia nem um pouco pressionada. Era o único momento em que ela conversava direito com o garoto e isso teve um papel muito importante na construção da amizade entre os dois atualmente. Ela havia percebido que ele também não estava no seu normal, anotando freneticamente algo em um caderninho, parando às vezes para dar uma olhada a sua volta, mas logo voltando a escrever.
Depois de alguns minutos bastante incômodos, eles finalmente chegaram ao seu destino e entraram no estabelecimento bastante movimentado nessa hora do dia. Tom, ao ver que sua filha estava acompanhada de Adrien, prontamente preparou uma bandeja com alguns salgados que acabaram de sair do forno.
— Ora, se não é o Adrien! Como vai, meu jovem? – Tom o cumprimentou, dando um beijo na testa de Marinette e entregando-a a bandeja em seguida.
— Estou ótimo. Obrigado por perguntar – o loiro abriu um sorriso gentil, apertando a mão calejada pelo trabalho que fora estendida para ele.
— Ah, faz tanto tempo que você não vem aqui! – Sabine também apareceu com um enorme sorriso no rosto. – Sinta-se em casa! Desculpe-me por não poder dar tanta atenção, mas tem muita coisa a se fazer por aqui! – ela deu uma risadinha e se aproximou para abraçar a filha. Logo foi embora para atender aos pedidos mais uma mesa.
Depois de um lance de escada, chegaram à sala de estar. Subitamente, Mari lembrou-se de que precisava esconder todas as fotos de Adrien que estavam em seu quarto e, claro, mudar a tela de fundo do seu computador.
— Er... Adrien, me desculpa, mas meu quarto tá uma bagunça. Vou arrumar rapidinho e já volto! – Mari disse e correu escada acima, sem nem dar chance do outro responder.
Como sua amiga havia saído, ele olhou ao redor procurando o que fazer. Quase sentou no sofá, mas percebeu a capa de Ultimate Mecha Strike III em um criado-mudo perto da televisão, o que trouxe várias lembranças a ele. Mas não deixou de notar que, ao lado, também existiam vários porta-retratos. O garoto deparou-se com diversas versões de Marinette, vendo que, desde pequena, ela sempre teve esse sorriso encantador... E corou. E pensar que uma menina como ela gostava dele... Começara, então, a ter dúvidas sobre o que sentia pela morena. Marinette sempre foi uma amiga muito próxima e, com certeza, cuidou muito dele durante todo esse tempo na escola, introduzindo-o para o resto da turma. Fora Nino, Adrien poderia dizer que ele e Mari tinham uma ligação especial.
Mas, ainda assim, não podia negar seus sentimentos por Ladybug. Não importava se a heroína ainda não sentia nada por ele, nem quantas vezes ela o rejeitasse. Algum dia, ela iria abrir os olhos para o parceiro. Ele tinha convicção disso.
Adrien balançou freneticamente a cabeça, tentando apagar tais pensamentos sobre Marinette. Mas foi completamente inútil. Quando viu uma foto dela com, mais ou menos, oito anos, vestindo uma pequena roupa de padeiro, sorriu junto com a fotografia: Mari exibia um sorriso enorme e satisfeito ao segurar, orgulhosamente, uma bandeja cheia de macaroons, sem se importar com seu rosto e suas mãozinhas totalmente sujos de farinha. Havia, também, uma nota escrita à mão na parte inferior da imagem: “Primeira vez fazendo macaroons! Mari fez um ótimo trabalho depois de tanto observar o pai!”. Lembrou-se, então, que Marinette sempre deu o melhor de si em tudo e agora era uma garota extremamente talentosa, nunca tirando de vista seu sonho de se tornar uma designer. De fato, um exemplo a ser seguido.
— Adrien? – Mari finalmente voltou de seu quarto e chamou-o, tirando o loiro do transe em que estava. – Tá tudo bem? – ela desceu as escadas e foi em direção ao amigo.
Ele se virou para ela com os olhos arregalados pelo susto e corou quando ela percebeu para onde estava olhando antes. Até tentou murmurar um “isso não é o que você tá pensando”, mas ela foi mais rápida ao falar.
— Ah, você estava vendo isso. Nossa, que vergonha – Mari corou. – Isso faz muito tempo já, não liga...
— Achei muito legal que, desde pequena, você é assim, alegre – Adrien rapidamente se recompôs e sorriu para ela, que corou ainda mais.
— Alegre? Er, mas você é muito mais alegre do que eu, quer dizer, você sempre dá esse sorriso tão lind... Ahn, gentil para todo mundo... – ela respirou fundo. – Bem, acho que isso inspira muita gente a ser melhor – ela fala com uma expressão calma e delicada. – Vamos nessa?
— Er... Vamos – o rapaz ficou bastante desconcertado com a reação da amiga, mas a seguiu calado.
Adrien sempre foi um fã do quarto de Marinette. Por mais que o seu também seja muito maneiro, com todos aqueles jogos, rampas e até mesmo paredes de escalada, o dela era mais aconchegante, a seu ver. Achava simplesmente sensacional a ideia de ter que subir uma escada para ir até a cama e ainda ter uma entrada para a varanda, decorada ao seu gosto, do lado de fora – a qual ele mesmo já usou algumas vezes para conversar com a amiga.
— E aí, vamos começar? – Adrien assentiu para a amiga. – Eu não faço a mínima ideia de como fazer isso. Tá, um pouco, pelo menos. Mas eu sei que você é, tipo, um gênio em Física, né? Deve entender essa matéria também...
— Bem, eu consigo desenrolar... – ele respondeu envergonhado com os elogios.
— Não é isso que suas notas “excelentes” dizem! – Mari riu e ele acompanhou-a.
— Eu tive umas ideias. Anotei alguns exemplos no caminho para cá, olha – ele tirou seu caderno da mochila e o entregou à Mari.
— Hm, que bom! Mas acho que isso não vai ser suficiente para as cinco páginas... – ela disse analisando as anotações do loiro.
— Pode crer. Mas aí a gent... – ele foi interrompido por uma ligação. – Ah, caramba, é o Gorila. Me esqueci de avisar que ia estar aqui. Um instante, Marinette.
Enquanto Adrien conversava com o seu guarda-costas, Mari deu uma olhada no computador e percebeu que faltava pouco tempo para Chat Noir aparecer. Fechou o caderno do amigo e esperou ele terminar a chamada.
— Desculpa, Marinette, tenho que ir. Meu pai quer que eu treine o piano hoje... Me desculpa mesmo – ele disse com uma expressão triste. Mari, como tinha conhecimento de todo seu cronograma e já estava ciente disso, nem se preocupou muito.
— Eu entendo, Adrien. Mas não se preocupa. A gente marca um dia pra pensar em mais coisas, como a senhorita Bustier disse!
— Sim... Que tal amanhã? Se for com a desculpa do trabalho, com certeza consigo me livrar das aulas de chinês – ele deu uma leve risadinha.
— Pode ser! Depois da aula, então? – Mari respondeu já animada com a oportunidade de poder passar a tarde inteira ao lado do seu amado.
— Claro! Vou nessa se já tá tudo marcado.
Ele faz menção de sair, mas Marinette lembrou-se dos salgados que seu pai separou para eles.
— Adrien, espera!
Ele virou-se sem entender e seguiu ela até a cozinha, onde Mari pegou uma caixa da padaria e colocou a comida dentro dela, entregando-a a Adrien.
— Aqui está. Nem tivemos chance de comer! – ela abriu um sorriso gentil.
— Obrigado, Marinette. Você realmente sempre pensa nos outros – ele devolveu seu sorriso com um que a garota considerava o mais belo de todos. – Até mais.
Vendo Adrien entrar no carro, acenando uma última vez para ela, a fez voltar rodopiando para seu quarto. Mal podia esperar Chat Noir chegar para contar-lhe as novidades! Falando nele, estava um pouco atrasado. O sol estava quase se pondo e nada dele. Bem, ela com certeza poderia esperar mais um pouco para compartilhar a felicidade com o amigo.
~*~
Quando Adrien bateu a porta do carro e Gorila arrancou em direção à mansão dos Agrestes, ele se deu conta que tinha combinado com Marinette de se encontrarem ao fim da tarde. Bem, ela teria que ter um pouco de paciência até que Gabriel fosse enganado pelo seu filho que estaria, supostamente, praticando o piano... Mas também ele mal podia esperar para entrar no traje de herói e encontrar aquela menina tão especial. Seu coração deu um pulo ao pensar que veria seu sorriso novamente...
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