Upside Down
2 Capítulo 2
Notas iniciais
“Oh oh oh let's go
My fender strat sits all alone
Collecting dust in the corner”.
O som animado de uma das músicas favoritas de Marinette reverberou pelo quarto. Simple Plan era simplesmente a banda preferida dela, depois do seu ídolo Jagged Stone, claro.
Às 7h30, tudo o que ela mais queria era voltar a dormir, apesar de não ter todo esse luxo. Sua aula começava às 8h e ela, como representante da turma, tinha que ser “exemplo” para todos, o que ela considerava uma grande merda e sem sentido algum.
Após um bom banho e uma tigela de cereais – os coloridos eram seus preferidos –, Marinette, que estava caminhando para a escola, finalmente parou para pensar sobre a o jeito estranho como Chat Noir agira ontem à noite. A cara assustada do gatinho seria hilária se ela não estivesse com tanto sono. Foi quase como se... Ele soubesse quem Adrien era? Quem sabe. Não parecia normal ficar tão preocupado com alguém que ele salvou somente algumas poucas vezes. Mas talvez eles fossem amigos? Mari anotou mentalmente que precisava perguntar a ele isso.
“Ainda bem que Chat já combinou de passar lá em casa ainda de tarde”, pensou a garota. “Deve até ser por isso que ele me encorajou. Como Chat, provavelmente, conhece o Adrien, também saiba dos interesses românticos dele! Talvez eu ainda tenha chances...!”
Renovada e 100% entusiasmada, Marinette chegou aos degraus da escola com um enorme sorriso nos lábios, encontrando Alya a esperando no começo da escada.
— E aí, menina. Como vai? – Alya envolveu seu braço pelos ombros de Marinette, enquanto iam juntas para a sala.
— Melhor impossível! – ela observou se alguém está ao redor e sussurrou – Sabe, eu tinha desistido do Adrien... Ele nunca dá muita bola pra mim.
— Mas e aquela vez que ele te chamou pra dançar? Foi o maior clima! Qualquer um que visse aquilo super acharia que vocês tavam juntos – disse Alya indignada com a atitude da amiga.
— Bem... Eu acho que foi só educação, mas admito que eu gostei muito, hehe. Ele me segurou tão forte, mas, ao mesmo tempo, tão gentilmente... – Mari rodopiou e suspirou romanticamente, relembrando o momento especial. – Mas Alya! Eu tava conversando com um amigo ontem e ele disse que eu não podia desistir assim! E eu não vou! – Marinette disse, decidida.
— Essa é a minha garota! – Alya a parabenizou, bagunçando um pouco o cabelo dela. – Quando vai ser a confissão?
— Não sei. Quero que seja o mais rápido possível, senão eu perco minha coragem logo, logo – Mari respondeu, abrindo a porta da sala.
Ao entrar, ela imediatamente procurou aqueles olhos cor de esmeralda que brilhavam tão intensamente. E lá estava ele. Como sempre, sentado ao lado de Nino, que parecia conversar sobre algum jogo que foi lançado ontem. Ela não se movia. Não conseguia tirar os olhos da visão mais bela que já teve a oportunidade de ver. Totalmente absorvida por sua beleza, ela mal percebeu que o garoto também a encarava. Assim que a ficha caiu, ela acenou vermelha pela vergonha, mas com um sorriso típico de uma menina apaixonada. Adrien também corou um pouco e devolveu o cumprimento, o que despertou uma pontinha de esperança no coração da garota.
— Eeeita... Já tá assim? – Alya provocou a amiga. – Não sabia que vocês tinham se aproximado tanto.
— Bem... É porque a gente não se aproximou. Tá a mesma coisa de sempre... Mas, ainda assiiimmm! Alya, ele FICOU VERMELHO. E ACENOU. PRA MIM!!! Meu Deus, será que eu tô sonhando?
— Marinette, fala baixo – disse Alya rindo da reação dela – Quem sabe você já começou a entrar no coração dele, ein? – ela piscou para a amiga.
— Espero que sim – Mari suspirou.
~*~
— Mas olha só pra isso... O grande Adrien corando?! – Nino abriu um sorrisinho de lado. – O que a Marinette fez pra conquistar um galã desses?
— Meu Deus, Nino. Ela não me conquistou. Só fiquei com vergonha porque ela tava sendo estranha como sempre – respondeu o loiro.
Por dentro, seu coração estava a mil. É realmente impossível ser o mesmo perto dela agora. Talvez ele tenha que rejeitá-la... Mas como fazer isso se ele, supostamente, não sabia dos sentimentos de Marinette ainda? Ele não queria enganar uma amiga tão querida para ele, muito menos a magoar, mas era algo que teria que ser feito. Ele já gostava de outra e, mesmo sem saber sua verdadeira identidade, Adrien estava certo de que a Ladybug era o amor da sua vida.
— Bem, isso não importa agora. A Caline tá chegando.
O som dos saltos da professora batendo contra o piso ecoou pela sala, que ficara em silêncio em sinal de respeito a ela.
— Bom dia, turma! – a professora Caline Bustier exclamou. – Hoje, queria fazer algo mais diferente com vocês... Um trabalho! – a turma resmungou insatisfeita. – E vai ser em dupla! Nada de escolher sua própria dupla, já escolhi cada um dos pares. Antes de tudo, meu objetivo é criar um laço mais forte entre algumas pessoas que não são muito próximas. Quero que a sala toda seja unida! Irei, agora, dizer quais foram as duplas escolhidas.
À medida que a senhora Bustier anuncia mais um par, Marinette ficava mais nervosa. Alya já havia feito par com Kim – alguém que, de fato, ela não conversava muito – e, graças a Deus, Chloe com Nathanael. Ela se perguntava com quem da classe ela não tinha muita intimidade. A seu ver, ela era muito amiga de todos que restaram...
— Marinette e... Adrien.
“Ai, meu Deus, ai, meu Deus, ai, meu Deus! Hoje realmente é meu dia de sorte!”, exclamou Mari em seus pensamentos.
— Vai ser um trabalho simples de Química – continuou a professora. – Quero que vocês escolham um dia para sair junto com sua dupla, ir ao cinema, só andar por aí, vocês que decidem, e identifiquem reações químicas no cotidiano, anotando o que vocês viram e a sua fórmula. Mínimo de cinco páginas. Entreguem na próxima semana, tá bom?
Depois de todos finalmente terem aceitado o fato de que aquelas seriam suas duplas, a aula prosseguiu como planejado. Entretanto Mari mal conseguiu entender um pingo do assunto que foi dado no dia inteiro, sempre relembrando que Adrien seria seu par. “Talvez a gente pudesse ir juntos tomar sorvete no André... Imagina se ele fizesse um sorvete que nos descrevesse! Ia ser perfeito!...”.
— Mari? Marinette. Marinette! MARINETTE! – Adrien aumenta um pouco o tom de voz tentando chamar a atenção da amiga. As aulas já haviam terminado e ela percebeu que Alya já estava na porta, dando uma piscadinha para ela.
— Ahn, oi, uh, Adrien? Uh, o que f-foi? – disse Mari nervosamente.
— Só queria saber o que a gente vai fazer pro trabalho. Sabe, o da Caline.
— Hm, bem, você não sabe? Quer dizer, eu não sei. Uh, calma, deixa pra lá... – Mari se atropelou com suas próprias palavras.
— Ahn, então, né... – Adrien falou, como sempre estranhando a atitude dela. – Eu vim aqui justamente pra decidir isso com você. Que tal eu passar mais tarde na sua casa?
— Eu não sei... – Mari respondeu. Chat iria visitá-la mais tarde e ela não queria ter que despachar Adrien mais cedo. – É que eu tenho um compromisso no final da tarde, não sei se vai valer muita pena se você for comigo.
— Sem problemas. Eu também tenho. É que eu não queria voltar pra casa agora, sabe... – ele abaixou a cabeça. – E não é como se a gente fosse terminar tudo hoje, né? Só dar uma adiantada.
—Uhm, bem... Tá certo? Então, eu tô indo lá agora. Vamos? – Mari se levantou e o chamou enquanto andava em direção à porta.
— Vamos – ele sorriu simpático e Marinette se derreteu por dentro.
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