Upside Down

1 Upside Down.


Notas iniciais
HAPPY SPECIALSHIPPING DAY - Parte 1 OMG OMG OMG OMG OMG É HOJE É HOJE É HOJE!!! O DIA DO MEU LINDO OTP QUE É PERFEITO ATÉ DIZER CHEGA, ALIAS NEM DIZENDO CHEGA KJSALJDFÇKLASJFÇLDSLKHFÇKJH Eu vi um video de Special algumas semanas atrás com essa música e não resisti~ Tbm por causa do meu amor por UAs de highschool!pokespe ♥♥ P.s: Então só para desencargo de consciência e para os leigos, a palavra "Down" tá de cabeça para baixo porque "Upside Down" significa "De cabeça para baixo." Ok? Ok. *apanha*

My grades are down from A’s to D’s

I’m way behind in history

I lost myself in fantasies

Of you and me together

A loira suspirou desapontada ao olhar para a sua prova pela quinta vez, ainda não acreditando nas garrafais letras vermelhas no canto superior direito.

–Como eu vou mostrar isso para o meu tio? – Pensou, sentindo uma aura negra rodeá-la.

–Senhorita Grove! – Ao ouvir o tom irritado do professor, ela se ajeitou rapidamente na carteira, sentiu o rosto ficar vermelho e murmurou um “desculpe”. O professor de História se virou e continuou a passar a matéria no quadro.

A pequena sentiu uma gota descer por sua testa, fechou os olhos para respirar fundo e se acalmar.

Mas ela não devia ter feito isso.

Porque no exato segundo que ela o fez, a visão de um jovem de olhos vermelhos e cabelos negros sorrindo para ela apareceu. Yellow arregalou os olhos e sentiu suas bochechas esquentarem de novo, mas dessa vez com muito mais intensidade. Ela cobriu o rosto e resmungou para si mesma.

–Urgh...

***

–Eu não sei por que, mas sonhar é tudo o que eu faço. – Murmurou para si mesma, enquanto se dirigia para sala de artes. As aulas já haviam acabado e os únicos alunos que restavam eram os que participavam de clubes ou que estavam na detenção.

O que não era o caso dela, claro.

Yellow era uma aluna exemplar, bem, era.

Ela destrancou a porta da sala e entrou, deixou sua bolsa na mesa mais próxima e se dirigiu até o seu cavalete. Na mesinha onde deixava suas tintas e pincéis, havia um pequeno caderno de desenho com a capa bege.

Ela o pegou e folheou algumas páginas até se deparar com os desenhos simples que fizera do rapaz de olhos vermelhos. Uma expressão frustrada apareceu em seu rosto e ela deu um peteleco no desenho dele, bem na testa.

–Isso tudo é culpa sua.

É engraçado como as coisas acontecem, não é? Coincidências são mesmo incríveis, claro que elas podem ser ruins.

Mas, em algumas ocasiões...

A porta se abriu novamente com um barulho alto, assustando a jovem e ela escondeu o caderno rapidamente.

Elas podem ser muito boas.

Um rapaz de cabelos negros ofegante estava de costas para porta, como se não quisesse que ela abrisse e parecia que tinha corrido um bocado até chegar ali. A loira soltou uma exclamação, mas logo depois tampou a boca, amaldiçoando-se em pensamento por ter feito isso.

Os olhos vermelhos do rapaz percorreram a sala e se encontraram com os verdes dela. Ele piscou mais algumas vezes até perceber a situação e se afastou da porta.

–Ah, desculpa. Te assustei? – Perguntou com uma gota.

Ela fez que não com a cabeça rapidamente.

–Assustei sim. – Ele coçou a cabeça. – Desculpa.

Mas voltou a ficar tenso quando ouviu passos vindos do lado de fora, ele se voltou para ela.

–Posso me esconder aqui? Por favor! – Ele pediu, olhando diretamente para a jovem e pareceu ainda mais tenso quando os passos começavam a parecer mais próximos.

–... O armário. – Ela conseguiu dizer e apontou. O jovem levou apenas alguns segundos para entender, assentiu, correu para o armário no canto da sala e fechou a porta depois que entrou.

Dois minutos depois, a porta se abriu de novo e um grupo de alunas apareceu, uma de cabelos curtos e loiros deu um passo à frente.

–Com licença, mas o Red está por aqui? – Ela perguntou.

Yellow ficou quieta por um tempo, entendendo finalmente a situação e respirou fundo. Ela deu um sorriso com ar de desculpa.

–Sinto muito, mas não.

As expressões das meninas mudaram de esperançosas para tristes e a que dera um passo a frente suspirou.

–Tudo bem, obrigada. – Yellow assentiu e observou elas saírem, ela ouviu a loira que falara dizer para olharem na próxima sala com um tom mais animado e todas seguiram atrás dela.

A loira esperou até que os passos não pudessem mais ser ouvidos e nenhuma sombra aparecesse pela fresta da porta. Então ela soltou a respiração e pôs a mão no peito.

Ela detestava mentir e era horrível mentindo.

A porta do armário se abriu lentamente e a cabeça do jovem – Red – apareceu. Ele saiu lentamente do armário e respirou fundo.

–Obrigado. – Agradeceu, meio sem graça.

–T- Tudo bem. – A loira falou, se dirigindo até o seu cavalete, sem olhar o jovem nos olhos. – Suas fãs?

Quando olhou pelo canto do olho, viu o jovem coçar as costas da cabeça.

–Eu acho... – E riu um pouco.

Yellow se sentou no banco e ajeitou as tintas.

É claro que eram as fãs dele. Por quê? Ah, talvez porque Red era um dos meninos mais populares do colégio, senão o mais popular. Ele era inteligente, era bom nos esportes e parecia ser um líder nato.

Ele não tinha uma personalidade metida, como seria de se esperar de um aluno tão popular, na verdade, ele não agia e não queria ser tratado diferente de qualquer outro aluno da escola. Ele até gostava de ajudar outros clubes, mesmo que ele não estivesse neles.

Red se aproximou do cavalete e encarou a jovem.

–Desculpa... Mas qual o seu nome? – Ele inclinou a cabeça para o lado. A loira o encarou de volta, surpresa com a pergunta.

–Yellow. – E piscou quando viu o jovem bater as mãos, como se tivesse acabado de perceber algo.

–Ah! Você não é aquela garota que foi confundida com um menino nos primeiro dias de aula?

Argh.

Ele se lembrava disso?!

A pequena tombou a cabeça para frente e sentiu uma aura negra rodeá-la pela segunda vez aquele dia ao se lembrar daquele maldito episódio, mas assentiu.

–Ah, sabia. – Red sorriu. – Quem diria? Só por causa de um chapéu, hein?

–P- Pois é... – Ela murmurou. Desde então, começara a ir para a escola com o cabelo à mostra, preso em um rabo de cavalo. – Pode parar de falar nisso, por favor?

–Ah, desculpa. – Ele encolheu os ombros. – Não foi minha intenção.

–Tudo bem. – Ela sorriu tímida. – Eu sei.

Red sorriu de volta e virou a cabeça para a porta quando ouviu vozes o chamando de novo e fez uma careta.

–Pode usar o armário de novo, se você quiser. – Ele voltou sua atenção para a jovem que sorriu compreensiva.

–Ah, não. Tudo bem. – Ele ficou um pouco grato por ela entender a situação. – Não precisa, mas... Posso me esconder aqui um pouco mais?

Yellow piscou. Ela ponderou a ideia e não conseguiu evitar de se sentir um tanto egoísta por ter pensado em dizer “sim” de primeira, mas não era legal deixar aqueles alunos procurando por ele.

Se bem que devia ser muito ruim ser perseguido desse jeito sempre...

...

Ela não era uma pessoa egoísta, mas...

–Não é ruim ficar se escondendo deles? –Ela perguntou. Ele colocou as mãos nos bolsos.

–Eu sei, mas... Não é como se eles precisassem mesmo de mim... – Ele falou e a loira entendeu o que ele quis dizer.

Só dessa vez...

–... Tudo bem. – Yellow sorriu. – Pode se esconder, sim.

Ser egoísta não ia matar, né?

–Obrigado, Yellow! – Red sorriu de volta.

Upside down

Bouncing off the ceiling

Inside out

Stranger to this feeling

Got no clue what I should do

But I’ll go crazy if I can’t get next to you

Algumas semanas se passaram desde que Red entrara pela primeira vez na sala de artes, o que repetiu todas as tardes seguintes. Parece que ele tinha uns fãs bem insistentes.

Ter Yellow para acobertá-lo sempre que algum deles aparecia procurando por ele tinha sido um verdadeiro achado. Com o passar do tempo, o jovem começou a ir até a sala de artes durante as tardes só para visitar a sua nova amiga e se esconder passou apenas a ser um bônus.

Quanto a jovem... Bem, ela não estava reclamando. Ter a companhia de Red não era nem um pouco ruim.

Ela sempre achou que essa admiração que sentia por ele era só por causa do fato dele ser o aluno incrível que era – na verdade, ela até conheceu o lado dele que era impaciente e ás vezes desligado demais –, mas ela percebeu que quanto mais falava com ele, quanto mais tempo passava com ele, aquele sentimento que sentia – a tal “admiração” – ficava cada vez mais presente no peito dela.

Isso já era suficiente para deixá-la, praticamente, de ponta cabeça. Ai, ai... O que ela ia fazer?

–Ei, Yels. – Red chamou, usando o apelido que escolhera para ela.

–O que foi? – Ela perguntou enquanto pintava a paisagem do seu quadro.

–Posso ver o seu caderno de desenhos? – Perguntou enquanto segurava o tal caderno.

A pequena se virou tão rápido que o pincel praticamente pulou para fora da mão dela, ela correu até o jovem, que estava sentado a alguns passos do cavalete dela, e arrancou o caderno das mãos dele, com as bochechas vermelhas como tomates.

–D- De jeito nenhum. – E pôs o caderno junto do peito. O jovem de olhos vermelhos piscou algumas vezes e depois fez um bico.

–Você nunca deixa eu ver o seu caderno. – Ele falou. – Por que não?

–Porque não, ora! – E sentiu as bochechas esquentarem mais.

–Deixa eu ver. – Ele esticou o braço.

–Não! – Ela exclamou e deu um passo para trás.

–Ah, entendi. Você não confia em mim.

–Eu não disse isso!

–Se você confiasse em mim, você deixaria eu ver o seu caderno.

–Uma coisa não tem nada a ver com a outra! – Ok, tinha um pouco, mas isso não vinha ao caso.

–Deixa eu ver!

–Não!

–Yellow!

–Red!

O jovem deu língua para ela que retribuiu o gesto. Ambos ficaram se encaram por longos minutos até o jovem de cabelos negros levar a mão até a boca e soltar sem querer o riso que segurava.

–Poxa... – A loira suspirou e acabou rindo também.

–Desculpa.

–Tudo bem. – Ela guardou o caderno dentro da bolsa.

Red olhou para o relógio que ficava em cima da porta e se levantou da cadeira.

–Bom, já tá na hora. – Ele avisou ao pegar a mochila e pendurá-la no ombro.

–Acho que não tem mais nenhum fã seu a espreita, né? – Brincou a jovem e ele riu.

–É, eu acho. – Falou e se dirigiu até a porta, virando à esquerda.

A loira riu um pouco e se virou para a sua bolsa aberta, passou o dedo sobre a lombada do seu caderno. Lembrou-se dos desenhos que fizera dele e sentiu as bochechas esquentarem de novo. Não tinha como ela explicar se ele os visse. Yellow suspirou.

–Eu queria poder andar direto até você. – Pensou ela. – Toda vez que eu tento, a mesma velha hesitação.

–Ei, Yels. – Red chamou e ela se virou. – Você vem?

–Ah! Já vou. – Ela fechou rapidamente a bolsa e a pôs no ombro, logo depois seguiu até a porta.

Talvez ela soubesse o que se passava com ela. Tudo bem, ela sabia sim. Agora saber o que fazer já era outra história, mas para falar a verdade, ela não se importava.

Yellow sabia o que sentia e achou melhor deixar como estava, ficar apenas perto dele – por enquanto – já era suficiente para ela. Quem sabe um dia ela não tomasse coragem?

–Quando você vai me deixar ver o seu caderno? – Perguntou enquanto ela terminava de trancar a porta da sala de artes. A loira olhou para ele e ponderou por alguns minutos

–Um dia, quem sabe. – Disse por fim, dando um sorriso. O jovem suspirou, dando de ombros em sinal de desistência. Depois os dois saíram juntos pelo corredor, conversando sobre qualquer assunto que viesse a cabeça deles.

É, quem sabe um dia.

Got no clue what I should do

But I’ll go crazy if I can’t get next to you

Notas finais
Para quem não conhece, é a música Upside Down - A*Teens (os mesmos que cantaram a Can't Help Falling in Love with You de Lilo & Stich~) Obrigada por terem lido e espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!