Upontime — Interativa
3 Todos aceitam, o time está completo.
Notas iniciais
— Um filho do gênio da ciência — Harold comentou cruzando os braços. — Porque não estou surpreso? — o rapaz comentou. Estavam, ele e Elizabeth parados afronte a casa do Dr. Dirac, um gênio desconhecido por qualquer um neste mundo. Óbvio. — Será que ele será como o Frankenstein?
— Você viu a foto dele, Harold — Elizabeth comentou firme, andando em direção a porta. — Sabe como ele é, e o que faz — reforçou. Harry revirou os olhos. Quase nunca escolhia os jovens. Era só Elizabeth que fazia. — Ah, e Aurora ligou — a mulher falou. Harry a fitou.
— E...?
— Ela aceitou fazer parte, e vai à reunião amanhã — informou ao homem, que assentiu. — Agora vamos convencer mais um — falou dando um sorriso e tocando a campainha.
Um homem quase careca, com fios grisalhos e rosto amargo abriu a porta. Vestia somente um roupão, e Harry quis desesperadamente ir embora dali, mas Elizabeth permaneceu firme.
— Senhor Dirac? — a mulher arriscou, e o homem assentiu, olhando para os dois de um jeito desconfiado. — Queremos falar com seu filho, Jeremy, ele está?
O homem arregalou os olhos como se falar sobre seu filho fosse um erro gravíssimo. Harry quis sair dali imediatamente. A mão do homem que fechava o roupão, impedindo-o de abrir começou a afrouxar. Harold realmente não queria descobrir o que ele tinha ali embaixo.
— Como vocês sabem do meu filho? — indagou assustado. Elizabeth arqueou uma sobrancelha.
— O seu filho tem registros, Senhor Dirac — respondeu tentando manter a calma naquele homem. — Nós sabemos que ele está aqui, e gostaríamos de falar com ele — reafirmou.
— O que vocês querem com o meu filho? — o homem perguntou firme.
— Está tudo bem, pai — uma voz surgiu. Harold rapidamente fitou o menino que vestia uma roupa... Estranha, no mínimo. Mas deixou não se levar pela roupa do garoto. Aquele com toda a certeza era Jeremy Carter Dirac, o cara que eles precisavam. — O que vocês querem de mim? — indagou com a voz forte.
— Filho, não é legal-
— Eu estou bem, pai — Jeremy o cortou com a voz grave. Harold não era um telepata, ou alguém que pudesse entender o que se passava entre os dois, mas conseguiu sentir a tensão. O Senhor Dirac deu um passo para trás, recuando do filho. — O que querem comigo? — Jeremy perguntou novamente.
Elizabeth olhou para os lados, como se tivesse algum problema a incomodando.
— Podemos entrar? — Harold indagou rapidamente. Jeremy arqueou uma sobrancelha, mas logo deu espaço para os dois entrarem. — Você provavelmente deve saber que a cidade está sendo ameaçada ultimamente, certo? — indagou adentrando ao local, olhando cada pedacinho, mesmo que sem querer.
— Todos sabem — o rapaz resmungou fechando a porta.
— Pois bem, estamos recrutando jovens super dotados para que possamos derrotá-lo — o moreno prosseguiu. Harry virou seu corpo para encarar Jeremy e ver a sua reação. O menino estava sério.
— Boa sorte com isso.
Harold e Elizabeth trocaram olhares.
— Não, Jeremy nós estamos te convidando a fazer parte do nosso time. Queremos sua ajuda. Precisamos da sua ajuda — a loira falou com a voz mais fina. Harry colocou sua mão no ombro da garota e então fitou o rapaz, que cruzou os braços. O rosto sério.
— Porque eu aceitaria?
— Sabemos que tem problemas com seu poder. Podemos ajudá-lo — Harold explicou dando de ombros.
— Estamos trabalhando junto com o melhor cientista da cidade, Tyler — Elizabeth forçou a voz e tentou se aproximar do garoto.
— Eu fingirei que não me senti ofendido — o pai do garoto falou ao fundo, mas ninguém prestou muita atenção no homem; somente Harold, que se controlou a focar na conversa.
— Faremos como uma troca — Elizabeth reforçou vendo que Jeremy não dava respostas e sua feição não mudava. — Nós te ajudamos com seus poderes, enquanto você nos ajuda a derrotar esse mal.
Jeremy passou a mão no rosto.
— Eu irei conseguir me controlar? — indagou com a voz meio manhosa; Elizabeth sorriu.
— Com toda a certeza.
[...]
— Russa? — Harry perguntou meio assustado. Elizabeth soltou um ligeiro sorriso e assentiu com a cabeça. — Isso... Isso não é perigoso, Liz?
— Ela é russa, Harry, não uma mafiosa — a loira retrucou no instante em que parou o carro. Harold apenas assentiu com a cabeça.
— Ela mora aqui? — o rapaz perguntou apontando para o bairro ao seu redor. Elizabeth deu de ombros. Estavam no pior bairro de Upontime. — Como uma russa pode morar aqui?
— Você a trata como se ela fosse diferente, Harold — Elizabeth comentou abrindo a porta de seu carro. Harold a acompanhou.
— É só estranho — o rapaz falou dando de ombros. — Não imagino uma russa pobre.
— Uma russa ou uma alemã?
Harold franziu a testa.
— Tanto faz — falou após alguns segundos de silêncio. Elizabeth riu e começou a caminhar na direção do edifício. A loira parou afronte a porta e deu duas batidas de leve; entretanto, Harold rapidamente avistou o alvo.
— Liz? — chamou calmamente. A garota virou o rosto na direção do homem. — Tem certeza de que ela morava no prédio? — perguntou um pouco receoso. A loira assentiu, mas vendo o olhar de Harold rapidamente pegou a ficha que tinha em mãos e começou a relê-la. — Ali — o moreno pegou no braço da garota e discreto apontou para uma garota ruiva.
A mesma estava sentada no chão a frente de uma fogueira com algumas pessoas ao seu redor. Elizabeth não entendeu muito bem a cena, mas forçou-se a encarar. A garota estava somente com um agasalho, mas aquilo parecia não incomodá-la. Elizabeth encarou Harold, e ambos começaram a caminhar em direção a menina.
Os dois rapazes que estava junto à garota ruiva rapidamente levantaram-se de onde estavam e saíram correndo, como se estivessem com medo de que os dois recém chegados pudessem fazer algum mal a eles. A ruiva ergueu a cabeça para fitar os dois desconhecidos. Elizabeth sentou-se no chão ao lado da menina e sorriu. Harold se perguntou como ela conseguia. Mas então lembrou de que ela tinha o controle, diferente dele.
— Hei, Emma — a loira falou sorrindo. A menina deu um sorriso turvo e apenas fez um aceno com a mão. — Nós viemos aqui te ajudar.
— Eu não pedi por ajuda — a garota respondeu rapidamente. Seus olhos fitaram Harold, que se sentiu intimidado pelo olhar da garota.
— Não, não pediu — Elizabeth concordou com a garota, que então voltou a fitá-la. — Mas, viemos ajudá-la, e também pedir ajuda — explicou rapidamente. Harold sentiu que deveria falar alguma coisa, mas deixou a loira falar por si mesma. — Você provavelmente já deve saber do mal que assombra essa cidade.
— Claro! — exclamou acenando com a mão. — A cada dia, cinco pessoas morrem por aqui — falou normalmente como se fosse uma banalidade. Elizabeth trocou um olhar aflito com Harold. — Estou brincando, não chega a tudo isso — a menina rapidamente acrescentou. Harold revirou os olhos e se aproximou.
— Nós precisamos de você para combatê-lo — Harry falou abaixando-se ao lado da menina que focou seus olhos no rapaz, que sentiu-se intimidado. — Você pode nos ajudar.
— Oh sim — a garota, Emma, respondeu soltando uma risada sarcástica. — Olha, a única coisa que eu vou fazer vai ser colocar fogo em tudo o que eu tocar, e olha lá! — respondeu com um sorriso divertido.
— Nós podemos ajudá-la — Elizabeth afirmou convicta. O medo de Harry era que talvez eles não pudessem ajudá-la. Oras, ele era mais velho e tinha experiência com o poder há mais tempo que a menina, e não tinha mais controle sobre ele! Como poderiam ajudá-la? Mas somente concordou.
— Uma troca — Harry ofereceu. — Você nos ajuda, e nós te ajudamos.
Emma deu um meio sorriso.
— Ok — respondeu. — Mas com uma condição — falou séria. — Eu quero uma casa.
[...]
— Rowena — Harold repetiu. — Rowena. Rowena. Rowena.
— Harry, pare.
— Rowena, Rowena, Rowena — repetiu novamente. — Um nome complicado — explicou dando de ombros. Elizabeth revirou os olhos. — Será que é russo?
— Tudo tem que ser russo para você? — a mulher indagou nervosa.
— Vixi... Alguém está de TPM — Harold sussurrou, mas isso não ajudou muito, já que a mulher apenas lhe desferiu um soco no estômago. Harry se curvou sentindo a dor na barriga. — Caramba, Liz — resmungou baixinho.
A porta se abriu rapidamente, e a garota — parecendo meio assustada por estar encarando um rapaz curvado e gemendo e uma mulher com um sorriso satisfatório — forçou um sorriso.
— Posso ajudá-los? — indagou com a voz meio aguda. Harold se apoiou na parede ao lado da menina.
— Pare de drama, Harry — Elizabeth falou brava, numa ordem. Depois se virou para a garota. — Olá, Rowena, queremos conversar com você — falou sorrindo gentil. A menina assentiu. — Podemos entrar?
— Ahn... — seus olhos percorreram o local. — Eu não acho uma boa ideia — falou com um sorriso meio torto. Elizabeth assentiu.
— Só tente não se transformar em algum rato se você ficar com medo, ok? — a loira provocou a menina, que arregalou os olhos. Numa força descomunal, ela puxou os dois para dentro e fechou a porta, trancando a mesma.
— Como vocês sabem sobre mim? — indagou num tom áspero. Elizabeth deu um suspiro.
— Sabemos sobre cada super dotado que tem nessa cidade — a loira respondeu. Rowena passou a mão no rosto.
— Tem mais?
— Tirando o Homem Mistério e sua parceira? — Harold perguntou e a menina assentiu. — Oh, muito mais, você não faz ideia.
— O que vocês estão fazendo aqui? — indagou de maneira lenta e calma, como se estivesse tendo tempo para poder raciocinar sobre o que fazer com aqueles dois estranhos.
— Nós viemos lhe pedir ajuda — Elizabeth falou de maneira dócil. — Há um mal assombrando Upontime, e estamos juntando um grupo de jovens super dotados para podermos derrotar esse mal — explicou calmamente. — Queremos você no nosso time.
— Então... — Rowena parou e deu um sorriso, passando a mão no rosto logo em seguida.
— Você conhecerá outros super dotados, e terá a chance de trabalhar com o Homem Mistério — Harold falou rindo e dando uma leve cotovelada na menina.
— Ah... Eu prefiro a parceira do Homem Mistério — Rowena falou mais calma e mais solta. Elizabeth riu, enquanto Harold fechou a cara. A menina arregalou os olhos. — Vocês, vocês...
— É, ele é o Homem Mistério, e eu sou a parceira — Elizabeth respondeu. Para transmitir confiança, a mulher apenas levitou a ficha que segurava até as mãos de Rowena, que rapidamente pegou a ficha. — Todos os super dotados tem uma ficha como essa — a loira explicou. — Escolhemos o que consideramos mais forte para juntarmos o nosso grupo.
— Então... — a menina analisou a ficha, seus olhos concentrados.
— Serão dez, contando com você — Harold explicou.
— Conhecerei novos mutantes?
— Super dotados é um termo melhor — Elizabeth sussurrou, e Rowena apenas deu um sorriso divertido. — Mas, sim, conhecerá outros super dotados — respondeu sorrindo.
— Oh, isso é incrível! — respondeu sorrindo. Nem se preocupou em saber como aqueles dois estranhos tinham uma ficha que basicamente tinha tudo sobre a sua vida. — Irei poder conhecer pessoas como eu?
— Sim.
— Isso é maravilhoso! — exclamou empolgada.
— Então... Isso é um sim? — Harold arriscou.
O sorriso de Rowena se alargou.
— Com toda a certeza!
[...]
— Você acha que é uma boa ideia? — Harold perguntou pela décima vez. Elizabeth soltou um suspiro e se segurou para não gritar com o homem. Virou o volante, virando para a direita, e entrando em uma rua bem calma. — Tipo, ela vai entrar na nossa mente — o rapaz falou meio atordoado.
— E isso te incomoda por quê? — Elizabeth perguntou rapidamente. — Afinal, somos todos do mesmo time, certo? Não é como se ela fosse ficar vasculhando cada coisa em nossa mente.
— Mas e se ficar? Nós nem saberemos! — Harold rebateu com força.
— Tyler falou que pode nos ajudar, lembra? — a loira retrucou. Harold fitou a paisagem que corria pela janela.
Elizabeth parou o carro alguns segundos depois. Harry olhou a casa ao seu lado. Um grande casarão com cores neutras. O rapaz se perguntou se Elizabeth havia escolhido a menina por ela ser rica, mas depois ignorou, já que havia outros ricos em seu grupo. Saiu do carro seguindo a loira e caminharam até a porta.
— Posso ajudá-los? — uma senhora de quase oitenta abriu a porta e recepcionou-os. Parecia ter passado por umas quinhentas cirurgiãs, o que fez Harold acreditar que ela queria ser jovem para sempre. Ainda bem que ela não tentou fazer alguma experiência maluca para voltar a ser jovem mesmo.
— Sim, sim, queremos falar com a Amélie — Elizabeth pediu dando um sorriso calmo. A mulher fez um leve aceno com a mão, e entrou novamente na casa, fechando a porta na cara dos dois.
— Hm... Isso foi um não? — Harold perguntou fitando a loira, que apenas deu de ombros e fez um gesto para ambos esperarem.
A porta se abriu rapidamente depois de algum tempo e uma garota apareceu. Igual a da foto na ficha que agora estava no carro de Elizabeth.
— Posso ajudá-los? — perguntou de forma ríspida, como se tivesse sido incomodada de algo muito importante. Harold começou a tentar limpar sua mente e não pensar em nada, mas quanto mais tentava, menos conseguia.
— Olá Amélie, queremos lhe falar sobre algo muito importante — Elizabeth começou. Harold franziu a testa, fazendo uma força descomunal para tirar os pensamentos de sua mente.
— Seu amigo está me incomodando — a garota comentou fitando Elizabeth com as bochechas levemente coradas. Elizabeth fitou Harold com raiva, e então desferiu um golpe na barriga do moreno, que mordeu o lábio.
— Porra, Liz, pare de me bater!
— Pare de ter pensamentos impróprios, seu tarado! — a loira basicamente gritou para o amigo, que ignorou. — Então, você provavelmente já deve estar sabendo do mal que assombra Upontime, certo? — indagou fitando a ruiva, que assentiu lentamente, meio atordoada. — Ótimo! Eu e Harold estamos criando um time para combater esse mal — explicou. — E queremos você nele — terminou sorrindo.
A garota ergueu uma sobrancelha.
— Você está criando um grupo de super heróis para destruir... Alguma coisa, e me querem nele? — Elizabeth conseguiu sentir a surpresa na voz da menina. Manteve sua postura calma.
— Sim! É por isso que viemos para cá — respondeu sorrindo.
— Fale super dotados, é melhor — Harold comentou num sussurro. Estava apoiado na parede, com a mão na barriga.
— Mas... Mas eu não posso ajudá-los! — a garota respondeu rapidamente. — Eu sou inútil!
— Não e não! — Elizabeth rebateu. — Você consegue invadir os pensamentos das pessoas, consegue implantar ilusões lá dentro! Você será muito, muito útil!
— Não, não — a garota rebateu. Harold fitou a menina meio confuso. Ela foi a única que pareceu meio... Surpresa e com medo de não querer participar daquilo. Harry entendeu o que a menina queria falar. Combater algo que ela não conhecia somente entrando em sua mente era... Estranho e perigoso demais.
— Você irá ajudar pessoas, Amélie — o moreno tomou a iniciativa, percebendo que Elizabeth não falaria nada. — Irá salvar vidas — continuou, colocando um sorriso esperançoso. A menina não sorriu.
— Mas eu... Eu...
— Nós, a cidade, todos precisam de você — o moreno persistiu. — E, olha, sua vida não mudará, caso não queira.
A menina pareceu pensar.
— Salvarei vidas? — perguntou meio receosa. Ambos assentiram. — E as pessoas irão me reconhecer?
— Isso depende de você — Elizabeth respondeu. A garota deu um meio sorriso. — Irá nos ajudar?
— Posso tentar.
[...]
— Mais uma com histórico no laboratório — Harry comentou saindo do carro. Elizabeth revirou os olhos e fechou a porta com mais força. — Sabe, Tyler poderá ter ajuda deles no Laboratório — acrescentou fechando a porta do carro e fitando o Laboratório Municipal.
— Nós não estamos os convidando para ajudar Tyler no Laboratório — Elizabeth falou com a voz dura. Caminhou até a entrada, e Harry a seguiu. — Além de que ele é muito bom no que faz, não precisa de ajuda.
— Blah, blah, blah — Harold resmungou fazendo uma cara de desgosto. Elizabeth lhe deu um olhar divertido e ao mesmo tempo perigoso, e abriu a porta de vidro, adentrando ao Laboratório.
Em Upontime, havia cinco Laboratórios. Três deles eram destinados a pesquisas científicas e a experiências, e os outros dois eram destinados a fabricar remédios, e seguir receitas — esses últimos não eram tão perigosos quanto os três primeiros citados. Harold e Elizabeth estavam em um dos três que faziam pesquisas e experiências cientificas.
Caminharam até um balcão, onde uma mulher loira parecia concentrada na tela de seu computador.
— Hei — Harold clamou pela atenção da loira, que pareceu levar um susto, pois sua mão tremeu radicalmente e o mouse saiu de onde ele estava. Harry segurou um riso.
— Procuramos por Liz Georgia Coope Levi — Elizabeth falou, e Harold arregalou os olhos ao constatar que a loira sabia o nome completo da super dotada da vez. Será que ela tinha decorado os nomes de todos os super dotados? Harold se sentiu um idiota naquele momento. Havia se esquecido do nome do primeiro super dotado que contataram. Qual era seu nome mesmo? Theo? Tommy? — Harry — Liz chamou com a voz mais forte. Seu amigo estava nas nuvens esses dias.
— Oi?
— A loira foi lá chamar a Liz, por favor, comporte-se — Elizabeth pediu batucando os dedos no balcão. Harold assentiu.
— Se ela tem Liz no nome, então eu não posso te chamar mais de Liz? — o rapaz perguntou passando a mão no queixo. Elizabeth permitiu-se dar um sorriso.
— Não tem problema você me chamar de Liz, e chamar ela também de Liz — respondeu dando de ombros. Harold assentiu.
— Queriam falar comigo? — uma morena apareceu perto do balcão. A loira voltou a sua cadeira afronte ao computador. A morena sorriu. Vestia um jaleco branco, um óculos de plástico, talvez, transparente; tinha o cabelo escuro preso num coque bem feito e luvas azuis nas mãos. Para Harold, parecia uma imitação feminina de Tyler.
— Sim, sim — Elizabeth respondeu feliz. A loira pegou no pulso da menina e então a puxou para mais longe do balcão, e para mais perto da janela de vidro que deixava a vista um gramado com algumas flores. — É um assunto sério — explicou ao perceber a confusão no rosto da garota.
— Você provavelmente já deve saber sobre o mal que está acontecendo nesta cidade, certo? — Harold começou. Gostava de intercalar às vezes com Elizabeth. A garota assentiu, ainda fitando os dois. — Então, nós dois estamos recrutando jovens super dotados para que possam nos ajudar — explicou dando um sorriso final.
— Queremos que você faça parte do nosso time, Georgia — Elizabeth acrescentou segurando a mão da garota, passando confiança.
A menina mordeu o lábio inferior.
— Isso é...
— Confuso, estranho, recíproco, meio idiota, não muito esperto, interessante, legal, inovador — Harold rapidamente falou, chamando a atenção das duas garotas que estavam ali. — Eu sei, eu sei. Mas depois de um tempo você se acostuma — deu de ombros.
— Existem... Existem outros como eu? — a morena perguntou apontando para si. Harold percebeu que Elizabeth já não segurava mais a mão da menina. Ambos assentiram. — Isso... Isso...
— Você poderá trabalhar com eles, se quiser — Elizabeth comentou dando um sorriso divertido e cômico.
— Oh, Deus, isso... Isso é...
— Eu sei! — Harold comentou passando na frente de Elizabeth. — É empolgante, divertido, inovador e muito, muito excitante! — comentou rindo. A morena também soltou uma risada.
— Então, você está dentro? — Elizabeth perguntou puxando Harry para trás.
A morena sorriu.
— Sim, sim!
[...]
— Já é quase meia noite, e você me vem com a incrível ideia de vir visitar um rapaz no meio do nada! — Harry protestou gritando com Elizabeth, e logo em seguida se remexeu todo pelo buraco que passaram.
— Ou é agora, ou é nunca — Elizabeth falou rangendo os dentes.
— Qual é o problema de nós virmos amanhã, hein? — o rapaz perguntou meio revoltado. Não gostava daquela floresta. Nem um pouco. — Eu acordo mais cedo, se quiser! — o rapaz acrescentou esticando o braço, e se segurando por estarem passando em outro barranco.
— Nós devíamos ter vindo a pé — Elizabeth resmungou num sussurro. Harry engoliu em seco.
Ficaram em silêncio durante todo o percurso restante. Elizabeth parou o carro quando viu uma casa de madeira a sua frente. A lua estava fraca, portanto a iluminação que ela dava a floresta era péssima, principalmente por conta das imensas árvores que bloqueavam a pouca iluminação. Elizabeth, então, deixou o farol aceso. Numa luz fraca, mas acesa.
Desceu do carro nem esperando Harold. Sabia desse medo de criança que ele tinha em entrar em florestas a noite. Porque no filme de terror, os que estão na floresta à noite sempre morrem! É a sua desculpa de sempre. Elizabeth apenas revira os olhos e implora para Harold deixar de ser criança e acreditar em filmes. Mas é claro, nunca adianta.
Por incrível que pareça, o rapaz a seguiu. Andaram até a porta de madeira, onde Elizabeth ficou encarregada de dar alguns socos, para anunciar a chegada de ambos. Demorou um tempo até a porta se abrir. Elizabeth esperou ver o rapaz de fios claros e olhos azuis a sua frente, mas estranhou quando não viu. Na verdade, não viu ninguém para recepcioná-los.
Harold rapidamente agarrou a mão de Elizabeth.
— É uma casa assombrada, Liz, vamos morrer! — Harry sussurrou próximo ao ouvido da loira, que apenas revirou os olhos para o medo do rapaz. — Vamos embora antes que seja tarde, por favor — implorou apertando mais a mão da garota. Elizabeth revirou os olhos.
— Pode ficar no carro — falou apontando para o veículo. Elizabeth soltou a mão do rapaz e então colocou um pé dentro da casa mal assombrada. Harry colocou os olhos no carro e depois em Elizabeth, que abria mais a porta, mas com um cuidado extra. O rapaz se estremeceu todo, mas não ficaria sozinho.
Seguiu a loira.
— Hei! Alguém em casa? — Elizabeth indagou num grito suave, mas não muito baixo. Ambos já estavam dentro do interior de um cômodo totalmente escuro. Elizabeth a frente, e Harry atrás, segurando a porta. Em filmes de terror, quando uma porta se abria sozinha, ela se fechava sozinha. Harold não queria que ela se fechasse.
— Por aqui! — uma voz respondeu no interior da casa. Elizabeth e Harry rapidamente viraram os rostos em direção de onde vinha a voz. A um corredor dali havia um cômodo que aparentemente estava aceso, com alguns murmúrios que Harold não conseguia compreender.
Elizabeth apontou para o corredor com a cabeça, e começou a andar na direção do mesmo. Harold suspirou e então fechou a porta atrás de si. Aquela maldita porta não se fecharia sozinha! O moreno então começou a segui-la.
Caminharam pelo corredor. Os murmúrios ficaram cada vez maiores. Adentraram ao cômodo iluminado e então Harold teve de se segurar em Elizabeth para não cair no chão.
Seu pesadelo estava virando realidade.
Ok, seu pesadelo não era ver um monte de objetos com olhos, ou então, um monte de objetos com boca, e todos falando, murmurando entre si. Mas aquilo era... Aterrorizante. Principalmente as bonecas ao canto que tinham um sorriso maligno no rosto. Harold quis sair correndo dali.
Elizabeth se surpreendeu. Muito. Ela já imaginava que encontraria alguns objetos vivos, por assim dizer. Afinal, se ele podia animar objetos, porque deixá-los quietos, certo? Mas não imaginou que encontraria tantos objetos assim. E com todos eles murmurando. Na verdade estavam todos quietos agora. Todos, inclusive o rapaz sentado em uma poltrona com um livro no colo, quietos e fitando aqueles dois desconhecidos.
Elizabeth puxou ar para dentro de seus pulmões e forjou um sorriso.
— Mihail Arlot Hammel — a loira pronunciou o nome do rapaz. Mihail deu um sorriso singelo. — Precisamos de você — Elizabeth pronunciou-se rapidamente. Ok, aqueles pratinhos fitando-a estava deixando-a nervosa. Elizabeth esperou que Harold prosseguisse, mas quando fitou o amigo, percebeu que ele estava ocupado demais encarando as bonecas com sorrisos malvados.
— Para que? — o rapaz indagou mandando um breve olhar para Harold. Num segundo depois, Harold já não fitava mais as bonecas com sorrisos malvados, e sim bonecas delicadas que estavam caídas no chão, sem vida.
— Há um mal assombrando Upontime — Elizabeth comunicou juntando as mãos afronte seu corpo. — Você provavelmente deve saber — deduziu, e o rapaz assentiu, fitando a loira. — Nós dois estamos formando um time de pessoas especiais que podem combater esse mal — a garota logo acrescentou.
— Um grupo de super heróis, e queremos você nele — Harold falou colocando os olhos sobre Mihail.
No exato momento em que ele terminou sua frase, todas — sem qualquer exceção — as personificações que estavam ali começaram a rir. Harry se sentiu intimidado e se aproximou de Elizabeth, que apenas cruzou os braços mostrando-se irritada. Claro, era de se esperar, ela estava na TPM. Mas Harold não, e aquilo o assustava.
Mihail, com os lábios curvados em um sorriso brincalhão, ergueu a mão direita de forma aberta, e então, todos pararam de rir. O rapaz se curvou um pouco, e estalou os lábios.
— Eu não acredito na existência de super heróis — informou aos dois. Elizabeth apenas moveu a cabeça pedindo para que continuasse. — Heróis são justiceiros que aplicam justiça naqueles que eles julgarem serem vilões — continuou. Harold sentiu-se um pouco ofendido, mas não falou nada. — Cada um faz o que for preciso para sobreviver. Ninguém é tão inocente nesse mundo — o sorriso ainda não havia saído de seu rosto, e isso incomodou Elizabeth.
— Então, eu suponho que isso seja um não — a loira deduziu, sentindo-se humilhada ali. Não havia sido negada por ninguém antes. O sorriso de Mihail pareceu aumentar.
— Eu nunca disse não.
— Então é um sim? — Harold perguntou com a voz meio fina.
— De um jeito ou de outro, eu procuraria saber mais sobre esse mistério que ocorre em Upontime — deu de ombros. — Acho que com vocês será mais fácil descobrir.
Elizabeth sorriu. Orgulhosa.
— Seja bem vindo ao time.
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