Up To No Good

8 Sonserina vs Grifinória (parte 1)


Notas iniciais
Boa leitura!

Era a tarde fria e cinza de uma sexta-feira de inverno. Charlotte amarrava a enorme trança para trás da cabeça enquanto se preparava para seu primeiro jogo como titular do time desde o incidente com o caçula Potter. Mas quem foi que disse que Dezembro é o momento certo pra começar a temporada de quadribol? Devíamos esperar até Março… Estava um pouco nervosa, pois não participava de um jogo oficial há muito tempo, no máximo conseguiu treinar um pouco na temporada do ano anterior. Mas para essa temporada não havia treinado nem um pouco, não havia conversado (o que para ela significa ‘dar as ordens’) com nenhum integrante de sua equipe e não sabia que tipo de abordagem eles pretendiam usar nessa partida. Se depender da Weasley, vai ser o de sempre: zero ataque e muita sorte. Essa pirralha nunca deveria ter sido promovida a capitã. Charlotte se considerava uma jogadora melhor do que a menina prodígio do quadribol Roxanne Weasley, e era de fato. Mas sua ambição sem fim e seu objetivo de ganhar a qualquer custo a tiraram do páreo para seleção do capitão do time. Nenhum jogador quis votar nela, pois todos tinham medo do que ela faria se eles a elegessem como sua líder. Por isso só Grifinória ganha esse maldito campeonato.

Faltavam cinco minutos para o início do jogo, o time estava terminando de se alongar e já se podia ouvir as duas torcidas animadas fazendo disputa de gritos de guerra. Na concentração, todos otimistas quanto ao jogo. Não tiveram a melhor temporada ano passado, mas com Charlotte ali tudo poderia mudar. Ela era assustadora, mas ótima. E a escalação do ano também era muito boa. As artilheiras eram o trio inseparável Camilla Brown, Roxanne e Dominique Weasley. Os batedores Wesley e Yan Chenowith, gêmeos irlandeses do sétimo ano. A goleira Rose Weasley podia ser desmiolada, mas sabia o que fazia. E a apanhadora era Charlotte, que acabara de voltar de um hiato de para fazer sucesso no campo novamente. Envolvida em seus pensamentos, sem querer captou uma conversa dos gêmeos Chenowith que a deixou interessada.

Yan: É verdade que Harry Potter veio assistir o jogo? Isso é demais!

Wesley: Foi o que eu ouvi também. É uma honra pra mim, Harry Potter vai me ver jogar!

Apesar do sotaque carregado dos rapazes ela entendeu bem que o Sr. Potter estava na torcida. Provavelmente seus amigos da família Weasley também estavam lá. Mas será que eles estão na Grifinória ou na Sonserina? Ela riu sozinha tentando descobrir como eles resolveriam aquele impasse. Sua reunião de ideias irônicas foi interrompida pelo chamado da capitã Weasley que reunia a equipe para uma última instrução. — Vamos lá, esse é o nosso primeiro jogo da temporada. Grifinória já está em vantagem sobre nós porque ganhou da Lufa-Lufa semana passada, então temos que acabar com eles. Esse é o momento! — Seu discurso patriota encorajador fracassado não impressionou Charlotte, na verdade a deixou ofendida. Grifinória nunca estará em vantagem sobre a Sonserina. Nem no quadribol, nem em nada. E por favor… É claro que vamos acabar com eles. E então, Roxanne se dirigiu a ela: — E Benningham… Eu sei que sua sede pelo sangue da minha família é praticamente insaciável, mas tente não matar nenhum de nós hoje. Somos adversários e não inimigos. — Ela realmente achava que era engraçada. Charlotte ignorou aquele aviso e se preparou para entrar. Quando o portão se abriu a torcida gritou freneticamente. Isso sim é o que eu mereço ser ovacionada por multidões. Montou em sua Firebolt e subiu.

Como tradição, era sempre a primeira a entrar em campo. Ela achava que isso era um tipo de amuleto da sorte e o resto da equipe cansou de discutir com ela ainda em seu primeiro ano. Logo que subiu deu uma olhada na arquibancada da Sonserina. Sr. Draco Malfoy estava sentado ao lado de sua mãe que gritava seu nome sem cessar. Seu pai, é claro, não estava lá. Tinha obrigações demais para ir assistir há um joguinho de quadribol escolar. Scorpius também estava lá, torcendo por seu time e por sua amiga. Não posso fazer feio na frente dele, hoje tenho que me superar. Analisando melhor a composição da torcida, percebeu que nenhum Weasley ou Potter estava lá. Eles escolheram um lado. Como seus filhos devem estar lidando com isso? Deu uma olhada e encontrou Rose acenando para a torcida da Grifinória. Mas… o quê? Todo o combo Weasley-Potter estava lá na torcida da Grifinória, porém usando cachecóis da Sonserina, para dar apoio às crianças dos dois times. Que original… Se aproximou da menina e falou com ela com frieza. — Weasley! Se concentra! Vai logo pro gol antes que eu te arraste. — Seus gritos intimidaram Rose que foi pro gol antes que pudesse dar um último aceno a sua família. Charlotte virou por um segundo a cabeça para a torcida e viu o Sr. Harry Potter a encarando. Ele deu um sorriso e acenou com a cabeça. Mas por que todos eles têm cisma comigo?

Voou até seu lugar no centro do campo e subiu bem mais acima dos outros jogadores. Deu uma última olhada para baixo para checar o time rival. Grifinória vinha com um time bastante previsível: Os artilheiros eram Sophia Philips, Angelica Bultz e James Potter, o rapaz que sempre implicava com Charlotte. Os batedores eram o baixinho Alvo Potter e Molly Weasley II, a nova adição do time. O goleiro era o aluno do sétimo ano Douglas Saverin, um brasileiro barra pesada. Vamos ter trabalho com esse. Mas e… cadê ele? Antes que pudesse levantar sua cabeça foi surpreendida com uma voz conhecida. — Você não falou comigo hoje. — O apanhador do time, Fred Weasley II se dirigia a ela enquanto esperavam o sinal da juíza professora Rolanda Hooch para o começo do jogo. — Era o trato, você falar comigo. — A garota apenas o ignorou. — Escuta… você não trouxe sua varinha, né? O meu primo tá com um pouquinho de medo de você. — Charlotte riu. Causar medo era sua atividade favorita. — Não se preocupe, vou acabar com vocês sem precisar dela. — A juíza começou a falar algumas palavras impossíveis de se compreender na altura que estavam. Não falaram mais nada, apenas ficaram se olhando por vários instantes até que a professora finalmente deu o sinal e o jogo se iniciou.

Os balaços, como sempre, foram os primeiros a dar sinal de vida saindo errantes do baú e fazendo seu show por entre os jogadores percorrendo o campo. A goles foi jogada e o pomo saiu voando. Começou. Fred a olhava com muita confiança, confiança até demais. — Preparada pro furacão Weasley? — Pro quê? Esse garoto é maluco?– Não vou pegar leve. — Charlotte riu por dentro, mas a tensão do momento não permitiu que seu corpo materializasse isso. — Eu já te observo há algum tempo, somos do mesmo nível. Não tem porque ficar tão confiante. — Ele riu. — Mas dessa vez é diferente. Você está jogando. Eu treinei como nunca. — Ela percebeu que finalmente alguém daquela família notou que ela é mais do que só uma menina obscura que não fala com ninguém. Ela é um prodígio muito maior do que qualquer outro aluno de Hogwarts. Nesse momento o pomo de ouro se materializou entre os dois. Bonito, brilhante, majestoso. Ele os provocava, como quem diz “Quem vai me pegar? Quem vai conseguir?”. Os dois apanhadores rivais deixaram de conversa e se concentraram em perseguir a pequena maçã dourada.