Up To No Good
4 Reforço
Notas iniciais
Charlotte não aguentava mais aquela gritaria sem fim acompanhada de um jogo chato das equipes que, em sua opinião, eram as mais fracas de Hogwarts. As aulas mal tinham começado e a temporada de quadribol já estava entediante. Lufa-lufa era uma negação para o esporte, sem dúvida alguma. Talvez eles tivessem muito entusiasmo e energia, mas faltava o punho forte de uma boa liderança e é claro, o TALENTO. E Grifinória… Não importava se Grifinória jogava bem ou mal, Charlotte os condenaria de qualquer jeito. Pois Grifinória (apesar de algumas exceções) é a casa onde há uma grande concentração de Weasleys e Potters. Ganharam fama sem nunca fazer nada na vida… isso é muito injusto. Só porque tinham uma família famosa no esporte (o que em sua opinião também era injusto, pois eram todos jogadores medianos) eram sempre os primeiros escalados para serem titulares no time. Até em seu time, Sonserina, existia uma predisposição a Weasleys no time titular. Ela costumava ser a apanhadora titular, até que em um jogo em seu terceiro ano ela perdeu a cabeça com um dos batedores da Grifinória e jogou o feitiço Alarte Ascendere nele. Ele jogou o balaço em minha direção, mas é claro que todos acreditaram só nele. O batedor por acaso era Alvo Potter, que jogava no jogo que ela assistia e é claro, passava vergonha aos olhos de Charlotte.
Enquanto ela traçava comentários maldosos sobre os jogadores dos dois times em sua mente, um senhor loiro e elegante se destacava da multidão de torcedores e se aproximava da menina por trás. Ele pôs a mão sobre seu ombro, mas não precisou dizer nem uma palavra para que ela o reconhecesse sem nem mesmo virar o rosto. – Quanto tempo, senhor Malfoy…
Era Draco Malfoy, líder da elite das famílias bruxas da Inglaterra e pai do melhor (e único) amigo de Charlotte, Scorpius. Ninguém naquela escola (na verdade, naquele país) tinha coragem de tocar em Charlotte sem sua permissão, nem mesmo Scorpius. Sua mãe nunca estava em casa, por isso não tomou o costume de contato físico com a filha e o pai era rígido e sério demais para pensar nisso. O único tipo de afeto que Charlotte já conheceu veio de Draco Malfoy. O que é estranho, visto que o Sr. Malfoy não costumava ser muito carinhoso nem com o próprio filho. É claro que isso tinha a ver com o fato de ele vê-la como um espelho dele mesmo quando tinha a sua idade.
– O jogo da Sonserina é só semana que vem… O que faz aqui? — perguntou Charlotte surpresa com a visita do patriarca Malfoy. – Precisei ter uma conversa com o diretor Longbottom sobre o time de quadribol da Sonserina. — Charlotte pareceu surpresa. Scorpius nunca demonstrou aptidão para quadribol e seu pai, como um ex-apanhador, sabia disso. – Scorpius vai jogar esse ano? Poderia ter me avisado, eu treinava ele para um teste. — Draco a olhou como se estivesse se perguntando quando a jovem ficou tão ingênua. – Não era sobre Scorpius jogar, ele não é bom. Precisei alertá-lo sobre minha protegida sentada no banco da reserva durante toda a temporada do ano passado. Isso é mais punição do que qualquer um merece por revidar um balaço que foi jogado propositalmente em sua direção.
Parecia loucura, mas Draco Malfoy realmente tinha acabado de dizer que estava ajudando Charlotte a jogar de novo. E ele não foi ao diretor da Sonserina ou na capitã Roxanne Weasley (a quem Charlotte odiava), ele foi direto ao diretor de Hogwarts. Era certo, na próxima semana Charlotte estaria de volta ao time. E só tinha a agradecer àquele homem parado ao seu lado. Ela o olhou bem no fundo dos olhos e esboçou um sorriso que ele respondeu com um aceno sutil da cabeça. No mundo daqueles dois, aquilo era um agradecimento respeitoso e nobre. Depois de voltar à realidade e perceber que estava mesmo de volta, ela só pensou em como poderia novamente jogar seu talento na cara da goleira petulante da Sonserina, Rose Weasley, a mais detestável de todos eles. Enquanto mergulhava em seus pensamentos perversos, percebeu que outro senhor de aproximava, mas ia em direção a Draco. Essa barba… Eu já vi esse homem. Provavelmente na plataforma 9 3/4, ele é o pai de alguém. Talvez um dos loucos da família Scamander? Não, já sei! É ele… É HARRY POTTER! Charlotte detestava os Potter mais do que os Weasley, detestava pensar naquelas crianças levando crédito pelo que nunca fizeram. Mas sabia que aquele Potter merecia todo o crédito que levava. Sabia que só estava ali em Hogwarts por causa daquele Potter.
– Tramando algo? — Senhor Potter se aproximou com um sorriso de paz. Charlotte simplesmente ficou sem saber o que dizer, ele nunca havia se aproximado dela e nem do senhor Malfoy. — Soube que esta garotinha vai voltar pro quadribol. — Mas já sabia? – É verdade, Potter. A temporada desse ano já é nossa. — Malfoy estava um pouco sério, como se não quisesse estender a conversa. Era óbvio que os dois não eram realmente amigos. – Não sei não, Malfoy. Temos um reforço incrível esse ano com a volta do meu sobrinho.
Sobrinho? Qual deles? Ele tinha tantos parentes que qualquer um se perderia. Mas Charlotte não se perdeu, pois Potter apontou pro rapaz jogando no campo. O garoto ruivo que chamou sua atenção na plataforma era o novo apanhador da Grifinória. Mas ele não era calouro. Charlotte tinha certeza de já tê-lo visto em algum lugar. Se concentrou nas palavras do senhor Potter e se lembrou. Era aquele rapaz que havia quebrado um braço e uma perna no último jogo da temporada do terceiro ano de Charlotte, logo após sua saída. Era Fred Weasley, um dos maiores jogadores da Grifinória. Ele não havia voltado pro time e desde então tinha sido invisível, até aquele ano. Ele seria o novo rival da menina, já que ela voltaria a jogar. Agora sim, as coisas ficariam interessantes.
Perdida em seus pensamentos, não notou o rosto do senhor Potter se aproximando do seu. Ele colocou a mão em seu ombro e sussurrou palavras que no início foram confusas, mas depois fizeram um sentido absurdo.
– E Fred está bem ansioso para interagir com o novo reforço da Sonserina também.
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