Up In Flames
1 Prólogo
Notas iniciais
SOBRE O TORNEIO: O Torneio Tribruxo (no Brasil) ou Torneio dos Três Feiticeiros (em Portugal), é um campeonato entre escolas de magia, no qual é selecionado um representante (chamado campeão), através do Cálice de Fogo, para cada uma das três escolas participantes. Os campeões realizam, ao longo do ano, três tarefas diferentes e o vencedor recebe mil galeões.
O torneio não ocorria a algumas centenas de anos, devido ao risco que representava para a vida dos campeões, só voltando a ser realizado com a adoção de novas regras, que garantiam maior segurança aos campeões, sendo que uma das novas medidas é proibir a participação de alunos com idades inferiores a 17 anos.
PS: Tive que alterar a idade do Derek pra um bom andamento da história. Ele está cursando o último ano em Hogwarts e os outros personagens o quarto ano. Assim como alterei a idade minima pra participar do torneio.
Escrever o próprio nome em um pedaço de pergaminho surrado e talvez o depositar no cálice de fogo foi uma ideia louca que rondou a cabeça do garoto no dia que o Torneio Tribruxo foi apresentado pelo diretor.
Stiles tem noção do tamanho do torneio e o quanto isso pode significar. Se for escolhido terá que passar por três tarefas inteiramente mágicas sem ter a opção de desistir no meio de uma delas. Caminhara ao lado da morte, é verdade, mas ter todos os olhares, não só dos alunos de Hogwarts como também os de Durmstrang e Beauxbatons, voltados pra si lhe parece um ótimo motivo pra tentar.
Sabia que não deveria depositar o seu nome de forma leviana, mas a provável gloria e a admiração dos amigos caso fosse escolhido, cegou o seu lado sensato. Iria arriscar-se mesmo que seu subconsciente falasse para ficar longe de encrenca. Coragem não é de fato o problema, não tem medo das provas que poderá vir a realizar. Talvez todo esse receio seja culpa dos livros que leu a alguns dias atrás. Saber a história do torneio e a sua alta taxa de mortalidade foi como estar lendo a futura morte de um seus colegas, ou mesmo a sua. É claro que Neville, o atual diretor da escola, tomara algumas precauções mas nem mesmo ele pode evitar uma morte. Ou será que pode?
Mesmo sem ter as respostas que gostaria, Stiles acabou decidindo que iria arriscar-se. É claro que não contou o seu plano pra Scott, seu melhor amigo, ou Allison, a namorada de seu melhor amigo. Sabia perfeitamente bem que eles tentariam o impedir e isso estava fora de cogitação. Foi pro esse motivo que decidiu que colocaria o nome após o jantar. Estariam todos entretidos falando sobre coisas fúteis e ninguém ousaria descer no salão principal porque teriam acabado de comer. Em outras palavras, ele ficaria sozinho e poderia ser feliz depositando o seu nome para uma morte certa e dolorosa.
Stiles parou de frente para o cálice de fogo, a respiração ofegante e o coração acelerado. Tinha passado no banheiro para tomar um banho rápido e encorajador. Agora seus cabelos negros encontram-se incrivelmente molhados e bagunçados como se ele tivesse corrido pelos corredores.
Tinha saído do salão comunal da Grifinória de forma discreta e sem avisar os amigos. Nem mesmo Scott tinha conhecimento do seu ato de loucura. Não é que não goste dos amigos, longe disso, é só não queria ter uma plateia toda o analisando enquanto colocava o próprio nome em uma competição perigosa. Além do mais ele seria repreendido e julgado como incapaz.
"Vamos lá, Stiles! Não pode ser tão ruim assim. É só jogar o nome no troço mágico flutuante e conviver com esse ato até o dia da escolha. “ Murmurou pra si mesmo. Não conseguia parar de falar nem quando estava sozinho. Falar é uma de suas qualidades. Ou defeito, depende da situação.
O garoto ergueu a mão direita, levando-a de encontro à "boca" do cálice e com um medo que até então lhe era desconhecido jogou o pergaminho dentro. As chamas do objeto prata se azularam por alguns segundos. O circulo branco traçado no chão pelo diretor, para evitar que alunos menores de 14 pudessem se inscrever, tremeu de forma compulsiva.
Stiles deu alguns passos para trás, o medo de ter sido recusado logo de cara o deixando inquieto. Prendeu então a respiração, as mãos balançando de um lado para o outro de forma frenética.
Alguns segundos, que para o garoto pareceu longas horas, se passaram. As chamas do cálice voltaram ao seu tom normal e o circulo branco já não tremia com tanta violência. Um sorrisinho majestoso tomou conta dos lábios do moreno, como se ele estivesse apreciando o cálice velho, os olhos brilhando de excitação.
Girou sobre os calcanhares, colocando-se de frente pra a saída do Salão Principal, confiante de que se até agora o pergaminho que continha seu nome não fora “devolvido” ele não seria mais.
Em passos rápidos e majestosos caminhou até a porta. A não ser por ele o local esta completamente vazio. As quatro mesas, cada uma pertencente a uma casa, não abrigam um único aluno sorridente. Nem mesmo um talher abandonado encontra-se jogado em cima da mesa. O jantar acabou a menos de 25 minutos e mesmo assim o silencio absoluto predomina o local.
Stiles ergueu os olhos, um sorriso bobo se abrindo em seus lábios. O teto estrelado e sem nenhuma nuvem representa o tempo lá fora. Segundo o livro Hogwarts: Uma História, ele foi enfeitiçado ainda na época em que os quatro criadores da escola eram vivos.
“Ai!” O grito veio primeiro que a compreensão. Tinha se chocado contra algo, ou alguém já que Stiles não se lembrava de em seus quatro anos de Hogwarts ter visto uma parede no meio da porta de saída, incrivelmente duro enquanto distraia-se com a visão noturna. Sua primeira reação foi levar as mãos à frente do corpo tentando agarrar-se a algo antes de cair. Por sorte ele conseguira e por puro azar esse algo cairá junto com ele.
Com uma habilidade digna de Stiles Stilinski, ele conseguiu cair de costas. A cabeça chocara-se contra o chão duro causando uma dor nauseante. Não conseguia mexer-se por conta do peso em cima de seu corpo e, como se isso já não fosse humilhante o bastante, o garoto sentiu seu rosto corar devido à proximidade do estranho.
“Você deveria olhar por onde anda.” Resmungou o garoto que caiu por cima de Stiles. Seu tom de voz é cortante e raivoso. Stiles tentou se encolher, mas tudo o que conseguiu foi depositar a mão em um local muito intimo do estranho.
“Desculpe-me, eu realmente não queria ter trombado contigo, assim como não queria deixar a minha mão depositada ai. Quer dizer, não que eu tenha reparado onde minha mão esteja, é só que fica difícil não reparar já que você não sai logo de cima de mim enquanto eu falo esse monte de merda. Você poderia, por favor, se levantar?” Stiles respirou fundo ao terminar de falar, o rosto corando ainda mais. “Aliais, sou Stiles.”
“Tanto faz.” O homem retrucou e em um movimento rápido colocou-se de pé.
Stiles respirou mais aliviado ao sentir o corpo livre, muito embora a sensação de ter sido atropelado por um trator ainda estivesse presente. Levou a mão ao ponto da cabeça que tinha batido no chão e não se surpreendeu ao encontrar um galo ali.
“Essas coisas só acontecem comigo.” Bradou irritado.
“E comigo.” O mais velho complementou. Em um ato impensável o sonserino estendeu a mão ao garoto caído no chão, o rosto contorcido em uma careta. Não seria tão bonzinho assim se o garoto não aparentasse ser tão frágil.
“Olha só, então você é educado.” Provocou Stiles, mas se arrependeu no minuto em que aquele olho verde e intenso o fuzilou.
Engolindo em seco o garoto apertou a mão do mais velho. Um calor perpassou todo o seu corpo tendo inicio nos pontos em que fora tocado pelo sonserino. Stiles abriu e fechou a boca varias vezes. Pela primeira vez na vida tinha ficado sem palavras
“Vai ficar segurando a minha mão a noite inteira?” Só então Stiles se deu conta que ainda agarrava-se a mão do mais velho e que já tinha se levantado.
Ergueu então o rosto, os olhos fixos no mais velho. Mesmo com a capa do uniforme é visível que ele tem um corpo bem trabalhado. Talvez fruto de horas malhando. Seus cabelos são pretos intensos e sua barba está por fazer - Stiles o julgou como repetente porque nenhum outro garoto do sétimo ano tem barba, pelo menos não os da Grifinória. –. O que mais chamou a atenção no garoto foram seus olhos verdes intensos. Combina perfeitamente com a gravata verde da Sonserina...
“Ah, tá explicado o porquê você é tão arrogante.” Deixou escapar. É uma referencia obvia a casa que o mais velho pertence.
O garoto bufou com o comentário sarcástico e isso fez Stiles sorrir satisfeito por o ter feito se irritar.
“Já acabou?” Perguntou de forma brusca.
“Já, pode ir colocar o seu nome no cálice na calada da noite.” Stiles revirou os olhos indignado, muito embora tivesse feito mesmo.
Contornou o rapaz para sair da sua frente, deixando assim o caminho glorioso até o cálice livre. Deu lhe então um último sorriso, sorriso ao qual o mais velho não merece, antes de sair pela porta do salão principal. Já estava a mais de cinquenta passos de distancia quando ouviu um grito a suas costas.
“Sou Derek.”
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