Up All Night - One Shots
10 Capítulo 10- If I Could Fly.
Notas iniciais

If I could fly
I'd be coming right back home to you
I think I might give up everything
Just ask me to
*****
POV Misto. (Klaus e Camille.)
Suspirei e olhei a ficha na minha mão. Não acreditava que tinha chegado a esse ponto, mas era isso ou todos (entenda-se minha namorada, Caroline Forbes) ia terminar comigo de vez. Eu não queria isso e também não queria um escândalo, pois sou vice-presidente de uma empresa de tecnologias. Olhava o relógio inquieto e esperava ser chamado; onde? Um consultório de uma psicóloga, foi o que Caroline exigiu e meu irmão sempre aconselhou que fizesse. Não demorou e a porta abriu. Vi uma moça saindo e uma loira com expressão doce se despedir dela. Ela era a psicóloga, Camille O'Connel? Mas será que era boa? Agora que a vi tinha minhas duvidas.
Olhei a minha ficha.- Klaus Mikaelson.
Suspirei e me levantei.- Bom dia.
Sorri.- Bom dia Klaus, entre.- Ele entrou e fechei a porta.- Então, aceita um café, chá, biscoitos...?
— Café.- Disse.
— Ok.- Servi uma xícara para ele.- Sente-se.- Lhe alcancei a xícara.
Peguei o café e sentei onde ela indicou.
Me sentei também e o olhei.- Bem, vamos começar com apresentações. Quem é você?
Sério? Essas perguntas? Ok, vamos lá.- Klaus Mikaelson, vice-presidente da Maxximum Tecnologias.
Sorri e anotei o que ele disse.- Ok Klaus, sei que você me disse o que vem a sua cabeça primeiro, mas poderia me dizer quem você realmente é? Não só a superfície.
— Isso é necessário? Só quero resolver uma questão.- Disse.
— Sim, é.- Disse.
— Gosto de arte e do meu trabalho.- Disse.
Franzi o cenho e anotei.- Tem namorada ou esposa?
— Namorada.- Disse.
— Filhos?- Perguntei.
— Não.- Disse.
— Gostaria de ter?- Perguntei.
— Daqui a uns anos, talvez.- Disse.
— Ok.- O olhei.- Agora; porque me procurou?
— Eu tenho uma situação que está me atrapalhando no momento; não suporto ser tocado.- Disse.
— Nem assim?- Toquei a mão dele.
Respirei fundo.- As mãos tive que me adaptar por causa do trabalho.
— Entendo. Você tem uma vida sexual ativa?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Com que regularidade?- Questionei.
— Depende do nosso trabalho, mas uma ou duas vezes por semana.- Disse.
Anotava o que ele me contava.- Então, você não gosta de ser tocado nem durante o sexo?
— Não. Mãos ao lado do corpo ou presas.- Disse.
— E você não acha monótono ou chato fazer tudo?- Questionei.
— Eu gosto de poder.- Disse.
— E você tocar em você? Você consegue? Toma banho sem problemas? Se masturba?- Questionei.
— Sim.- Disse.
— Ok.- Anotava.- Agora me conte o porque não consegue ser tocado? Ou o motivo que acha que te levou a esse sentimento?
— Isso você tem que me dizer. Que merda de bloqueio é esse?- Questionei.
— Você sofreu abuso?- Perguntei.
— Não!- Exclamei.
— Você não me respondeu, então tenho que perguntar. Você sofreu ferimentos causado por castigos ou algo do tipo? Bullying?- Questionei.
— Meu pai era um homem disciplinador.- Disse.
Hmm... Ai está, pensei.- Você pensa como ele?
— Pensar de que forma?- Questionei.
— Que violência é o único jeito de educar.- Disse.
— Não mesmo. Não suporto essa ideia.- Disse.
— Seu pai batia na sua mãe e irmãos?- Questionei.
— Que eu saiba não.- Disse.
— Seu pai é vivo?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Como é sua relação com ele hoje em dia?- Perguntei.
— O mínimo possível.- Disse.
— Você disse que gosta de poder; então como você acredita ser a relação entre homem e mulher?- Questionei.
— Um respeitando o outro sempre.- Disse.
— Você tem cicatrizes?- Perguntei.
Suspirei. Não gostava de ficar mexendo nisso.- Sim.
— Você poderia me mostrar?- Perguntei.
Eu odiava mexer naquilo e lembrar de tudo, mas era mais forte, tinha que ser. Levantei e desabotoei a camisa, tirando e virando de costas.
Anotava as coisas e percebia que Klaus não era um homem ruim e confiava fácil. Conhecia pouco dele ainda, mas só dele já ter tirado a camisa no nosso primeiro encontro, deduzo que não vai ser difícil ele me deixar trata-lo.- Pode colocar a camisa Klaus, obrigada.
Coloquei e me esforcei para me acalmar. Não poderiam dizer que tinha vindo só para enrolar.
O olhei.- Klaus, eu só quero deixar uma coisa clara; você não é obrigado a fazer nada aqui que não esteja pronto ainda. Talvez eu vá ter que te fazer passar por uns momentos ruins, mas fará parte do tratamento e iremos até onde você aguentar, ok?
— E você já sabe o que fazer?- Perguntei.
— Começamos com a sua namorada... Você já deixou ela masturba-lo ou fazer sexo oral em você?- Questionei.
Pensei.- Sim.
Suspirei. Bem, ele não tem muito problemas então.- Seu tratamento não será divertido então. Deixe ela tocar seu braço e acaricia-lo. Pelo máximo de tempo que conseguir. Só no braço primeiro.
— Não dá certo. A ultima vez que ela tentou no reflexo de me afastar, quase acertei ela.- Disse.
— Você prefere fazer aqui no consultório? Já levei muitos tapas e arranhões de pacientes, você não será o primeiro.- Disse.
— Você? Não.- Disse.
— Então em quem você confia?- Perguntei.
Aquilo estava cansativo.- Ninguém.
— Tudo bem.- Levantei, fui até minha mesa e fiz um horário para ele, voltando e lhe entregando.- Você devia me visitar duas vezes na semana, mas essa foi só uma consulta de primeira visita, então não sinta-se obrigado a me avaliar bem se não gostou. Irão te ligar para perguntar já que trabalho em uma clinica cheia de profissionais excelentes.- O levei até a porta.- Foi um prazer te conhecer Klaus.
— Igualmente.- Peguei o horário que ela me deu.
Sorri.- Caso não volte, eu espero que melhore e que um dia possa confiar em alguém.- Abri a porta.- Tchau.
— Tchau doutora O'Connell.- Disse.
Apenas sorri.
POV Klaus.
Sai e fui para o estacionamento. Respirei fundo quando estava dentro do meu carro. Calma Klaus, tenha tudo sobre controle. Uma coisa me veio a cabeça; como ela era linda, mesmo fazendo só o seu trabalho. Sai de lá e dirigi até onde Car trabalhava, chegando lá subi e não demorando a entrar na sala dela.
— Klaus? Tudo bem?- Ela perguntou.
— Sim, aqui está.- Disse botando os papéis do consultório na mesa dela.
— Você foi? Isso é ótimo. Como foi?- Ela questionou.
— Chato. Um monte de perguntas.- Disse.
— Que pena. Podemos achar outro se quiser.- Ela disse.
— Não, essa está bom.- Disse.
— Tudo bem.- Ela disse.
— Está tudo bem aqui?- Perguntei.
— Sim.- Ela disse.
— A sala ficou boa depois da reforma.- Disse.
Ela sorriu.- Ficou sim.
— Você sempre com bom gosto.- Disse.
— Você vai sair com seus amigos hoje então?- Ela perguntou.
— Sim, já tínhamos marcado.- Disse.
— Ok.- Ela disse.
— Bem, já vou então.- Disse.
— Tudo bem.- Ela disse.
Peguei todos os papéis e dei um beijo rápido nela.
— Tenha um bom dia.- Ela disse.
Sorri e sai, indo para casa. Deixei tudo e me troquei para o trabalho, tinha avisado que só iria a tarde. Pensei em ligar para Elijah, mas poderia fazer isso mais tarde. Fui para empresa e como gostava me entreguei por inteiro. Só percebi que a hora tinha passado quando minha secretária veio me avisar e olhei a hora. Droga, estava atrasado. Terminei tudo e sai de lá, indo para o bar que tinham marcado. Sair com meus amigos era bom, eles não me perturbavam e eu podia relaxar. Depois de assistirmos o jogo lá, fui para casa e depois de tomar banho, liguei para Elijah.
— Alô?- Ele atendeu.
— Elijah.- Disse.
— Tudo bem?- Ele perguntou.
— Sim. Fui na consulta.- Disse.
— E como foi?- Ele perguntou.
— Um monte de perguntas, coisas que nem tinha a ver com nada,- Disse.
— É uma pena, pensei que ela fosse boa, mas se não é só trocar. Mas se não quer ir mais, é com você. Você é adulto e sabe o que faz.- Ele disse.
— Como se vocês fossem me deixar em paz.- Disse.
— Klaus, não funciona assim. Se você não quer, não quer e pronto.- Ele disse.
— Do jeito que fala até parece que eu gosto disso.- Disse.
— Eu não disse isso. Você decide, não vou me meter e falar mais nada.- Ele disse.
— Ok Elijah.- Disse.
— E a Caroline?- Ele perguntou.
— Ficou feliz de ter ido.- Disse.
— Que bom.- Ele disse.
— E você?- Perguntei.
— O que?- Ele perguntou.
— Tudo bem?- Questionei.
— Sim.- Ele disse.
— Tem ido em casa?- Perguntei.
— Sim. Fui ontem.- Ele disse.
— E a mãe? Está bem?- Questionei.
— Está sim.- Ele disse.
— Vou marcar um almoço com ela.- Disse.
— Ela vai gostar.- Ele disse.
— Bem, já vou, tenho que ler uns documentos ainda.- Disse.
— Tudo bem. Boa noite.- Ele disse.
— Boa noite.- Desliguei e botei para chamar no número da minha mãe.
— Klaus? Querido, tudo bem?- Ela atendeu.
— Boa noite.- Disse.
— Boa noite.- Ela disse.
— Tudo bem?- Perguntei.
— Sim e você?- Ela perguntou.
— Indo. Liguei para saber se quer ir almoçar comigo, faz tempo que não nos vemos.- Disse.
— Ah querido, eu ia adorar. Quando você quer?- Ela perguntou.
— Eu tenho que ver, mas acho que dá ainda essa semana.- Disse.
— Só me dizer o dia e o lugar que estarei lá.- Ela disse.
— Olha, assim vou achar que está com saudades.- Disse.
— E estou, com muitas.- Ela disse.
Sorri. Apesar de ter me distanciado de casa, eu sentia falta dela e dos irmãos mais novos.- Eu também. E os pirralhos?
— Estão terríveis como sempre.- Ela disse.
— Rebekah está dando trabalho?- Perguntei.
— Sim, sempre.- Ela disse.
— Deveria ter a colocado num colégio interno.- Disse.
Ela riu.- Talvez.
Escutei uma voz por trás dela.- Quem é?
— Ah... É seu pai.- Ela disse.
— Ele não...- Suspirei e parei. Não ia discutir isso mais uma vez.- Ah sim, já deve estar indo dormir, não vou atrapalhar mais.
— Você me liga para me avisar o dia?- Ela perguntou.
— Amanha eu ligo.- Disse.
— Ok. Eu te amo querido.- Ela disse.
— Eu... Boa noite mãe.- Disse.
— Boa noite.- Ela disse.
Desliguei e peguei os documentos, mas não conseguia me concentrar muito. Deixei de lado e fui me deitar.
*****
Pay attention, I hope that you listen
'Cause I let my guard down
Right now I'm completely defenceless
*****
POV Misto. (Klaus e Camille.)
Nos dias seguintes eu fiz minha rotina normal, de reuniões, apresentações e viagem. Olhei e vi que teria uma consulta no outro dia e decidi ir, queria ver o que aquela psicóloga ia conseguir. Arrumei minha agenda e no outro dia, na hora marcada, estava lá.
Chamei o próximo paciente e o deixei entrar.- Vejo que voltou.
— Sim.- Disse.
— Sente-se.- Fechei a porta.- Aceita alguma coisa?
— Não.- Disse.
Me sentei.- Percebi na ultima consulta que você não gostou do meu método, pensei que não voltaria, mas como você não gostou não irei forçar a mesma coisa. Então, pode começar a falar.
— O que?- Perguntei.
— Porque você veio aqui, talvez.- Disse.
— Não suporto toques.- Disse.
— Isso eu entendi, mas eu preciso mais do que isso para te ajudar. Pelo que falamos na ultima consulta você é um homem normal; não se acha superior a mulheres, as respeita, não é viciado em sexo, tem uma relação séria, não odeia crianças e quer ter filhos... Ainda não achei seu problema, então preciso de mais. Você vai ter que cooperar comigo.- Disse.
— Tenho uma relação séria?- Perguntei.
— Sua namorada.- Disse.
— Não diria que é relação duradoura. Nunca é.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— Sempre dizem que é minha culpa.- Disse.
— Porque você não deixa que te toquem. Sei que não gosta de perguntas, mas vou te fazer somente uma hoje; o que você acharia se sua namorada não deixasse você a tocar?- Perguntei.
— Não ia dar certo.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— Eu não entraria.- Disse.
— Hmm... Ok. Prossiga.- Disse.
— Elas reclamam que não me abro também. Que não sabem o que sinto.- Disse.
— E você concorda?- Perguntei.
— Não sou de fazer declarações.- Disse.
— Tudo bem. Você tem dificuldade de deixar alguém entrar na sua vida, não suporta toques e não expressa seus sentimentos. Me desculpe te dizer isso, mas você é um namorado de merda. Primeiro você tem que se conscientizar disso e começar a mudar principalmente porque você quer.- Disse.
— Eu não obriguei ninguém. Ela sabia que eu seria assim.- Disse.
Suspirei e me levantei.- Klaus, eu não estou conseguindo chegar até você. Você não deixa e vai ser impossível assim, ok? Eu não sou milagreira. Se você está aqui para provar alguma coisa a alguém, por favor saia. Volte quando estiver pronto para se abrir e me deixar te ajudar. Tenho pacientes que realmente querem minha ajuda esperando do lado de fora.
— Está me dispensando?- Perguntei.
— Você não quer estar aqui, está dificultando a minha vida, comporta-se como se não tivesse problemas, não deixa eu ultrapassar o seu escudo. Eu não sou sua namorada que você precisa ganhar confiança, eu sou uma médica que você tem que chegar aqui desarmado. E você vem totalmente armado.- Disse.
Estava me irritando já.- Você tem pai doutora?
— Infelizmente meus pais morreram e meu irmão se suicidou. Porque?- Perguntei.
— Mas você o amava?- Fiquei imaginando como era a vida dela. Ela parecia tão tranquila e feliz.
— Claro.- Disse.
— Confiava nele?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Imagine então com todo esse afeto e essa confiança ele descontar toda raiva e frustração em você, mas não adulto, quando você mais precisa dele; 6, 7 anos... E as pessoas que dizem se importar com você, ninguém fala nada, por anos afim.- Disse.
— Eu entendo o seu sentimento Klaus, seu pai foi horrível, mas você precisa passar isso, essa raiva, para começar a se curar. Eu posso te ajudar se você me deixar.- Disse.
— Ele não é meu pai!- Exclamei.
— Quem é então?- Perguntei.
— Minha mãe nunca me contou. Só sei que eles estavam para se separar e ela saiu com alguém, depois voltaram.- Disse.
— Credo, sua mãe é rápida- Franzi o cenho.- Desculpe, as vezes eu me empolgo. Pois bem, qual é o nome do seu “não pai” para eu não ficar chamando ele de “não pai”.
— Mikael.- Disse.
— Ok. O que parece é que Mikael te odeia porque você é fruto de uma relação da sua mãe com outro homem, o que o deixa com ciúmes, o que é bem compreensível, mas não justifica maus tratos. Só que Klaus, você se fechar só está fazendo ele ganhar, assim como fugir dele. Por isso que te digo de novo, não sinto você pronto ainda para isso, porque não poderemos ficar só em conversas. Precisaríamos partir para terapia e no seu caso é do toque. Você não está disposto ainda, então... Eu ficarei feliz de quando você realmente quiser minha ajuda, de lhe ajudar.- Disse.
— Você está como meu irmão, acha que eu gosto.- Disse.
Suspirei.- Se você não gosta porque não enfrenta?
— Você acha que é fácil?- Perguntei.
— Nem um pouco. Só acho que falta força de vontade em você.- Disse.
— Vocês todos dizem o mesmo. Frescura, manha...- Disse.
— Pelo amor de Deus, você é o primeiro paciente que me tira do sério! Você quer a minha ajuda ou não? Se você quer, você vai se levantar agora, tira a droga da sua camisa e se deitar no sofá. Se não quer, levanta a sua bunda e saia do meu escritório.- Disse.
— Como é que é?- Perguntei.
— Você não é surdo.- Disse.
— Que espécie de psicóloga é você?- Perguntei.
— Uma que não tem paciência com pacientes que não querem ser ajudados.- Disse.
— Eu sabia que isso era perca de tempo.- Disse levantando e pegando minhas coisas.
— Adeus senhor Mikaelson.- Disse.
Sai dali, batendo a porta. Merda de consultório, para que que vim parar aqui.
Cara problemático. Quer ser ajudado sem querer se ajudar. Suspirei e voltei ao meu trabalho.
Quem ela pensa que é para me julgar? Não sabe o inferno que a minha vida já foi. Tudo que já passei... Estava muito vivido na minha casa, cada momento, cada frase... Por mais que eu jogasse o mais fundo possível sempre tinha um jeito de ressurgir. Estava pensando na doutora; tão linda, mas tão prepotente. Ela achava que já me conhecia? Fraco; fugindo de mulher. Balancei cabeça para tirar aquela voz. Não, eu ia vencer aquele jogo. Fiz um retorno e voltei ao prédio, depois voltando ao andar e entrando na sala.- Você não me conhece, não pense que por causa de um diazinho já sabe sobre mim!- Disse tirando o paletó.
— Hey, eu estou com um paciente aqui, não está vendo?- Questionei.
— Dá para dar licença?- A paciente questionou.
— Quanto foi a hora que pagou?- Perguntei.
Suspirei.- Mary, porque não vem amanha? Você terá duas consultas de graça por esse mau entendido. Preciso resolver isso agora.
— Não preciso que me cubra.- Peguei minha carreira e peguei US$ 1000 dando a mulher.- O triplo de uma consulta, agora pode sair.
— Tudo bem então, ligo depois, obrigada Cami.- Ela disse.
— De nada querida.- Disse.
A mulher saiu e me voltei para ela.- Pronto?
— O que você quer?- Perguntei.
— Não terminamos a consulta.- Disse.
— Pensei que tínhamos.- Disse.
Afrouxei a gravata e a tirei. Abri a camisa e deitei onde tinha dito.
Dei de ombros e me sentei no puff que tinha na frente do sofá.- Respire fundo e inspire três vezes contando até cinco.
Fiz como ela disse e tentei relaxar. Depois daquela discussão tinha ficado bem irritado, então foi mais difícil.
— Eu vou lhe tocar e você tente suportar meu toque contando até cinco em voz alta.- Disse.
— Já? Não vai dar Camille.- Disse.
— Klaus, eu preciso que você confie em mim. Feche os olhos e faça o que eu disse.- Disse.
Isso vai dar merda. Fechei os olhos e a esperei.
Comecei colocando somente um dedo na barriga dele.
Inspirei mais fundo e tentei controlar o impulso de repeli-la.
— Eu vou te perguntar seis perguntas até toda minha mão estar em você. Primeira; você tem cachorros ou algum animal de estimação?- Questionei.
— Não.- Disse.
Coloquei o segundo dedo.- Qual a comida mais estranha que você já comeu?
Engoli seco e senti minha respiração ficar mais pesada.- Grilo.- Disse num tom mais baixo.
— Lembre-se; respire fundo e inspire.- Coloquei o terceiro dedo.- O que você comeu no café da manha de hoje?
Agarrei o sofá e fiquei tenso. Eu sei, era irracional, mas a armadura que construí durante todos os anos para sobreviver me fazia reagir assim.
Tirei os dedos.- Abra os olhos.
Fiz como ela disse e encarei o teto.
— Olhe para mim.- Disse.
Respirava para me acalmar e a olhei.
— Enquanto eu te tocava você imaginava eu ou seu pai?- Perguntei.
— Tentava que fosse você.- Minha voz saiu mais rouca que imaginei. Desviei o olhar dela.- Toque é dor.
— Não, não é. Toque a minha perna.- Disse.
— Tocar em mim.- Disse.
— Faça o que eu disse.- Disse.
Suspirei e toquei ela na altura do joelho.
— Seu instinto quando me toca é de me machucar?- Perguntei.
— Não.- Disse.
— E você não acha que eu seria capaz de lhe fazer um carinho e não machuca-lo?- Questionei.
— Não.- Respondi no impulso.
— Eu entendo, mas pelo primeiro dia você foi muito bem Klaus.- Sorri.- Tem certeza que não tem ninguém em quem confie para lhe ajudar em casa com alguns toques? Mão, braço...
— Moro sozinho.- Disse.
— Eu entendo. Mas ajudaria muito se fizesse isso.- Levantei e peguei um caderno que dava aos meus pacientes.— Aqui. Isso é para você escrever seu dia todos os dias. Como um diário, você vai contar tudo que acontecer relacionado aos seus problemas de confiar, se abrir e de toque. Na ultima consulta do mês, você me dará ele para eu estuda-lo. Estamos combinados?
— Eu gosto de escrever.- Fechei e achei minha roupa.
— Seu tratamento inicialmente será de dois meses, consultas duas vezes na semana.- Me sentei na mesa e fazia uma “receita” para ele.- Todos os dias antes de sair para o trabalho você toma um chá de camomila, maracujá ou melissa, antes de dormir também. Pelo menos cinco minutos do seu dia eu quero que você se sente, feche os olhos e fique respirando fundo e inspirando. Isso vai ajudar no stress e não ficar tão nervoso quando houver um toque involuntário de qualquer pessoa.
— Não pode ser um calmante?- Perguntei.
— Não sou psiquiatra. Não tenho autorização para receitar remédios.- Disse.
— Ah sim.- Disse.
— Vamos começar com os chás, depois se preferir um calmante eu te encaminho para uma psiquiatra.- Disse.
— Tudo bem.- Meu telefone tocou. Olhei e era minha mãe, olhei a hora e estava atrasado.- Droga.
Sorri.- Pode ir. Está liberado. Até semana que vem.
Guardei o caderno que ela me deu na minha pasta.- Acho que estava errado; você talvez não seja uma perca de tempo.- A olhei, agora mais calmo e percebia detalhes da sua beleza.
— Obrigada, eu acho.- Disse.
— Tudo bem. Tenho que ir, até mais doutora.- Disse.
— Até.- Disse.
*****
For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only
*****
Sai de lá e peguei o carro, pensando em tudo que tinha acontecido ali. Talvez não fosse tão impossível se livrar disso, Eu já sabia o motivo, era só passar por cima. Pela primeira vez em anos imaginei que poderia viver sem aquilo e eu gostava da Cami, gostei de a chamar assim. O almoço com a minha mãe foi normal e depois fui trabalhar. Tentei fazer o que ela pediu, apesar de não gostar de chá, mas não tinha nada para escrever. As duas sessões seguintes foram mais de conversa. Ela perguntou coisas leves, segundo ela para fazer meu subconsciente confiar nela. Ela tentou mais vezes os toques e até agora o máximo que consegui foi cinco dedos na barriga. Ela tentou a mão inteira e quase a machuquei. Deixamos os dias passarem e eu já estava acostumado em ir vê-la e conversar. Hoje era dia para mostrar o cadernos e tinha algumas coisas ali. E uma novidade que não sabia bem se estava bem com isso. Estava sentado a esperando na recepção.
O paciente que eu estava saia da consulta e sorri, acenando para ele. Olhei a ficha.- Klaus.
— Bom dia ou já é boa tarde?- Perguntei.
Sorri.- Bom dia.- Ele entrou e fechei a porta.
Ela se sentou e a acompanhei.- Meu irmão está meio irritado com você.
— E porque?- Perguntei.
— Segundo ele, porque depois de você abandonei de ficar ligando para ele toda hora.- Disse.
Ri.- Tadinho. Você será devolvido para ele daqui a um mês, diz para ele não se preocupar.
— Um mês?- Perguntei.
— Bem, seu tratamento é de dois meses e já passou um. E você já está dando resultados nas consultas.- Disse.
— Cinco dedos não é grande coisa.- Disse.
— Já está melhor que antes. E tenho a impressão que melhorou mais e vou descobrir no seu caderno.- Disse.
— Oh sim.- Peguei e dei a ela.
Peguei e comecei a ler; "Minha mãe me convidou para a festa de Kol, não sei se vou, Mikael vai estar lá e sei que deve terminar em briga.”- Você foi na festa?
— Tive que ir e estava adivinhando no que ia dar.- Disse.
— Você fez o certo. Não pode se afastar da sua família.- Voltei a ler; "Caroline e eu brigamos de novo. Ela perguntou se a amava e não respondi. Assim como não digo isso a ninguém." O olhei.- Klaus, se fechar para as pessoas que você sabe que ama, não é bom. Você precisa deixar alguém entrar.
— Não sai.- Disse.
— Promete que vai tentar?- Questionei.
— Eu já tentei. Minha mãe sempre diz e nunca retribuo.- Disse.
— Treine na frente do espelho, ajuda. E Klaus, as palavras não são importantes. Você já entregou seu amor para a sua mãe e para sua família, se por algum motivo algo que vir deles te magoar, vai magoar mesmo você não profetizando as palavras. Dize-las ou não, não vai mudar. Você precisa estar consciente que é normal se magoar.- Disse.
— Nesse tópico ai que disse deveria ter um porém.- Disse.
— Como assim?- Perguntei.
— Eu conviver com eles não quer dizer que confio, talvez em Elijah.- Disse.
Assenti.- Tudo bem. Isso já é com você.- Voltei a ler; "Erva doce é horrível, prefiro camomila :P .” Ri.- Os dois são bons.
— Já estou tomando chá, é grande coisa.- Disse.
— E tem ajudado?- Perguntei.
— Minha secretária está mais feliz sem meus gritos.- Disse.
Sorri.- Que bom.- Voltei a ler; "O esperado aconteceu; Caroline se encheu e terminamos.” O olhei.- Meu Deus, sinto muito. Você está bem?
— Não é novidade. Todas as vezes sempre se cansam.- Disse.
— Você só não encontrou a pessoa certa.- Disse.
— Talvez não exista isso.- Disse.
Sorri.- Existe sim.- Fechei o caderno.- Pelo que vi aqui, você não chegou a treinar o toque em casa.
— Tínhamos que voltar a isso.- Disse.
— Você pode trazer sua mãe ou seu irmão aqui? Porque só comigo não vai funcionar... Você precisa ter uma ligação com a pessoa que te toca.- Disse.
— Você quer dizer pessoas que não fizeram nada para impedir que tudo isso acontecesse?- Me ajeitei na cadeira. Estava cada vez mais fácil falar com ela, acho que com ela eu podia falar, ela não iria se magoar.
— Talvez você devesse falar com sua mãe sobre isso.- Disse.
— Para que?- Perguntei.
— Você está magoado.- Disse.
— Não quero mexer nisso para ela. Para ela toda a familia, os filhos estão bem.- Disse.
Cruzei as pernas e suspirei.- O que vou dizer pode ser estranho, mas sua mãe realmente parece amar Mikael. Ele é um monstro como você fala, mas é um homem antigo. Não digo que é certo, mas para ele é certo bater nos filhos e talvez na sua mãe. Já pensou nisso? Que talvez ela tenha sofrido nas mãos dele também ou talvez ainda sofra? O amor as vezes pode ser doentio, mas não podemos julgar.
— Como eu já disse, ele era assim comigo, com os outros ele era firme, mas normal.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Quer mesmo que ligue para ela?- Perguntei.
— Não precisa. Bem, acho que você pode me contar como foi seus últimos dias.- Disse.
— Trabalhando totalmente.- Ela continuou e terminamos a consulta. Demorei um pouco no carro falando no telefone e quando sai a vi entrando num restaurante. Eu estava com fome, então encostei e entrei ali. A vi numa mesa e me sentei.- Será que a comida daqui é boa?
— Klaus? O que está fazendo aqui?- Perguntei.
— Almoçando.- Disse.
— Hmm... Ok, eu acho.- Disse.
— Não precisa ficar assim, não estamos no consultório.- Disse.
— Eu sei.- Disse.
— Então me trate normal.- Olhei o cardápio. Era diferente do que estava acostumado.
— Tudo bem.- Disse.
— O que me recomenda?- Perguntei.
— Eu sempre como lasanha.- Disse.
— Lasanha? Nem sei quando comi uma.- Disse.
— Que triste.- Disse.
— Mas se é por você vou pedir uma.- Disse.
Ri.- Ok. Charlie.- Chamei a garçonete que sempre me atendia.
— Oi Cami. Vai querer o de sempre?- Ela perguntou.
— Sim.- Disse.
— E você amigo da Cami?- Ela perguntou.
— O mesmo que ela e dois sucos por favor.- Disse.
— Obrigada Charlie.- Disse.
Ela saiu.- Agora Camille...- Eu adorava falar o nome dela.- Quem é você?
Sorri.- Uma garota que até um ano atrás trabalhava aqui como garçonete para pagar a faculdade, que não tem nenhuma sorte com homens, não tem muitos amigos e morre de saudade do único parente vivo que mora do outro lado do país.
— Nossa, que facilidade.- Disse.
— Ah, esqueci de mencionar que dou a metade do meu salario para esse lugar ficar em pé... Como pode ver não é muito badalado aqui. E nos finais de semana trabalho em uma ONG para animais de rua como voluntária.- Disse.
— Nossa, você tem tempo para você?- Perguntei.
— Sei otimizar meu tempo. E também não preciso de muito tempo; não tenho namorado ou família para visitar, então...- Dei de ombros.- Consigo ver um episódio de série entre um ficha de um psicopata e uma de um esquizofrênico.
Sorri.- Ah, é isso que você faz para se divertir.
— Sério, psicopatas são muito interessantes. Tenho um paciente que é, mas já está controlado, então o entrevisto para o livro que estou escrevendo. Eles são cruéis, mas é engraçado que ao mesmo tempo que são humanos, eles não sentem.- Disse.
— Nossa, e não é perigoso para você?- Perguntei.
— Claro, assim como é perigoso você me dar um soco. Corro riscos diariamente, mas amo meus pacientes e confio neles.- Disse.
— Tem que gostar mesmo.- Disse.
Apenas sorri.
Não demorou e logo a comida veio, e parecia boa.- Bonita está.
— Sim.- Disse.
Comecei a comer.- E maravilhosa.
— Sim, é ótima.- Disse.
— Melhor do que a que comi na Itália.- Disse.
— Nossa, que bom então.- Disse.
— Já viajou assim?- Perguntei.
Ri.- Até parece. Nem dentro do país eu viajei. Eu moro no Brooklyn e trabalho aqui. O que é bem estranho, agora que sei que você é bem mais rico do que achei, vir num lugar assim. Pode achar psicólogas melhores em Manhattan.
— Foi indicação de um amigo e uma pessoa como você merece conhecer muito mais.- Disse.
— Quando eu achar o príncipe encantado talvez.- Sorri e tomei do suco.
Ri.- Você tá parecendo a Rebekah.
— Sua irmã tem 16 anos, eu tenho 22 anos!- Ri.
— Você diz que existe alguém para mim, porque não um príncipe para você.- Disse.
Sorri.- Talvez.
— Isso tá muito bom.- Comi mais.
— Que bom.- Disse.
— Lá na Park Avenue não tem coisas assim.- Disse.
— Imagino que não.- Disse.
O meu telefone tocou e era um dos meus assistentes que tinha feito merda num contrato. Eu ia matar alguém. Passei como ele ajeitar tudo e desliguei.- Você é profissional também ou só pessoal?
— Como assim?- Perguntei.
— Porque esses assistentes vão me enlouquecer.- Disse.
Sorri.- Eu não entendo de negócios, mas fale.
— Coisas simples; um contrato, só revisar para enviar, eles conseguiram errar. Vinte milhões e tenho erro de contrato.- Disse.
— Nossa, vinte milhões? Eu não sei nem quanto é vinte mil, imagina vinte milhões. Acho que não sou boa nisso.- Sorri e tomei do suco.
— Não tem noção do meu trabalho né?- Questionei.
— Nem um pouco. Vinte dólares para mim é muito.- Disse.
— A última transação que fiz com uma empresa da China foi só 350 milhões.- Disse.
Me engasguei e tomei do suco.- Meu Deus, o que você está fazendo no Brooklyn mesmo? Podem te matar aqui, te sequestrar e ameaçar sua família.
— Eu tenho seguranças, você que não percebeu.- Disse.
— Menos mal então, quer dizer que eles são bons.- Disse.
— São. Só não uso motorista porque não gosto, prefiro dirigir.- Disse.
— Pobre homem.- Suspirei.- Está privando um ser de trabalhar.
— Já emprego muita gente, sweety.- Disse.
Sorri.- Tudo bem.- Levantei e fui até o balcão, pagando meu almoço.- Me vê um mousse de chocolate branco, Charlie. E 5 dólares de Twix para a viagem.
— Você é viciada.- Disse.
— Eu não! Isso é uma calunia.- Disse.
— Olha quem está aqui.- Alaric chegou, a abraçando.
Quem é aquele?
Sorri.- Hey Ric. Como está?
— Saudades suas.- Ele disse.
— Você me vê praticamente todos os dias, devia estar enjoado.- Ri.
— De você? Nunca.- Ele disse.
Ela disse que não tinha namorado, mas aquele cara era totalmente na dela.
Sorri e coloquei os twix na bolsa enquanto comia do mousse.- Vocês vão ir na festa que vai ter no Vitrola hoje?
— Claro.- Ele disse.
Festa? Vitrola? O que era aquilo?
— Ok, nos vemos lá então.- Sorri e voltei para a mesa.
— Quem é aquele?- Perguntei.
— É o Ric.- Disse.
— Achei que não tivesse ninguém.- Disse.
— E não tenho. Quer dizer, tenho amigos e meu tio. E o Ric é dono daqui e como você comprovou, o melhor cozinheiro do mundo.- Sorri.- Trabalhei aqui até ano passado e doou meu dinheiro para cá, como já disse. Então, somos amigos.
— Ele não parece amigo.- Disse.
— Mas ele é.- Disse.
— Se você acha. Quero fazer uma proposta a você.- Disse.
— Diga.- Disse.
— Estender o tratamento, por no mínimo seis meses.- Disse.
— Nossa, porque? Não está dando resultados?- Perguntei.
— Acho que mal começamos. Já que entrei de cabeça, quero ir até o fim, ser normal.- Disse.
Sorri e no impulso estiquei a mão para tocar a dele, mas disfarcei pegando o copo do mousse.- Você é normal, Klaus.
— Sabemos que não.- Disse.
— Você é. O que te aconteceu foi tão pequeno perto do tipo de homem que você poderia ter virado. Você é forte e vai passar por isso. Você só tem que pensar que seu problema não é o maior do mundo, existem pessoas em situações piores. Você vai melhorar disso rápido.- Disse.
— Se você diz.- Sorri e pedi um café.
Sorri e voltei a comer.
Terminamos tudo e paguei, depois saímos do restaurante.- Estamos certos então?
— Sim.- Disse.
— Mas tenho uma condição.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Ter um almoço desse por semana.- Disse.
— Hã... Acho que tudo bem.- Disse.
— Ótimo.- Ri.
Apenas sorri.
— Agora tenho que ir, trabalho me chama.- Disse.
Sorri.- Até semana que vem.
— Até.- Sorri e entrei no meu carro.
Acenei e fui para meu consultório.
*****
I've got scars
Even though they can't always be seen
And pain gets hard
But now you're here
And I don't feel a thing
*****
Dois meses se passaram e tudo estava normal e pacato na minha vida como sempre. E eu adoro isso, pelo menos sei como tudo vai acabar no fim do dia. Bem, os almoços com Klaus realmente estão acontecendo uma vez por semana e na consulta está indo tudo bem. Nesses dois meses consegui mais alguns clientes e sempre acabo me envolvendo na história deles, é sempre bom ajudar os outros. Estava atendendo uma paciente e agora era a vez de Klaus, ele entrou e fechei a porta.
— Tudo bem?- Perguntei.
— Sim e você?- Perguntei.
— Melhor agora.- Disse.
Sorri.- Sei. Eu devo ser a pessoa que você mais odeia já que eu te faço ser tocado toda hora.
— Na verdade não, você é a única que consigo falar sem que vire um grande problema.- Disse.
Sorri.- Bem, já que você já consegue que eu te toque na barriga, braços e mãos sem muitos problemas, devíamos começar com peito, costas e pernas agora. Outros lugares você vai ter que treinar em casa com uma namorada, ficante ou coisa do tipo.
— Outra pessoa?- Perguntei.
— Sim. Não sei se você tem esse problema nesses lugares mais... íntimos, mas geralmente todas as pessoas que tratei com o mesmo seu problema, tem, então presumo que não seja diferente.- Disse.
— O que... Oh, entendi.- Disse.
— É o seu caso?- Perguntei.
— Não.- Disse.
— Menos mal. Quer começar por onde então?- Perguntei.
— Antes, eu falei com a minha mãe.- Disse.
— E ai?- Perguntei.
— Ela disse que pode vir quando você quiser.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— E o restaurante?- Perguntei.
— Como assim?- Perguntei.
— Como vai?- Perguntei.
— Hmm... Bem.- Disse.
— Que bom.- Disse.
— Bem, se deita. O que quer primeiro?- Perguntei.
Suspirei e fiz como ela disse, mas sem tirar a camisa.
— Klaus, para de frescura e tira essa camisa de uma vez.- Disse.
— As vezes acho que está se aproveitando de mim.- Disse tirando.
— Eu sou uma moça pura, Mikaelson.- Sorri. E não estava mentindo quanto a isso.- Como você já está mais acostumado, vamos direto com a mão.
Suspirei.- Ok.- Tinha algo estranho todas as vezes que estava com a Cami. Ela conseguia me relaxar e deixava ela ir bem mais longe que qualquer um.
— Faça o que já te ensinei.- Disse.
Suspirei e respirei fundo, relaxando.
Coloquei minha mão no peito dele.- O que você sente?
— Calor. Você é quente.- Disse.
— Acho que isso é uma boa resposta. Você não sente nojo, medo, repulsa, vontade de me afastar?- Questionei.
— Você não.- Disse.
Franzi o cenho e toquei a perna dele.- E aqui?
Era estranho, com ela sentia uma ponta de desejo que continuasse.
— Então?- Perguntei.
— Se subir um pouco vai ficar bem melhor.- Disse.
— Klaus! Vira de bruços.- Disse.
Abri os olhos.- Estamos bem assim, não vamos complicar.
— Você disse que quer melhorar, não é? Então você precisa me deixar de ajudar.- Disse.
— Antes vai ter que fazer algo para mim.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Vou precisar viajar por uns dias, quero que me acompanhe, para não pararmos.- Disse.
— O que? Eu tenho meus outros pacientes.- Disse.
— Eu posso entrar num acordo com eles.- Disse.
— Acordo?- Perguntei.
— Eu resolvo.- Disse.
— Klaus... Eu não tenho como bancar uma viagem.- Disse.
— Estou te convidando, vai adorar Madri.- Disse.
— Tenho certeza, mas não posso aceitar algo assim. Desculpe.- Disse.
— Porque não?- Perguntei.
— Porque você é meu paciente e normalmente não se aceita presentes dessa magnitude.- Disse.
— Eu posso dispensar os seus pacientes e fazer você minha psicóloga particular- Disse.
Ri.- Klaus, logo você fica bom e não vai precisar dos meus serviços mais.
— Não diga isso.- Disse.
— Porque?- Perguntei.
— Você, os almoços... São as melhores partes da minha semana.- Disse.
O olhei.- Klaus...- Peguei na mão dele e sorri.- Eu fico muito feliz por você confiar e gostar tanto de mim. A coisa que mais quero é que você fique 100% bom e um dia consigamos nos abraçar, e você vai ver como é bom a sensação de um abraço.
— Só abraçar?- Perguntei.
— Como assim?- Perguntei.
— A única coisa que pensa da gente é abraçar?- Perguntei.
— Hã...- Me senti corar.- Vira de bruço. Precisamos continuar.
— Não me sinto confortável para isso.- Que idiota achar que tanta conversa, sorrisos e saídas eram algo a mais. Sou só mais um e ela devia rir dos meus problemas quando eu estava longe.
— Ah, ok.- Disse.
— Não vai aceitar?- Perguntei.
— Eu não sei se devo... Vou deixar muitas pessoas na mão.- Disse.
Respirei fundo.- Esquece.- Não tinha o mínimo de importância para ela, eu estava com a cabeça não sei onde quando pensei.
— Tudo bem.- Disse.
— Então temos que estender as sessões para compensar?- Perguntei.
— Como quiser.- Disse.
— Eu quero que vá comigo.- Disse.
— Eu tenho responsabilidades.- Disse.
— Eu posso cobrir.- Disse.
— Você não entende. Eu tenho pessoas que contam comigo. Não posso escolher favoritos, e não vou. Desculpe.- Levantei e fui pegar um copo de água.
— E a sua comigo?- Perguntei.
— Você tem que viajar a trabalho, não posso mudar isso.- Disse.
— Que ideia estupida.- Disse enquanto vestia a minha camisa.
— Sinto muito.- Disse.
— Isso é só trabalho para você, a culpa é minha.- Disse.
— Do que está falando?- Perguntei.
— Esquece.- Terminei de colocar o paletó e ajeitei a gravata.
— Ok.- O levei até a porta.
— Quando eu voltar ligo para você. Deve ser em duas semanas, talvez um mês.- Disse.
— Boa viagem.- Disse.
— Duvido que seja. Até mais Camille.- Disse.
— Até.- Disse.
POV Klaus.
Sai de lá irritado e frustado; queria Cami comigo, o tempo com ela era tão bom que esquecia aqui fora. Voltei para empresa e deixei tudo pronto para a viagem. Nos primeiros dias achei que ia ficar numa boa, mas depois de uma semana sentia uma falta horrível de conversar, rir, estar junto e por mais louco que parecesse, dela tocando e cuidando de mim. Por causa dessa sensação achei que poderia tentar e depois de um jantar, sai e arrumei alguém. Quando nos beijávamos e ela me tocou foi instantâneo eu a repelir como se tivesse queimando minha pele. Não entendi e aquilo começou a me deixar nervoso; tentei duas vezes mais e foram piores ainda. O que há de errado comigo? Porque Camille consegue e ninguém mais? Angustiado, peguei o telefone e liguei para Cami.
— Alô?- Ela atendeu.
— Cami.- Disse.
— Klaus, hey.- Ela disse.
— O que está havendo comigo?- Disse irritado.
— Como assim?- Ela perguntou.
— Não consigo. Não consigo deixar mais ninguém.- Disse andando pelo quarto.
— Não consegue o que?- Ela perguntou.
— Deixa Cami! O que você faz comigo?- Questionei.
— Olha Klaus, eu gosto de você, mas não sou obrigada a ficar ouvindo seus gritos e seus pitis. Então, se você quer só isso, por favor, não me ligue mais.- Ela disse.
— Vai desligar agora?- Perguntei.
— Fala o que você quer de uma vez e para de me enrolar.- Ela disse.
— Eu preciso de você.- Disse.
— Você está bem?- Ela perguntou.
— Você devia estar aqui comigo.- Disse.
— Klaus, eu te disse que tenho responsabilidades e pacientes que precisam de consultas diárias até.- Ela disse.
— E eu?- Perguntei.
— Você...- Ela parou por um momento.- Eu me importo com você e sinto saudades, mas você precisa trabalhar, então...
— Sente?- Perguntei.
— Sim.- Ela disse.
— Quer matar ela?- Perguntei.
— Bem, vamos nos ver daqui umas semanas...- Ela disse.
— Vem para cá. Um dia, ok no total serão dois, prometo.- Disse.
— Mas... Ela suspirou.- Eu nunca andei de avião, tenho medo.
— Se apronta, vou buscar você.- Disse.
— Tudo bem.- Ela disse.
— Até mais tarde.- Sorri.
— Até.- Ela disse.
Desliguei e liguei para meu piloto se aprontar, iria buscar Camille para mim.
*****
Pay attention, I hope that you listen
'Cause I let my guard down
Right now I'm completely defenceless
*****
Desliguei o celular e respirei fundo. Sei lá se estava fazendo isso certo, mas dois dias não ia deixar ninguém louco, eu espero. Se acontecer vou me sentir culpada demais. Como estava já deitada na cama, de camisola e tudo, coloquei uma roupa normal, coloquei as coisas que ia precisar em uma mala e depois de umas horas, fui para o lugar que Klaus mandou na mensagem.
O voo foi tranquilo e na hora prevista aterrissamos. Teríamos duas horas até a volta, então dava tempo de tomar café aqui. Não demorei a achar.- Bom dia.- Sorri.
— Bom dia.- Disse.
— Está pronta?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Só vamos ter que esperar um pouco, procedimento de voo. Vamos tomar café enquanto isso?- Só de estar com ela me sentia bem, leve novamente.
— Vamos.- Disse.
Andamos pelo aeroporto, achamos um café e tomamos. Tivemos uma conversa normal e a olhava; cada vez achava ela a mulher mais linda que já tinha visto. Fomos chamados para o avião e quando estávamos prontos para decolar, vi ela tensa.- Acho que dessa vez eu que seguro a sua mão.- Disse pegando.
— Esse negócio é grande demais, como voa?- Perguntei.
— Querida, esse é meu jato, tem aviões bem maiores. E tudo graças a engenharia.- Disse.
Respirei fundo e assenti.
Apertei de leve.- Vai ficar tudo bem.
— Ok.- Disse.
Decolamos e foi boa a sensação de dar conforto a ela, que podia confiar em mim, como confiava nela. O voo foi tranquilo novamente e chegamos em Madri no fim da tarde. Descemos e pegamos o carro que nos levaria até o hotel.- Gostou?
— Do voo? Nem um pouco. A pior sensação da minha vida. Minhas pernas estão bambas ainda.- Olhava pela janela.- Mas a cidade é bonita.
— Vale a pena. Vai querer fazer o que agora?- Disse.
— Você que conhece aqui e que está a trabalho, então você decide.- Disse.
— Hoje e amanhã desmarquei tudo, meu tempo é seu.- Disse.
— Não precisava fazer isso.- Disse.
— Eu quis.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
Passamos pelo centro da cidade e chegamos ao hotel. Subimos e tinha pedido para trocar de quarto, agora um duplo.- Bem, vamos ficar aqui agora.
— Ok. O quarto é lindo.- Disse.
— Tenho bom gosto.- Disse.
— Estou vendo.- Fui para onde era o meu quarto e coloquei a mala na poltrona.
— Vai querer descansar um pouco?- Perguntei.
— Pode ser.- Disse.
— Então saímos para jantar, pode ser?- Perguntei.
— Pode.- Disse.
— Ótimo. Pode descansar querida, vou fazer umas ligações e fazer uma reserva para nós.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
Beijei ela no rosto.- Vai ser ótimo com você aqui.
Sorri.- Que bom.
De reflexo toquei o rosto dela.
O olhei e sorri.- Eu vou arrumar as coisas aqui.
— Tudo bem. Vou para o telefone.- Rimos e fiz as ligações que precisava, e depois marquei nosso restaurante, para as sete da noite. O tempo até o jantar voou e quando dei por mim já estava arrumado esperando ela.
Coloquei um vestido que tinha colocado na mala, terminei de me arrumar e fui para o quarto dele.
A olhei.- Uau.
— O que?- Perguntei.
— Você está linda.- Disse.
— Com certeza não como as mulheres que estarão no restaurante ou a sua altura.- Indiquei ele e sorri.- Mas obrigada. Dá para fazer um look completo com bem menos de 50 dólares.
Ri.- Você é única Cami.
— Eu tinha uma versão masculina, mas de mulher sou sim.- Disse.
— Verdade, vamos.- Saímos e pegamos o carro, o restaurante não era longe.- Vai beber o que?
— Uma cerveja, talvez.- Disse.
Pedi e olhei ao redor.- Madri é linda, estou doido para mostrar a você.
— Tenho certeza que é.- Disse.
— Para quem não tinha saído nem do estado, está estreando bem.- Disse.
Ri.- Se você diz.
— Não acha?- Perguntei.
— Não sei. Não entendo disso.- Disse.
— Que lugar sempre sonhou em ir?- Perguntei.
— Ah, nenhum... Não penso nisso não. Prefiro Brooklyn.- Disse.
— Impossível.- Disse.
— Eu e você somos diferentes Klaus... Normal.- Disse.
— Sim, mas você é do tipo de garota que deveria ter o mundo ao alcance, hoje você tem.- Disse.
— Onde?- Perguntei.
— O que?- Questionei.
— O que você disse.- Disse.
— Bem, você está aqui comigo e qualquer que seja o seu desejo posso realiza-lo.- Disse.
— Ah sim, tudo bem.- Disse.
A observei.- Estou te assustando, não é?
— Pelo nosso tempo juntos, sei que é inofensivo, mas você está tentando achar algo de igual na gente ou nosso mundo, mas não tem Klaus. Eu não sou assim.- Indiquei as outras mulheres.- Não tenho esses sonhos ambiciosos, não me importo para jóias, roupas caras ou qualquer outra coisa superficial desse tipo, você me trouxe em um restaurante onde do jeito que estou vestida com certeza todos riem de mim e que um sanduíche deve ser 2 mil dólares. Eu vim aqui para ficar com você, pensei que estava precisando de mim, eu ficaria feliz só com um restaurante de esquina, mas pelo jeito eu me enganei e você só queria uma acompanhante.
— Quer ir embora?- Perguntei.
— Não, eu vim e vou ficar com você no lugar que você quer.- Disse.
— Mas você não quer ficar aqui.- Pensei rápido.- Bem, só faríamos isso amanhã.- Chamei o garçom dispensando as coisas que tínhamos pedido.
— O que está fazendo?- Perguntei.
— Mudando de planos.- Disse.
— Porque? Não estou entendendo mais nada.- Disse.
— Você não é assim. Eu errei pensando que ficaria feliz fazendo coisas que não tinha oportunidade porque eu podia dar, mas você não é assim.- Assinei a conta e paguei.
— E esse é o seu mundo. É o normal para você. O que você pretende fazer? Fingir que é outra pessoa comendo uma empada gordurosa em um bar qualquer na estrada?- Questionei.
— Na verdade os planos de amanhã eram quase isso, mas vamos deixar os planos para lá. Vamos.- Disse.
— Não Klaus, eu não vou sair daqui. Se você não pode ter uma conversa saudável, sem cancelar tudo, então você precisa de mais terapia do que eu achei.- Disse.
— Como vamos ter uma conversa se você não está confortável?- Perguntei.
— Como vamos ter uma conversa se você não aceita que eu pense diferente do que você queria que eu pensasse sem se magoar e querer cancelar tudo por capricho?- Questionei.
— Capricho? Eu quero que esteja feliz por estar comigo, que queira estar como eu quero estar com você.- Soltei sem pensar.
— Que é como?- Questionei.
— Como eu quero estar com você.- Disse.
— Que é como?- Repeti a pergunta.
— Assim.- Acenei a nossa proximidade e peguei a mão dela que estava na mesa, e entrelaçando na minha.
Olhei nossas mãos e o olhei.- Você nunca demostrou que queria isso. Você sabe ser discreto.
— Não tinha percebido até estar aqui e começar a surtar por não estar com você.- Disse.
Eu sabia; porque criou expectativas? Ele não me queria, ele só queria o conforto da psicóloga. Ele está confuso, é normal os pacientes se apaixonarem por médicos. Ainda mais psicólogas. Sorri de leve e acariciei a mão dele com meu dedo.- Ainda vamos ir embora? Estou com fome.
— Quer ficar aqui ou ir para outro lugar mais a vontade? Restaurante é o que não falta. Você escolhe.- Disse.
— Já estamos aqui.- Disse.
— Tudo bem.- Chamei o garçom de volta e peguei o cardápio.- Acho melhor eu escolher, não vai ficar feliz quando ver o preço.
Sorri.- Tudo bem.
— Peixe?- Perguntei.
— Pode ser.- Disse.
— Ok.- Pedi risotto e robalo ao molho da casa, e as cervejas de volta. Quando chegou, tomei um gole.- Gosta de futebol?
— Assistia com meu pai e meu irmão sempre, mas não é um hobby que faça sozinha hoje em dia.- Disse.
— Porque estamos perto do estádio e é uma região adorável de ir.- Disse.
— Ah sim, por mim tudo bem.- Disse.
— O que mais você gosta?- Perguntei.
— Ah, sei lá, várias coisas.- Disse.
— Você tem cara que gosta de coisa histórica.- Disse.
— Tenho cara de velha?- Perguntei.
— Não, de culta. Isso não soou bem né?- Questionei.
— Ah sim, que bom. Eu acho.- Disse.
— Eu também gosto, adoro na verdade.- Disse.
Sorri.- Que bom.- Eu nem sabia do que ele estava falando, mas não ia dar uma de burra desinformada.- A comida é boa.- Comentei.
— Sim, é, mas apesar de ser famoso não gosto de paeja.- Disse.
Ficamos conversando, depois saímos e a levei para dar uma volta pelos lugares mais populares a noite. O mais estranho é que não me importava de estar de mão dada a ela, até gostava disso. Chegamos de volta ao hotel e era um pouco tarde já. Paramos na porta que dividia o quarto.
— Bem, boa noite.- Disse.
— Obrigado pela noite incrível.- Disse.
Sorri.- Até amanha Klaus.- Lhe dei um beijo na bochecha e entrei no quarto.
Sorri e fui tomar banho, enquanto pensava em como com Cami as coisas eram diferentes, simples e acontecia naturalmente. Eu não tinha vivido nada assim. Devido às viagens estava cansado e dormi rápido, mas foi um sono tranquilo e profundo, não como esses dias tinham sido. Pela manhã me levantei, me arrumei e pedi que servissem o café na varanda. Bati na porta dela.- Cami.
Abri a porta.- Bom dia.
— Bom dia.- Beijei ela no rosto, mas perto da boca.- O café está servido.
— Tudo bem.- Segui ele.
Sentamos na varanda.- Como não sei o que prefere no café pedi um pouco de cada.
— Tudo bem, parece ótimo.- Disse.
— Dormiu bem?- Perguntei colocando café para mim.
— Sim e você?- Perguntei.
— A melhor noite que tive em dias.- Disse.
Sorri.- Que bom.
— Preparada para hoje?- Perguntei.
— Como assim?- Perguntei.
— Eu quero te mostrar o máximo que der e a maioria vamos a pé. Tem lugares lindos aqui.- Disse.
— Ah sim, tudo bem. Eu trouxe tênis.- Disse.
— Faz muito tempo que não saio assim, de turista.- Disse.
Sorri.- Tenho certeza que vai ser bom.
— Sim. Já comeu desse pão?- Passava um pouco de geleia nele.
— Acho que não.- É, eu sou idiota. Quem manda achar que tinha algo? Ele nem olha para mim direito, olha com admiração e só. Também, ele olharia o que né? Tem mulheres mais bonitas por ai. O problema é eu ter me apaixonado por ele. Bem, isso passa.
— Experimente.- Disse botando na boca dela.
Comi.- Sim, é bom.
Aproveitei e toquei o lábio dela sem deixar de olhá-la, hoje era a minha oportunidade.
Desviei meu olhar e tomei do café, continuando a comer.
— Ah, tenho um presente.- Disse.
— Presente?- Questionei.
— Sim.- Fui no quarto e peguei a caixa, dando a ela.
Abri e era um câmera.- Nossa, obrigada. Mas eu não sei usar uma.
— Imagino que será fácil, eu olho isso. Quando estiver satisfeita avise para irmos.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
Terminamos o café e depois saímos. Começamos por onde diziam que os passeios deviam começar e seguíamos a pé até o próximo, era tudo interligado em Madri. Consegui ensinar a ela a usar a câmera e agora ela parecia aproveitar o passeio no ônibus panorâmico que estávamos. Descemos no Palácio Real e ali era tudo muito lindo. Cami parecia encantada. Decidimos ir a um parque que tinha ali e lá compramos o almoço, depois sentamos perto do lago para comer.- Acho que é melhor que o do restaurante.
— Isso eu duvido.- Disse.
— Ah, é cheirosa.- Disse quando abri o recipiente.
— Sim. Que horas o avião sai? Tenho que estar em casa antes das oito da manha.- Disse.
— Só mais tarde, não se preocupe.- Comecei a comer.- Quanta pimenta.
Franzi o cenho.- Então vou pedir outra coisa.- Levantei.
Peguei a câmera e tirei uma foto dela, quando ela voltou tirei outra.
— O que foi?- Perguntei.
— Aproveitando da sua beleza.- Disse.
— Não sei onde, mas ok.- Disse.
— Como não sabe?- Estávamos lado a lado.- Cami, você é linda.
— Hmm... Se você acha, tudo bem.- Comia.
— Eu tenho certeza.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
Comemos e depois de andar, tirei várias fotos dela e algumas no meu celular. A provoquei e ela tentou me pegar.- Acho que não querida.- Me afastei, rindo.
Isso não era o tipo de brincadeira que ele podia brincar. Não posso toca-lo, ainda mais desse jeito e como diria isso a ele? Não queria dar uma de psicóloga. Se bem que eu vim para cá achando que ele precisava de ajuda e acabou que vim para nada. Ele está bem e só usou uma tática para vencer no que ele queria. Fui atrás dele.- Me dá aqui. Essas fotos são horríveis.
— Que nada, você está linda.- Disse.
— Até parece.- Disse.
— Cami, para com isso.- Disse chegando junto dela.
— O que?- Perguntei.
— Você é linda, é divertida, inteligente e tem um sorriso incrível. Você é incrível. -Acabei me colando nela.
— Klaus, para.- Me afastei.- É normal você achar que sente algo por mim, porque acontece com muitos pacientes de psicólogas, mas você não sente. Logo você vai perceber isso.- Voltei a andar.
— Ah, você não vai se afastar de novo não.- Disse a alcançando.
— O que você quer?- Perguntei.
Não ia esperar mais e a beijei.
O afastei.- Já disse para parar! Eu posso não ter experiência com isso, mas você me olha com admiração, ternura e carinho, e não com desejo. Me desculpe se você acha que gosta de mim, mas você não gosta. Só está confuso e se você não parar com isso agora eu não vou mais te atender. Me dá licença.- Sai e peguei um táxi.
Que merda. Eu achei que ela queria, que pelo menos ela iria me querer. Ela estava errada, eu gostava dela, sentia coisas que não me lembrava de sentir. Não ia deixar ela ir. Peguei o táxi e fui para o hotel. Cheguei quase junto dela no quarto.- Cami.
— O que?- Perguntei.
— Pela primeira vez você está errada.- Disse.
— Ah é?- Questionei.
— Claro que está, você não percebe? Com você tudo é diferente, me sinto diferente de qualquer mulher que já quis. Você é muito mais que qualquer uma. E não venha dizer que estou confundindo, que sou grande o suficiente para saber diferenciar as coisas.- Disse.
— Então tá.- Arrumava minha mala.
— Então tá não.- A peguei e a virei para mim.- Como pode dizer que não te desejo se não consigo ficar com outra mulher sem pensar em você?
— Ai já é outro médico que você precisa ver. Nenhum homem tem problema com isso.- Disse.
— Caramba Camille, para com isso.- A segurei contra mim pela cintura.- Diz que não sente nada por mim
— Eu sinto e é por isso que tenho que ir embora.- Disse.
— Não, você...- Espera, ela sente algo por mim?— Sente?
— Sim.- Disse.
- Eu só preciso disso.- A beijei.
Não devia, mas retribui o beijo.
A segurei bem para ela não se afastar de novo e passei a mão pelo pescoço dela, tocando sua nuca.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Parei o beijo.- Para, eu não posso fazer isso. Eu tenho que ir embora.
— Não vai. Você quer a mim e eu quero você, ponto.- Não a soltei.
— Eu tenho que ir.- Me soltei.- Tenho pacientes para cuidar e minha vida real me esperando. Me leva para o aeroporto.
— Não. Não vai fugir disso.- Disse.
— Você não está entendendo que eu tenho RESPONSABILIDADES? Não posso ficar aqui só pelos seus caprichos. Eu gosto de você e não adianta você ficar dizendo que gosta de mim, eu sei que não gosta como acha. Eu achei que quando você ligou que você estava em apuros, que realmente precisava de mim, mas pelo jeito eu me enganei.- Peguei a mala e desci.
Suspirei. Por mais que a quisesse, ela não acreditava e não tinha ideias no momento para convence-la do contrário, nada adiantou. Liguei para o piloto e depois desci para a acompanhar até o aeroporto. O clima no carro foi diferente, não era mais tão caloroso como antes. Chegamos e fui falar com o piloto, acertando tudo.- Quer que eu vá com você?
— Não precisa.- Disse.
— A previsão é de voo tranquilo, vai uma comissária caso precise de algo.- Disse.
— Tchau Klaus.- Entrei no avião.
— Adeus Camille.- Disse por mais que ela não ouvisse mais. Senti um aperto no peito enquanto o avião decolava e pensei sobre tudo que ela disse. Não sei explicar, mas eu sabia que eu sentia era real. Voltei ao hotel e para não ficar com a cabeça pensando no que não devia, me joguei no trabalho. Não dava mais certo como antes, a sensação do beijo dela, o carinho que falava comigo antes... Eu queria Cami de volta, queria tentar uma vida com ela, mas ela não quer nem tentar. Acabou sendo como todos, indo embora.
Toda a viajem eu fiquei pensando em Klaus e em como eu estava apaixonada, mas ele nunca me olhou diferente e eu sei como os homens olham quando estão interessados numa mulher. Bem, claro que eu posso não ter um corpo incrível e ele nem querer olhar, e gostar de mim tanto assim. Suspirei. Mesmo assim ele pode estar enganado. Não posso confiar na paixão de um paciente. Não posso e ponto.
*****
For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only
*****
O outro dia, graças a Deus, não demorou a chegar e eu fui fazer o que amo; ajudar as pessoas.
Eu precisava me levantar daquilo, pensava enquanto voava para casa. Esse mês na Espanha foi um sucesso para o trabalho, mas depois que me acalmei, vi que em vez de ser uma chance, estraguei tudo com Camille. Eu ansiava para vê-la, mas minha mente adorável dizia que não, que iria ser doloroso como dá ultima vez quando ela foi embora. Eu tnha dois caminhos agora; voltar a vê-la e tentar consertar, ou me afastar totalmente para não arriscar. Cheguei em casa e nos primeiros dias botei tudo em ordem no escritório e depois marquei uma hora no consultório dela. Na hora marada estava lá. Não sabia como ia reagir, como ela ia reagir, mas ficar sem tentar seria o pior.
Olhei a minha ficha e respirei fundo internamente.- Klaus.
— Boa tarde.- Sorri.
Sorri.- Entre.
Entrei e tomei meu lugar.
Fechei a porta.- Na ultima consulta você disse que não estava pronto para continuar a terapia, então acho que devemos conversar.
— Antes eu queria me desculpar por tudo que aconteceu na Espanha. Eu achei, nessa cabeça ferrada e estupida, que você entenderia tudo que estava querendo dizer. A maneira que estava me abrindo para você já que tinha dito que não sabia fazer isso direito, isso de mostrar sentimentos. O que obviamente, não aconteceu.- Disse.
— Você não precisa se desculpas, eu preciso. Eu gosto de você, mas não confio muito nas pessoas, aprendi a não me apegar depois de perder três pessoas que amo. Você não tem que me provar nada, então você merece alguém melhor para você.- Disse.
— Mais que você? Não existe.- Disse.
— Existe sim, você vai ver.- Disse.
— Você não ouviu a parte do "só me abri para você?" E não estou falando daqui do consultório.- Disse.
Suspirei e pensei por um momento.- Porque você não me pega no meu apartamento e vamos conversar em algum lugar?
— Você quer tentar?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
Eu não esperava por isso, esperava ela me dar o fora de novo. Sorri.- Sentiu minha falta, não foi? Pode confessar.
Sorri.- Sim, muita.
— É, bem que minha psicóloga disse que sou uma pessoa inesquecível.- Disse.
— Você está me traindo com outra psicóloga? Não me lembro disso.- Brinquei.
— Não? Será que sonhei com isso então? Preciso de mais terapias que achava.- Disse.
Ri e lhe dei um selinho.- Com certeza.
— Pode fazer isso aqui?- Perguntei.
— Pode.- Disse.
— O que mudou?- Perguntei.
— Como assim?- Perguntei.
— Nada.- A beijei, mas parei.- Não vai sair correndo de novo, não né?
Sorri.- Não.
— Que bom, porque esses sapatos são horrível para correr.- A beijei.
Sorri e retribui o beijo.
Eu não sabia o que tinha mudado ou se minhas desculpas tinham funcionado, só sei que se ela dizia que estava tudo bem, eu confiava nela.
Parei o beijo. Ainda não sabia como continuar o beijo sem poder toca-lo com liberdade. Tinha que aprender isso ainda.- Bem, vamos conversar então? Está aqui para isso.
— Me sinto estranhamente disposto a isso.- Entramos no assunto da terapia e marcamos a consulta para trazer minha mãe. Ela acabou fazendo perguntas desconfortáveis, mas passei fácil por ela. Sai de lá e mal podia esperar para a noite chegar. Fiz hora em casa e tive uma ideia que ia agradar a ela muito mais do que um jantar. Quando sai para ir encontra-la, parei numa pizzaria, peguei um refrigerante e depois parei pra comprar uma torta. Segui até onde ela me deu o endereço e subi para o apartamento dela, tocando a campainha.
Abri a porta.- Meu Deus, quanto coisa. O que é isso?- Ajudei ele com as coisas.
— Pensei que iria preferir pizza a ir jantar.- Disse.
Sorri.- Com certeza.
— Espero ter acertado em calabresa e bacon com queijo extra.- Disse.
— Tá ótimo.- Disse.
— Definição exata de simples, anotado.- Disse.
Sorri.- Que bom.
Botei as coisas que restava na mesa.- Adorei sua casa.- Olhei ao redor.
— Obrigada.- Disse.
Olhei pela janela.- Meus seguranças não estão muito felizes com você.
— Porque?- Perguntei.
— Eles não gostam muito desse lado da cidade, eu sempre digo que isso é idiotice deles.- Disse.
— Mas é muito perigoso mesmo.- Disse.
— Eu não ligo e não sou um rosto conhecido.- Disse.
— Eu já sou amiga dos bandidos e traficantes, então tudo bem.- Dei de ombros e ri.
— O que?- Perguntei.
— O que o que?- Questionei.
— Você corre esse risco aqui?- Perguntei.
— Vai dizer que nunca viu Everybody Hates Chris? É uma sátira, mas é bem verdade.- Peguei um pedaço da pizza e comi.- Mas como disse, já sou amiga dos “perigosos”. Por incrível que pareça eles tem uma certa honra e são bem cavalheiros.
— Talvez eu devesse deixar os meus trabalhando aqui então.- Disse.
— Klaus, eu moro aqui a 22 anos e frequentei a NYU, nada é mais perigoso que isso.- Disse.
— Ok, mas isso não quer dizer que eu relaxe.- Disse sentando ao lado dela.
Ri.- Ok.
Peguei um pedaço e comi.- Maravilhosa.
— Demais.- Disse.
— Assim como você.- Ri.- Nossa, eu nunca fiquei falando assim.
Sorri.- Obrigada.
Comemos e ela colocou num filme. Cheguei mais perto dela e passei o braço ao seu redor.
Sorri e ficamos olhando o filme.
— Cami, sem querer estragar a noite, mas estava pensando uma coisa.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— De tentar continuar o que estava fazendo com essas mãos adoráveis.- Disse.
— Como assim?- Perguntei.
— A terapia querida.- Disse.
— Eu sei, mas continuar aonde?- Perguntei.
— Costas.- Disse.
— Ah sim. Por mim tudo bem.- Disse.
— Tem certeza? Não é algo que eu gostaria que a minha namorada ficasse vendo mas não posso mudar.- Disse.
— Eu já vi elas e acredite, sempre existe piores.- Sorri e lhe dei um beijo no rosto.
— Tudo bem. E eu quero sentir você. Eu tinha tentado algumas vezes, mas o seu toque é unico. Me faz querer mais dele e de você.- Disse.
Sorri e toquei o rosto dele.- Vamos fazer isso então. Pode ser com a mão direto?
— Não custa tentar.- Disse.
— Ok.- Disse.
Tirei a camisa e me virei para ela.
— Não era as costas?- Perguntei.
— É que eu sei que gosta de aproveitar do meu corpinho.- Beijei ela.
Sorri e retribui o beijo.
A trouxe para mais perto, enquanto deixava o beijo mais intenso.
Entrelacei meus dedos no cabelo dele e acariciava ali.
Minha mão subiu pela perna dela e reparei que era a primeira vez que nos beijávamos assim e sentia completamente diferente de todas. Eu sei que é clichê, mas é a pura verdade.
Arrisquei tocar o peito dele, acariciando ali.
Senti uma onda de tensão querer me dominar, mas era a Cami, ela gostava de mim e me faz sentir incrível, me conhece... Relaxe. Disse a mim mesmo e aproveitei o beijo para me concentrar.
— Eu nunca te machucaria Klaus.- Disse nos lábios dele e beijei o peito dele delicadamente.- Isso é carinho.
— Eu sei. Você está me ensinando isso, eu gosto.- Pior que gostava, principalmente depois de passar pela batalha interna e conseguir aproveitar.
Sorri.- Posso tocar suas costas?
— Pode.- Disse.
Beijei o pescoço dele e comecei a tocar suas costas, acariciando ali.
Arfei e imediatamente lembrei de quando tive que cuidar daqueles ferimentos, da dor que causava e da dor de saber quem causou.
— Se você deixar, eu posso cuidar de você a partir de agora. Você não vai mais sentir dor, só amor e carinho.- Sussurrava no ouvido dele enquanto acariciava suas costas.
Acenei e sentia a minha respiração pesada. Era a Cami, ela faz bem para mim... Ao mesmo tempo minha mente lembrava de várias coisa ruins.- Para.- Pedi.
Tirei minhas mãos.
Descansei a cabeça contra ela, respirando fundo e me acalmando.- Continua.
Voltei a colocar as mãos nas costas dele e acariciava.
Continuamos assim por mais algumas vezes até que eu pedi para parar de vez, não estava mais controlando tão bem.- Desculpa, mas não consigo mais. Agora não.
— Tudo bem. Vamos voltar ao filme.- Disse.
— Tá. Pode pegar um pouco de água?- Questionei.
— Claro.- Levantei, peguei a água e voltei.
— Obrigado.- Peguei e tomei. Se acalma. Precisava passar por isso para as coisas serem normais com ela, eu queria que fosse.
Acariciava os cabelos dele e beijei seu rosto.- Você está indo muito bem. Mas notei que ficou na defensiva quando toquei seu peito e antes da viajem você já não sentia mais nada, era normal o toque em tudo, menos nas costas. Você não pode deixar regredir. Tem que treinar sua cabeça.
— Eu estou tentando, mas lembra quando disse que não conseguia com mais ninguém assim?- Questionei.
— Sim, mas a sua meta não é tentar, é conseguir. Se você ficar só tentando, nunca vai chegar a dizer que conseguiu. Isso você precisa mudar na sua cabeça também.- Disse.
— Eu sou muito ferrado, não é?- Questionei.
Sorri.- Não, só tem que ser otimista. Olha, você precisa começar a tratar o toque como algo normal da sua vida. Quando um amigo seu chega e dá um tapinha carinhoso nas suas costas, uma amiga te abraça, a sua mãe e seus irmãos te acariciam... Isso é normal. Viva sem pensar que está sendo tocado, só viva. Você precisa tentar isso, tentar se desprender disso. Todo ser humano tem uma chave de autodefesa, a gente sabe quando algo é perigoso para nós. Tanto que é muita idiotice alguém dizer “eu morro por ti”, porque nosso corpo é programado para correr do perigo, isso só acontece em filme mesmo. Seu corpo tem que aprender que nem tudo é ruim e isso começa pela sua cabeça. Só você pode te mudar, mais ninguém.
A olhava.- Você é incrível.
Sorri.- Você tem tudo e a única coisa que te falta é sentir o calor humano. Nada é melhor que isso.
— Bem, eu não tinha tudo.- Disse avançando sobre ela.
— Não é?- Questionei.
— Não. Não tinha essa namorada linda que me deixou, como Kol diz; arriado os quatro pneus.- Disse.
Ri.- Nossa, que expressão.
— Nem me fale.- Disse.
*****
I can feel your heart inside of mine
I feel it, I feel it
I've been going out of my mind
I feel it, I feel it
Know that I'm just wasting time
And I hope you don't run from me
*****
Continuamos as consultas, passamos pelas consultas com a minha mãe, que foi um tanto emocional demais, mas no final acho que perdoei ela e com Elijah que foi mais tranquila e um ótimo apoio. Quanto a minha condição a cada vez que fazemos, estou melhorando, e também conseguindo vencer a guerra na minha cabeça. Em dois meses eu já me sentia bem melhor e os meus sentimentos por ela estão cada vez mais fortes. Sinto que sim, a amo, só não sei se consigo dizer isso para ela. Ah, uma novidade nesse avanço todo; consigo receber abraços! Eu sei parece meu louco isso, mas Camille ficou em êxtase quando eu disse que queria um e ela o fez parecendo a pessoa mais feliz do mundo. Eu a chamei para me acompanhar numa festa da empresa, queria apresentar ela a todos; meio relutante, ela aceitou. A busquei e agora estávamos indo.— Fica calma.- Ri.
— Eu estou calma, eu acho.- Disse.
— Você está é linda.- Disse.
— Obrigada.- Disse.
— E você vai gostar; estão todos curiosos com a minha namorada secreta.- Disse.
— Coitados, vão se decepcionar.- Disse.
— Camille, você vai parar com isso ou eu que vou fazer uma terapia em você.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Que não é linda e que não é alguém importante.- Disse.
— Bem, eu não sou. Eu sei quem eu sou, não vivo numa ilusão. Sou feliz sendo eu, só que não vou ficar mentindo concordando com algo que eu não concordo.- Disse.
— Ok, não vou ficar batendo na mesma tecla, senhora feia.- Ri e a beijei.- E está muito sexy nesse vestido para eu pensar em outra coisa.
Apenas sorri.
Uma coisa que não comentei; ainda não transamos. Como estávamos em processo de melhora, ela queria que quando fôssemos para cama tivéssemos direitos iguais, e isso tá me matando, subindo pelas paredes na verdades. Chegamos e descemos do carro, entrando no salão.
— O lugar é lindo.- Disse.
— Sim, o pessoal da organização é ótimo.- Olhei ao redor e achei quem procurava. A levei até a presidente.- Cami, essa é a presidente da empresa e por acaso, minha irmã mais velha, Freya.
— Ah, olá. Prazer, Camille.- Disse.
— Igualmente.- Freya disse.
— Eu não disse que ela é linda?- Questionei.
— Bem, ela não faz meu tipo irmão, mas confio no seu gosto.- Ela disse.
— Que bom. A festa está linda.- Disse.
— Obrigada.- Ela disse.
Conversamos um pouco e depois andamos pela festa.- Tem uma coisa que não falei.
— O que?- Perguntei.
— Provavelmente Mikael vai vir.- Disse.
— E isso te incomoda?- Perguntei.
— Talvez. Não vou me conter se ele atacar você.- Disse.
— Me atacar?- Questionei.
— Sim, não fisicamente, mas do jeito dele. E não posso perder a cabeça aqui, tem parcerias importantes, empregados e chefes de empresas que são importantes para gente.- Disse.
— Klaus, eu já te disse que o melhor caminho para você se curar, é perdoar ele. Sei que você vai dizer que eu não entendo, mas é a lei da vida; você precisa perdoar para esquecer. Seja superior a ele.- Disse.
— Perdoar?- Questionei.
— Sim.- Disse.
— Talvez se houvesse alguma mudança, sei lá, eu buscaria isso, mas sendo as coisas como sempre foram, eu não posso.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Quer champanhe?- Questionei.
— Pode ser.- Disse.
Fui até um garçom e peguei as taças. Vi alguns caras a olhando.- Parece já estarem te olhando.
— Provavelmente porque estou com você.- Disse.
— Talvez eu devesse mostrar que a senhorita tem dono e acho bom eles pararem de secar.- Disse.
Ergui a sobrancelha.- Dono?
— Sim.- Olhei e reconheci eles.- E vão ter que procurar o RH na segunda, então circulando os três.
— Coitados.- Disse.
— Adoro ser da presidência.- Sorri e bebi do champanhe.
Ri.- Você é único.
— É o que minha namorada diz.- Sorri.
Sorri e tomei do champanhe.
A apresentei a várias pessoas e como tinha uma pista de dança, a levei para dançar.
Estava me acostumando com a dança ainda e ela era boa nisso. Olhei ao redor e vi minha mãe, e logo ao seu lado o seu marido.- Eles chegaram.- Disse no ouvido de Cami.
Olhei para onde ele olhava.- É só você agir normalmente.
— Ok. Você dança muito bem.- Disse.
— Na verdade a gente só está indo de um lado para o outro, mas quando eu danço, eu danço bem mesmo.- Ri.
— Sério? Eu achei que estava até indo bem. Estava fácil demais.- Disse.
Ri.- Bobo.- Lhe dei um selinho.
— Infelizmente tenho uma notícia.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Na próxima semana vou ter que viajar.- Disse.
— Ah, que pena.- Disse.
— Sim, uma semana em Londres. Você poderia vir comigo.- Disse.
— Eu não posso Klaus, já te disse isso.- Disse.
— Não custa tentar.- Disse.
— Tudo bem.- Disse.
— Quando você tira férias?- Perguntei.
— Como eu trabalho em um prédio de vários médicos, o nosso chefe no primeiro ano só deixa a gente tirar do dia 24/12 ao dia 02/01. No segundo ano já temos direito a dois meses e esse feriado de fim de ano, e o ação de graças. Esse ano meu ação de graças será de dois dias.- Disse.
— Só?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Esse ano você só tem os feriados?- Perguntei.
— Sim e meu tio vem para cá.- Sorri.- O Ric vai dar um Natal na casa dele e me convidou.
— Pensei que passaria comigo.- Disse.
— Meu tio vai vir, então... Mas você pode passar com a gente, se quiser. Mas achei que ia passar com sua família.- Disse.
— Com certeza eu prefiro com você.- Disse.
Sorri.- Ok.
Fomos para a lateral para pegar alguma coisa para comer. Senti uma mão no meu ombro e me virei.- Mikael.
— Ah, olá senhor Mikaelson.- Disse.
— Boa noite.- Ele sorriu para ela.- Vejo que fez algo que preste Niklaus, arrumou uma mulher bonita dessa vez.
— Quem eu arrumo ou deixo de arrumar, é só da minha conta. E ela não é uma mulher, é minha namorada.- Disse.
— No caso eu continuo sendo uma mulher, amor.- Sorri e o beijei na bochecha.
— Espero que essa seja menos tagarela que aquela outra, dava vontade de costurar a boca.- Ele disse.
— Camille não é da sua conta, então porque não vai aproveitar a festa?- Questionei.
— Me diga; o que você faz?- Ele questionou.
— Sou psicóloga.- Disse.
— Ah, interessante, alguém que usa a cabeça. Bem, pena que está fadada a se separar. Niklaus não consegue conviver muito tempo com alguém que aguente suas frescuras.- Ele disse.
— Sério? Não vejo frescuras, estamos indo muito bem.- Tirei um cartão da minha bolsa.- O senhor devia ir me visitar. Todo mundo sempre precisa de terapia. Vai ser bom.
— E eu Cami nos entendemos muito melhor do que qualquer uma.- Disse abraçando ela.- E você deveria tentar ir, talvez uma terapia de casal. Sabe, resolver as pendência que pesam na cabeça.
— Nunca é tarde para recomeçar. Eu espero que o senhor me ligue, marcando. Vou adorar recebe-lo.- Disse.
Ele a olhou.- Pode ter certeza que receberá noticias minhas.- E saiu.
— Você pode não gostar, mas eu estou louca que ele marque mesmo, vai ser uma história ótima de superação do seu lado e do dele para colocar no livro. Bem, eu ainda não decidi se vou fazer com depoimentos ou irei trocar os nomes e tal. Se for com depoimentos vou ter que pedir autorização para vocês e outros pacientes.- Disse.
— Ei, ei; como? Você quer atende-lo? Nem pensar.- Disse.
— Se ele marcar, vou sim.- Disse.
— Não, não vai mesmo ficar numa sala fechada com ele.- Disse.
— Porque não?- Perguntei.
— Porque não. Ainda mais agora que não me curvei e o encarei. Vai ficar bem longe dele.- Disse.
Ri.- Eu não tenho medo dele, Klaus. Nem um pouco.
— Ai dele pensar em ir.- Disse.
O beijei.- Relaxa.
— Nem me deu os parabéns pela minha postura.- Abracei ela.- Acho que acostumei com suas palmas.
Sorri e toquei seu rosto.- Parabéns meu amor. Você foi muito bem.
— Agora sim.- Ri e vi minha mãe chegando perto de nós.- Hey mãe.
— Oi meu amor.- Ela disse.
— Veio só você?- Perguntei.
— Como assim?- Ela perguntou.
— De casa. Ou Kol já está caçando por ai?- Questionei.
— Ah, deve estar.- Ela disse.
— Você já o conhece Cami?- Perguntei.
— Não.- Disse.
— É uma peste.- Disse.
Ri.- Imagino.
— Tadinho, não é não.- Ela disse.
— Imagina que não.- Olhei por alto e vi ele ao longe tentando falar com a minha secretária. Ri.- E ele hoje vai se dar mal.
— Eu espero. Ele só tem 16 anos.- Ela disse.
— Não, é que ele está dando em cima da minha secretária e ele não faz o tipo dela.- Disse.
— E só tem 16 anos, seria pedofilia. Ainda bem que você não é tarado. Acho que meu único filho que não é.- Ela sorriu.- Puxou a seu pai, ele nunca foi.- Ela pegou um papel na bolsa e olhou o filho.- Aqui. Você devia procura-lo. Talvez você queira mudar seu sobrenome para o dele. Se desprender disso.
Se fazia tempo que não entrava em choque, agora eu entrei. Ela nunca me disse nada.- Você nunca me disse isso.
— Não me orgulho do que fiz, Klaus. Só não me arrependo de ter concebido você. Eu queria que tivesse sido com Mikael, ele é o amor da minha vida, mas não foi e pensei que evitando falar com você sobre isso, podia tornar isso realidade, mas infelizmente não... Então se quiser ir, você vai por sua conta.- Ela disse.
Olhei o papel ainda dobrado na minha mão; meu pai, alguém que poderia, talvez, chamar assim que não me devolvesse com ódio. Suspirei e abracei minha mãe.
Ela respirou fundo e beijou o rosto do filho.- Espero que dê tudo certo.
— Obrigado. Posso fazer uma pergunta?- Perguntei.
— Pode.- Ela disse.
— Ele sabe?- Perguntei.
— Não.- Ela disse.
— Ok, mesmo assim vou tentar. Obrigado.- Disse beijando ela no rosto.
Ela sorriu de leve.- Tudo bem.
— Guarda para mim sweety? Na sua bolsa é mais seguro.- Disse.
— Claro.- Peguei e guardei.
*****
For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only
*****
Por mais que eu quisesse ter transado aquela noite (era o meu plano) Cami estava naqueles dias, então tive que me contentar em só dormir com ela. Botei um detetive a procura do meu pai, seu nome era Ansel Smith. Não era muito, eu só tinha isso e que ele trabalhava numa galeria de arte na Philadelfia. Arte; isso explica porque só eu gosto de pintar, tinha isso também em comum com ele. O dia de viajar chegou e detestei ficar longe da Cami, mas dessa vez, com o contato e todo dia uma video chamada, a semana passou rápido e logo voltei para casa. Mas em vez de ir pra casa fui buscar ela no consultório, de surpresa, já que o voo tinha adiantado.
Sorri.- Klaus, chegou cedo.
— O voo adiantou, ai vim direto para cá.- Disse.
Abracei ele.- Que bom.
A beijei. Cara, que saudade que estava dela.
Retribui o beijo.
A deixei mais junto de mim e era incrível como agora eu ansiava para ela me tocar, poder sentir seu carinho e seu calor. A vários meses atrás isso seria impossível, até para alguém que eu amasse.
Acariciava a lateral do seu pescoço.
A encostei na mesa dela e minha mão desceu pelas suas costas, até quase a bunda e a puxei mais para mim. Eu não aguentava mais esperar.
Sorri e parei.- Hey, calma amor.
— O que?- Perguntei.
— Eu não vou ter minha primeira vez assim e mesmo se fosse a centésima vez, ainda é meu consultório.- Me ajeitei e fui pegar minha bolsa.
— Sua... O que?- Questionei.
— O que?- Perguntei.
— Primeira vez?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Você não me disse isso.- Disse.
— Não?- Questionei.
— Você disse que era pura demais uma vez, mas era disso? Oh, eu sou muito burro.- Disse.
Ri.- Tudo bem. Só não aconteceu. Passei até ano passado pensando só na faculdade e antes disso estava mal pela perda dos meus pais e irmão, então...
A puxei para mim.- Ficamos sempre tão focados em mim que tudo que você passou fica de lado, mas eu não esqueço, sei que passou por coisas ruins também amor.
— Ah, não me importo. Prefiro que fique focado em você. Vamos?- Peguei a chave e fui colocar na fechadura da porta do consultório.
— Vamos.- Saímos e hoje fomos para minha casa. Ela insistiu para passar na dela para pegar umas roupas e depois partimos. Chegamos, eu tomei um banho e logo voltei a sala.- Não ia tomar banho?
— Sim. Já volto.- Fui para o banheiro dele.
Pensei rápido e peguei um vinho, abri e botei nas taças. Cami não só tinha vindo para mim, mas seria só minha. Não podia ser mais perfeito.
Sai do banheiro vestindo um pijama, que era um short e uma blusa estilo baby doll.- Seu chuveiro é ótimo.
A olhei de cima a baixo.- Verdade.
Peguei a taça de vinho servida e tomei um gole.
— Vamos pedir comida ou se arriscar na cozinha.- Disse.
— Podemos pedir e ai eu faço a sobremesa.- Disse.
— E vai fazer o que?- Perguntei.
— Fondue?- Questionei.
— Ótimo, ainda mais com o tempo já começando a esfriar.- Disse.
— Tem morangos?- Perguntei.
— Acho que sim, peço a Genevieve para sempre deixar abastecido de frutas.- Disse.
— Ok.- Disse.
— Então, estava pensando em italiana; o que acha?- Questionei.
— Pode ser.- Disse.
— Uno di pasta?- Forcei um pouco o sotaque.
Ri.- Sim.
— Parla Italiano?- Questionei.
— Melhor voltar ao inglês.- Disse.
Ri e procurei o numero, fazendo o pedido.- Daqui a vinte minutos chega.
— Ok.- Disse.
— Achou os morangos?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Então vamos brincar com morangos e chocolates?- Cheguei junto dela no balcão.
Sorri e toquei o peito dele.- Vou pensar no seu caso.- Me virei, ficando de costas, limpando os morangos.
— Pensar? Pobre de mim.- Disse.
Ri e continuei limpando.
Ajudei ela e preparamos tudo. A comida chegou logo e jantamos no sofá, mas levamos o fondue para o quarto, era mais aconchegante assim. Enquanto ela foi buscar o que faltava na cozinha, meu telefone tocou; olhei e era um email, eu não podia acreditar.
Voltei ao quarto dele.- Tudo bem?
— Acharam ele.- Disse.
— Sério? Isso é bom.- Disse.
— Sim, até mandaram uma foto.- Botei para abrir e mostrei a ela.
— Parecido com você.- Disse.
— Você acha?- Perguntei.
— Muito.- Disse.
— E ele ainda tem a galeria de arte, mas aqui na cidade. Não acredito que está tão perto.- Disse.
— Que bom, fico feliz por você.- Disse.
— Agora só tenho que pensar como chegar nele.- Botei o telefone na mesinha.
— Você vai achar um jeito.- Sorri.
— Sim, amanhã penso nisso. Venha com esses morango para cá.- Disse.
Sentei ao lado dele.
— Já está bom?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
Peguei um, passando no chocolate.- Abre a boca.- Ela abriu e dei a ela, tirando com a boca o chocolate que escorreu.
Sorri— Eu sei mesmo fazer fondue.
— O chocolate está uma delícia.- Disse.
Sorri e comi outro.
Comi um também e estava mesmo gostoso. Depois de nos satisfazer, tirei as coisas da cama e a beijei.
Retribui o beijo.
Trouxe ela mais para o meio da cama e peguei nas coxas dela. Ela tem coxas maravilhosas.
Envolvi meus braços em torno do pescoço dele e acariciava seus cabelos.
Subi um pouco as mãos e levantei a blusa dela. Eu estava excitado, mas tinha que ter calma para ser bom para ela.
Ajudei ele a tirar minha blusa e como ele já estava sem camisa, desci mina mão pelo seu abdômen.
— É bom assim.- Disse.
— O que?- Perguntei.
— Com você me tocando.- Disse.
Sorri.- Que bom.
— É a primeira vez para mim também.- Disse.
— Eu sei e fico feliz de ser a primeira a poder te tocar e te dar carinho.- Disse.
— A melhor.- Beijei o pescoço dela.
Me arrepiei ao beijo dele.
Peguei no peito dela e que maravilha de peitos ela tinha.
Suspirei pesadamente e arrisquei descer minha mão pelas costas dele. Não sabia se estava tudo bem ainda.
Suspirei e me arrepiei com aquilo. Não era por ser algo ruim, era algo bom e que me excitava mais.
— Tudo bem?- Perguntei.
— É gostoso.- Disse.
Sorri e beijei o maxilar dele.- Que bom.
A beijei e continuei tocando os peitos, provocando os mamilos.
Gemi contra os lábios dele, mas sem deixar de beija-lo.
A mão livre correu a lateral do corpo dela e toquei na parte interna da coxa dela, próximo ao seu sexo.
Senti meu corpo enrijecer pela tensão, como era a primeira vez nunca sabemos o quão tensa e nervosa estamos. Eu não acho que eu estou tensa, mas ainda é diferente outra pessoa me tocando assim, ainda mais intimamente, mas assim como a tensão veio rapidamente, ela foi também. Meu corpo já sabia reconhecer o toque de Klaus. É tão singular quanto ele.
— Tudo bem?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Se quiser parar...- Disse.
— Eu não quero. Eu não estou fazendo isso só para mim, é para você também.- Beijei ele.- É minha primeira vez, as reações do meu corpo pode não ser como você espera e está acostumado de outras mulheres, mas estou aqui porque eu quero e porque eu te amo.
Sorri e beijei o pescoço dela.- Eu também quero assim, quero estar desse jeito porque é com você.
Sorri.- Que bom.
— Você me deixou um meloso.- Disse enquanto descia beijos do pescoço dela para o colo, e o vale entre os seios.
— Eu te conheci meloso já.- Disse.
— Eu?- Perguntei.
— Sim.- Disse.
— Eu não.- Disse.
— Então você não era você nas consultas, nos almoços...- Disse.
— Já já tá me chamando de fofo.- Disse.
— Você é.- Disse.
— Fofo é?- A olhei.
— Demais.- Disse.
— Vou te mostrar o fofo senhorita.- Tinha conseguido a deixar relaxada e podia continuar.
— Vai é?- Questionei.
— Vou sim.- Disse tirando o short dela.
Sorri.- Quero só ver.
Terminei com o short e Camille com certeza era perfeita em tudo. Voltei a beijar ela enquanto tirava a minha calça.
Retribui o beijo e acariciava a lateral do pescoço dele.
Terminei de tirar a calça e chutei. O beijo de Cami me excitava mais, só que tive que parar para pegar a camisinha.
Era estranho olhar um homem nu, na verdade se for pensar, toda a parte do sexo é estranha. Tinha que ser algo mais objetivo para ser menos constrangedor, mas deve ser sensações de primeiras vezes.
Achei as camisinhas e voltei.- Tudo bem?
Ri.- Sim. Você vai me perguntar isso toda hora, seu fofo?- O provoquei.
— Fofo é?- Questionei enquanto colocava a camisinha.
— Sim.- Disse.
— Vai ver então.- Disse terminando de botar a camisinha e voltando para cama, ficando entre as pernas dela.
Sorri e o beijei.
Deixei o beijo suave e me coloquei na entrada dela, mas não esperei para penetra-la.
A sensação foi normal. Eu jurava que ia doer e eu ia ter uma hemorragia (ok, eu exagero as vezes), mas não senti nada. O que com certeza é uma ótima notícia para uma primeira vez.
Não deixei de a beijar e quando já estava dentro dela, a olhei.- Tudo bem?
Ri.- Não faz três minutos que me perguntou se estava bem e depois não quer que te chame de fofo.- Acariciava as costas dele.
— Não pergunto mais então.- Disse e voltei a beija-la. Eu ainda estava me acostumando a minhas reações românticas e preocupadas, por isso as vezes acabava exagerando, teria que equilibrar isso.
Ri.- Tudo bem.
Desci minha boca, beijando o pescoço dela. Sempre tive esse fraco por pescoços, não sei por que. Minhas mãos também não se contentaram e enquanto uma trouxe mais para mim a perna dela, a outra pegava em seu peito.
Gemi e suspirei pesadamente, descendo minha mão pelo seu abdômen.
— Você é uma delícia Cami.- Disse.
Sorri.- Você também. Quer dizer, não sei se esse elogio serve para homem.
— Gostoso é melhor.- Disse.
Ri.- Ok, gostoso então.
— Eu sei que sou.- Disse me movimentando mais rápido.
Sorri.- Metido nem um pouco né?- Entrelacei minha perna na cintura dele e o beijei.
Eu sabia que ia ser bom transar com ela, afinal estava a tanto tempo sem sexo que normalmente nem ensaiaria muito nos detalhes, mas como sempre, Cami faz as coisas serem diferentes e faz esse sexo ser o diferente e muito bom, até porque agora sinto seus toques e me delicio com eles.
Desci meus lábios pelo pescoço dele e minha mão descia pelas suas costas.
— Você não se importa?- Perguntei.
— Com o que?- Questionei.
— Com elas?- Perguntei.
— As cicatrizes?- Questionei.
— Sim.- Disse.
Sorri.- Amor, elas fazem parte da sua história. O quanto você superou e supera a cada dia... E elas te deixam sexy. Eu as amo.
Sorri e suspirei pelos toques dela. Eu a amava, amava demais.
— Você gosta que eu te toque?- Perguntei.
— Sim.- Respondi, mas saiu quase um gemido.
Sorri e o beijei novamente, entrelaçando meus dedos em seu cabelo.
Deixei nossas vontades nos dominarem e pude aproveitar cada momento com Cami e também esperava que ela estivesse curtindo. Não demorei a sentir meu gozo vir e quando cheguei, me entreguei por completo.
Parei o beijo e o olhei.- Eu te amo.
A beijei de novo e descansei sobre ela. Ela merecia ouvir isso de volta, saber o quanto também a amava. Tocava de leve o seu cabelo, voltando ao normal.- Eu amo você.- Saiu meio baixo, mas saiu.
Beijei ele no rosto.- Não precisa falar se não se sente a vontade, ok? Vamos aos poucos.
— Eu quero. Eu sinto a muito tempo, mas sempre travava quando ia dizer.- Disse.
— Tudo bem então.- Acariciei seus cabelos.
Beijei ali onde estava.- Você foi maravilhosa.
Ri.- Duvido, mas obrigada.
— Sério, pelo menos você não teve crise de choro. Isso sim foi tenso uma vez.- Disse.
Franzi o cenho.- Nossa.
— Pois é.- Sorri e me deitei ao lado dela.- Pior foi com Elijah que a menina fez um escândalo que não devia ter feito aquilo.
Ri.- Imagino.
Peguei a mão dela, entrelaçando com a minha.- Adoro essas mãos.
Sorri.- Que bom.
— Elas são mágica.- Beijei os dedos.
Sorri.- Fico feliz então.
— Meu amor; agora vai ter que me aguentar falando isso direto.- Disse.
Ri.- Eu faço esse sacrifício.
— Que sacrifício horrível não?- Ri também.- Então tecnicamente, estou de alta?
— Sim. Agora consulta de seis em seis meses.- Disse.
— Oh céus, tanto tempo sem minha psicóloga.- Disse.
— Tadinho.- Disse.
— Mas tenho alguém muito melhor agora.- Sorri.
Sorri e o beijei.
Ficamos um tempo ainda assim, depois tomamos banho e fomos nos deitar Aquela noite não poderia ter sido mais perfeita. No outro dia estava nervoso em encontrar meu pai e quando cheguei na galeria, o encontrei e fiz o possível para ficar tranquilo. Contei quem eu era e algumas coisas para ele entender, mas o coitado estava chocado demais para reagir, então ele me pediu um tempo, mas para manter contato. Sentia a felicidade me invadindo cada vez mais; minha família estava bem, e eu bem com eles, a empresa bem e a Camille maravilhosamente bem. Enquanto voltava para casa só pensava em como eu tinha dado sorte. Cami era o que eu precisava e só para ela consegui me mostrar, mostrar quem eu era debaixo de toda aquela defesa. Agora em vez de ficar remoendo o passado, penso no futuro; um dia Cami sendo minha mulher e termos uma família. Olhando assim, tenho uma nova vida e vou aproveitar cada segundo, mas nesse instante só quero chegar em casa e passar o máximo de tempo com a minha mulher, que também é minha psicóloga e que eu amo loucamente.
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For your eyes only
I show you my heart
For when you're lonely and forget who you are
I'm missing half of me, when we're apart
Now you know me
For your eyes only
For your eyes only
For your eyes only
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