Unwritten
2 Capítulo Um
Notas iniciais
Bella POV.
Eu deixei que as lágrimas escorressem pelo meu rosto, sem fazer movimento algum para limpá-las. Sufoquei um soluço, mordendo o lábio inferior com força enquanto me abraçava, desejando que tudo aquilo não passasse de um pesadelo.
Porém, após fechar os olhos e abri-los, constatei que não era pesadelo algum. Eu continuava parada em frente à janela do apartamento, continuava chorando. E continuava me lembrando do que tinha acontecido naquele dia.
Suspirei pesadamente, enfim erguendo as mãos e limpando as lágrimas do meu rosto, tentando me acalmar. Não havia nada que eu pudesse fazer e, infelizmente, as lágrimas não resolveriam nada. Desci minhas mãos até a minha barriga ainda plana, e abaixei a cabeça, me perguntando se eu realmente estava abrigando ali, em meu ventre, um bebê.
Era assustador.
Eu sempre tinha desejado ser mãe, mas... talvez daqui uns dez anos. Eu tinha um plano. Pretendia terminar a faculdade, arrumar um emprego e estar financeiramente estável antes de me preocupar em ter filhos.
Um acidente, no entanto, tinha me feito mudar os planos. E era assustador demais pensar em tudo o que iria acontecer nos próximos meses. Eu era muito nova. Eu mal tinha vinte anos, meu Deus.
Eu não saberia lidar com uma criança.
– Bella?
Continuei parada, ignorando a voz de Edward, não querendo deixá-lo preocupado. Ele parecia um pouco mais calmo do que eu agora, depois do susto inicial que eu o havia feito passar quando lhe contei minhas suspeitas. Visitamos, então, juntos, um médico, e eu fiz um exame de sangue que confirmava o que eu estava evitando admitir.
E, após ler o resultado, o médico apenas tinha sorrido e me dado parabéns.
Eu estava realmente grávida.
– Ei... — Ele enrolou seus braços ao meu redor, puxando-me contra o seu corpo. Minhas mãos, ainda repousadas em meu ventre, caíram ao lado do meu corpo. — O que foi, baby? Por que não está na cama dormindo?
Deixei que um soluço escapasse, virando-me em seus braços e enterrando a cabeça em seu peito. Ele acariciou minhas costas e depositou pequenos beijos em meu templo, enquanto murmurava que tudo ficaria bem.
– Shhh, Bella — sussurrou. — Vai dar tudo certo, você vai ver. A gente vai dar um jeito.
Finalmente ergui a cabeça, encarando meu namorado. Seus cabelos cor de cobre estavam extremamente bagunçados, seus olhos verdes demonstrando preocupação. Ele limpou as novas lágrimas que transbordaram, escorrendo pelas minhas bochechas, e beijou meus olhos, ainda dizendo que tudo ficaria bem.
– Estou assustada — admiti. — Não sei cuidar de um bebê, Edward. Não tenho ideia do que fazer...
– Eu sei, amor — murmurou, me dando um sorriso triste. — Eu também estou assustado, mas aconteceu... E a gente vai dar um jeito. Vamos lidar com tudo à medida que as coisas forem acontecendo...
– Meus pais vão me matar — gemi, tornando a deitar a minha cabeça em seu peito.
Edward riu, esfregando minhas costas.
– Na verdade, Charlie provavelmente vai me matar — ele disse. — Não acho que os meus vão ficar muito felizes comigo também...
Respirei fundo, e assenti.
– Consegui marcar uma consulta com aquela obstetra, que o médico recomendou, na segunda que vem — murmurou. — Se estiver tudo certo, vamos visitá-los no feriado de Ação de Graças e contaremos. Eles vão ficar com um pouco de raiva no início, talvez, mas vai dar tudo certo, ok?
Tornei a assentir, desejando conseguir acreditar naquilo, apenas para me acalmar um pouco.
– Agora vem. — Edward se afastou de mim e pegou a minha mão. — Temos aula amanhã, precisamos dormir...
Eu o segui, embora estivesse certa de que não iria conseguir dormir. Deitei-me ao seu lado e deixei que ele me abraçasse, meu corpo imediatamente relaxando contra o seu.
– Confie em mim — ele sorriu, enquanto depositava um selinho em meus lábios. — Vai dar tudo certo, ok? A gente vai fazer isso funcionar.
Eu engoli em seco e assenti, antes de deitar a cabeça em seu peito e depositar um beijo ali. Senti-o acariciar minha cabeça e minhas costas, cantarolando uma música baixinha. Deixei que meu corpo terminasse de relaxar e fechei os olhos, o sono começando a tomar conta de mim. E mesmo preocupada, mesmo sem saber o que aconteceria dali para frente, o sono logo tomou conta de mim.
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Acordei algum tempo depois, com o som do despertador. Eu me sentei na cama, bocejando, e olhei ao redor, à procura de Edward. Bocejei novamente e esfreguei os olhos, enquanto me espreguiçava.
– Edward? — chamei.
Escutei um barulho vindo da cozinha e sorri, sabendo que ele provavelmente estava preparando nosso café da manhã. Sentindo meu estômago protestar de fome — já que, devido à preocupação de ontem, eu tinha pulado uma ou duas refeições -, eu me levantei e corri até o banheiro, onde fiz, rapidamente, minha higiene matinal. Depois, caminhei até a cozinha. Sorri quando o vi de costas para mim, mexendo na frigideira. Abri a boca para chamar a sua atenção, mas o cheiro de gordura me atingiu com força.
– Bella? — Edward se virou naquele momento, vendo-me com a mão pressionada contra a boca.
Incapaz de responder a ele, virei-me, às pressas, e corri até o banheiro próximo dali. Senti Edward atrás de mim, mas não me virei para olhá-lo, incapaz de tal coisa naquele momento.
Ele me puxou para o seu colo quando eu terminei de vomitar, mas eu não consegui ficar ali muito tempo. Sentindo-me trêmula, caminhei até a pia e escovei os dentes rapidamente. Edward me segurou, ficando calado atrás de mim, provavelmente com medo de que eu desmaiasse ou algo assim.
– Acho que vou tomar um banho — eu enfim disse, enquanto me apoiava contra o peito dele.
Ele beijou o topo da minha cabeça e assentiu.
– Faça isso — murmurou. — Eu vou terminar de preparar o nosso café…
Eu gemi quando o ouvi dizer isso. Só de pensar no cheiro que eu tinha sentido há pouco…
– O que foi? — ele indagou. — Você está se sentindo enjoada de novo?
Eu soltei um riso amargo.
– Acho que o bebê não gosta muito de bacon — sussurrei. — Só de pensar no cheiro…
Edward riu.
– Ok, sem bacon, então — ele disse. — Tome seu banho e se arrume, ok? Vou me livrar do bacon. E do cheiro.
Eu demorei mais do que o necessário no banho, meus pensamentos a todo o vapor. Encostei minha cabeça na parede e fechei os olhos com força, sem saber exatamente o que pensar. Dentro de alguns dias, eu estaria indo para casa, para passar o feriado de Ação de Graças com os meus pais e irmã. E só de pensar no que Charlie faria…
Ele me mataria, eu tinha certeza disso.
Fechei os olhos com força e balancei a cabeça, querendo impedir que as lágrimas caíssem. Eu tinha a sensação de que tudo o que tinha feito, desde que havia descoberto a gravidez, era chorar.
Quinze minutos mais tarde, o tempo que demorei para me acalmar e terminar o banho, dirigi-me para a cozinha. Meu coração se contraiu contra o meu peito quando senti o cheiro de desinfetante e um pequeno sorriso nasceu em meu rosto. Edward estava fazendo de tudo para que eu me sentisse melhor ultimamente e eu não tinha a mínima ideia de como eu estaria agora se ele não tivesse sendo meu suporte.
– Está se sentindo melhor? — Ele indagou, tirando-me de meus devaneios.
Eu engoli em seco e assenti, forçando outro sorriso. Ele, no entanto, me conhecia bem, e estreitou os olhos ao olhar em minha direção.
– Você andou chorando, não andou? — indagou, largando dois pratos na mesa e vindo em minha direção. Eu deixei que ele me envolvesse em um abraço e apoiei a cabeça em seu peito, sem saber o que fazer. — Vai ficar tudo bem, Bella, você vai ver. Eu estou aqui…
Eu suspirei.
– Sinto muito — murmurei. — Eu sei que estou sendo chata e chorando, mas é que eu…
– Não, baby — interrompeu-me. — Eu entendo, pode ter certeza disso. É assustador, eu sei, mas a gente vai fazer funcionar. Só se acalme, ok? Segunda está chegando e vamos ouvir o que a médica tem a dizer. Se ela te liberar, viajaremos no feriado e contaremos aos nossos pais, ok? Uma coisa de cada vez.
Eu mordi o lábio inferior com força e assenti. Deixei que ele me guiasse até a mesa, querendo, mais do que nunca, que as palavras dele me acalmassem e que tudo desse certo, mas não consegui. Eu estava apavorada.
Porém, como Edward disse, a segunda logo chegou. Assim que as nossas aulas terminaram, nós nos dirigimos para o consultório da obstetra que o médico tinha me indicado. Edward dirigiu, tentando manter uma conversa comigo, mas eu retorcia as minhas mãos no colo e respondia de forma curta e rápida, sem nem mesmo saber o que eu estava falando direito.
– Bella? — Ele me chamou alguns minutos depois. — Nós chegamos.
Ainda nervoso, dirigi-me para dentro do prédio e deixei que ele me guiasse, sua mão nas minhas costas. Senti-me tremer quando vi todas aquelas mulheres — algumas acompanhadas, algumas não — sentadas nas cadeiras. Algumas delas não pareciam estar grávidas, outras tinham a barriga tão grande, que me perguntei como elas estavam aguentando.
– Por que você não se senta? — Edward murmurou, ao meu lado. — Eu vou falar com a secretária, ok?
Sem conseguir desgrudar os olhos daquelas mulheres, eu assenti. Sentei-me no primeiro lugar vago que vi, sentindo-me mais nervosa a cada minuto que passava. Alguns minutos depois, Edward se aproximou e se sentou ao meu lado, puxando-me para próximo dele.
– Vai demorar muito? — eu indaguei. — Tem muita gente na minha frente?
Ele balançou a cabeça de forma negativa.
– Tem outros obstetras aqui, Bella — respondeu. — Só tem uma pessoa na sua frente, ok? Não deve demorar muito.
Mas pareceu que durou uma eternidade. Eu vi quando a médica que tinham me recomendado saiu da sala e chamou a próxima paciente. Engoli em seco e me encolhi contra Edward, imaginando o que ela falaria quando eu passasse por aquela porta. Tentei me convencer a me acalmar, dizendo a mim mesma que eu conseguia fazer isso, que daria tudo certo. No entanto, assim que a paciente saiu da sala e, alguns minutos depois, meu nome foi chamado, eu senti que tudo o que tinha comido naquele dia queria voltar, e a única razão de eu não ter saído correndo e ido embora dali, foi o braço de Edward me abraçando pela cintura, enquanto me guiava para dentro do consultório.
– Boa tarde! — A médica sorriu gentilmente para nós dois, estendendo a mão. — Sou Lucy Adam. Você deve ser Isabella e você… Edward, certo?
Meu namorado sorriu de volta e apertou a mão que a médica estendia. Eu fiz o mesmo, mais de forma automática do que tudo, deixando que ele me guiasse até uma das cadeiras que havia ali.
A doutora fechou a porta e caminhou até atrás da mesa, onde se sentou. Ela cruzou as mãos sobre a mesa e olhou para nós dois. Eu respirei fundo, novamente tentando me acalmar.
– E então, você está grávida, querida? — perguntou.
Eu assenti, mas não falei nada, não por falta de educação, mas porque eu não tinha ideia do que dizer.
– Nós descobrimos recentemente. — Edward disse depois de algum tempo de silêncio, enquanto apertava a minha mão gentilmente em seu colo. — Na semana passada, na verdade. O médico que nos atendeu, no hospital, recomendou que marcássemos uma consulta com a senhora, depois que ele confirmou as suspeitas de Bella.
A médica olhou para ele por um momento, ainda sorrindo, e voltou seu olhar para mim.
– Certo — respondeu. — Por que você não me conta como anda se sentindo, Isabella?
Eu tornei a assentir.
– Um pouco enjoada — murmurei. — Mas se não fosse por isso e pelo atraso da minha menstruação, eu acho que nem perceberia que estava grávida…
Ela assentiu.
– Ok — disse. — Fale-me quando foi a sua última menstruação e sobre o seu ciclo, por favor, e o método contraceptivo que você e seu namorado costumam usar.
Eu fui explicando tudo o que conseguia me lembrar, inclusive o fato de ter parado de tomar, recentemente, meu remédio, já que iria passar para injeção. Senti-me corar quando expliquei que tínhamos sido irresponsáveis algumas vezes, esquecendo da camisinha, mas ela não comentou nada sobre isso. Apenas cortou-me algumas vezes para fazer algumas perguntas e algumas anotações. Ela passou, depois, a perguntar sobre o meu histórico e tudo o mais, e eu fui respondendo conforme ia me lembrando das coisas. Algumas vezes, ela fazia perguntas para Edward também, mas, no geral, se dirigia mais a mim.
– Vou fazer alguns pedidos de exame, mas nada demais, ok? Apenas rotina. — Ela disse. — Sangue, urina… Vou receitar algumas vitaminas também.
Eu assenti, sem saber muito o que dizer.
– Agora, Isabella — continuou -, eu gostaria que você entrasse naquela salinha ali e vestisse a roupa que está na cadeira. Quero saber exatamente com quanto tempo você está e a data prevista do parto, ok?
Edward me guiou até a salinha que ela tinha falado e eu rapidamente troquei de roupa, seguindo as orientações que ela tinha me passado. Depois que terminei, comecei a andar de um lado para o outro, novamente me sentindo nervosa, até Edward parar em minha frente e segurar meus ombros.
– Relaxa, Bella — ele disse. — Vai dar tudo certo.
Eu forcei um sorriso para fora do rosto e assenti, mesmo que soubesse que me acalmar, naquele momento, era algo impossível.
A médica ainda sorria e falava naquele tom calmo quando entrou, pedindo que eu me deitasse. Edward me ajudou, ficando ao meu lado e segurando a minha mão. Eu quis me virar para ele e perguntar como ele podia estar assim, tão tranquilo, mas eu o conhecia, sabia que ele só estava se mantendo desse jeito para que eu não ficasse ainda mais nervosa.
– Vou fazer um ultrassom transvaginal, Isabella. — Ela explicou, enquanto colocava luvas. — Vocês já ouviram falar?
Quando eu neguei, ela explicou como o exame seria feito, me dando instruções enquanto pegava uma sonda. Eu apertei a mão de Edward um pouco mais forte quando eu vi, mesmo quando ela disse que eu não sentiria dor, provavelmente só um desconforto. Mordi o lábio com força quando a sonda foi inserida e respirei fundo, procurando não pensar nisso. Não doía, mas era… estranho.
Durante um momento, nada na sala podia ser ouvido, exceto pelo som da minha própria respiração. Então, eu escutei um barulho diferente, forte e rápido, que fez com que o meu coração acelerasse, embora eu não tivesse a mínima ideia do porquê.
– O-o que é isso? — eu gaguejei.
A médica virou seu rosto para mim rapidamente e sorriu.
– Isso, querida — ela murmurou -, é o coração do seu bebê.
Eu tinha descoberto a menos de uma semana que seria mãe e estava assustada, muito assustada. Não fazia a mínima ideia de como cuidaria de uma criança, de como os meus pais iriam reagir ou de como as coisas seriam, como eu faria para conciliar a gravidez com a faculdade e depois, com o bebê. Naquele momento, porém, nenhum desses pensamentos passaram pela minha cabeça. Eu senti lágrimas enchendo meus olhos ao escutar esse som, que provava que tinha um bebê em mim, meu filho.
E mesmo ainda estando com medo, mesmo que eu tivesse a certeza de que eu seria uma péssima mãe, eu senti um sorriso nascer em meu rosto. Eu levaria aquela gravidez até o fim, eu ficaria com aquele bebê.
Eu ficaria com o meu filho.
– Ok, Isabella. — A médica tirou-me de meus devaneios. — Pelo que posso ver aqui, você está com oito semanas e cinco dias, ou dois meses e cinco dias, como você preferir. Pelos meus cálculos, a data provável de parto vai ser dia dois de julho, como eu tinha imaginado.
Eu assenti.
– E está tudo bem? — eu indaguei, sentindo a minha voz embargada. — Com o bebê, quero dizer.
Ela assentiu.
– Claro, tudo ótimo — sorriu. — Você gostaria da primeira foto do seu filho?
Alguns minutos depois, nós voltamos para o consultório em si. Tornamos a nos sentar, meus olhos encarando a primeira imagem do meu filho, embora eu não soubesse identificar nada ali.
Escutei atentamente enquanto ela falava sobre alimentação, exercícios físicos e até sobre sexo. Aproveitei para perguntar sobre a viagem, me sentindo um pouco mais calma, embora eu soubesse que, eventualmente, o medo iria voltar. Depois de pegar os papéis com a receita para as vitaminas e com os pedidos de exames, e receber mais algumas informações, eu me despedi da médica e saí do consultório com Edward.
Depois de marcamos a próxima consulta, nós caminhamos até uma farmácia ali perto e compramos as vitaminas que a Dra. Lucy tinha receitado. Aproveitamos para parar em uma lanchonete e comer, já que eu não tinha feito isso muito bem durante o dia, devido ao meu nervosismo.
Aconcheguei-me ao lado de Edward e deitei a cabeça em seu ombro, um suspiro de satisfação escapando de meus lábios quando ele me abraçou pela cintura, puxando-me mais para si, enquanto a garçonete ia buscar o nosso pedido.
– Obrigada — eu murmurei, erguendo a cabeça um pouco para fitá-lo. — Por tudo.
Ele sorriu, afastado a minha franja dos meus olhos.
– Pelo o quê? — perguntou.
Inclinei-me um pouco e depositei um beijo demorado em seu queixo, enquanto puxava sua mão e entrelaçava seus dedos nos meus.
– Por estar ao meu lado, me apoiando. — Encolhi os ombros. — Eu estaria completamente perdida se você não estivesse fazendo isso agora.
Ele tornou a sorrir.
– Eu te amo, você sabe disso, não sabe? — disse. — Eu falei sério quando disse que te apoiaria, Bella. Estou assustado e não tenho a mínima ideia de como vamos fazer para cuidar de uma criança, mas… nós vamos descobrir juntos, não vamos?
Eu assenti.
– Sim — sussurrei. — E eu também te amo. Muito. A gente vai fazer isso funcionar.
Eu sorri para ele e me inclinei novamente, beijando-o suavemente nos lábios. Curti-o durante alguns minutos, conversando, falando sobre a consulta, compartilhando o que eu tinha sentido quando eu tinha escutado o coração do nosso filho. Nós comemos em meio a conversas e risadas, ficando na lanchonete muito mais tempo do que o necessário.
Edward precisou voltar à faculdade, para terminar um trabalho com um grupo de amigos, e eu decidi ficar em casa, já que não tinha com o que me preocupar naquele momento. Pelo menos em relação aos estudos.
Depois de tomar um banho e colocar um pijama quente, joguei-me no sofá e puxei a primeira imagem do meu bebê.
Será que eu seria uma boa mãe?
Com cuidado, levei à mão até meu ventre, tentando imaginar o que estava acontecendo ali. Ao mesmo tempo, comecei a imaginar como seria o meu futuro. Principalmente em se tratando dos meus pais. Eu tinha certeza de que Charlie não reagiria bem. Eu tinha certeza de que ele piraria.
Ele me odiaria.
Quando as lágrimas começaram a escorrer, passando pelo meu rosto e caindo até o sofá, eu não as impedi nem tentei limpar o meu rosto. Fiquei ali durante um tempo, apenas pensando em tudo e nada ao mesmo tempo, tentando achar perguntas para todas as minhas respostas, mesmo que eu soubesse que só o tempo poderia responder a algumas.
Estava tão distraída, envolvida em meus próprios pensamentos, que me assustei quando o meu celular começou a tocar. Eu pensei em ignorá-lo, mas estiquei a mão para pegá-la na mesa de centro depois que chamou pela terceira vez.
E era Leah, minha irmã mais velha.
– Ei, pirralha. — Ela disse alegremente assim que eu atendi. — Não atrapalhei nada por aí, não é? Porque se eu tiver atrapalhado, gostaria de dizer que eu sinto muito, mas não sinto.
Eu sorri ao ouvir a voz da minha irmã e abri a boca para respondê-la, mas não consegui. Ao olhar para a foto do meu bebê, novas lágrimas começaram a inundar meu rosto e um soluço escapou de meus lábios, tão alto e forte que eu sabia que Leah tinha escutado.
– Bella? — ela murmurou, seu tom de voz agora sério. — Está tudo bem?
Eu me sentei no sofá e apertei a minha boca, tentando me acalmar. Tentei falar diversas vezes, mas tudo o que saía estava tão embolado que nem eu conseguiria entender.
– Você vai se acalmar– ela disse, depois de eu tentar falar pela quarta vez. — Vai lavar o rosto, beber uma água ou algo assim, e nos encontraremos no Skype dentro de alguns minutos, ok? Acho que vai ser melhor conversarmos por lá.
– O-ok — consegui dizer.
Corri para o banheiro assim que finalizei a ligação e lavei o rosto, às pressas, porque eu sabia que a minha irmã deveria estar preocupada. Bebi um copo de água, como ela tinha dito para eu fazer, e depois peguei meu notebook, voltando para o sofá. Mantive a foto do ultrassom ao meu lado, sabendo que ela iria querer ver — simplesmente porque eu a conhecia — e esperei pacientemente até ela me chamar.
Assim que o rosto de Leah apareceu, eu senti vontade de chorar novamente, mas consegui me controlar. Forcei um sorriso para fora do rosto e a cumprimentei, sem dizer nada.
– O que aconteceu? — ela indagou. — E fala logo. O que o Edward fez?
Eu soltei uma risada forçada.
– Ele não fez nada, Leah — murmurei. — Na verdade, algo aconteceu, mas…
– O quê? — perguntou. — Fala logo! Estou ficando preocupada.
Sabendo que eu não seria capaz de falar, peguei a imagem ao meu lado e a coloquei em frente à câmera do computador. Leah a olhou por um momento, seu rosto ficando mais pálido do que o normal quando ela compreendeu o que aquilo significava.
– Você está grávida? — ela perguntou. — De verdade?
Eu assenti.
– Mas como? Eu pensei que você e Edward se cuidavam…
Eu expliquei a ela o que tinha falado à minha médica mais cedo, parando algumas vezes para respirar fundo, tentando me lembrar de tudo. Leah, impaciente do jeito que era, me cortou algumas vezes, fazendo perguntas. Ela estava chocada, eu pude ver isso, o que só fez com que eu ficasse ainda mais nervosa.
– Meu pai vai me matar — sussurrei. — Ele vai, tenho certeza.
A minha irmã mordeu o lábio, uma mania que compartilhávamos, mas não negou. Ela sabia que eu estava certa.
– Ele pode ficar um pouco bravo no início, sim– disse -, mas podemos conversar com ele e fazer com que ele veja que não é o fim do mundo. Você não é a primeira adolescente a engravidar, Bella, e com certeza não vai ser a última.
Eu balancei a cabeça de forma negativa, sabendo que convencer Charlie seria extremamente difícil.
– Você se lembra de quando ele achou que você estava grávida, há uns anos? — eu indaguei. — Você tinha acabado de completar dezessete anos… ele pirou, Leah. Ele ameaçou expulsá-la de casa, disse que era a família ou o bebê… E isso tudo por causa de uma brincadeira.
Ela suspirou.
– Eu vou te ajudar, ok? — ela murmurou, por fim, após ficarmos em silêncio durante um tempo. — Edward tem ajudado? Ou ele não quer o bebê?
Eu sorri um pouco ao pensar no meu namorado e em como ele tinha me apoiado durante esses dias.
– Ele tem me apoiado muito — murmurei. — Sei que ele está assustado, mas não tem comentado muito disso comigo. Acho que ele tem medo de eu ficar ainda mais nervosa.
Ela sorriu.
– Certo, então– disse. — Nós vamos te ajudar. Eu, Edward, Sam… Você não estará sozinha, Bella, eu prometo, ok?
Eu assenti.
– Ok — sussurrei. — Você me ajuda a contar para o papai?
Ela sorriu.
– Vou te ligar um dia desses para combinarmos tudo – respondeu. — Agora, eu tenho que ir. Sam está chegando… Nós ficamos de ir jantar hoje à noite.
Eu sorri.
– Mande um abraço para ele — eu respondi. — Obrigada por tudo, sis. De verdade.
Leah tornou a sorrir.
– Não se preocupe com isso, pirralha– riu. — E procure se acalmar. Quero um sobrinho gordo e saudável para mimar.
Foi a minha vez de rir.
Nós conversamos durante mais alguns minutos, mas logo nos despedimos de vez. Eu fechei o notebook e coloquei na mesinha, antes de me jogar no sofá de novo. Fechei os olhos por um momento e respirei fundo, as perguntas me rondando novamente.
Naquele momento, porém, foquei-me no que Edward e Leah vinham me dizendo: daria tudo certo e eu não estaria sozinha.
Levei à mão à minha barriga novamente e a acariciei, meus olhos a observando, ainda sem indícios de que havia um bebê ali.
– Nós ficaremos bem, bebê — eu sussurrei, acariciando-a de leve. — Vai ficar tudo bem.
Eu realmente estava contando com isso.
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