Unwritten
7 Capítulo Seis
Notas iniciais
Bella POV.
As coisas foram ficando mais tensas à medida que os dias se passavam.
Evitei Edward tanto quanto pude, embora vivéssemos no mesmo apartamento. Sempre que ele abria a boca para dizer algo, eu saía. Podia ser até infantil, mas eu estava com raiva e magoada.
Ele tinha quebrado uma promessa, tinha me deixado sozinha novamente.
Nós morávamos no mesmo apartamento, tínhamos partilhado o mesmo quarto. Agora, no entanto, quase não nos víamos. Eu comecei a pegar carona com uma amiga de classe, Bree, que morava ali por perto. A minha barriga ainda não estava gigante e as pessoas mal notavam que eu estava grávida quando estava usando roupas muito largas, mas os colegas mais próximos já sabiam, assim como o reitor da faculdade.
Eu sabia que muitos comentariam coisas pelas minhas costas quando todos descobrissem, mas não tinha tempo para me preocupar com isso. Precisava me focar em conseguir terminar aquele semestre, antes das férias chegarem e, com elas, meu bebê.
Eu sabia que eu não teria muito tempo para outras coisas quando isso acontecesse.
Tentei ficar algum tempo a mais na faculdade — querendo adiantar a matéria -, mas eu não conseguia ficar sentada muito tempo naquelas cadeiras desconfortáveis mais sem sentir dores nas costas, então eu acabava indo para casa e lá, com travesseiros me cercando, eu conseguia estudar um pouco mais.
Mesmo que, às vezes, acabasse dormindo.
Leah me ligava constantemente, querendo saber como tudo estava indo. Eu sempre inventava desculpas sobre Edward, não querendo contar que eu tinha passado por problemas com ele. Ela tinha ficado super animada quando contei que ela teria uma sobrinha e já havia dito que comprara alguns presentes para a sua afilhada.
Edward passou a ficar na rua até tarde, como se nada tivesse acontecido. Eu parei de me importar com isso — ou pelos menos era isso que eu dizia a mim mesma — e nem me incomodava em ligar para ele mais. Às vezes, no dia seguinte, a única prova que eu encontrara de que ele tinha, de fato, ido para casa, era o café da manhã que sempre estava à minha espera. Exatamente como ele tinha feito na manhã após o dia da minha consulta.
Fora isso, nossas interações foram continuando a serem praticamente inexistentes.
Eu tentava esperá-lo algumas vezes, porque, para ser honesta, mesmo depois do que ele havia feito, eu sentia falta dele. Sentia saudades de deitar a cabeça em seu ombro enquanto assistíamos a algum filme, ou de roubar a sua pipoca, algo que sempre me fazia rir. Sentia falta das coisas mais bobas, mas também sentia falta dele. Do meu Edward.
Porque eu não conseguia compreender esse novo Edward.
Eu sentava no sofá e assistia a algum programa qualquer, meus ouvidos atentos a qualquer barulho vindo da porta. Mas o sono sempre vencia e eu nunca conseguia esperá-lo acordada.
E era exatamente isso o que eu estava fazendo em uma daquelas longas noites: tentando esperar por ele. Havia algo diferente, no entanto. Eu não conseguia ficar quieta. Ler e adiantar trabalhos da faculdade não tinham ajudado, nem escutar música e assistir à televisão. Eu respirei fundo e fechei um livro, jogando-o de lado. Mexi-me de forma desconfortável no sofá, enquanto esfregava a minha barriga. Eu vinha sentindo uma cólica chata desde cedo e ela estava incomodando.
Mudei de posição, pensando que talvez tivesse sido algo que eu havia comido, mas depois de alguns minutos vi que ela não estava melhorando. Pelo contrário, parecia um pouco mais forte do que antes. Preocupada, dirigi-me até o quarto e puxei o meu celular. Encarei-o durante alguns segundos, sem saber se realmente deveria fazer aquilo, mas decidi tentar. Fazia algum tempo que eu não ligava para Edward — desde o dia da consulta, quase um mês atrás -, mas eu não queria arriscar.
Não em se tratando da minha filha.
Disquei o seu número e coloquei o aparelho na orelha. Mordi meu lábio inferior, me sentindo um pouco nervosa, embora não tivesse ideia do porquê.
– O que foi, Bella? — Ele atendeu, seu tom de voz parecendo um pouco impaciente, o que me fez apertar a mão livre em punho.
– Estou com cólicas — murmurei. Eu tentei prestar atenção em qualquer barulho, mas não consegui escutar nada direito. Provavelmente, ele tinha se afastado para atender a minha ligação… — Desculpe-me por atrapalhar a sua festinha, mas eu realmente acho que devo ir para o hospital... Será que você pode me pegar aqui?
Escutei-o suspirar do outro lado da linha, mas não disse nada, embora estivesse começando a ficar com raiva.
– A médica disse que é normal – ele respondeu. — Você não se lembra?
Eu acariciei a minha barriga e mordi o lábio inferior novamente, só querendo que aquela cólica passasse. Insisti que elas estavam diferentes e que eu realmente achava que tínhamos que ir para um hospital, mas Edward não pareceu se importar.
– Bella…– ele disse. — Eu estarei aí em breve, ok? Prometo. Agora, por que você não vai se deitar e descansa um pouco? Tenho que desligar agora… Um beijo.
E então, antes mesmo que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Edward desligou. Joguei o celular na cama e respire fundo, sentando-me na beirada da cama e deixando que as lágrimas escorressem. Afundei meu rosto entre as mãos, me perguntando exatamente como Edward e eu tínhamos chegado a esse ponto e como faríamos para sair dele.
Se é que havia algum jeito de sairmos…
Alguns minutos depois, tornei a me levantar, somente para retirar a calça e a blusa que eu usava. Puxei uma blusa velha e grande que eu estava usando ultimamente para dormir e me deitei na cama. Pensei que iria demorar a dormir por causa da cólica, mas o cansaço acabou sendo maior e eu adormeci assim que ajeitei a cabeça no travesseiro.
Não sei dizer quanto tempo dormi. Quando abri os olhos, passei ainda algum tempo deitada na cama, somente para perceber que as cólicas tinham ficado um pouco mais fortes, o que fez com que eu me sentisse mais preocupada ainda. Sentei-me de uma vez e imediatamente senti uma tontura tomar conta de mim. Procurei respirar fundo e fechei os olhos até que senti que o quarto tinha parado de girar, enquanto tateava a cama até achar o celular. Já era tarde, quase onze da noite… E ao julgar pelo silêncio do apartamento, Edward ainda não havia chego.
Liguei para ele algumas vezes, mas ele não atendeu em nenhuma delas.
Suspirei pesadamente e fechei os olhos, sem saber o que fazer. Por fim, levantei-me da cama, pensando em ir burcar um copo d’água e ver se esse mal estar passava, mas só consegui cambalear quando uma nova tontura me atingiu.
Apoiei-me no criado-mudo, respirando fundo e tornando a fechar os olhos. Quando eu os abri, um grito silencioso escapou dos meus lábios ao olhar para a cama; uma pequena mancha de sangue tomava conta do lençol.
Imediatamente, senti meu coração batendo mais rápido contra o meu peito e a tontura voltando com força total. Sabendo, então, que eu não podia esperar por Edward para me levar ao hospital e nem tinha condições de fazer tal coisa sozinha, sentei-me na cama e disquei para a única pessoa que podia me ajudar naquele momento: Bree.
– Bella? — ela murmurou, após o celular tocar cerca de quatro vezes, sua voz parecendo um pouco sonolenta. — Algum problema?
– Eu não me sinto bem — soltei. — Eu…
Fechei os olhos com força, sentindo outra tontura me atingir. Meus olhos ficaram embaçados e eu falei apressadamente, não sabendo até quando conseguiria me manter acordada. — Chave extra no beiral, por favor, vo-
Senti o celular escorregar da minha mão e meu corpo tombar na cama. E então meus olhos se fecharam ao mesmo tempo em que a escuridão tomou conta de mim.
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Eu escutei algumas pessoas conversando ao meu redor, mas não consegui, naqueles primeiros segundos, escutar o que elas diziam. Aos poucos, no entanto, tudo foi começando a fazer sentido e quando eu abri os olhos, me vi em um quarto extremamente claro.
– Bella! — Bree sorriu para mim, parecendo aliviada. — Como se sente?
Eu me ajeitei um pouco na cama, esfregando meu rosto com as mãos.
– Bem, eu acho… — Franzi a testa. — Está tudo bem?
Bree não precisou responder, porém, já que as memórias começaram a surgir. As cólicas que eu vinha sentindo, Edward não atendendo ao celular… Levei as minhas mãos até a minha barriga quase na mesma hora.
– E a minha filha? — Eu olhei para Bree, sentindo-me ansiosa. — E-ela está bem? Aconteceu alguma coisa com ela?
Bree sorriu.
– Sim, está tudo bem — ela respondeu. — Agora, se acalme, ok? Eu vou chamar a sua médica… Ela vai te explicar tudo o que aconteceu.
Não demorou muito tempo para Bree voltar, dessa vez acompanhada pela Dra. Lucy. Ela sorriu para mim de forma gentil enquanto começava a me examinar, perguntando-me como eu estava me sentindo, se as cólicas tinham passado…
– Estou bem — respondi. — E a minha filha? Tudo bem com ela? O que aconteceu?
– Respire, Bella — ela disse, ainda sorrindo. — Vocês duas estão bem. Você teve um pequeno sangramento e a sua pressão abaixou, mas, felizmente, a ultrassonagrafia não mostrou sinais de placenta prévia. Vou mantê-la aqui até amanhã e devo liberá-la à noite, apenas por precaução, porém.
Eu assenti.
– Vou te pedir que fique de repouso por três dias e que tenha cuidado pelo resto da gestação — continuou. — Nada de pegar pesos, nada de se esforçar muito… Vamos observar como tudo está indo nas suas próximas consultas, apenas para evitar problema futuros.
Tornei a assentir.
– E se eu tiver outro sangramento? — eu indaguei, mesmo que estivesse com medo de ouvir a resposta.
– Venha imediatamente ao hospital — disse, de forma calma.
Bree se aproximou nesse momento, um olhar de preocupação tomando conta de seu rosto.
– O que aconteceu, Bella? — perguntou. — Por que você não veio ao hospital mais cedo, quando começou a sentir dores?
Envergonhada, eu expliquei rapidamente que Edward tinha ido a uma de suas festas. Nenhuma delas disse nada quando eu terminei. E, também, antes que pudessem, uma enfermeira apareceu no quarto, chamando a Dra. Lucy.
– Peça a uma das enfermeiras para me chamar se você sentir algo, ok? — ela indagou. — Estarei de plantão até amanhã à noite, então… estarei aqui se precisar.
– Obrigada, doutora — sorri. — Por tudo.
Ela assentiu, acariciou meu ombro gentilmente, e saiu do quarto.
Eu suspirei pesadamente e deitei novamente na cama, fitando o teto. Bree se sentou ao meu lado, em uma cadeira que eu não havia notado antes e apertou a minha mão gentilmente.
– Bella… você não pode continuar a viver dessa maneira — ela murmurou. — Eu sei que você ama o Edward, sei que ele é o pai dessa criança, mas… você não pode ficar se estressando dessa maneira…
Eu senti as lágrimas encherem meus olhos.
– Eu sei… — sussurrei. — Mas o que eu posso fazer, Bree? Ele… ele é meu namorado há anos… eu ainda não consigo acreditar que ele está agindo dessa maneira… e eu…
Ela sorriu.
– Está tudo bem — respondeu. — Por que você não arruma um lugar para morar? Mais perto da faculdade… talvez um tempo separado faça bem a vocês dois.
Eu abri a boca imediatamente, pronta para dizer que eu não podia fazer isso com ele, mas não consegui. Não se tratava mais de mim e de Edward somente. A minha filha não merecia isso, não merecia um pai que não parecia interessado nela.
– Eu sei — sussurrei, as lágrimas escorrendo livremente agora. — Eu sei que você está certa.
Bree abriu a boca para dizer algo, mas meu celular tocou naquele momento, interrompendo-nos. Eu fitei a minha bolsa, jogada em um sofá do outro lado do quarto, sem vontade nenhuma de atender.
Eu tinha uma ideia de quem poderia ser.
Como eu falaria para Edward que eu iria me mudar? E como eu iria procurar um apartamento agora, se a médica me mandou ficar de repouso durante três dias?
– Quer que eu atenda? — Bree ofereceu gentilmente.
Eu assenti. Ela se colocou de pé e correu até a bolsa, abriu-a e mexeu nela até encontrar meu celular. Ela suspirou quando viu quem era.
Era Edward.
– Oi, Edward. — Ela atendeu, seus olhos nunca deixando os meus. — Eu imaginei que você fosse ligar.
Ela ficou calada durante alguns segundos, o que me fez imaginar o que Edward estaria falando.
– Estamos no hopital — ela disse, em resposta a ele. — Ela já foi atendida e medicada, está descansando agora…
Ela caminhou de volta até a cadeira e se sentou.
– No Harborview — respondeu.
E então ela afastou o celular da orelha e suspirou.
– Ele está a caminho — sorriu. — Então… o que você vai fazer?
Eu abaixei a cabeça e fitei as minhas mãos, que ainda descansavam em minha barriga. Sabia que Bree estava certa, sabia que eu tinha que fazer aquilo. Mas eu estava com Edward há anos, eu cresci com ele.
Como eu diria aquilo?
– Você pode me ajudar a arrumar algum lugar para ficar? — eu sussurrei, quase como se não quisesse que ela ouvisse aquilo. — Talvez eu tenha que ficar mais alguns dias com ele no apartamento, mas…
– Não precisa — interrompeu-me. — Você pode ficar comigo e com Diego, nós não vamos nos importar, afinal, temos um quarto vago. E lá, com você descansando, podemos procurar alguns apartamentos pela internet. Tenho certeza de que vamos encontrar algo.
Eu assenti.
– Talvez algo temporário — eu disse. — De um quarto, apenas. No começo, vou precisar apenas de um berço e ele pode ficar no quarto que eu dormir… Mais para frente, à medida que a minha filha for crescendo, eu procuro algo mais permanente…
Bree assentiu.
– Está combinado, então — sorriu. — Você fica com gente durante alguns dias, até achar um local para morar…
Eu ri, mas não era um riso feliz.
– É, fazer o quê — encolhi os ombros. — Você devia ir para casa, Bree… Você tem aula amanhã cedo…
Ela abriu a boca para discutir, mas eu ergui a sobrancelha, fazendo-a rir. Ela sabia que eu estava certa.
– Vou trazer a matéria para você nesses três dias — ela disse. — E vou explicar o que aconteceu lá também, para você não precisar se preocupar com as faltas, ok?
– Claro, obrigada.
Ela me abraçou rapidamente, antes de se levantar.
– Vou avisar a Diego que podemos ir — disse. — Ele foi ao refeitório , está esperando por mim lá.
– Obrigada por tudo, Bree — eu tornei a sorrir. — De verdade.
Ela encolheu os ombros.
– Eu sei que você faria o mesmo por mim.
Antes que eu pudesse responder, uma batida soou à porta, o que fez com que eu congelasse, porque eu tinha certeza de que era Edward.
– Oi… — ele murmurou, abrindo a porta, me fitando com atenção. — Posso entrar?
Eu sorri um pouco e assenti. Ele cumprimentou Bree, que se colocou de pé naquele momento, dizendo que iria pegar um café.
Eu sabia que ela iria embora depois, então apenas assenti.
– Obrigada por ter ficado aqui, Bree. – ele disse, antes de ela sair.
– Alguém tinha, certo? — rebateu.
Edward corou um pouco, mas não disse nada. Bree me deu um beijo rápido no rosto e saiu, fechando a porta atrás de si. Edward me observou durante alguns segundos, antes de se aproximar e se sentar na cadeira que Bree estava momentos atrás. Ele tomou a minha mão na sua, o que me pegou um pouco de surpresa, mas não me afastei.
Era, de fato, muito bem sentir sua mão contra a minha.
– Como você está se sentindo? – indagou.
– Estou bem agora – murmurei. – Não precisa se preocupar.
Não tive coragem de olhá-lo nos olhos, simplesmente fiquei brincando com o lençol da cama. Ele apertou a minha mão alguns instantes depois, provavelmente para chamar a minha atenção, e eu precisei de um momento para respirar fundo e me acalmar — antes que começasse a chorar ali, já que não tinha ideia de como iria contar a ele que estava me mudando. Só depois fitei-o, mas fiquei calada, esperando que ele dissesse algo primeiro.
– Sinto muito – sussurrou. – Eu... eu não sei o que te dizer, Bella... Você não tem ideia do que senti quando cheguei em casa e vi aquela mancha no lençol…
Ele parou de falar, então, e eu suspirei. Estava na hora.
– Tenho ideia sim. — Eu retirei a minha mão das suas, porque não conseguia me concentrar direito quando ele me tocava. — Edward, precisamos conversar…
Parei de falar também, perdendo a coragem que tinha criado há alguns segundos. Como começar, o que dizer? Seus olhos verdes pareciam muito tristes e ele parecia exausto… assim como parecia saber o que eu falaria.
Decidi ser direta, por fim, apenas porque não aguentaria enrolar com aquilo por muito mais tempo.
– Estou saindo do apartamento — eu disse. — Bree ofereceu um quarto vago pelos próximos dias e prometeu me ajudar a encontrar um lugar para morar perto da faculdade...
Eu senti uma lágrima escorrer, mas a limpei rapidamente, antes que Edward inventasse de fazer tal coisa. Doía dizer aquilo para ele, mas, honestamente, o que eu poderia fazer? Antes de tudo, eu tinha que pensar em minha filha.
Ela merecia ter uma gravidez mais tranquila. Pelo menos os quase quatro meses que restavam.
Edward engoliu em seco.
– Bella… você não pode morar sozinha — ele disse. — E se você se sentir mal novamente? E se você tiver outro sangramento… e se vo-
– É melhor, Edward. — Eu decidi cortá-lo antes que cedesse. — Eu já passo a maior parte do tempo sozinha mesmo, que diferença faz? Estarei com meu celular sempre ao meu lado e, caso eu necessite de algo, eu vou ligar.
– Bella! — Ele tornou a puxar a sua mão e, dessa vez, não consegui soltar-me. — Por favor, você não precisa fazer isso. Você nem precisa olhar para mim, se não quiser. Mas… eu… por favor.
Ele parecia tão triste, como se isso fosse acabar com ele, o que só me deixava confusa. Se ele me queria, por que ele estava agindo daquela maneira?
Talvez, pensei, talvez ele só não quisesse o bebê…
– Não implore, por favor. — Tornei a puxar a minha mão, querendo tirar aquele pensamento da cabeça. Edward não poderia odiar a filha, poderia? — Vai ficar tudo bem. Caso te interesse, você pode continuar a vir às consultas… Mas eu vou entender se não for a sua escolha. Talvez seja melhor, sabe? Cada um seguir o seu caminho…
Eu não o fitei, com medo de desistir daquele plano.
– Sinto muito. — Ele por fim sussurrou. — Eu realmente sinto muito.
E essas palavras só fizeram com que eu sentisse mais raiva.
– É uma pena que desculpas não resolvam todos os problemas — eu disse, deixando que a raiva tomasse conta de mim. — Você parecia tão comprometido com essa gravidez, mas aí começou com as festas… Infelizmente, você não pode ter as duas coisas, Edward… E já que deixou claro a sua escolha…
Eu o vi abaixar a cabeça e assentir.
– Sinto muito, de verdade — ele repetiu.
E eu apenas encolhi os ombros, porque… o que eu mais poderia dizer?
– Eu gostaria de deitar um pouco agora — murmurei, algum tempo depois. — Eu vou pegar as minhas coisas aos poucos no apartamento depois, ok? E eu te mando uma mensagem com o dia e horário da próxima consulta.
Ele se colocou de pé e ficou parado, me fitando. Assustando-me completamente, Edward colocou a mão na minha barriga e a acariciou suavemente. Ele não seria capaz de fazer isso se odiasse a filha, certo?
– Eu amo vocês — ele disse, o que só fez com que eu me sentisse mais confusa. Eu quis abrir a boca e dizer que o amava de volta, mas não consegui encontrar a minha voz. Então, ele depositou um beijo na minha cabeça, demorando um pouco mais do que o normal para se afastar. — Eu… eu vejo você na próxima consulta, ok?
E eu o observei enquanto ele caminhava até a porta, sem dizer nada. Ele me fitou também, quase como se quisesse dizer algo, mas não disse. E então ele saiu.
E eu chorei.
De novo.
_
Como prometido, a Dra. Lucy me deu alta no dia seguinte, pouco antes de o plantão dela terminar. Bree veio me pegar e me levou direto para casa, já com algumas roupas que ela tinha pegado no apartamento mais cedo.
– Vá se deitar — ela disse. — A médica mandou você repousar.
Foi um pouco estranho ficar de repouso durante três dias, mas não vou mentir… o descanso foi ótimo. E depois que ele terminou, eu estava pronta para começar a visitar os apartamentos que Bree e eu tínhamos visto na internet.
Não demorou muito para acharmos um que ficava a cinco minutos da faculdade. Era bem pequeno — com apenas um quarto, sala, cozinha e banheiro -, mas perfeito para mim e já vinha com os móveis, o que era melhor ainda. O quarto não era tão pequeno, o que era bom. O berço caberia ali.
Eu aproveitei para comprá-lo em um final de semana livre, e Bree, que ia ao meu apartamento ficar um pouco comigo todos os dias, foi comigo. Não comprei um muito caro e cheio de detalhes, apenas um que pudesse comportar confortavelmente um bebê durante um tempo. Afinal, eu não planejava viver ali para sempre. Eventualmente, eu iria procurar um lugar maior para morar.
Em meio a faculdade, os estudos e as consultas, o tempo passou rápido... Esconder a minha barriga era impossível agora, qualquer blusa que eu usasse, fosse ela apertada ou larga, mostrava perfeitamente que havia um bebê ali. E embora eu tenha escutado coisas nada agradáveis na faculdade, eu não me incomodei muito com isso.
Eu não podia ficar me preocupando com o que as pessoas diziam de mim, afinal.
Edward e eu passamos a nos encontrar praticamente só nas consultas, embora eu o tenha visto na faculdade algumas vezes. Ele às vezes perguntava como eu estava me sentindo, se eu estava precisando de alguma coisa… mas nós nunca falamos de nada pessoal.
Era estranho e eu sentia muito a falta dele, mas… ele parecia mais presente agora. Às vezes ele ligava, completamente assustado, apenas para saber se eu estava bem. Ele não costumava fazer isso quando morávamos juntos, se preocupar…
Talvez esse tempo separados estivesse mesmo fazendo bem para nós dois.
Leah constamente ligava, principalmente porque eu me aproximava da data de parto. Mais um mês e alguns dias e a minha filha estaria aqui comigo, em meus braços…
E eu, sinceramente, mal podia esperar, embora ficasse nervosa, é claro.
Não tinha ideia de como cuidaria, sozinha, de um bebê.
Ela ainda não sabia que eu havia me mudado, mas eu sabia que não demoraria muito para ela descobrir. Como ela queria tirar um tempo de férias em julho para passar um tempo comigo e me ajudar a me adaptar com tudo, ela estava trabalhando em mais turnos agora.
Eventualmente, ela apareceria, eu sabia disso. Mas iria lidar com isso quando o momento chegasse.
Eu soltei um suspiro de alívio quando mais um dia de aula acabou e eu pude me levantar daquela cadeira desconfortável. Eu me levantei, apoiando-me na mesa, e acariciei as minhas costas, que sempre ficavam doloridas após eu passar muito tempo ali.
Caminhei com Bree até o pátio e me despedi. Eu queria ir direto para casa, mas cansada de ficar presa no apartamento, eu tinha decidido tomar um pouco de ar e ler algo ao ar livre. Não faria mal, certo?
Ignorei as pessoas que sempre olhavam para a minha barriga de forma estranha e me sentei em uma das mesas livres. Puxei um livro da faculdade e abri na página que havia parado. Não muito depois, senti um chute em minha barriga, o que me fez sorrir. Esquecendo-me completamente do livro, coloquei-o na mesa e levei as duas mãos à minha barriga, acariciando o local que a minha filha havia acabado de chutar.
– Você não está gostando muito desse espaço apertado, não é? — eu indaguei, minha voz não passando de um sussurro, um sorriso ainda maior tomando conta do meu rosto. — Um mês e alguns dias, pequenina. E eu mal posso esperar para conhecer você…
Eu conversei com ela durante mais alguns minutos, enquanto ela continuou a chutar. Eu gostava de fazer isso durante algumas vezes no dia. E eu achava que ela gostava de ouvir a minha voz também.
– É uma coisa realmente linda, não é?
Eu dei um pulo no banco e levantei meus olhos, encontrando um rosto não tão desconhecido na minha frente. Franzi a testa, tentando me lembrar de onde eu o conhecia, mas não consegui.
– Desculpe, eu não quis assustá-la — ele sorriu de forma gentil. — Posso me sentar?
Perplexa demais para dizer alguma coisa, eu só fiquei ali, sentada, fitando-o com atenção. Ele não esperou por uma resposta minha e se sentou à minha frente.
Por que ele parecia tão familiar?
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