Unwritten

21 Capítulo Quinze


Notas iniciais
Oi, meninas! Demorei, mas enfim o capítulo chegou (: Sinto muito pela demora, explico na N/A, ok? Espero que gostem do capítulo!

Parecia meio estranho que tudo isso estava acontecendo agora. Meus pais se aproximando, Kaure vindo morar perto da gente, nós dois realmente juntos de novo, os pais de Bella descobrindo sobre Seth… parecia que tudo estava entrando nos trilhos novamente, mas com novas adições.

E eu só torci para que eu estivesse certo… e que tudo realmente ficasse bem.

–x-

Bella POV.

Os próximos dias foram… lentos, por assim dizer.

Todos os dias, Leah entrava em contato comigo e nós sempre falávamos sobre a conversa que sabíamos que Charlie teria em breve com Sue — algo que ficamos sabendo através de Seth, outra pessoa com quem eu sempre conversava. Eu podia ver quão ansioso o meu irmão estava para conhecer o meu pai, embora ele não comentasse isso; estava bastante claro em seu olhar e no modo que ele agia quando comentara que Charlie viria para cá no próximo fim de semana e se encontraria com Sue.

Eu estava tão ansiosa quanto Seth para que essa conversa acontecesse — ou mais, até. Ela era, afinal, a minha última esperança de que meus pais fossem me procurar e ver que eu era capaz de ter uma filha e manter a minha educação ao mesmo tempo, por mais difícil que fosse e eu precisasse de ajuda para tal coisa.

Era verdade que eles tinham me magoado muito e que eu provavelmente nunca esqueceria o que eles fizeram comigo quando descobriram que eu estava grávida, especialmente a minha mãe.

Mas como eu sentia falta dos meus pais…

Era fácil dizer para as outras pessoas que eu simplesmente tinha desistido e que meus pais me procurariam se tivessem vontade e quando tivessem vontade, mas era mais difícil me enganar. A esperança ainda estava em mim.

E desde que Leah e Sam haviam conversado com meus pais, ela estava mais forte do que nunca.

Eu suspirei pesadamente e fechei o livro à minha frente, sabendo que não adiantava tentar me obrigar a estudar quando minha cabeça estava assim, tão ocupada. Apoiei a cabeça nas mãos e respirei fundo, antes de me afastar e olhar o relógio: ainda não eram nem cinco da tarde.

Eu havia saído um pouco mais cedo da faculdade naquele dia, já que havia tido apenas um trabalho para apresentar para a professora. E como as minhas provas só começavam dali um mês, mais ou menos, eu havia decidido vir para casa ao invés de ir para a biblioteca.

Coloquei-me de pé e decidi começar a preparar uma papinha para Lily, sabendo que ela acordaria em breve, com fome. Dito e feito, eu estava terminando de amassar a banana, quando escutei um resmungo baixo e um pequeno choro vindo da babá eletrônica.

Colocando o que eu havia preparado na cadeirinha, andei até o quarto e abri a porta, encontrando a minha filha sentada no berço, segurando as grades com força, quase como se ela estivesse tentando se colocar de pé — o que poderia ser minha imaginação, já que ela ainda não tinha completado sete meses. Quero dizer, ainda era cedo para isso, certo?

Mas eu era mãe e, para mim, minha filha era um gênio.

– Oi, minha princesa — eu a peguei no colo, depositando um beijo demorando em seu pescoço, antes de soprar, sabendo que eu arrancaria uma risada dela se eu fizesse isso. — Como foi a sua soneca?

Lily resmungou e riu, puxando minha blusa; ela estava com fome.

Depois de alimentá-la, eu me sentei um pouco com ela no canto da sala, onde Edward havia feito uma espécie de cercadinho aberto, cheio de brinquedos apropriados para a idade dela. Ela pegou um leãozinho de borracha e o levou à boca, mastigando-o e me olhando, seus olhos castanhos brilhando. Eu sorri para ela e passei a mão em seus cabelos. Ela andava mais irritada nesses dias, mordendo tudo o que podia e chorando mais do que o normal.

Em breve, ela teria um dentinho, eu sabia disso.

Fiquei ali com ela durante um tempo, observando-a conversando, conversando com ela e vendo-a trocar de brinquedos, sempre levando-os à boca. Como ela estava nessa fase agora, Edward e eu tínhamos arrumado brinquedos mais macios e um anel de dentição também, mas Lily ainda não ligava muito para ele.

Cerca de vinte minutos depois, levantei-me e peguei Lily, levando-a para tomar banho. Ela reclamou um pouco quando eu tirei seu brinquedo, mas eu queria dar banho nela antes que começasse a escurecer e, consequentemente, esfriar mais. Deixei-a no berço enquanto eu corria para preparar o banho, o tempo todo escutando-a chorar; ela odiava que a deixássemos sozinha no berço.

– Pronto, pronto. — Puxei-a para o meu colo e beijei o topo da sua cabeça, tentando acalmá-la. — A mamãe só estava preparando o seu banho, meu amor.

Ela voltou a sorrir quando comecei a tirar a sua roupa e a sua fralda, quase como se ela já soubesse que era hora do banho, algo que ela simplesmente amava. Levei-a até o banheiro e a coloquei na água, rindo quando suas perninhas gordinhas começaram a chutar a água para todo o lado.

Ela sempre fazia isso.

Ouvi um barulho vindo da sala, da porta da frente, e meu sorriso aumentou, sabendo que Edward havia chegado em casa. Lily pareceu ouvir também, já que parou de se mexer um pouco — e eu aproveitei para lavar seus cabelos -, seus olhos fixos na porta do banheiro. Eu sabia que Edward havia entrado no banheiro quando vi o sorriso da minha filha e ela começar a balbuciar, animada.

Ela amava quando o pai chegava em casa.

– Hora do banho, princesa? — Edward me abraçou por trás, depositando um beijo na minha nuca, e se afastou, abaixando-se um pouco para beijar a filha. — Hmmmm… que bebê cheiroso!

Lily riu.

– E então… como foi a entrevista? — eu indaguei, alguns minutos depois, terminando de limpar Lily. Edward apareceu com uma toalha, abrindo-a na frente do corpo para que eu colocasse Lily ali.

Eu a tirei da banheira e a entreguei ao pai, que imediatamente começou a enxugá-la. Aproveitei que ele estava ali para ficar com Lily e já comecei a arrumar a pequena bagunça que a minha monstrinha havia feito.

– Foi ótima. — Ele sorriu, secando o rosto da nossa filha. — Acho que vou conseguir, o cara realmente gostou de mim e dos meus desenhos… E quando eu disse que curso que eu fazia, então, ele pareceu ficar mais animado.

Edward e eu vínhamos conversando nos últimos dias sobre dinheiro. Nós dois havíamos recebido dinheiro dos nossos avós, mas não era um dinheiro que seria eterno. E sem nossos pais nos ajudando, resolvemos que seria melhor se começássemos a procurar um emprego de meio período, já que também não queríamos ficar gastando o dinheiro que tínhamos guardado.

– Que bom! — eu sorri para ele, indo até ele e depositando um beijo demorado em sua bochecha. — Por que você não vai vestindo essa monstrinha enquanto eu termino de limpar aqui?

Ele sorriu para mim e assentiu, saindo do banheiro e indo até o quarto de Lily. Rapidamente, esvaziei a banheira e dei uma limpada no chão, antes de guardar tudo de Lily. Depois, sabendo que Edward ficaria com ela depois que terminasse de vestir a filha — ele amava, tanto quanto ela, os momentos pai-e-filha -, decidi começar a preparar algo para comer. A comida favorita de Edward, como um modo de comemorar.

Tentei manter aquela noite feliz, sem mencionar nada sobre Charlie, Renee, Sue, Seth… Foi difícil, mas foi bom ter essa noite com Edward e Lily.

– Ah, Kaure me ligou hoje. — Edward abriu um sorriso imenso; ele não via a hora de ela vir morar perto da gente. — Ela disse que deve chegar nesse fim de semana e que virá direto para cá para ficar um pouco com a Lily.

Eu ri.

– Mas ela não vai começar a trabalhar com a gente só daqui uns dez dias? — perguntei. — Ela podia aproveitar esses dias de folga para descansar, conhecer a cidade, ajeitar a sua casa?

Edward revirou os olhos, limpando a boca de Lily. Ele tinha insistido em dar o jantar a ela.

– E você acha que eu não tentei dizer isso a ela? — perguntou. — Ela disse que meus pais já deixaram o apartamento todo pronto e que as compras e as coisas dela, ela ajeita bem rápido. E ela também disse que vai começar a trabalhar na segunda que vem, que não precisa de dias de folga. Que tem que começar a ficar com a Lily logo para ela não estranhá-la.

Eu ri. Eu sabia que era desculpa de Kaure para ficar com Lily logo.

Depois de conversarmos mais um pouco sobre Kaure, Edward me passou Lily e disse que arrumaria a cozinha. Eu fui para a sala com Lily, então, sabendo que ainda era um pouco cedo e que ela demoraria um pouco a dormir. Tornei a brincar um pouco com ela, mas, dessa vez, minha mente estava em outro lugar.

Faltavam três dias para o final de semana.

Logo, Charlie estaria aqui em Seattle…

Será que ele viria me procurar?

E… e se ele não viesse? O que isso significaria?

Edward POV.

Eu sabia que Bella estava ansiosa e nervosa para o sábado, algo que foi se tornando mais óbvio à medida que o dia se aproximava. Nós não conversávamos muito sobre isso, porque ela sempre procurava mudar o assunto, mas eu a conhecia. Sabia que era nisso que ela pensava — em Charlie, Sue, Seth e se o pai a procuraria ou não depois da conversa que tivesse com a ex-namorada — toda vez que ela ficava calada ou pensativa demais.

Por isso, querendo distrai-la um pouco, levei ela e Lily para um passeio no parque na sexta à tarde, já que nós dois tínhamos esse horário livre. Lily ainda era novinha para querer ir brincar com as outras crianças que haviam ali e nem eu e nem Bella tivemos coragem de colocá-la com as outras crianças num cercadinho de areia que havia ali junto com os outros bebês. Mas mesmo assim, tendo ficado no nosso colo durante as duas horas que ficamos ali, Lily pareceu se divertir.

– Que tal pararmos em algum lugar para comermos algo? — eu indaguei. — Assim, nenhum de nós precisa mexer com cozinha hoje à noite…

Bella sorriu, ajeitando o chapeuzinho na cabeça de Lily — que ela já havia tirado mais de dez vezes -, encolhendo os ombros.

– Você sabe que eu adoraria — ela disse -, mas eu acredito que Lily não vai gostar muito disso… ela logo vai estar com fome e não acho que vai ficar contente em esperar que terminemos de comer algo até chegarmos em casa e eu preparar algo para ela…

Eu ri.

– Tinha me esquecido desse detalhe. — Peguei Lily de Bella e mordi a sua bochecha de leve, fazendo-a rir. — Podemos comprar, então, e levar para casa. Dessa forma, essa monstrinha aqui não vai reclamar tanto…

Por mais que eu tivesse tentado distrair Bella de todas as formas possíveis, à medida que a noite foi chegando e, consequentemente, o sábado se aproximava. Sabendo que a cabeça dela estava cheia, eu mandei uma mensagem para Leah, sabendo que ela teria uma ideia perfeita para que Bella se distraísse um pouco no sábado.

E não demorou muito para que ela respondesse.

Pode deixar que já tenho uma ideia, cunhado. Vou distrai-la amanhã! Bjs, Lee.

Eu sorri, e mandei uma mensagem agradecendo, antes de bloquear o celular e colocá-lo na mesa.

Cerca de dez minutos depois, Leah ligou para Bella e elas ficaram conversando um pouco. Fingindo que eu não sabia de nada, fiquei brincando com Lily, que só queria saber, ultimamente, de ficar mordendo as coisas.

– Leah me chamou para sair amanhã. — Bella disse, sentando-se no sofá. — Ela disse que vai vir para cá amanhã cedo e que teremos um dia de garotas… Eu tentei dizer que não havia necessidade, mas você conhece a minha irmã…

Eu ri.

– Ela disse que passará a manhã e um pedaço da tarde comigo — continuou — e que depois vai vir pegar a Lily para passar um tempo com a afilhada… Eu falei que eles podem dormir aqui amanhã… É só uma noite, afinal, temos certeza de que conseguimos nos apertar um pouco.

Eu assenti.

– Claro que podemos — sorri. — E vai ser bom, assim, quem sabe, eles não param de reclamar um pouco que não veem a Lily o suficiente. Talvez eles devessem arrumar um filho logo, ao invés de ficarem querendo roubar a nossa.

Bella revirou os olhos.

– Enfim… tem problema você ficar com a Lily amanhã? — ela perguntou. — Eu não queria ir, mas…

Foi a minha vez de revirar os olhos.

– Claro que não tem problema — eu disse. — E eu duvido que vou ficar muito com ela… esqueceu que a Kaure vai chegar amanhã? Não duvido nada que ela vai aparecer aqui cedo e vai dizer que precisa treinar e etc, para poder ficar com a Lily.

Nós dois rimos.

Bella amamentou Lily antes de colocá-la para dormir, e depois nós dois vimos um filme e namoramos um pouco, antes de irmos deitar. Nosso relacionamento físico estava avançando um pouco, e, sinceramente, eu não via a hora de poder tê-la outra vez. Mas eu sabia que ainda era difícil, ainda mais com um bebê no quarto ao lado, que ainda acordava à noite, às vezes. Eu sabia que precisávamos era de uma noite só nossa, algo que eu teria que combinar, e logo, com Kaure.

Como havia dito, Leah chegou no dia seguinte bem cedo. Ela tomou café conosco, assim como Sam, mas logo eles saíram, levando Bella junto. Eu chamei Sam para passar o dia comigo, Lily e Kaure, mas ele disse que havia marcado uma partida de futebol com alguns amigos e que ele estaria de volta depois do almoço.

Então, ficamos somente eu e Lily, até Kaure chegar, por volta das dez da manhã, pelo menos. Como eu previra, ela chegara de Forks e viera praticamente direto para o nosso apartamento, dizendo que queria ficar com Lily um pouco e fazer com que ela se acostumasse com ela, já que Bella e eu ficávamos fora durante a semana.

Eu insisti em preparar o nosso almoço, já que ela não estava ali a trabalho e, sim, como visita. Ela não reclamou muito, já que isso significava que ela ficaria com Lily.

– E então… como você está, menino Edward? — ela perguntou, colocando mais uma colher de mamão amassado na boca de Lily, que comeu, feliz. — Tem uns dias que não conversamos…

Eu sorri.

– Está tudo bem — encolhi os ombros. — Na medida do possível… E os meus pais, deram notícia?

Ela assentiu.

– Eles me pediram para dizer que estão terminando de deixar uns negócios adiantados e depois vão tirar umas férias — ela franziu o cenho. — Confesso que fiquei um pouco surpresa quando escutei a sua mãe falar “férias”.

Eu ri.

– Imagina eu, então — comecei. Sabendo que demoraria um pouco para o peixe assar, sentei-me à mesa, um suspiro escapando de meus lábios. — Sabe, Kaure, às vezes eu acho que isso está sendo bom demais para ser verdade…

Ela me fitou, parecendo confusa.

– O quê, exatamente? — perguntou.

Respirei fundo, sem saber como começar.

– Isso com os meus pais — dei de ombros. — Eles parecem ter acordado para a vida e percebido que nem tudo é sobre trabalho, mas não sei… fico esperando que eles mudem de ideia ou algo assim… Acho que ultimamente tenho os visto tanto e recebido tantas notícias, mais do que em todas as vezes que eles viajavam ou quando eu morava em Forks. Entende?

Ela me deu um sorriso triste e assentiu.

– Mas é claro que eu entendo, menino — respondeu, limpando a boca de Lily. Ela começou a resmungar por estar há muito tempo na cadeirinha, então Kaure a pegou no colo e deixou que a minha filha brincasse com o colar dela. — Mas eu não acho que você deve viver assim, se perguntando se um dia eles vão mudar de ideia. Eu não acredito que eles vão, até porque eles estão fazendo coisas que nunca fizeram antes… Não consigo, sinceramente, me lembrar a última vez que eles tiraram férias.

Eu assenti, mas não disse nada.

– E, sinceramente… — Ela hesitou um pouco, me fitando durante um tempo, antes de suspirar e continuar a falar. — Por que você não conversa com os seus pais sobre isso, Edward? Eu sei que dói falar sobre essa época da sua vida, mas acredito que vai fazer bem, tanto para você quanto para eles, falar disso.

Eu fiquei encararando-a durante um tempo, sem saber exatamente o que dizer. Eu nunca tinha parado para pensar nisso, mas talvez fosse, de fato, uma boa ideia.

– O único problema é que não estou acostumado a ter conversas sérias com os meus pais — encolhi os ombros. — Não como os filhos geralmente fazem com os pais, sabe? Não sei bem como chegar para eles e dizer que preciso conversar e começar a falar tudo isso…

Kaure suspirou.

– Eu entendo, querido — ela sorriu para mim novamente. — Mas acho que você vai ter que tentar, não é? Acredito que vai melhorar muito o relacionamento de vocês.

Eu apenas assenti, incerto do que dizer. Kaure também não mencionou mais os meus pais, preferindo voltar toda a sua atenção para Lily, que tinha, naquele momento, acabado de colocar o cordão de Kaure na boca, fazendo-a rir.

_

Depois do almoço, coloquei Lily para tirar seu cochilo, logo após trocar a sua fralda. Sam apareceu, então, e acabou comendo um pouco do que havia sobrado, antes de ir tomar um banho e tornar a se juntar a nós.

Nós assistimos a um filme qualquer que estava passando na televisão naquele momento, mas não prestei muita atenção. Eu havia acordado mais cedo do que estava acostumado nos sábados e acabei cochilando um pouco.

Bella e Leah voltaram por volta das três horas, quando Lily estava acordando, um pouco chorosa por causa do dente que estava despontando. Eu estava no quarto dela, tentando acalmá-la, quando Bella entrou.

– Você está linda — eu sorri, acariciando as costas da minha filha suavemente.

Bella corou um pouco, o que me fez rir.

Seus cabelos estavam um pouco mais curtos, nada muito alarmante, e pareciam um pouco mais brilhantes. As unhas dela estavam pintadas em um tom rosa bebê e ela usava um vestido florido bem bonito.

– Coisas da Leah, você sabe… — ela andou até a mim e me deu um selinho, antes de pegar Lily no colo. — E você, meu amor? O dente está te machucando?

Lily colocou o punho fechado na boca, mastigando-o, o que me fez rir.

– Acho que sim… — Bella murmurou, sorrindo. — Vem… vou te alimentar antes de a sua madrinha te sequestrar.

Todos nós acabamos saindo naquela tarde, exceto Kaure, que disse que ia voltar para o apartamento e ajeitar as suas coisas. Insisti em levá-la até em casa, apesar de seus protestos de que seu prédio ficava a dois quarteirões, antes de seguirmos para a casa de um dos amigos de Sam — ele iria dar um churrasco e tinha nos convidado.

Eu sabia que o encontro de Charlie com Sue tinha acontecido naquele dia ou estava acontecendo naquele momento, mas nenhum de nós citou isso, principalmente porque não queríamos que Bella ficasse nervosa. Ela parecia estar se divertindo, conversando com todos na festa, andando com Lily no colo — quando ela não era sequestrada por Sam, Leah ou alguma outra pessoa da festa que dizia que a minha filha era linda demais.

Já se passava das oito da noite quando fomos para casa. Era cedo ainda, como todos do churrasco insistiam em dizer, mas Lily já estava começando a ficar irritada e tanto eu quanto Bella sabíamos que a minha filha só se acalmaria depois de um banho, de mamar e de dormir.

Leah insistiu em dar banho em Lily e Sam disse que ajudaria. Como nem Bella nem eu estávamos com vontade de mexer com comida — mesmo tendo comigo um pouco no churrasco — nós pedimos uma pizza e Bella ficou de achar um filme para vermos, enquanto eu ia até o supermercado comprar algumas cervejas.

– Eu vou com você. — Sam disse, quando entrei no banheiro para perguntar se eles queriam algo específico. — Volto já, coisa linda. A tia Leah vai terminar o seu banho, ok?

– Não é tia – Leah ralhou. — É dindinha.

E eu somente ri.

O supermercado não era muito longe dali, mas fomos de carro mesmo assim. Nós estávamos andando pelos corredores do supermercado — Bella havia aproveitado que eu viria ao supermercado e pediu para que eu comprasse algumas coisas -, quando Sam começou a falar sobre Charlie e Sue.

– Você acha que Charlie realmente veio? — indagou. — Nós não tivemos notícias até agora…

Eu suspirei, escolhendo algumas frutas para levar.

– Não faço ideia… — encolhi os ombros. — Eu acredito que ela tenha vindo, sim… Talvez chegou mais tarde, talvez eles ainda estejam conversando…

Ele assentiu. Nós conversamos mais um pouco sobre isso, mas como não havia muito o quê falar, logo mudamos de assunto. Terminei de pegar as coisas da lista que Bella havia pedido, pegamos algumas cervejas e alguns petiscos, e voltamos para casa, depois de pagar.

Eu soube que elas tinham tido notícia assim que entramos no apartamento. Bella estava segurando Lily no colo e Leah estava conversando com alguém ao telefone.

– O que foi? — eu indaguei para Bella, abaixando as sacolas e trancando a porta. — Está tudo bem?

Bella mordeu o lábio inferior e encolheu os ombros.

– Seth está conversando com Leah — ela murmurou. — Acho que Charlie realmente veio…

Eu a abracei de lado, sabendo que ela devia estar mais ansiosa e nervosa do que nunca, louca para descobrir o que Leah diria quando finalizasse a ligação.

Sam parou ao nosso lado, também esperando. E quando Leah finalmente saiu da cozinha, o celular agora na mão e não contra a orelha, todos nós a fitamos, ansiosos.

– Seth disse que Sue não deu detalhes da conversa — ela começou -, mas que ela parecia meio abalada quando chegou em casa… Parece que eles se encontraram em um restaurante e que a conversa durou mais do que Seth esperava…

Ela parou por um momento, sorrindo um pouco.

– Mas… parece que Charlie tomou uma decisão quanto a Seth — ela continuou, quando nenhum de nós falou nada.

Bella se remexeu ao meu lado.

– E?... — ela insistiu, quando a irmã tornou a se calar.

– E que Charlie quer conhecer Seth — ela disse, finalmente.

Charlie POV.

Foi uma semana extremamente difícil e tensa.

Eu tentei me concentrar o máximo que podia no trabalho, mas nada parecia apagar as palavras ditas por Leah, no final de semana que havia se passado.

Ele se apresentou como Seth, o nosso irmão. Você tem um filho, pai.

Um filho…

Eu amei descobrir, tanto na gravidez de Leah quanto na de Bella, que teria meninas, mas não podia negar que sempre queria ter um filho, algo que quase todo pai quer. Um filho para jogar futebol e essas coisas, mas devido a complicações na gravidez de Isabella, Renee não conseguiu engravidar mais e eu simplesmente enterrei o desejo de ter um filho.

E agora eu havia descoberto que eu tinha um filho.

Seth.

Eu suspirei pesadamente e soltei a minha cadeira na mesa, apoiando a minha cabeça nas mãos. Eu sinceramente não sabia o que pensar. Eu me lembrava como tinha sido quando meu pai descobrira que Sue estava grávida, quando ele tinha tantos planos para mim. Eu relutei no começo, briguei e esperneei, mas ele conseguiu me convencer de que eu poderia formar uma família mais tarde, quando eu tivesse idade e que seria o melhor para mim.

E então, Sue tinha ido embora e ela tinha abortado e eu simplesmente segui em frente com a minha vida, conquistando tudo aquilo que o meu pai queria para mim, exatamente como ele havia dito que aconteceria caso eu não largasse tudo naquele momento para ser um pai.

Eu, alguns anos mais tarde, quando conheci Renee e nos casamos, achava que o meu pai estava certo e que tomar aquela decisão, no passado, tinha sido o melhor para mim, para nós, mas agora…

Agora eu não sabia o que pensar.

Suspirando pesadamente, me afastei da mesa um pouco, apenas para puxar o papel que Leah havia me dado, com o número de telefone de Sue. Eu sabia que tinha que ligar para ela e marcar para conversarmos, mas não sabia o que dizer.

Eu ter um filho mudava tudo.

Não só como eu tinha me comportado no passado ou como eu seguira com a minha vida, mas como eu tinha me comportado recentemente, com Bella.

Ela engravidara cedo e, mesmo depois de todas as ameaças, tinha seguido em frente com a gravidez e não tinha desistido do bebê, como eu havia feito quando tinha mais ou menos a mesma idade que ela. Assim como Sue, minha filha havia lutado para manter o bebê e estava se virando sozinha.

Olhando rapidamente para a porta do meu escritório, vendo que a minha secretária se encontrava sentada à mesa dela, sem sinais de que me interromperia em breve, eu abri a minha gaveta, a primeira — que sempre era fechada com chave -, e tirei dois envelopes de lá. Dois envelopes que tinham sido entregues para mim na noite anterior.

Eu abri o primeiro e tirei duas fotos, meu coração apertando em meu peito quando vi a primeira, mostrando Bella na faculdade. Ela estava saindo da mesma, ao lado da amiga, e tinha um sorriso enorme no rosto. Ela parecia bem, feliz, saudável… De acordo com o relatório que eu tinha recebido, ela estava indo bem na faculdade, havia conseguido uma bolsa por causa das suas notas boas, e tinha entrado com alguns pedidos de estágio. E pelo seu currículo, eu sabia que ela não teria dificuldades de encontrar um.

Passei pela segunda foto, sentindo o aperto em meu coração aumentar. Era uma foto da Bella, Edward e da filha deles. Eles estavam saindo do supermercado e todos pareciam tão… felizes. Edward carregava algumas sacolas, seu rosto virando para Bella e a menina. O bebê estava no colo da minha filha, e parecia ter soltado uma risada. Ela parecia com o pai, eu pude observar, embora eu tivesse quase certeza de que seus olhos eram iguais aos da mãe — algo que não pude confirmar, já que a foto fora tirada de mais de longe, já que o detetive particular que eu contratara não arriscara chegar mais perto.

Mas todos pareciam bem, felizes… Uma família. Apesar de todas as dificuldades que eu tinha imposto, eles tinham se mantido como uma família…

Sentindo as lágrimas encherem os meus olhos, eu passei para o segundo envelope, onde fotos do meu filho e neto me aguardavam. Dessa vez, havia apenas uma foto (eu pedira certa urgência ao detetive e ele me entregara seu relatório em apenas um dia, sabendo que não havia necessidade de muitas fotos). Nela havia um homem alto, sorrindo para um menino agarrado à sua mão.

Meu filho e meu neto.

Meu filho, um advogado… assim como eu.

Deus, o que eu havia feito?

O telefone tocando tirou-me de meus devaneios e eu rapidamente guardei as fotos, trancando-as novamente. Tentei voltar para o trabalho, mas foi em vão, por isso, saí algum tempo mais tarde, decidido a dar umas voltas por Forks, sabendo que a ligação para Sue deveria ser feita naquele dia.

As coisas em casa estavam um pouco tensas, nem eu e nem Renee sabendo o que fazer com a notícia que tínhamos recebido. Mas ela me apoiara quando eu dissera que iria até Seattle no fim de semana para conversar com Sue; ela sabia que era a coisa certa a fazer.

E eu sabia que essa notícia tinha a feito pensar no que nós dois tínhamos feito com Bella também.

Suspirando pesadamente, e sabendo que eu não podia ficar adiando mais, puxei o celular e o número de Sue e disquei, meu coração batendo incrivelmente rápido.

– Alô? — Ela atendeu no terceiro toque. — Quem fala?

Eu limpei a garganta.

– Oi… Sue — murmurei. Ela ficou calada. — É Charlie Swan…

Ela continuou calada durante um tempo, o que me deixou ainda mais nervoso — se é que isso era realmente possível.

– Eu só liguei porque queria marcar um dia para conversarmos pessoalmente — eu continuei, sabendo que acabaria desligando na cara dela e me acovardaria se não falasse algo logo. — Se… se não for te pedir demais.

Escutei-a suspirar.

– Tudo bem, Charlie– ela finalmente disse. — Sábado, por volta das duas? Tem um restaurante na região sul de Seattle, que chama Boulevard… Pode ser?

Depois de combinarmos tudo, eu finalizei a ligação e respirei fundo, torcendo para a semana demorar a passar ao mesmo tempo que desejava que ela voasse.

_

No sábado, acabei chegando ao restaurante faltando quase uma hora até as duas da tarde, de tão ansioso que eu estava. Renee e eu havíamos conversado e ela achara melhor eu vir sozinho nesse primeiro contato, tendo escolhido permanecer em Forks.

Pedi uma água para a garçonete, nervoso demais para comer algo, e fiquei ali, esperando, olhando o relógio a cada minuto. Quando o relógio marcou duas e dez, eu já estava à beira de um colapso nervoso, achando que Sue não viria mais.

E então ela chegou.

– Charlie — cumprimentou-me, um sorriso educado no rosto. Eu fiz menção de levantar, mas ela me parou com a mão, puxando a outra para se sentar. — Não tem necessidade…

Eu assenti.

– E então… — começou, algum tempo depois. — O que queria conversar?

Engoli em seco.

– Fui informado, no final de semana passado — eu murmurei, olhando para o copo entre as minhas mãos -, que você não realizou o pedido do meu pai, afinal. E que eu tenho… um filho.

Eu a fitei rapidamente, mas ela apenas assentiu, seu rosto não demonstrando nada. Esperei um tempo, para ver se ela iria falar algo, e quando percebi que não, continuei.

– Eu achei melhor conversarmos um pouco sobre tudo o que aconteceu — suspirei. — E depois…

Encolhi os ombros, sem ter certeza do que dizer, e finalmente a olhei.

– O que a fez mudar de ideia? — eu indaguei. — E por que nunca me procurou?

Sue suspirou. A garçonete se aproximou de nós, perguntando se queríamos algo, e Sue disse que aceitaria um café. Ela esperou que a garçonete se afastasse antes de continuar.

– Porque eu já o amava, mesmo estando assustada — ela disse. — Estava grávida de seis semanas, tinha acabado de descobrir, mas eu sabia que não poderia fazer aquilo. Só que eu também sabia que o seu pai era um homem poderoso, então menti. Aceitei a ajuda dele, porque eu sabia que precisaria, e parti. Eu sabia que não podia ficar ali.

Eu assenti, sem saber o que dizer.

– E quanto a nunca ter te procurado… — continuou. — Bem, como eu poderia? Você escolheu o lado do seu pai, Charlie, eu não podia simplesmente aparecer na sua porta… Um dia, porém, eu te procurei, mas você parecia ter outra vida, parecia feliz… e eu desisti.

Eu a fitei nesse momento e sabia que ela não estava me contando tudo. Abri a boca para perguntar o que aquilo significava, mas parei; eu não tinha direito de exigir respostas, afinal.

– Eu sei que é idiota perguntar, mas… — engoli em seco. — Será que eu tenho o direito de te perguntar como foi?

Eu não precisei explicar o que aquela pergunta significava.

Logo, Sue estava me contando tudo: como tinha sido a gravidez e como tinha sido a vida de Seth depois que ele nasceu. Nós ficamos ali durante muito tempo, mais de hora, falando só sobre isso.

– E agora ele quer me conhecer? — eu indaguei, quando ela terminou de falar.

Sue assentiu.

– Eu nunca escondi a verdade de Seth — ela contou. — Sempre fui sincera com ele, desde o momento que soube que ele tinha idade o suficiente para isso, é claro. Então, no ano passado ela procurou a Isabella, com o intuito de se aproximar de você…

Engoli em seco, sabendo o que Sue deveria pensar de mim: que eu era um monstro, não só por ter ficado ao lado do meu pai, não querendo abrir a mão da vida confortável que eu tinha por um filho, mas por ter agido da mesma forma com a minha filha caçula.

E assim como Sue, ela tinha lutado por aquilo que ela queria.

– Entendo — murmurei. — Bom, e-eu gostaria de conhecê-lo, também…

Sue assentiu. Ela olhou o relógio e suspirou.

– Conversamos por mais tempo do que eu esperava — comentou. — Eu tenho que ir…

Ela pegou um pedaço de papel e escreveu algo, entregando-o para mim.

– Esse é o número de Seth — ela disse. — Você pode ligar para ele e marcar algo. Eu tenho certeza de que ele vai ficar feliz.

Ela se levantou, então, depois de colocar um dinheiro sobre a mesa — que eu insisti que não havia necessidade e que ela fez questão de deixar, do mesmo jeito.

– Sue? — eu chamei, antes que ela pudesse sair do restaurante.

Ela me fitou, mas não disse nada.

– Eu sinto muito — eu disse, o mais honestamente que pude. — Por tudo.

Ela sorriu, então.

– Como eu disse para a sua filha, Isabella, um dia: te odiei por muito tempo, Charlie, não vou negar, mas já te encontrei um lugar em meu coração para perdoá-lo — citou. Eu engoli em seco. — Mas… Charlie… tudo o que eu te peço é que não machuque o meu filho, ele não merece isso…

Eu assenti, sem saber o que dizer.

– E Charlie? — Eu levantei a cabeça. Ela estava parada na porta. — Isabella é uma das mulheres mais fortes que eu já conheci. Você não tem ideia da filha maravilhosa que tem.

E saiu, deixando-me ali, sozinho.

Notas finais
N/A: Olá novamente! E então, o que acharam do capítulo? Gostaram do POV do Charlie? Acham que eu devo escrever o encontro dele com o Seth? E se sim, pelo POV do Charlie ou do Seth? Agora, quanto ao Edward e a Bella... prometo que em breve eles vão ter um tempo para eles, ok? E vão poder namorar um pouco... A fic está caminhando para a reta final, eu acredito. Não sei dizer ao certo quantos capítulos faltam, talvez uns 6, talvez mais, talvez menos... Vamos ver. Quando a demora... não sei se tem alguém aqui que acompanha essa fanfic minha e a Daylight, mas expliquei que em julho perdi uma pessoa muito próxima a mim e por muito tempo simplesmente não consegui escrever. Acontece, infelizmente, e só consegui voltar a escrever no mês passado. Este capítulo está pronto faz algum tempo, mas estava tão corrida na faculdade com provas finais e trabalhos, que me esqueci completamente que o tinha escrito e mandado para a beta haha. Enfim, espero que tenham gostado! Vou tentar muito postar em breve para vocês xx N/B: Será que só eu amei esse POV do Charllie? O danadinho mandou um detetive atrás de Bella e Seth. Será que esse coração irá se arrepender e sofrer de remorso? Realmente espero que sim. Conta mais, Deh!!!! Bjs, Lu.