Unwritten

10 Capítulo Extra 02


Notas iniciais
Mais um pouco do Edward, meninas! Espero que gostem! Leiam a N/A, ok?

Edward POV.

Eu não saberia dizer exatamente que horas eram, mas sabia que era noite, graças à cortina aberta, mostrando o céu escuro. Eu suspirei pesadamente e fechei os olhos, desejando conseguir dormir e esquecer, nem que fosse por um momento, tudo o que tinha acontecido desde o feriado de Ação de Graças.

Mas era impossível, eu sabia disso.

Esfreguei o rosto com força e, após um momento de hesitação, coloquei-me de pé e caminhei até a porta do quarto que eu dividia com Bella. Ergui a mão, pronto para bater, mas congelei com o punho prestes a encostar na madeira.

Ela me odiava. Eu tinha certeza que ela me odiava.

Senti as lágrimas encherem os meus olhos, mas me recusei o direito de chorar. Era a minha culpa, só minha e de mais ninguém.

Entretanto, eu sabia que era o melhor. Sabia que a minha filha merecia alguém melhor do que eu. Sabia que eu só falharia com ela, exatamente como vinha fazendo agora.

Minha filha. Uma menina...

Eu nunca tinha parado para pensar na possibilidade de ser uma menina — por mais idiota que isso pudesse soar. Os Cullen vinham de gerações e gerações de filhos únicos, todos homens. Carlisle costumava se sentar comigo quando eu era mais novo e contar, sua voz cheia de orgulho, sobre meus antepassados. Eu me lembrava de ele comentar de uma menina aqui e ali, mas não conseguia me lembrar exatamente quantas décadas haviam se passado desde que uma Cullen nascera.

Até agora.

Uma menina.

Eu fechei os olhos com força e apoiei a cabeça na porta, quase como se eu estivesse criando coragem para entrar ali e implorar pelo perdão de Bella. Mas eu não podia.

Afastei-me dali, sabendo que, eventualmente, eu acabaria fazendo tal coisa. Tornei a me sentar no sofá e, exausto, apoiei a cabeça nas mãos. Eu tinha tentado tanto tirar as palavras dos meus pais da minha cabeça quando voltamos de Forks no feriado. Eu estava disposto a provar para eles que eu não fracassaria, que eu iria ser um bom pai.

Só que eu fracassei quando, na primeira noite que saí com meus amigos desde que eu descobrira que seria pai, recebi uma ligação de Esme enquanto estava no bar.

Eu estava com os meus amigos, rindo e bebendo um pouco, jogando cartas, como gostávamos de fazer. Meu celular tocou quando estávamos iniciando a quarta rodada, e eu me afastei, pedindo que jogassem aquela sem mim.

– Alô? Bella? — Atendi sem olhar o identificar de chamadas, afastando-me o máximo do barulho.

Escutei uma pequena risada do outro lado da linha. Uma que não parecia nada com a de Bella. Uma que eu conhecia muito.

– Eu sabia que você logo mudaria de ideia! — Esme disse, rindo novamente. — Você já cuidou de tudo?

Eu franzi a testa, sem conseguir entender o que ela queria dizer com aquilo.

– Mãe? — chamei. — Eu… eu não estou entendendo…

Ela ficou calada por um momento.

– Você está em uma festa, não? — ela indagou. E continuou antes que eu pudesse dizer algo: — Eu pensei… pensei que você e Bella tinham optado por um aborto.

Eu fechei a minha mão livre, apertando as unhas contra a palma dela.

– E você pensou que isso seria para comemorar, não? — ri, amargo. — Não, querida mãe, Bella ainda está grávida. E nenhum de nós pretende fazer nada para impedir que essa gravidez prossiga.

– Mas… Edward! — Ela parecia desesperada agora. — O seu futuro! Como você vai conseguir estudar e cuidar de uma criança ao mesmo tempo, querido? Não se lembra do que eu e seu pai te dissemos? É melhor para a criança se vocês desistirem agora e…

– Não faremos isso, ok? — interrompi-a, não querendo ouvir aquelas palavras mais uma vez.

E então, desliguei, porque eu definitivamente não queria brigar com os meus pais. Eles não desistiram, porém. Ligavam sempre que podiam, sempre tentando me convencer. Eventualmente, eu parei de atender a ligação deles.

Mas eu continuei a sair, com vergonha de admitir que eles poderiam estar certos. Eu quase nunca parava em casa e mal prestava atenção no que os professores diziam. Eu, que sempre tinha tirado notas boas, durante toda a minha vida.

E eu continuei a fazer tudo isso até o Natal. Até que eu vi Bella chorar na cozinha.

E eu vi que ela merecia que eu tentasse. Ela merecia que eu provasse aos meus pais que eles estavam errados. E eu tentei. Eu fiquei ao lado dela, eu parei de sair.

Até uma quarta-feira, quando eu não só recebi a notícia de que tinha fracassado em quase todas as provas que havia feito no mês passado, mas que meu pai estava esperando por mim na porta do campus.

Eu ainda conseguia ouvir as palavras nada agradáveis, como se ele estivesse ali ao meu lado, dizendo-as naquele momento.

– Edward… — Ele me cumprimentou com um aceno seco. — Podemos conversar?

Eu o segui, mesmo não querendo. Mesmo sabendo que me arrependeria.

– Cinco notas ruins. — Ele foi direto ao ponto, assim que notou que estávamos afastados de todos. — Cinco, Edward! Tem ideia do que é isso?

Eu abri a boca e fechei, sem saber o que dizer. Como ele tinha ficado sabendo daquilo? Eu tinha acabado de receber as minhas notas.

– Não venha com essa cara — ele revirou os olhos. — Eu recebo notícias, sim, das suas notas. Você, um dia, vai tomar conta da empresa da família, que está no mercado há anos! Como espera fazer isso se não consegue tirar notas boas?

Eu tentei explicar, tentei dizer que eu iria recuperar, que eu iria correr atrás, que eu só estava tendo alguns problemas em lidar com as últimas notícias, que só estava um pouco preocupado com tudo o que tinha acontecido.

Mas ao invés de me apoiar ou algo assim, ele riu. E eu soube que nunca deveria ter dito aquilo. Era só mais incentivo para ele e Esme falarem coisas que eu não queria escutar.

– Uma notícia ruim e você fracassa em cinco provas! — sibilou. — O que imagina que vai acontecer quando o bebê nascer e você tiver que levantar de madrugada para alimentá-lo ou trocar uma fralda? Você vai estar exausto depois de um longo dia na faculdade e preocupado com as provas da próxima semana… e então o quê? Vai esquecer do seu filho? Sério, filho, você vai arruinar a vida dessa criança...

E embora eu tenha tentado ignorar as palavras dele, eu não pude. Eu sabia que ele estava certo. Sabia que acabaria estragando a vida do meu filho.

Só que eu era egoísta demais para deixar Bella ir. Eu a amava — tanto. Como eu iria viver sem ela?

E agora eu havia perdido uma consulta. A consulta que eu sabia que era importante para Bella.

Eu não estava lá quando a médica anunciara se estávamos tendo uma menina ou um menino.

Uma menina...

Talvez, Bella e a bebê ficariam melhor sem mim.

Afinal, como eu poderia ser um bom pai quando eu nem mesmo havia sido criado pelos meus? Eu sinceramente não tinha ideia do que fazer…

Suspirei pesadamente, e me joguei no sofá. Fechei os olhos, sabendo que eu deveria tentar dormir um pouco. Mas eu não consegui. A noite passou e o dia chegou e eu continuei tentando achar respostas para todas as minhas perguntas. Quando o meu celular tocou, ainda no bolso da minha calça, informando que era hora de levantar e me arrumar para ir à faculdade, eu cogitei faltar…

Até as palavras do meu pai me atingirem com força.

Você vai arruinar a vida dessa criança.

Coloquei-me de pé e fiquei parado ali durante um segundo ou dois, porque eu sabia que teria que entrar no quarto para me arrumar. E eu não queria atrapalhar Bella, eu não queria que ela tivesse que olhar para mim e se lembrasse do que havia acontecido ontem.

Mas como eu não tinha escolha, eu caminhei até lá e abri a porta, procurando não fazer barulho, já que não queria acordá-la. Para a minha surpresa, porém, Bella já estava acordada, arrumando a cama.

– Eu, hmm… — comecei, sem saber o que dizer. Ela parou de dobrar o lençol e me olhou, mas não disse nada. — Eu só vou me arrumar e…

Ela assentiu e se virou, mas não disse nada.

Não querendo atrapalhá-la, eu fui o mais rápido e silencioso possível. Olhei-a algumas vezes, querendo pensar em algo para dizer, mas eu sabia que nada faria com que ela me perdoasse. Ela nunca esqueceria que eu tinha perdido essa consulta em especial.

Eu tinha certeza disso.

– E-eu arrumo. — Eu me aproximei dela quando ela ia pegar o edredom pesado. — Pode ir tomar o seu banho.

Ela abriu a boca, quase como se fosse argumentar, mas por fim assentiu. Eu a vi se afastar, meus olhos percorrendo seu corpo. Ela usava uma calça de malha fina e larga, mas a blusa era colada ao corpo, mostrando bem a sua barriga e seus seios, que estavam maiores. Seus cabelos longos caíam até quase a cintura e tinham um brilho que outrora não existia ali, assim como a sua pele.

Ela estava tão linda…

Eu suspirei e balancei a cabeça quando ela fechou a porta do banheiro atrás de si. Arrumei rapidamente a cama e segui para a cozinha. Preparei algumas panquecas, assim como torradas e ovos mexidos, já que fazia algum tempo desde a última vez que eu preparara café da manhã para Bella e não tinha certeza do que ela andava comendo. Ela pareceu surpresa quando saiu do quarto e encontrou tudo pronto, mas, novamente, não disse nada.

E como eu não tinha direito — especialmente depois do que acontecera ontem — de questionar, eu empurrei um sorriso para fora do rosto, sentindo-me a cada minuto mais nervoso.

– Eu não sabia o que você anda comendo, então preparei um pouco de tudo… — comentei. — Espero que goste… Vou te esperar ficar pronta e aí nós podemos ir para a faculdade e…

– Não precisa — ela me cortou. — Eu liguei para Bree. Ela vai passar aqui e me pegar.

Eu engoli em seco.

– Certo, tudo bem — murmurei. — E-eu vou indo, então… Quer que eu espere ela chegar ou algo assim?

Ela deu de ombros.

– Já estou acostumada a ficar sozinha. — As palavras dela estavam cheias de veneno e me atingiram em cheio, mas eu não podia culpá-la, podia? — Você pode ir…

Eu a olhei por cerca de um ou dois minutos, antes de sair da cozinha e pegar o meu material. Fiquei ali por um momento, parado, sem saber o que fazer, e depois saí.

Eu tinha, afinal, que correr atrás de muita coisa caso quisesse recuperar as minhas notas horríveis nas provas. Carlisle me ligava diariamente para se certificar disso, afinal.

Eu não queria nem saber o que ele tinha feito para convencer a universidade de me dar uma segunda chance nelas.

Por isso, pelos próximos dias que se passaram, eu me encontrei ficando na biblioteca até tarde, estudando, tentando recuperar quase um mês perdido de matéria. Eu chegava em casa a cada dia mais tarde, sem comentar com Bella onde eu tinha ido — não que ela estivesse conversando direito comigo ainda -, com vergonha demais — tanto de mim quanto da atitude de Carlisle e Esme — para falar alguma coisa.

Em uma noite, porém, alguns dias depois, eu estava extremamente estressado. Mal dormia, mal parava em casa e ainda tinha que lidar com as cobranças constantes dos meus pais. Carlisle vinha frequentemente a Seattle agora, verificar como tudo estava indo e me obrigar a passar algumas horas na empresa, como “um teste para o futuro”.

Eu só tinha mais duas horas para passar pelo último capítulo do livro antes de a biblioteca fechar quando eu recebi uma ligação de Bella, reclamando de algumas cólicas. Eu rapidamente me lembrei do que a médica havia dito e disse a ela, sem prestar muita atenção. Eu realmente precisava tirar uma nota boa.

Senão… Carlisle me mataria.

Ela achava que eu estava em uma festa…

Eu abri a boca, pronto para dizer que eu estava estudando, mas fechei-a, envergonhado demais para deixar que ela soubesse que eu havia fracassado nas provas.

– Bella… — eu disse, quando ela insistiu que estava diferente das outras. — Eu estarei aí em breve, ok? Prometo. Agora, por que você não vai se deitar e descansa um pouco? Tenho que desligar agora… Um beijo.

Eu desliguei o celular e o guardei, antes de voltar para o meu estudo. Caminhei até o meu carro quando a velha senhora que cuidava da biblioteca veio me avisar que eles estavam fechando, como ela fazia todas as noites.

Eu procurei dirigir um pouco mais lento do que de costume, com medo de Bella querer brigar comigo. Era mais tarde do que eu pensava e eu não queria encontrá-la acordada. Não queria que ela descobrisse que eu não estava em festa nenhuma, que só estava estudando.

Porque, afinal, se eu não continuasse a estudar… Carlisle cortaria todo o meu dinheiro e eu não poderia dar nada à minha filha, eu não iria conseguir ajudá-la financeiramente. Talvez eu não soubesse como ser um pai presente e tivesse certeza de que iria fazer tudo errado… Mas eu faria questão de não deixá-la passar falta de nada.

Talvez meus pais estivessem certos, afinal.

Eu suspirei pesadamente e afastei aqueles pensamentos quando avistei o nosso prédio. Estacionei na garagem e saí do carro, antes de caminhar até o elevador. Fechei os olhos enquanto o esperava chegar ao meu andar. Tudo o que eu mais queria naquele momento era tomar um banho longo e quente e dormir até tarde no dia seguinte.

Como já era tarde, procurei não fazer barulho. Exatamente por isso, tomei banho no banheiro social. Permaneci lá durante uns quinze ou vinte minutos, antes de a água começar a esfriar. Joguei as minhas roupas no cesto de roupa suja e por fim caminhei até o quarto que eu dividia com Bella. Andei rapidamente até o closet e puxei uma cueca e uma calça qualquer para vestir. Porém, antes de vesti-la, fitei a cama, esperando encontrar Bella dormindo pacificamente ali.

Só que ela não estava.

Acendi a luz do quarto com pressa, aproximando-me da cama, como se esperasse encontrar Bella escondida de alguma forma ali, apenas querendo me pregar um susto. Entretanto, ao invés de encontrá-la, o que vi fez meu coração acelerar, meus olhos arregalarem, assim como minha boca.

Uma pequena mancha de sangue no lençol.

Corri até o banheiro, puxando minha calça jeans de qualquer jeito do cesto de roupa sujas e peguei meu celular, notando ali algumas ligações perdidas de Bella. Com o coração na mão, disquei para ele.

– Atende – implorei. – Por favor, Bella, atende.

Estava quase desistindo, disposto a tentar novamente, quando a ligação foi atendida.

Mas não por Bella.

– Oi, Edward. – A voz de Bree soou do outro lado. – Eu imaginei que você fosse ligar.

– Bree! – Movi a mão, passando-a pelos cabelos, quase em desespero. – Você está com Bella? Ela está bem?

– Estamos no hospital... – disse, fazendo com que eu ofegasse. – Ela já foi atendida e medicada, está descansando agora...

– Qual hospital? – indaguei, voltando para o quarto e já puxando uma roupa limpa para vestir.

– No Harborview — respondeu.

– Estarei aí em breve — murmurei, desligando logo em seguida.

Terminei de me vestir e saí do apartamento, quase esquecendo de trancá-lo. Desci os três lances de escada até a garagem, sentindo meu coração cada vez mais acelerado.

Eu precisava que ela ficasse bem. Precisa que ela e a minha filha ficassem bem.

– Está diferente das outras. – Lembrei-me do que ela havia dito quando me ligara mais cedo e senti vontade de me socar. – Eu não quero arriscar...

– Que elas ficam bem – pedi. – Que fiquem bem...

Não sei como consegui chegar ao hospital vivo e sem ser parado por nenhum policial, já que eu havia decidido ignorar todos os sinais e limites de velocidade. Minhas mãos tremiam quando eu saí do carro, já correndo em direção à recepção, ainda implorando para que ela ficasse bem.

Se eu as perdesse... Se eu perdesse qualquer uma delas... eu me odiaria para sempre...

– Boa noite. – A mulher da recepção cumprimentou, sorrindo gentilmente para mim. – Posso ajudá-lo?

– Minha namorada... – comecei, ofegando. Não retribuí o cumprimento dela, ansioso e nervoso demais para ser educado naquele momento. – Ela deu entrada... e ela... nosso bebê...

A mulher me olhou de forma gentil, ainda sorrindo.

– Sua namorada grávida deu entrada aqui? – indagou, parecendo estar acostumada com pessoas que não conseguiam ser muito coerentes ao lhe pedir informações. Eu assenti rapidamente para ela. – Qual o nome?

– Isabella Swan – respondi de imediato. – Ela é paciente da Dra. Lucy...

– Certo. – Ela digitou algo no computador. – É só ir ao andar de obstetrícia, querido. É o segundo.

Eu assenti, saindo dali tão rapidamente que até me esqueci de dizer obrigado.

Apressado demais, fui pelas escadas, desanimado com a fila em frente aos elevadores. Cheguei ao segundo andar um pouco ofegante, passando meus olhos de um lado para o outro, à procura de Bree, Diego ou a médica de Bella.

Eu achei a terceira.

– Dra. Lucy! – gritei, a vendo sair de uma sala.

Ela me olhou e estreitou os olhos quase que imediatamente, provavelmente me reconhecendo. Parei diante dela, apoiando as mãos nos joelhos, respirando de forma rápida.

Ela esperou pacientemente enquanto eu recuperava o fôlego. Aos poucos, fui capaz de erguer o meu corpo e respirar de forma mais tranqüila, mesmo que ainda sentisse meu coração martelando contra o meu peito.

– Bella está bem? – indaguei.

– Agora está tudo bem – respondeu, frisando o agora. – Sr. Cullen, sinceramente, eu não estou entendendo. Como você pode sair e deixar sua namorada grávida sozinha?

Eu abaixei a cabeça, sentindo-me mais envergonhado do que nunca.

– O que aconteceu? – perguntei em tom baixo.

– Ela teve um pequeno sangramento e a pressão abaixou – disse. – Fizemos uma ultrassonografia e felizmente não há sinais de placenta prévia. Vou deixá-la de observação hoje e liberá-la à noite. Ela terá que ficar de repouso por pelo menos três dias e terá que tomar cuidado pelo resto da gestação. Nada de pegar pesos, se esforçar muito. Caso haja outro sangramento, terá de vir imediatamente para o hospital.

Assenti rapidamente, prestando atenção em cada palavra que saía de sua boca.

– Ela vai poder continuar indo à faculdade? – tornei a perguntar.

– Dentro de três dias, sim – respondeu. – Nada de esforços, no entanto. Peço que fique atento a isso e, se não for pedir muito, evite essas festas. Uma gestante precisa do pai por perto. Bella precisa de você por perto.

Tornei a assentir, ainda muito envergonhado.

– Posso vê-la? – murmurei.

A Dra. Lucy me encarou por um momento, antes de assentir.

– Sem fazê-la se alterar, por favor – pediu. – Ela está com a amiga, Bree, no quarto 204.

Murmurei um agradecimento e andei na direção que ela apontara, lendo os números nas portas. Quando enfim cheguei ao 204, bati levemente, abrindo a porta logo em seguida.

– Oi... – murmurei, encontrando aqueles olhos castanhos que eu tanto amava. – Posso entrar?

Bella sorriu um pouco – um sorriso que não atingiu os olhos – antes de assentir. Cumprimentei Bree rapidamente e ela se pôs de pé, dizendo que iria pegar um café.

– Obrigada por ter ficado aqui, Bree. – disse, antes que ela pudesse sair do quarto.

– Alguém tinha, certo? – retrucou.

E mais uma vez, me senti envergonhado. Aparentemente, Bella havia contado tudo a ela.

Ela depositou um beijo no rosto de Bella antes de sair do quarto e fechar a porta atrás de si. Aproximei-me por fim, sentando-me na cadeira que Bree usava, e peguei a mão de Bella em minhas mãos. Ela pareceu se assustar um pouco com o contado, mas felizmente não me afastou.

– Como você está se sentindo? – indaguei.

– Estou bem agora – murmurou. – Não precisa se preocupar.

Assenti. Percebi que ela não olhava para mim e que a sua mão livre brincava com o lençol da cama. Apertei sua mão nas minhas, para chamar sua atenção, e meu coração pareceu se partir quando vi aqueles tristes olhos castanhos enfim me olhando.

– Sinto muito – sussurrei. – Eu... eu não sei o que te dizer, Bella... Você não tem ideia do que senti quando cheguei em casa e vi aquela mancha no lençol...

Balancei a cabeça, interrompendo o que falava. Não conseguiria terminar aquela frase.

– Tenho ideia sim – disse, retirando sua mão das minhas. – Edward, precisamos conversar…

Eu abri a boca para soltar uma promessa quase pronta, uma promessa de desespero, implorando para ela me perdoar, enquanto prometia que tudo mudaria… mas antes disso as palavras dos meus pais tomaram conta de mim… Um fracasso de pai, arruinar a vida dessa criança… As notas ruins, Carlisle me vigiando todos os dias…

Como eu poderia prometer que tudo mudaria quando eu sabia que eles estavam certos?

Não doeu menos, porém, quando ela disse aquilo.

– Estou saindo do apartamento — sussurrou. — Bree ofereceu um quarto vago pelos próximos dias e prometeu me ajudar a encontrar um lugar para morar perto da faculdade…

Uma lágrima escorreu do rosto de Bella e ela a limpou rapidamente, antes que eu pudesse fazer tal coisa. Ela parecia triste por eu não ter dito nada, provavelmente esperando que eu fizesse aquelas promessas. Como eu poderia?

Eu engoli em seco.

– Bella… você não pode morar sozinha — eu disse. — E se você se sentir mal novamente? E se você tiver outro sangramento… e se vo-

– É melhor, Edward — cortou-me. — Eu já passo a maior parte do tempo sozinha mesmo, que diferença faz? Estarei com meu celular sempre ao meu lado e, caso eu necessite de algo, eu vou ligar.

– Bella! — Puxei a sua mão para o meu colo, apertando-a firmemente. — Por favor, você não precisa fazer isso. Você nem precisa olhar para mim, se não quiser. Mas… eu… por favor.

Eu sabia que não deveria estar implorando, sabia que deveria deixá-la ir, mas… como eu poderia? Como eu iria viver naquele apartamento sem ela ali, ao meu lado?

– Não implore, por favor — ela puxou a mão do meu colo. — Vai ficar tudo bem. Caso te interesse, você pode continuar a vir as consultas… Mas eu vou entender se não for a sua escolha. Talvez seja melhor, sabe? Cada um seguir o seu caminho…

Eu senti as lágrimas tomando conta dos meus olhos, mas fechei-os com força, impedindo-as de cair. Eu quase me aproximei dela e a puxei para um abraço e um beijo, querendo fazer com que ela se esquecesse daquilo, mesmo sabendo que eu não devia. Mesmo sabendo que não seria o suficiente.

– Sinto muito — sussurrei, porque eu sabia que não havia mais nada a dizer. Eu não podia contar a ela tudo, não podia explicar. Não mudaria nada, afinal. — Eu realmente sinto muito.

– É uma pena que desculpas não resolvam todos os problemas — ela disse, sua voz fria demais. — Você parecia tão comprometido com essa gravidez, mas aí começou com as festas… Infelizmente, você não pode ter as duas coisas, Edward… E já que deixou claro a sua escolha…

Eu abaixei a cabeça e não a corrigi, apenas assenti.

– Sinto muito, de verdade — repeti.

Ela encolheu os ombros, seus olhos fitando a parede ao lado.

– Eu gostaria de deitar um pouco agora — disse por fim. — Eu vou pegar as minhas coisas aos poucos no apartamento depois, ok? E eu te mando uma mensagem com o dia e horário da próxima consulta.

Eu abri a boca para dizer que a amava, que sentia muito por tudo, para prometer que iria mudar, mas a fechei. Ela não acreditaria. E eu não podia dizer isso.

Um fracasso de pai. Arruinar a vida da criança…

Carlisle e Esme estavam realmente certos, aparentemente.

Decidido a respeitar a sua decisão, eu me pus de pé. Parei ali por um momento, sem saber se deveria sair ou… ou se podia apenas abraçá-la uma última vez. Por fim, coloquei a mão em sua barriga e a acariciei suavemente. Me perdoa, filha, por tudo, mas estou fazendo o que é o melhor para você.

– Eu amo vocês — murmurei, depositando um beijo no topo da cabeça de Bella de forma demorada. — Eu… eu vejo você na próxima consulta, ok?

Caminhei, então, até a porta, dando uma última olhada nela. Novamente, quis muito dizer naquele momento que conquistaria a sua confiança de volta, que mudaria, que as coisas seriam diferentes.

Um fracasso de pai…

Porém, eu não podia. Ela e a bebê talvez ficassem mesmo melhores sem mim. E além disso, eu sabia que Bella não acreditaria nas minhas palavras.

Não mais.

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Os próximos meses passaram mais rápido do que eu esperava e mais devagar do que eu queria. Eu via Bella na faculdade, sempre, mas quase nunca me aproximava. Às vezes eu perguntava como ela se sentia, se ela tinha tido algum sangramento, se estava seguindo as recomendações da médica…

Mas era só.

Eu fui a todas as consultas, mas nós nunca conversávamos lá. A bebê estava desenvolvendo bem, Bella estava saudável… Tudo estava correndo bem.

E logo ela havia completado oito meses.

As provas finais começaram e eu procurei me esforçar o máximo possível, sabendo que logo estaríamos de férias. Carlisle continuava a administrar a minha vida acadêmica, mas eu ainda não havia contado a ele ou à minha mãe que Bella e eu tínhamos terminado.

E nem pretendia contar.

Era estranho voltar ao apartamento após as aulas e encontrá-lo vazio, sem nada ali para indicar que Bella ainda morava ali. Claro, havia algumas roupas dela no closet, que eu não teria coragem nunca de me desfazer, mas… mesmo assim…

Eu tinha parado completamente com as festas e procurava sempre ter meu celular ao lado, para o caso de Bella precisar de mim. Mas ela nunca ligava. Às vezes eu tinha pesadelos à noite, com algo de ruim acontecendo, e quando eu ligava, logo de manhã, ela me garantia que estava tudo bem.

Isso não me acalmava muito, no entanto.

Nos finais de semana, eu aproveitava para estudar, mesmo se já tivesse feito isso durante a semana. Quando mais um sábado chegou, eu levantei cedo, arrumei a minha bagunça mais ou menos e me sentei à mesa de jantar, onde meus livros sempre ficavam.

Eu estava o abrindo quando escutei a campainha tocar, o que estranhei. Eu não me lembrava a última vez que havia recebido uma visita.

Caminhei até a porta e a abri, e meus olhos se arregalaram quando eu vi quem estava ali, parecendo estar muito furiosa.

– Leah — murmurei.

– Olá, Edward — ela cruzou os braçou, seus olhos se estreitaram. — Será que podemos conversar?

Notas finais
N/A: Olá! Mais um extra do Edward para vocês! No próximo vocês saberão o que ele conversou com a Leah, hmmmm... vamos ver haha. Enfim, tenho somente mais um extra pronto, que será postado dentro de quinze dias. O quarto e último extra do Edward está quase pronto, mas estou presa em uma última cena. Tentarei finalizá-la hoje, por isso, cruzem os dedos! Esse Carlisle e Esme... Sem comentários para os dois. E a Bella e o Edward que não conversam, hein? Vamos ver o que nos espera nos próximos capítulos. Espero que tenham gostado. A gente se vê em 15 dias, ok? xx PS: Tenho uma ótima notícia para as leitoras da Daylight! Depois de muito lutar com o capítulo, consegui terminá-lo ontem e enviei para a beta. Assim que ela me devolver, postarei. Aguardem só mais um pouquinho! N/B: Espero que Leah estapeie o Edward por mim. Odeio homem fraco. ele vai ter que chorar sangue para se redimir. *raiva*. Por que esses dois não conversam? Bjs, Lu.