Unwritten

3 Capítulo Dois


Notas iniciais
Oi, moças! Aqui está o segundo capítulo :D Espero que gostem!

Bella POV.

Quando acordei no dia seguinte, o quarto estava completamente escuro. Eu fiquei parada na cama durante um momento, meus olhos ainda tendo dificuldades para se manterem abertos. Por fim, alguns minutos depois, eu rolei na cama, fitando o relógio, o medo de estar atrasada tomando conta de mim.

Porém, eu não tinha motivos para me preocupar: ainda era cedo demais.

Meu despertador só tocaria daqui a uma hora.

Tornei a rolar na cama, desta vez procurando por Edward. Eu franzi a testa, porém, quando notei que o lado dele estava vazio e frio, o que indicava que ele já estava acordado há algum tempo. Ou, então, ele não tinha dormido aqui.

Ainda meio sonolenta, sentei-me na cama e bocejei, desejando que eu conseguisse dormir. Entretanto, eu sabia que isso não era uma opção.

Levantei-me da cama, por fim, e caminhei até a sala. Ela estaria completamente escura, se não fosse pela televisão. Eu continuei andando até o sofá, um suspiro escapando dos meus lábios quando eu vi Edward sentado ali, a cabeça apoiada nas mãos, parecendo completamente perdido em seus pensamentos. Na mesa de centro à sua frente, estava a foto da ultrassonografia que tínhamos feito ontem.

– Edward? — eu chamei baixinho, sentindo meu coração martelar em meu peito.

Ele olhou para cima na mesma hora, sorrindo par mim. Imediatamente eu percebi que era um sorriso forçado, quase como se ele não quisesse que eu visse aquela fraqueza. As lágrimas tomaram conta dos meus olhos, mesmo eu sabendo que era irracional, que isso não era motivo para chorar. Ele tinha me dado tanto apoio durante esses dias, desde que tínhamos descoberto que seríamos pais…

Como eu não pude perceber que ele estava tão assustado quanto eu?

– Sinto muito — eu murmurei, as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Eu levei as minhas mãos ao meu rosto e as enxuguei rapidamente, não querendo que Edward se sentisse culpado nem nada do tipo. — E-eu realmente sinto muito.

Ele suspirou pesadamente e balançou a cabeça, mas não disse nada, apenas bateu no espaço livre ao seu lado, um pedido silencioso para que eu me juntasse a ele. Eu fiz como ele me pediu, fazendo força para não chorar, e entrelacei meus dedos nos dele.

– Está tudo bem, Bella — ele mentiu. — Eu só estava pensando e acabei perdendo a hora…

Eu apertei a sua mão e levantei a cabeça do seu ombro, fitando seus olhos verdes. Edward parecia tão triste e preocupado, mas também fazia um esforço enorme para que eu não percebesse tal coisa. Isso só fez com que a minha culpa aumentasse. Eu estava tão focada em mim, pensando na reação dos meus pais, que nem parei para pensar em como ele deveria estar se sentindo.

– Por favor, não minta para mim — eu sussurrei, mordendo o lábio inferior. — Eu sei que você está assustado… e eu sinto muito por não ter percebido isso, eu devia ter te perguntado e…

Ele levou os dedos aos meus lábios, interrompendo-me.

– Shhh, Bella, está tudo bem — ele sorriu. — Eu estou, sim, preocupado, mas eu… eu só não queria deixá-la nervosa nem nada do tipo. Eu sabia que, naquele momento, você precisava de mim.

Eu sorri de volta para ele e trouxe a palma da sua mão até a minha bochecha, antes de depositar um beijo sobre ela.

– Você tem me apoiado tanto, Edward — murmurei. — Eu sinceramente não sei o que teria feito caso você não estivesse aqui. Mas converse comigo quando precisar, ok? Somos parceiros, lembra? Estamos nessa juntos…

Ele me observou durante alguns instantes, antes de assentir e sorrir — verdadeiramente, desta vez.

– Eu te amo tanto, Bella. — Ele me puxou para o seu colo, apertando-me contra o seu peito. Eu me permiti relaxar, amando a sensação dos seus braços ao redor de mim. — Você não tem ideia do quanto.

Eu deitei a cabeça no seu ombro e sorri.

– Eu acho que tenho — respondi. — Porque eu também te amo. Você sabe disso.

Edward riu baixinho, mas não disse nada. Durante alguns minutos nós ficamos apenas curtindo a presença um do outro, palavras não sendo necessárias naquele momento. Eu sabia que devíamos conversar sobre o bebê e o que isso significaria em nossas vidas, só que queria aproveitar essa sensação de paz por mais algum tempo.

– Acho que temos que levantar — ele disse, momentos mais tarde. — Nosso despertador irá tocar dentro de alguns minutos.

Eu assenti, mas não me movi. Sentia-me tão confortável ali.

Edward riu.

– Vamos lá, baby — ele disse. — Vamos nos arrumar.

Nós tomamos banho juntos, precisando ficar próximos um do outro naquela manhã. Eu preparei um café da manhã rápido, ovos para ele e torrada para mim, já que me sentia um pouco enjoada. Depois de tudo pronto, nós seguimos para a faculdade. Seria outro dia normal e, provavelmente, seguiríamos para uma festa à noite, mas tudo agora era diferente.

Havia um bebê crescendo no meu útero. Alguém que iria depender de mim pelos próximos dezoito anos, no mínimo. Eu não podia mais beber. Não podia ter apenas poucas horas de sono por noite.

Suspirei pesadamente, tentando tirar tal assunto da minha mente e me concentrar na minha aula, mas era impossível. A conversa que eu tivera com Leah na noite anterior não saía da minha cabeça, principalmente quando eu pensava na reação dos meus pais.

Eles me matariam. Charlie surtaria completamente.

Na hora do intervalo, eu corri até o refeitório, a fome tomando conta de mim. Comi mais do que o necessário, eu sabia, mas não consegui encontrar alguma parte de mim que se importasse com isso. Eu, sinceramente, não via a hora do dia acabar e eu poder ir para casa.

Mas quanto mais rápido o dia passasse, mais rápido amanhã chegaria.

E mais rápido eu me encontraria com os meus pais.

Edward se encontrou comigo quando as aulas acabaram, parecendo exausto. Nós geralmente almoçávamos juntos, mas ele estava em uma semana louca de trabalhos e não estava tendo muito tempo — quando ele tinha algum, ele o passava na biblioteca com alguns colegas. Eu sorri quando o vi e o cumprimentei com um beijo, antes de deixar que ele me abraçasse pela cintura e me guiasse até o seu carro.

– Como foi o seu dia? — eu indaguei, enquanto ele dirigia.

– Normal, eu acho — encolheu os ombros. — Consegui terminar quase tudo, faltam apenas alguns detalhes… O pessoal queria sair para comemorar hoje, mas eu achei melhor deixar para depois… Amanhã poderíamos fazer os exames que a médica pediu, o que acha? Deixar tudo encaminhado antes de viajarmos…

Eu assenti.

– Por mim, tudo bem — encolhi os ombros.

Nós tivemos uma noite preguiçosa, por assim dizer. Ficamos deitados no sofá, assistindo a TV, e conversamos um pouco, também, embora não tivéssemos mencionado muito sobre o bebê. Quando Edward foi rever algumas coisas do seu trabalho — já que ele queria deixar tudo adiantado para o dia seguinte -, eu aproveitei que estava sozinha para ligar para Leah. Eu sabia que ela iria para Forks com Sam, já que os pais dele moravam em uma reserva ali por perto, mas não tinha certeza se ela iria amanhã à noite ou deixaria para ir na quinta.

E eu realmente precisava da minha irmã ao meu lado quando eu contasse aos meus pais que eles seriam — e eu tremia só de pensar nessa palavra — avós.

– Ei, pirralha. — Ela atendeu ao terceiro toque. — Tudo bem?

Eu suspirei, um pequeno sorriso nascendo em meus lábios.

– É, acho que sim — encolhi os ombros, mesmo que ela não pudesse me ver. — Só liguei para saber quais são seus planos… Você vai ficar conosco ou vai para a casa dos pais do Sam?

Eu a ouvi dizendo alguma coisa para o marido e aguardei, meus dedos brincando com a manta do sofá.

– Vamos passar o Ação de Graças juntos, Bell– ela respondeu, por fim. — Meus pais e meus sogros já combinaram tudo. E, como eu prometi te ajudar, vamos ficar a quinta e a sexta com vocês e, no sábado, vamos para a reserva. Talvez você pudesse vir conosco…

Eu tornei a suspirar.

– É, talvez — murmurei.

– E os planos de Edward? — ela perguntou. — Ele vai ficar com a gente?

Eu balancei a cabeça de forma negativa novamente, só para me lembrar, logo em seguida, que ela ainda não podia me ver.

– Decidimos que ele deve ir ficar com os pais — eu disse. — Carlisle e Esme estão de volta de uma longa viagem e querem levá-lo até a casa de uns amigos, algo assim. Ele vai contar aos pais dele e eu, ao meus. Nós nos encontraremos no domingo cedo, para virmos embora e tudo o mais.

– Certo– murmurou. — Tudo bem, então. Você já decidiu quando vai contar à mamãe e ao papai? Vai ser na quinta mesmo ou vai esperar até a sexta?

Eu mordi o lábio inferior, ainda brincando com a manta do sofá. Se eu pudesse, adiaria até domingo e depois viria embora, não querendo enfrentar a fúria de Charlie. No entanto, eu sabia que não podia fazer isso.

– Na sexta — eu suspirei. — Não quero estragar o dia de Ação de Graças, então acho melhor esperarmos até a sexta…

Ela murmurou a sua aprovação.

– Você vai estar comigo, certo? — eu indaguei, o medo crescendo a cada minuto que passava. Só de pensar na reação de Charlie… — Eu não sei se consigo lidar com isso, Leah.

Foi a vez dela suspirar.

– Vai dar tudo certo, Bella. — O tom de voz dela era convincente; ela realmente acreditava naquilo. — Ok? Não se preocupe tanto, por favor. Mesmo que ele surte no começo, ele vai se acalmar com o tempo. A gente vai fazer com que ele entenda…

Nós conversamos durante algum tempo, ela ainda tentando me convencer de que tudo daria certo, que eu não deveriam e preocupar. Mas como? Como eu podia me deitar tranquilamente e acreditar que Charlie não surtaria e me odiaria?

Por fim, despedi-me da minha irmã, protendo mandar-lhe uma mensagem assim que eu estivesse na casa dos nossos pais. Nós morávamos relativamente perto — eu em Seattle e ela em Portland -, porém decidimos que seria melhor nos encontrarmos lá.

Na quarta à tarde, quando saímos da faculdade, Edward e eu passamos rapidamente no nosso apartamento, apenas para pegarmos nossas malas e deixarmos nossas mochilas, antes de seguirmos para Forks. A viagem demoraria um pouco e eu tinha insistido para dirigir, porque sabia que Edward estava cansado.

– Está tudo bem, Bella — ele disse, tentando me convencer a lhe entregar a chave. — Eu não estou com tanto sono assim… Você deveria descansar, não eu.

Eu revirei os olhos, ignorando-o completamente enquanto seguia para o lado do motorista.

– Você está quase dormindo em pé, Edward — eu o repreendi. — Não estou com vontade de passar o nosso final de semana prolongado em um hospital, então durma, ok?

Ele tentou esconder um sorriso enquanto revirava os olhos, mas assentiu. Eu programei o GPS, já que não confiava muito em mim, e comecei a dirigir, aproveitando o silêncio do carro e a música suave tocando na rádio, para pensar. Não podia deixar de ficar nervosa à medida que avançávamos em direção a Forks.

Eu sabia que Charlie me odiaria. Eu tinha certeza absoluta disso.

Eu enjoei um pouco quando pegamos a balsa, mas nada que me fizesse correr para o banheiro — como alguns alimentos tinham feito durante esses dias. Eu ainda não conseguia sentir o cheiro de bacon, assim como de outras frituras.

Edward continuou insistindo para dirigir, mas eu preferia que ele dormisse. Eu também estava um pouco cansada, mas sabia que não iria conseguir dormir… Dirigir me manteria ocupada e focada.

Já estava começando a escurecer quando entramos na cidade em que crescemos. Forks continuava a mesma de sempre, o que não me surpreendia muito. Havia se passado apenas alguns meses desde que eu estivera aqui e foi com nostalgia que vi os lugares que eu costumava a frequentar quando era mais nova.

Edward acordou pouco antes de eu estacionar em frente à casa dos meus pais, parecendo muito mais descansado. Ele sorriu para mim e apertou a minha mão gentilmente, antes de descer e dar a volta no carro, abrindo a porta para mim.

– Você vai entrar? — eu indaguei.

Ele suspirou.

– Acho melhor não… — murmurou. — Passo aqui na sexta à noite, pode ser? Eu acho melhor eu ir ficar um pouco com meus pais… Eles chegaram de viagem ontem e eu realmente sinto falta deles…

Eu sorri.

– Claro — murmurei de volta. — Me ligue se você tiver algum problema, ok?

Ele assentiu.

– Me ligue também, por favor, assim que contar a eles a novidade — respondeu. — Tem certeza que não é melhor nós contarmos juntos?

Eu mordi o lábio inferior, ponderando por um momento, antes de balançar a cabeça de forma negativa. Eu não queria que Charlie tentasse matar o meu namorado ou algo assim.

– Vamos contar separadamente e, depois, a gente vê o que faz, ok? — eu forcei um sorriso para fora do rosto. Coloquei-me na ponta dos pés e enlacei o seu pescoço com os braços, beijando suavemente. — Ligue-me… Eu vou sentir a sua falta.

Ele me abraçou, retribuindo o beijo com total paixão.

– Eu também, baby, eu também…

Eu peguei a minha mala e acenei para Edward, observando o carro se afastar antes de virar e andar até a porta da frente. Toquei a campainha, sem vontade alguma de procurar a chave em algum lugar da minha mala, e esperei, meu coração batendo a toda velocidade contra o meu peito. Um sorriso nasceu em meu rosto, porém, assim que a minha mãe abriu a porta.

– Bella! — Ela gritou, imediatamente puxando-me para os seus braços. — Filha, que saudades!

Eu ri baixinho enquanto retribuía ao seu abraço, sentindo as lágrimas tomando conta de meus olhos. Fazia algum tempo desde a última vez desde que eu a tinha visto e eu realmente sentia a falta dela. Isso combinado ao fato da notícia que eu daria em exatos dois dias…

Dizer que eu estava exausta emocionalmente era um eufemismo.

– Vamos, entre! — Ela me puxou para dentro de casa, trancando a porta atrás de nós. — Charlie! Venha aqui!

Eu esperei, mais nervosa do que nunca, meu pai descer as escadas, as lágrimas ainda querendo escorrer pelo meu rosto. Eu me contive, no entanto. Não queria que ele começasse a fazer perguntas antes da hora. Não queria estragar o feriado dele com as notícias. Eu poderia esperar até sexta.

Eu iria conseguir.

– Bells! — Meu pai abriu um sorriso enorme e correu até a mim, puxando-me para um abraço. — Oh, filha, o papai sentiu tanto a sua falta…

Eu me deixei ser envolvida pelo seu abraço, agora fazendo mais força do que nunca para não chorar. Meu pai sempre tinha sido tão carinhoso e protetor comigo e com Leah… Eu sabia que ainda era difícil, para ele, ver que tínhamos crescido e que precisávamos de conquistar a nossa independência. Por ele, ficaríamos morando com ele e a mamãe para sempre.

– Oi, pai — eu sorri, ainda com meus braços o envolvendo. — Eu senti saudades também…

Os dois me levaram até a cozinha e me fizeram jantar, embora eu tivesse insistido que não queria e que não sentia fome. Enquanto eles estavam distraídos, conversando animadamente sobre os planos para o dia seguinte e puxei o meu celular.

Eu havia prometido enviar uma mensagem a Leah, afinal.

Cheguei… Papai e mamãe estão ansiosos, por assim dizer. Você já está chegando?

Não precisei esperar mais do que alguns minutos pela a sua resposta.

Quase. Estaremos aí em meia hora! Guarde um pouco de comida para mim, por favor. Estou faminta! ):

Eu sorri. Eu realmente sentia falta da minha irmã.

– Leah vai chegar em breve. — Eu informei aos meus pais quando eles voltaram a sua atenção para mim. — Vou tomar um banho rápido enquanto isso, ok?

Eles assentiram, novamente animados, antes de me permitirem subir e ir para o quarto que pertencia a mim até mais ou menos quatro meses atrás.

Demorei mais do que o necessário no banho, o medo voltando a tomar conta de mim com toda força. Meus pais estavam tão felizes e animados… E, infelizmente, por mais que eu tentasse não me lembrar, eu não conseguia impedir que a memória do dia que ele achara que Leah estava grávida tomasse conta da minha mente.

Ele tinha ficado tão furioso…

Leah tinha um projeto na escola de cuidar de um bebê de brinquedo ou algo assim. Na época, ela estava saindo com Eric, um garoto que estava na mesma aula que ela. Ela estava com quase dezoito anos e eu tinha, recentemente, completado doze. Ela chegara da escola com o bebê naquele dia e no dia seguinte, ele ficaria com Eric.

Ele chorava de verdade e essas coisas.

Nós até nos divertimos, eu mais do que feliz em ajudá-la a cuidar dele. Meus pais reviraram os olhos quando viram, mas não disseram nada.

Até alguns dias depois, quando eu e Leah começamos a conversar sobre bebês de verdade.

– Se um bebê de mentira da tanto trabalho, eu fico me perguntando o que um de verdade faria… — ela tinha reclamado, enquanto trocava a fralda do boneco pela terceira vez desde que tinha chegado da escola.

Eu sorri, observando atentamente enquanto ela colocava o macacão de volta nele.

– Vocês vão participar desse projeto até quando? — eu perguntei.

– Não sei — encolheu os ombros. — Sinceramente, não vejo a hora de acabar…

Eu me lembrava de nós conversando durante um tempo, até que ela comentou sobre uma garota em sua sala que estava grávida. Apesar da diferença entre nós duas, Leah e eu sempre tínhamos conversado e eu sempre a tinha considerado a minha melhor amiga. Quando eu fiquei velha o suficiente, foi ela quem conversou comigo sobre a sua primeira vez.

E foi ela quem ficou sabendo quando eu perdi a minha virgindade com Edward.

Em algum ponto, começamos a brincar sobre o que aconteceria caso Leah descobrisse que estava grávida muito nova.

E isso foi quando Charlie chegou em casa e escutou a parte da conversa.

– Acho que Eric piraria totalmente se descobrisse que eu estava grávida e…

Eu me lembrava de Charlie começar a gritar e ir até a nossa irmã, vermelho de raiva. No começo, eu tinha ficado ali apenas observando tudo, vendo-o xingar Leah e exigir que ela fizesse um aborto.

– Pai, eu… — De olhos arregalados, a minha irmã tentou cortar o meu pai, mas ele não deixou.

– Somos nós ou esse bebê, Leah Swan! — ele berrou. — Se você escolher continuar com essa gravidez, você pode pegar as suas coisas e sair de casa! Vai morar com o seu namorado!

Demorou um tempo, mas, eventualmente, nós conseguimos convencer o meu pai que ela não estava grávida, que nós estávamos apenas conversando sobre uma garota da sala dela que estava esperando um filho. Quando ele percebeu que tudo não passara de um mal entendido, ele pediu desculpas, começando a se acalmar.

Mas, embora ainda um pouco nova, aquele dia nunca foi apagado da minha mente.

E agora que eu estava, de fato, grávida, apenas dois anos mais velha do que Leah naquela época, eu sabia que a reação de Charlie seria parecida — senão pior — do que aquela.

E eu temia isso.

Mais do que tudo.

Não querendo enrolar mais do que já tinha, eu desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Sequei-me e me vesti de forma rápida, antes de seguir para o primeiro andar. Leah e Sam já estavam aqui, ambos sentados à bancada da cozinha, conversando animadamente com os meus pais.

– Boa noite, família — eu sorri.

Abracei, contente, minha irmã e meu cunhado, os dois sendo os únicos ali que sabiam que eu tinha um segredo que revelaria. Depois que eles jantaram, nós nos dirigimos à sala e passamos um tempo ali conversando, colocando as novidades em dia. Falei somente da faculdade, evitando até mesmo a falar sobre Edward naquele momento. Eu não queria que eles soubessem da gravidez naquela noite.

Eu faria qualquer coisa para evitar que essa notícia surgisse.

Quando eu bocejei pela quarta vez em menos de cinco minutos, todos foram finalmente dormir. Eu queria, mais do que tudo, conversar um pouco com Leah naquela noite, mas eu estava tão cansada que mal conseguia manter meus olhos abertos.

A conversa teria que ficar para o dia seguinte.

Entretanto, tal coisa também não foi possível. Devido ao fato de ser Ação de Graças, a minha casa não parou vazia nem por um minuto. Meus pais toda hora recebiam seus amigos e corriam da cozinha para a sala, tentando agilizar o jantar e entreter os convidados. Então, para ajudar, eu e Leah acabamos ficando ocupadas.

E eu ainda tive que lidar com um enjoo quando entrei na cozinha e senti o cheiro de fritura.

– Ei, você está bem? — Leah sussurrou, se aproximando de mim e me puxando para a porta que nos levava ao fundo da casa. — Está se sentindo mal?

Eu engoli em seco, fazendo força para não correr para o banheiro e despejar tudo o que eu tinha comido naquele dia. Eu não queria atrair atenção. Não queria que as pessoas desconfiassem.

Mais um dia.

Mais um dia e todos iriam saber.

E Charlie me mataria, também.

– Estou enjoada — eu sussurrei, fechando os olhos com força. — Muito.

Ela olhou para trás, provavelmente para ver se alguém estava prestando atenção em nós, antes de me levar até perto da piscina e me fazer sentar à mesa que ficava ali. Depois disso, ela se ajoelhou à minha frente e pediu que eu respirasse fundo. Eu fiz como ela pediu, o cheiro da brisa ajudando um pouco.

– Tem algo que eu possa fazer para ajudar? — ela indagou.

Eu neguei.

– Não, vai passar em alguns minutos, eu acho — sorri. — Obrigada por isso, sis. De verdade.

Ela encolheu os ombros.

– Vem, vamos. — Ela me ajudou a levantar. — Vou mentir que tenho algo para mostrar a você no quarto e você vai poder descansar um pouco. Depois, vou tentar fazer com que o cheiro desapareça da cozinha.

Eu consegui tirar um cochilo e acordei me sentindo muito melhor, pronta para sobreviver ao jantar. Mandei uma mensagem a Edward, lembrando-o que eu o amava, mas desisti de esperar por uma resposta quando fiquei encarando o celular por mais de dez minutos.

O jantar foi barulhento e muito cheio, mas foi bom. Fizemos nossos discursos de agradecimento e depois nos reunimos na sala, onde ficamos conversando até tarde da noite. Novamente, eu não tive a oportunidade de conversar direito com a minha irmã.

Não consegui dormir direito naquela noite. Cochilei um pouco, mas toda hora acordava de um pesadelo, onde Charlie geralmente me colocava para fora de casa. Nervosa, eu me vi indo ao banheiro e despejando o jantar durante a noite. Não sabia se era por causa dos enjoos ou devido ao nervosismo. Provavelmente uma combinação dos dois.

Vi-me indo até a cozinha ainda muito cedo, não eram nem oito da manhã. A casa estava completamente silenciosa, o que eu agradeci. Eu puxei meu celular, um pequeno sorriso nascendo em meu rosto quando eu vi que havia uma mensagem de Edward ali.

Eu também te amo, baby.

Pensei em mandar uma perguntando como tinha sido o dia anterior, mas fiquei com medo de acordá-lo. Preparei o café da manhã, evitando fritar bacon, e comi algumas torradas e ovos mexidos. Quando terminei, segui para a sala de televisão e me joguei no sofá. Naquele mesmo dia, eu iria contar tudo aos meus pais.

Eu não estava pronta para fazer isso. Na verdade, eu não queria fazer isso. Por mim, poderíamos adiar isso até o Natal.

Entretanto, eu não podia. Eu sabia que quanto mais rápido eu contasse, melhor. E eu não queria estragar o feriado favorito dos meus pais, contando em dezembro.

Algum tempo mais tarde, eu ouvi o barulho de passos. Leah logo entrou, Sam atrás dela. Ambos sorriram para mim, antes de se sentarem lado a lado.

– E então, pronta? — ela indagou, pegando a minha mão e a apertando gentilmente. — Já sabe como vai contar?

Eu ouvi o barulho da risada dos meus pais e sabia que em breve eles estariam aqui. Eu engoli em seco, apertando a mão de Leah um pouco mais forte do que pretendia. Naquele momento, desejei que Edward estivesse comigo. Eu nunca tinha me sentido tão assustada, nervosa e ansiosa, tudo ao mesmo tempo.

Além do medo, é claro.

– Vamos só falar — eu disse. — Acho que não vai ser bom se eu ficar enrolando.

– Estaremos aqui, Bella. — Sam puxou a minha mão livre e sorriu. — O tempo todo, ok? Vai dar tudo certo.

Eu forcei um sorriso para fora do rosto e assenti, mesmo não acreditando nas palavras dele. Tremi quando vi os meus pais entrando e se sentando no sofá ao lado, parecendo confusos quando viram o meu rosto.

Charlie me odiaria, Charlie me odiaria, Charlie me odiaria.

Eu tinha certeza disso.

– O que foi? — meu pai indagou. — Leah disse que você tinha uma novidade, Bella…

Eu engoli em seco e assenti.

– É, eu tenho — murmurei, abaixando a minha cabeça e fitando o meu colo, antes de respirar fundo e levantar a cabeça. — Aconteceu uma coisa que eu não esperava, pai… Nem Edward… e…

Ele ergueu a sobrancelha, parecendo mais confuso do que antes. Eu me calei, então, sem saber exatamente o que falar. Por fim, olhei dele para minha mãe, e tornei a respirar fundo.

Era melhor soltar de uma vez.

– Eu estou grávida.

Notas finais
N/A: Bella contou... e agora? Desde já aviso sobre o Charlie: ele não vai reagir nada bem. Aposto que vocês vão odiá-lo :x. Mas enfim... vamos ver. Leah é amor demais e eu sei que todos aqui vão amá-la a cada vez mais. Ela realmente vai ser o suporte da Bella... Quanto ao Edward, vamos ver. Só o tempo dirá haha. O capítulo três já está pronto. Dependendo dos reviews, posto no domingo que vem, o que acham? Mas estarei de volta no máximo em quinze dias (; Só depende de vocês. Espero que tenham gostado, meninas! Até o próximo! xx N/B: Booooooooom. A bomba saiu. Consigo agora até escutar os cri cri cri que restaram após o silêncio na sala. Tenho medo da reação do Charlie e já estou com muita, mas muita raiva dele. Bjs, Lu. *abraça a Bella *