Unwritten
22 Capítulo Dezesseis
Notas iniciais
Eu assenti, sem saber o que dizer.
– E Charlie? — Eu levantei a cabeça. Ela estava parada na porta. — Isabella é uma das mulheres mais fortes que eu já conheci. Você não tem ideia da filha maravilhosa que tem.
E saiu, deixando-me ali, sozinho.
–x-
Charlie POV.
Eu observei Sue sair do restaurante, meus olhos presos nela até que ela sumiu de vista. Voltei, então, meus olhos para o papel à minha frente, sem conseguir acreditar que tudo aquilo havia mesmo acontecido.
Parecia meio surreal. Parecia muito surreal.
Eu nunca pensara que veria Sue novamente, não quando meu pai havia lhe dado um dinheiro para fazer um aborto e ela tinha saído da cidade. Nunca imaginava que ela não faria o aborto. Nunca imaginava que ela teria o bebê e o criaria sozinho.
Seth.
Deus, ainda era meio difícil acreditar que eu tinha um filho. E que meu filho era um advogado, era casado… e tinha um filho.
Era incrível como tudo o que meu pai colocara na minha cabeça, tantos anos atrás — falando sobre sucesso, sobre como ter filhos cedo podia estragar tudo, como minha vida nunca seria bem sucedida se Sue não abortasse, como meu filho nunca chegaria a lugar algum, porque os pais não teriam condição de lhe dar uma boa vida -, tinha sido derrubado. Sue conseguira não só criar Seth, mas ele, meu filho, se formara e constituíra sua própria família.
E Bella… Ela estava se saindo tão bem…
Isabella é uma das mulheres mais fortes que eu já conheci. Você não tem ideia da filha maravilhosa que tem.
Deus, que tipo de pessoa eu era?
Soltei um suspiro pesado, fitando o número de Seth nas minhas mãos. Eu tinha tanto o que fazer para tentar reparar meus milhares de erros do passado… Eu não sabia se seria possível. Eu não tinha ideia de onde começar e como.
Eu precisava conversar com Renee, precisava conversar com Seth… e principalmente, eu precisava ver a minha filha, Bella.
– O senhor precisa de mais alguma coisa? — indagou a garçonete, tirando-me de meus pensamentos.
Eu a fitei durante um tempo, até conseguir assimilar o que ela havia me perguntado. Recusei, então, e agradeci, vendo o dinheiro que Sue tinha deixado ali. Deixei que a garçonete tomasse conta disso, ainda meio sem saber o que fazer. Então, após permanecer mais um tempo sentado ali, tentando criar coragem para ligar para Seth, eu me levantei, decidindo ir até o hotel onde eu estava ficando.
A primeira pessoa que eu liguei quando cheguei, foi Renee. Eu sabia que a minha mulher estava ansiosa para saber o que estava acontecendo, e talvez até um pouco preocupada.
Ela atendeu no terceiro toque, imediatamente perguntando como eu estava. E eu senti um aperto no peito e fechei os olhos, respirando fundo.
– Renee… — murmurei, sabendo que a minha voz não soava nada bem. — O que foi que eu fiz?
Ela ficou calada durante alguns segundos; tempo suficiente para me deixar um pouco ansioso. Eu sabia que estava sendo difícil para ela, descobrir que eu tinha filho com outra mulher, mesmo que tudo tenha acontecido antes de eu conhecê-la. Renee sempre soube da história de Sue e meu pai, porque nunca escondi nada dela. Mas se eu estivesse no lugar dela… eu não sabia o que eu faria.
– O que aconteceu? — ela indagou, um tempo depois.
Eu rapidamente resumi meu encontro com Sue, dizendo que ela tinha me passado o número de Seth e que eu em breve ligaria para ele, mesmo sem saber o que dizer ainda.
– E Bella… — tornei a fechar os olhos. — Eu simplesmente não sei o que fazer.
Minha esposa tornou a ficar calada, depois suspirou.
– Ligue para… seu filho, Charlie– ela murmurou, por fim. — Converse com ele… e depois, depois a gente vai consertar tudo com a nossa filha.
Eu respirei fundo, sentindo-me um pouco mais aliviado. Sentei-me na beirada da cama e apoiei o cotovelo no joelho, apoiando minha cabeça na mão livre.
– Obrigado — sussurrei. — Sei que não deve estar sendo fácil para você, mas obrigado por estar ao meu lado nesse momento…
Ela soltou uma pequena risada.
– Você é meu marido, Char – disse. — Nos conhecemos há tantos anos, temos duas filhas juntas… e uma neta. É claro que vou estar ao seu lado… mesmo sendo, de fato, difícil para mim.
Uma neta…
Deus, será que algum dia Bella iria me perdoar?
Assim que finalizei a ligação com Renee, eu peguei o papel com o número de Seth, fitando-o durante um tempo. Sabendo que eu iria desistir, caso não ligasse logo, eu rapidamente disquei o número, colocando o aparelho contra o meu ouvido. Eu ainda estava incerto do que iria falar com ele, mas sabia que não poderia ficar adiando aquela ligação para sempre.
– Alô?– Ele atendeu ao segundo toque, sua voz soando um pouco ofegante. — Quem é?
Eu engoli em seco, incerto do que dizer.
– Oi… Seth — sussurrei. — É Charlie. Desculpe-me se estou atrapalhando, mas a sua mãe me passou seu número mais cedo e eu… não pude esperar.
Foi a vez dele ficar calado durante um tempo. E se ele tivesse mudado de ideia e desligasse na minha cara? O que eu faria?
– Ah, tudo bem– ele finalmente respondeu, e eu respirei fundo, aliviado. — Ela me avisou… E não está atrapalhando, estava apenas brincando com o meu filho…
Pensei no garotinho que eu havia visto na foto e sorri um pouco.
– Eu fiquei sabendo que você queria me encontrar — continuei. — Não sei se essa ainda é a sua vontade, mas estou em Seattle… Terei de voltar para a minha cidade amanhã, já que trabalho na segunda, mas posso voltar outro dia, caso não possa me encontrar.
Eu o escutei murmurando alguma coisa para alguém próximo a ele e a curiosidade me atingiu, mas não perguntei nada; não tinha esse direito, afinal.
– Não, está tudo bem– ele disse, finalmente. — Podemos nos encontrar amanhã, é claro. Só posso depois do almoço, porém. Tem uma caneta aí para anotar o endereço?
Nossa conversa não demorou muito mais depois disso. Ele me passou o endereço de um lugar que dizia ser calmo e marcou comigo às três da tarde. Eu agradeci, então, e ele rapidamente se despediu, enquanto eu escutava alguém gritar “papai, vem brincar!” ao fundo.
Eu fitei o telefone durante um tempo, sabendo que ainda havia uma pessoa com quem eu queria muito falar. Nos últimos dias, havia tanto a dizer a Bella, mas o medo de ser rejeitado, com toda a razão, me impediu de ligar. Se ela nunca me perdoasse…
Deus, o que eu havia feito?
Soltei um suspiro e me coloquei de pé, disposto a tomar um banho, procurando ocupar minha mente, mesmo sabendo que aquilo era provavelmente muito difícil. Depois do banho, joguei-me na cama do hotel e liguei a televisão, dando uma olhada rápida no relógio.
Eu sabia que o dia seguinte demoraria a chegar.
_
Cheguei ao local marcado com Seth mais cedo do que imaginava, mesmo tendo saído do hotel um pouco mais tarde, não querendo parecer ansioso demais. Mas achei que aquilo era bom. Eu não queria que ele chegasse mais cedo e achasse que eu não me importava ou que não tinha compromisso.
Não que isso importasse muito. Eu tinha concordado com o meu pai e tinha dito a Sue que não queria o bebê e que era melhor ela fazer um aborto. Compromisso não era algo que Seth cobraria de mim, disso eu tinha certeza.
Ele não demorou muito para chegar, também. Logo, entrava no local que havíamos marcado, seus olhos passeando rapidamente pelo ambiente, até me achar. Ele rapidamente caminhou até a mesa, sorrindo um pouco quando parou próximo a mim.
– Charlie. — Ele acenou com a cabeça, puxando a cadeira a frente e se sentando. — Como está?
Eu engoli em seco, sem conseguir realmente acreditar que tudo aquilo estava acontecendo. Deus, eu realmente tinha um filho. Quão surreal era aquilo?
– Tudo bem — consegui dizer. — E você, tudo certo?
Ele assentiu.
Quando o garçom se aproximou, perguntando se gostaríamos de pedir algo, eu pedi somente um café. Seth pediu apenas água. O garçom se afastou e nós nos olhamos durante um tempo, nenhum de nós sabendo exatamente o que dizer.
– Te procuro faz um tempo, confesso — ele começou, por fim. — Sempre imaginei esse momento, mas agora que estamos aqui, não sei bem o que dizer.
Eu soltei uma risada e assenti.
– Minha mãe conversou muito comigo sobre tudo o que aconteceu — ele continuou. — Desde quando eu tinha idade o suficiente para começar a entender o motivo de o meu pai não estar ali…
Eu abaixei a cabeça por um momento.
– Não vim aqui para te culpar por nada — disse. — Até porque acredito que cada um vive com a culpa que tem. Não vou dizer que entendo o que fez, porque tenho um filho e sei que nunca faria algo do tipo com Claire, minha esposa, custasse o que custasse. Mas, como disse, não vou ficar julgando, nem nada… Só queria, mesmo, conhecê-lo.
Eu o fitei, sem saber o que dizer.
– E talvez… — Seth fez uma pausa. — Talvez ir conhecê-lo melhor aos poucos. Talvez, no futuro, te apresente a Harry, meu filho.
E eu sorri um pouco, meio agradecido.
– Eu gostaria disso — eu finalmente disse. — Eu sei que você disse que não quer explicações nem nada, mas eu sinto que preciso explicar algumas coisas… Eu gostaria muito de dizer que me arrependi assim que sua mãe saiu da cidade, que tudo na minha vida deu errado ou algo assim, mas meu pai parecia estar certo… Me formei na faculdade com boas notas, minha carreira como advogado disparou… Conheci minha esposa, casei, tive duas filhas… Eu pensei que tinha feito a decisão certa, que meu pai, seu avô, estava certo…
Engoli em seco, respirando fundo por um momento. Precisei parar de falar quando o garçom chegou com o café e a água, assim como uma cesta de pãozinhos. Esperei que ele se afastasse, antes de continuar.
– Eu percebi que só porque deu certo comigo — disse -, não significa que esteja certo. Sua mãe é um exemplo disso, você é um exemplo disso. E… Bella, sua irmã, ela está sendo um exemplo disso.
Tornei a parar de falar quando pensei na foto que o detetive que eu contratara havia tirado, de Bella com Edward e a filha deles.
– Sei que nada do que eu dizer vai mudar o passado — eu murmurei. — Eu apenas pensei que estava fazendo o certo com Bella, que ela entenderia no futuro… Mas agora…
Seth se ajeitou na cadeira, parecendo meio desconfortável.
– Eu acredito que o senhor deveria falar com ela sobre isso — disse. — Entendo seus motivos, mas não compreendo, como disse. Bella é uma ótima pessoa, Charlie. E o jeito que ela e Edward estão e como eles cuidam da bebê…
Eu assenti.
– Eu só… agradeço por ter me procurado — eu disse, por fim. — Fez com que eu abrisse os olhos para muita coisa. Eu só espero que Bella possa me perdoar um dia. E que você também possa.
Ele somente assentiu, mas não disse mais nada.
– Eu tenho que ir agora. — Ele comentou, um tempo depois, olhando o relógio. — Prometi a Harry que sairia com ele hoje.
Ele estendeu a mão para a carteira, mas eu levantei a minha, dizendo que eu pagaria. Antes que ele pudesse protestar, pedi a conta ao garçom e tirei uma nota de vinte dólares, deixando na mesa.
– Foi um prazer conhecê-lo — eu disse. — Espero que tenhamos outras oportunidades de conversar.
Ele se colocou de pé e sorriu.
– Claro — disse. — Só me ligue e podemos conversar. E me avise da próxima vez que vier a Seattle. Quem sabe não teremos mais tempo, então?
Depois de um aperto de mão apertado e mais um sorriso, ele se virou e saiu. E mais uma vez fiquei parado ali, observando alguém sair.
E não pude, novamente, deixar de pensar: o que eu havia feito?
Eu só esperava que Isabella pudesse me perdoar. E que aceitasse a mim e a mãe dela, em sua vida novamente.
Bella POV.
Eu fiquei nervosa durante todo o domingo, imaginando como havia sido a conversa de Charlie com Seth. Era uma coisa que ele tinha decidido encontrar com o meu irmão, mas eu não tinha ideia do que o meu pai estava pensando ou o que ele faria. Eu poderia arriscar algo, meses atrás, antes de engravidar, quando eu achava que o conhecia. Agora, porém…
Balancei a cabeça, querendo deixar de pensar naquilo, e terminei de trocar a fralda de Lily. Ela sorriu para mim, balançando os bracinhos e puxando a pomada no processo, fazendo-me rir. Peguei-a no colo e depositei um beijo demorado em sua bochecha gordinha. Ela imediatamente levou as mãos até o meu cabelo.
– O cabelo da mamãe não pode — comecei, tornando a beijá-la. — Agora que você é um bebê cheiroso novamente, que tal irmos para a sala terminar de assistir o filme com o seu pai, huh?
Sam e Leah haviam partido logo após o almoço, já que Sam daria um plantão logo no outro dia, bem cedo, e queria descansar um pouco. Ela havia me dito que me ligaria quando tivesse notícias do encontro de Charlie com Seth, que eu sabia que iria ocorrer agora à tarde.
Edward havia pausado o filme, esperando que eu trocasse a fralda de Lily, e estava mexendo no celular quando me sentei ao seu lado. Ele colocou o aparelho de lado e pegou Lily de mim, ajeitando-a em seu colo e beijando-a no mesmo lugar que eu havia beijado minutos antes.
Ela não deu muita atenção para ele, no entanto, sua mãozinha se esticando em direção ao aparelho, curiosa com as cores, eu tinha certeza.
– Não, não, senhorita Cullen. — Ele brincou, bloqueando o iPhone e escondendo-o atrás de uma almofada. — A senhorita ainda não tem idade para mexer em celular. Se depender de mim, vai demorar uns bons anos para ter o seu próprio.
Eu ri com isso, revirando os olhos. Lily riu também, apenas porque eu tinha rido.
– Vá sonhando, papai — brinquei. — Você vai ver, logo logo ela terá o celular, que usará para se comunicar com amigos e namoradinhos, deixando-nos de cabelos brancos muito mais cedo do que queremos.
Edward revirou os olhos e fez uma careta, pegando o controle.
– Não vem com essa de namoradinhos, por favor — ele disse. — Fui um rapaz muito comportado na adolescência. Não tenho pecado nenhum para pagar. Lily pode namorar depois dos 30. Nós já combinamos, não é, amor?
Ela pegou o nariz dele e puxou, rindo.
– Viu? — ele se virou para mim, fazendo uma careta para nossa filha. — Ela concorda comigo.
Eu peguei o controle dele e apertei play, apenas murmurando um ‘vai sonhando’.
É claro que não vimos o filme direito, nem muito bem. Lily sempre fazia algo que requeria nossa atenção. Ela não queria ficar quieta, mesmo comigo dando-lhe alguns brinquedos e tentando distraí-la. Por fim, desisti do filme e disse a Edward para terminá-lo que eu assistiria depois, e fui até a cozinha com a Lily no colo, sabendo que logo ela ficaria com fome. Preparei uma fruta amassada para ela e a coloquei na cadeirinha, alimentando-a. Ainda era meio engraçado vê-la comendo sólidos e semi-sólidos. Às vezes, mesmo conosco dando-lhe a comida, parecia que sua roupa levava a maioria.
Depois de terminar de alimentá-la, Edward pegou-a durante um tempo, enquanto eu limpava a pequena bagunça que eu e a minha filha havíamos feito. Eu tomei um banho rápido, então, e se passava das cinco quando eu saí dele.
E havia uma chamada perdida em meu celular.
De Seth.
Com o coração na mão, eu rapidamente retornei a ligação, torcendo para que ele atendesse.
– Ei, irmãzinha– ele me cumprimentou. — Tudo bem com você, Edward e minha linda sobrinha?
Eu ri um pouco, mesmo me sentindo nervosa. Para ele estar daquele jeito, calmo e brincalhão, nada de ruim poderia ter acontecido, certo?
– Tudo ótimo, e com vocês aí? — indaguei. Eu estava morrendo de curiosidade para perguntar sobre Charlie, mas não seria mal educada. E eu sentia falta do meu sobrinho. — Que dia trará Harry para visitar e brincar com a prima?
Nós conversamos um pouco, sobre Harry e Lily, Edward e Claire, até que Seth soltou um suspiro.
– Conversei com Charlie hoje– ele comentou, de repente. — Foi tudo certo, acho. Ele explicou um pouco, parece que quer ter um relacionamento comigo…
Eu engoli em seco, sentindo meu coração tão apertado de repente, que precisei me sentar na cama porque minhas pernas pareciam moles demais.
– E… Bella? — Ele fez uma pausa dolorosamente grande. — Ele mencionou você. Mencionou perdão.
Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto sem que eu me desse conta. Eu afastei o celular por um momento, tentando engolir o choro, não querendo que Seth escutasse. Eu tinha querido aquilo por tanto tempo… e agora não tinha ideia do que pensar. Ansiei tanto por Charlie e Renee me procurando, que agora que havia essa possibilidade… não sabia como seria minha reação.
– E-eu… — engoli em seco. — Eu não sei o que dizer…
Ele suspirou.
– Eu só quis te avisar – ele murmurou. — Não posso te dizer como agir, Bella, mas… bem, pensa direitinho, ok? E tira um tempo para você, você merece isso. Eu tive anos para lidar com a rejeição de Charlie, você tem direito de um tempo para você.
Eu não quis dizer muito depois disso, então só agradeci por ele ter me dito isso e desliguei. Fui até o banheiro e joguei água no meu rosto, não querendo que Edward soubesse que eu estive chorando.
Mas ele me conhecia bem demais, desde quando éramos pequenos, e bastou uma olhada no meu rosto para saber que eu tinha chorado. Eu ainda não sabia como tentava esconder as coisas dele mais.
– O que aconteceu? — ele indagou.
Eu forcei um sorriso para fora do rosto.
– Aparentemente, Charlie quer meu perdão. — Eu acariciei o rostinho de Lily. Ela estava quase dormindo, sua cabecinha apoiada no ombro de Edward. — Seth acabou de ligar…
Edward me fitou durante um tempo, erguendo a mão livre e passando o polegar pela minha bochecha.
– E você não sabe o que fazer, certo? — ele indagou. Ele realmente me conhecia como ninguém. — Sei que esperou por isso há muito tempo, mas ninguém vai te obrigar a nada, Bella. E você sabe que estarei aqui, não importa a decisão que tomar.
Eu sorri com isso, fechando os olhos e apoiando meu rosto em sua mão. Depositei um beijo na palma de sua mão e me afastei, não querendo chorar novamente.
– Obrigada por isso — murmurei. — Agora, antes que eu comece a chorar aqui, que tal dar um banho nessa moça, antes que ela durma? E antes que esfrie demais…
Eu insisti em dar banho nela, querendo me distrair um pouco. Depois, brinquei com ela um pouco, deixei que ela amamentasse e, só depois, coloquei-a para dormir.
– Agora, venha… — Edward me puxou até nosso quarto. Ele tinha acabado de sair do banho. — Deixe-me distraí-la um pouquinho…
Eu ri, mas o riso logo foi esquecido quando Edward me abraçou e me beijou. Nós estávamos realmente avançando em nosso relacionamento físico e eu sabia que não demoraria muito para chegarmos à etapa final, por assim dizer.
– Estamos precisando de uma noite só nossa… — Edward sussurrou, depositando pequenos beijos no meu pescoço e brincando com a barra do meu pijama. — Você está tão mais linda, Bella, eu…
Beijei-o antes que ele dissesse alguma coisa, empurrando-o em direção à cama e deitando-o ali. Ele logo nos virou, afastando as minhas pernas e se encaixando entre elas.
– Eu te quero tanto — eu murmurei, enquanto ele tornava a distribuir beijos pelo meu pescoço. — Tanto, tanto…
Ele sorriu contra o meu pescoço. Brincou com a barra da minha camiseta novamente, antes de puxá-la para fora do meu corpo, e descer seus beijos até o decote proporcionado pelo meu sutiã.
– Edward… — eu resmunguei um pouco, ciente de que meu sutiã não era o mais sexy do mundo. Afastei-me um pouco e ele suspirou, deitando a cabeça no meu pescoço. — Eu sinto muito, mas…
Ele soltou uma risada abafada.
– Oh, querida, eu entendo — ele disse, erguendo a cabeça um pouco. — Precisamos de uma noite só nossa. E aí, sim… pretendo tê-la só para mim.
Eu ri, corando um pouco.
E o celular escolheu aquele momento para tocar.
Edward resmungou novamente contra o meu pescoço e se afastou, rolando para o lado. Eu puxei o celular do criado mudo ao lado e o atendi. Conversei com Leah durante um tempo, contando a ela o que Seth havia me contado — mesmo ele já tendo ligado para ela — e ela basicamente me disse o mesmo que meu namorado e que Seth: que eu podia ter o meu tempo e que estaria ao meu lado no que eu decidisse.
Nos próximos dias que se passaram, Edward praticamente me lembrava isso todos os dias. Ele não precisava exatamente dizer as palavras para eu saber que ele estaria, sim, ao meu lado. E eu acreditei nele. Ele tinha cometido seus erros, mas eu sabia que ele não faria isso mais.
Nossas escapadas, por assim dizer, aconteciam com mais frequência e estava a cada dia mais difícil não ceder a elas. Mas Edward queria fazer algo especial e eu sabia que ele estava aprontando algo, por isso, marquei uma consulta com a Dra. Lucy, porque, por mais eu que amasse a Lily, não estava pronta para ser mãe novamente tão cedo, e optei pela injetável trimestral, que a Dra. Lucy me explicou que não diminuiria meu leite, já que eu ainda estava amamentando. E era algo que eu estava pensando em fazer antes de engravidar, quando Edward e eu começamos a ser um pouco — ou muito — irresponsáveis e eu estava mudando da pílula para injeção.
– E como está a bebê, tudo certo? — ela indagou, sorrindo gentilmente para mim.
Eu sorri de volta.
– Tudo ótimo! — respondi. — Crescendo tanto que tenho até medo de fechar os olhos e acordar e ela já estar enorme.
Ela riu.
Depois de me fazer mais algumas perguntas, ela me liberou, me desejando sorte e já me dizendo quando eu deveria marcar meu retorno.
Quando eu cheguei em casa, Kaure estava brincando com Lily. Conversei um pouco com ela, antes de dizer que tomaria um banho rápido. Quando saí do banho, Edward já havia chegado e estava com Lily no colo enquanto Kaure preparava o lanche dela. Ela insistiu em alimentar Lily, só indo para casa dela depois que tudo estava limpo e nossa filha estava limpa e alimentada.
– Vejo vocês amanhã — ela jogou um beijo para nós. — Até amanhã, princesa Lily!
Edward trancou a porta atrás de Kaure, vindo até a mim e realmente me cumprimentando.
– Hmmm… senti saudades — ele sussurrou.
Eu sorri contra a sua boca.
– Eu também — murmurei de volta.
Senti meu celular vibrar contra o meu bolso e me separei de Edward, entregando-lhe nossa filha, que já levou suas mãozinhas até o cabelo dele, e puxei o celular do bolso.
Meu sorriso congelou quando eu vi a pessoa que estava me ligando e eu fiquei ali, parada, olhando para o meu celular, sem saber o que fazer.
– Edward… — eu sussurrei.
Ele me fitou, parecendo meio preocupado.
– O quê? — indagou. — O que foi?
Eu virei meu celular em sua direção e ele rapidamente olhou, imediatamente entendendo. Ali, no visor, estava escrito Pai.
Uma pessoa que não me ligava fazia mais de um ano. Desde quando eu anunciara que estava grávida.
– Eu não quero atender… — eu sussurrei. — Eu não posso…
Eu simplesmente não sabia o que iria dizer a ele. Não estava pronta para isso. Não estava pronta para simplesmente esquecer e fingir que nada tinha acontecido. Eles eram meus pais, sim, mas haviam me abandonado quando eu mais precisava. E, pior, queriam que eu tivesse feito um aborto, me livrado de uma pessoa que era a minha filha, a coisa mais importante que eu tinha na vida.
– Então, você não atende, baby. — Ele pegou o telefone da minha mão e ignorou a ligação, colocando o celular na mesinha próxima dali. — Vem cá…
Ele me envolveu em seus braços, abraçando a mim e a Lily ao mesmo tempo, e eu apoiei minha cabeça em seu peito, sentindo seu coração batendo, deixando que aquilo ali me acalmasse.
– Me sinto terrível por ignorar a ligação dele quando esperei por isso por tanto tempo — sussurrei, algum tempo depois. — Mas não consigo fingir que nada aconteceu…
Ele me apertou mais em seu abraço, não dizendo nada, apenas depositando um beijo no topo na cabeça, porque ele sabia, ele entendia, que, naquele momento, eu precisava desabafar.
– Eu me sinto confusa, confesso — continuei, minha cabeça ainda apoiada em seu peito. — Tudo o que eu sempre quis foi que meus pais me procurassem, que a gente pudesse ser uma família de novo, que eles conhecessem Lily…
Afastei-me um pouco, sorrindo um pouco para a minha filha, que mordia a camisa de Edward, soltando seus barulhinhos agradáveis, que, não importava o quão meu dia tinha sido ruim, sempre me faziam rir.
– Mas agora que estou conseguindo tal coisa… — encolhi os ombros. — Não consigo falar com eles. Não sei o que dizer.
Suspirei pesadamente, ouvindo o celular vibrar novamente.
– Como eles conseguiram, Edward? — Voltei meus olhos para o meu namorado. Ele estava sério, me fitando, ao mesmo tempo que tentava afastar a boca de Lily da camisa dele. Ela não estava gostando muito disso, já que ultimamente gostava de morder tudo o que via pela frente. — Como conseguiram me pedir para acabar com a vida de Lily? Hoje, quando penso em como seriam as nossas vidas sem ela…
Estremeci.
E finalmente parei de falar, me sentindo tão confusa naquele momento, que eu simplesmente não tinha ideia do que dizer. E nem do que fazer.
– Eu sei, amor — ele disse. — Eu te entendo completamente. E já te disse: você precisa de um tempo, o tempo que quiser, e você terá. E eu vou estar aqui, ok? Gostaria de dizer palavras que pudessem aliviar o que está sentindo, mas conta saber que vou lhe apoiar em qualquer decisão que tomar?
Eu sorri para ele, voltando para os seus braços.
– Conta — murmurei. — Conta muito.
Ele sorriu contra minha cabeça.
– Precisamos mesmo de uma noite só nossa, baby — ele disse, um tempo depois. Lily completamente inquieta em seus braços; eu sabia que não demoraria muito para ela começar a reclamar. — Vou providenciar isso o quanto antes, ok? Você precisa se distrair…
Eu sorri.
– Ok — murmurei.
– E vai ficar tudo bem — ele prometeu, depositando outro beijo na minha cabeça. — Confie em mim.
Afastei-me um pouco, fitando os olhos verdes que eu tanto amava. Um dia, daqui a muitos anos — uns dez, talvez -, eu queria ter outro filho com ele, um filho que nascesse com aqueles olhos…
– Eu confio — beijei-o levemente nos lábios. — E muito.
E eu realmente confiava.
_
Como prometido, Edward procurou me distrair nos próximos dias. E quando o sábado chegou, ele me expulsou para um spa, querendo que eu aproveitasse o dia. Charlie e Renee continuavam a me ligar, mas eu ignorava todas as ligações, ainda não me sentindo pronta para conversar com eles. Leah havia me dito que eles tinham ligado para ela, perguntando por mim, e eu havia dito para ela que ainda não estava pronta. Ela disse que passaria esse recado para eles, mas não me importei em perguntar se ela tinha feito isso ou não.
Como eu disse, ainda não estava pronta.
Quando cheguei do spa, Kaure estava com a bolsa de Lily no colo, parecendo mais cheia do que o habitual, e com a minha filha no colo. Ela sorriu quando me viu, esticando os bracinhos em minha direção.
– Oi, amor. — Peguei-a no colo e beijei seu rostinho gordinho. Ela soltou a gargalhada que eu tanto amava. — Vai passear em algum lugar?
Kaure riu.
– Ela vai passar o resto do dia e a noite toda comigo em meu apartamento — disse. Eu ergui a sobrancelha. — Não discuta comigo, srta. Bella. Edward saiu por um tempo, mas estará de volta em breve. Ele deixou tudo pronto no quarto de vocês para você.
Eu senti um sorriso nascendo em meu rosto. Edward disse que nós tínhamos que ter uma noite só nossa… E por mais que eu fosse sentir falta de Lily, eu sabia que precisávamos mesmo daquilo.
– Ok… — murmurei, meio relutante. — Vem cá, meu amor, dá um beijo de despedida na mamãe… Ela vai morrer de saudades de você…
Fiquei com Lily durante mais alguns minutos, antes de liberá-la para ir embora com Kaure. Depois de trancar o apartamento, fui até o nosso quarto e vi um vestido azul, que eu sabia que Edward amava, em cima da nossa cama. Havia um bilhete dele também.
Um que me fez sorrir.
Arrume-se e fique ainda mais linda para mim, srta. Swan. Porque hoje à noite, meu amor, você finalmente será toda minha.
E eu mal podia esperar.
Fale com o autor