Unwritten
6 Capítulo Cinco
Notas iniciais
Bella POV.
Eu fiquei mais algum tempo ali parada, sentindo as lágrimas escorrerem em meu rosto. Por fim, respirei fundo e as limpei. Leah chegaria aqui dentro de algumas horas e eu queria que tudo estivesse pronto. Antes, no entanto, eu precisava sair um pouco.
Caminhei ali por perto do meu prédio, um pequeno sorriso nascendo em meu rosto quando eu vi um avô passeando com duas crianças. Eu os observei durante alguns minutos, me imaginando fazendo o mesmo com o meu filho dentro de algum tempo. Ele teria seis meses no próximo Natal…
Como as coisas seriam, então?
Levei as minhas mãos até o meu ventre e o acariciei lentamente, sorrindo novamente. Eu estava assustada, provavelmente estragaria tudo e o bebê me odiaria para sempre, mas era o meu bebê, meu filho…
Seria uma menina? Ou um menino? Ele se pareceria comigo ou com Edward? Ou seria uma mistura perfeita de nós dois? Eu fiz um pedido mental para ele se parecer exatamente como o pai… Ele seria o bebê mais lindo do mundo…
Caminhei um pouco mais, antes de voltar para o apartamento e começar a preparar tudo. Não fiz nada muito elaborado, apenas um jantar mais caprichado, por assim dizer. Quando terminei, corri para o banho. Eu não demorei muito lá, já que não queria me atrasar. Enrolei-me na toalha dez minutos depois e saí do banheiro, começando a procurar por uma roupa.
Nos últimos dias, eu percebi que as minhas calças estavam começando a ficar apertas, assim como os meus sutiãs, por isso eu não tinha muita opção de roupa mais — e eu sabia que logo teria que comprar algumas coisas -, então acabei pegando um vestido mais soltinho que Leah havia me dado de presente de aniversário. Prendi meus cabelos em um rabo de cavalo e coloquei sapatilhas.
Eu estava terminando de arrumar a pequena bagunça que havia feito quando ouvi o barulho de chaves na porta, fazendo-me encolher um pouco. Continuei organizando tudo, ainda meio ressentida com o que eu tinha acontecido mais cedo.
Peguei uma caixa que estava guardada no fundo do closet e comecei a guardar algumas roupas que não serviam mais, apenas para passar o tempo. Eu senti quando Edward parou na entrada do quarto, mas continuei olhando as minhas roupas, deixando no closet aquelas que eu sabia que ainda serviam e guardando na caixa aquelas que eu voltaria a olhar futuramente — depois que o bebê nascesse e eu tivesse emagrecido.
– Bella?
Respirei fundo e fechei os olhos, não querendo me virar e fitá-lo nos olhos. Apenas virei um pouco a cabeça, indicando que eu tinha escutado e que eu sabia que ele estava ali, mas não falei nada.
– Você precisa de alguma ajuda? — indagou. Eu balancei a cabeça negativamente. — Eu só vou tomar um banho rápido antes da sua irmã e Sam chegarem, ok?
Assenti, mas não disse nada, ainda magoada e meio com raiva pela maneira que ele vinha agindo nos últimos dias e o que ele tinha feito hoje, principalmente o que ele tinha feito hoje. Ele ficou ali durante mais alguns segundos, mas não disse nada. Por fim, suspirou e entrou no banheiro, fechando e trancando a porta atrás de mim.
Soltei um suspiro de alívio e finalmente abri os olhos. Talvez eu estivesse agindo de forma irracional, mas o que mais eu podia fazer?
Continuei arrumando o closet, mais para me distrair do que qualquer outra coisa, já que eu tinha tempo para fazer isso nos próximos dias. Eu provavelmente não terminaria hoje, mas era bom ter algo para ocupar a cabeça.
Edward saiu do banho não muito depois e entrou no closet rapidamente, apenas para pegar uma roupa para vestir. Eu continuei distraída, mexendo na minhas roupas, mesmo sabendo que ele estava observando cada movimento meu.
– Bella? — chamou, algum tempo depois. — Será que nós po-
A campainha do apartamento tocou, o que eu agradeci. Coloquei-me de pé e falei que atenderia, saindo do closet e deixando-o ali sozinho. Eu sorri quando abri a porta e vi Sam e Leah parado ali, ambos sorrindo também.
– Feliz Natal! — Leah gritou, puxando-me para os seus braços. — Você está linda, Bella!
Eu ri.
– Feliz Natal — respondi. — Obrigada! Você também.
Eu abracei o meu cunhado e deixei que ele beijasse a minha bochecha, antes de me afastar. Peguei os dois e puxei-os para dentro. Eles me entregaram quatro sacolas com presentes, o que me fez sorrir.
– Um é para você e o outro para Edward. — Sam explicou, sorrindo. — E os outros dois… bem, sua irmã não resistiu e resolveu comprar algo para o nosso sobrinho.
Ainda sorrindo, eu abri rapidamente o meu. Agradeci assim que vi uma pequena cesta cheia de óleos corporais, sabonetes líquidos, cremes e um perfume. Antes de abrir os dois do bebê, eu peguei o que havia comprado a eles e entreguei. Edward escolheu esse momento para aparecer, já vestido. Ele cumprimentou os dois e abriu o presente, agradecendo pela camisa e pelo perfume que eles haviam dado.
– Agora vamos ver o que vocês compraram para o bebê — sorri.
Meus olhos se encheram de lágrimas quando eu vi um pijama, branco com patinhos amarelos, tão pequeno que parecia impossível que ele fosse caber em um bebê. Eu olhei para a minha irmã, sorrindo imensamente, antes de partir para o segundo, que tinha mais algumas roupinhas e sapatinhos.
– Obrigada! — Eu a abracei. — De verdade. Você sabe que não precisava se preocupar…
Levei-os até a cozinha e fiz com que eles se sentassem, antes de esquentar a comida rapidamente e servir. Durante todo o jantar, enquanto ríamos e conversávamos, eu evitei olhar para Edward, não querendo que Leah percebesse que havia algo estranho acontecendo entre nós dois. Ela já tinha me ajudado tanto — eu não queria atrapalhar ainda mais.
Entretanto, embora eu tivesse feito um esforço para não deixar que ela percebesse, Leah me conhecia muito bem.
– O que foi? — indagou, quando ficamos sozinhas na cozinha. Sam e Edward tinham ido para a sala, assistir a TV. — Aconteceu algo?
Eu empurrei um sorriso para fora do rosto.
– Não, está tudo bem — menti. — Quer beber algo?
Ela estreitou os olhos.
– Bella… — começou.
Eu senti as lágrimas encherem os meus olhos e virei o rosto, não querendo que ela as visse. Leah deu a volta, entretanto, e parou na minha frente, puxando-me para os seus braços. Eu lutei no começo, cansada de chorar, cansada de deixá-la me ver dessa maneira e ter que lidar com os meus problemas. Minha irmã não deixou, porém. Apenas me segurou mais forte enquanto murmurava que tudo ficaria bem.
Não sei por quanto tempo chorei. Leah apenas continuou ali, me abraçando, nunca me perguntando nada, como se ela soubesse que eu precisava desabafar e de um ombro para chorar. Quando me afastei da minha irmã, momentos mais tarde, sentindo-me um pouco melhor, eu vi Edward parado na porta. Ele parecia preocupado e abriu e fechou a boca diversas vezes, como se quisesse dizer algo.
– Está tudo bem. — Eu o ignorei e virei para a minha irmã, enquanto esfregava as mãos no rosto, querendo tirar os vestígios das lágrimas. — Eu só… só precisava desabafar um pouco.
Ela assentiu, olhando de mim para Edward, parecendo um pouco confusa.
– Edward? — chamou. — Pode me dar um minuto com a minha irmã, por favor? Eu já te chamo, ok?
Eu senti seus olhos em mim durante alguns segundos, mas não olhei para ele. Leah puxou a cadeira e fez com que eu sentasse, fitando-me com atenção.
– Ok, Bella, vamos lá — murmurou. — O que está acontecendo aqui?
Eu pensei em abrir a boca e dizer tudo o que vinha acontecido nos últimos dias, em como Edward estava estranho, mas, novamente, lembrei-me que já havia dado muito trabalho para Leah e não queria preocupá-la mais. Por isso, apenas encolhi os ombros, decidida a contar uma meia verdade.
– Edward não sabe nada sobre o feriado de Ação de Graças — comentei. — E nem que mamãe veio aqui ontem…
Ela arregalou os olhos.
– Bella! — murmurou. — Por quê?
Eu suspirei e encolhi os ombros, rapidamente explicando o porquê. Contei a ela sobre a expressão que Edward fazia toda vez que eu comentava algo sobre o Ação de Graças e como estávamos ocupados nas últimas semanas, com tudo o que vinha acontecendo.
– Bella… — começou, balançando a cabeça de forma negativa.
– Não, Lee, por favor — murmurei, interrompendo-a. — É melhor assim… E-eu não quero que ele saiba o que meus pais fizeram comigo…
Leah não pareceu concordar comigo, mas apenas suspirou e não disse mais nada.
– Eu vou contar — continuei rapidamente. — Só estou esperando o momento certo...
Ela estreitou os olhos.
– Tipo quando o bebê estiver nascendo? — indagou de forma sarcástica.
– Só não fale nada, ok? — implorei. — Eu juro que vou contar em breve...
Leah abriu a boca para dizer algo, mas apenas assentiu, embora eu pudesse perceber que ela não estava satisfeita com a minha decisão. Nós voltamos para a sala, então, e encontramos Edward e Sam conversando. Ambos estavam sérios e se calaram assim que nos viram. Meu cunhado sorriu para mim e para a minha irmã, colocando-se de pé.
– Tudo bem aí? — Sam indagou, ainda sorrindo, enquanto puxava Leah para o seu lado.
Eu assenti, forçando um sorriso para fora do rosto, mas não disse nada. Eles ficaram durante mais alguns minutos, mas logo começaram a se despedir, já que trabalhariam no dia seguinte.
– Bella? — Leah me chamou, depois de se despedir de Edward. — Pode me acompanhar até o carro? Esqueci de te entregar algo…
Eu a segui, deixando Edward e Sam para trás, ainda sem dizer nada. Estava exausta, sinceramente, e não via a hora de me jogar na cama e dormir. Eu só queria descansar por algum tempo, deixar todos os problemas de lado.
Eu acho que precisava — e merecia — isso.
– Aqui… — Minha irmã puxou uma mala do porta malas e remexeu durante algum tempo, antes de puxar um envelope e me entregar. Eu a encarei, confusa, sem ter ideia do que estava ali dentro. — Abre, Bella. Eu sei que você vai gostar…
Ainda confusa, eu o rasguei e o abri.
– Eu sei que costumamos brincar uma com a outra quando se trata de nossos presentes — ela começou, antes que eu pudesse dizer algo. — Como as coisas estão um pouco tensas, eu decidi comprar um presente mais sério. Te dei aquela cesta porque eu sabia que era algo que você queria e gostava, mas decidi comprar isso também…
Eu encarei o cartão de cinco mil dólares de uma logo de bebês e crianças, sem conseguir acreditar que Sam e Leah haviam, de fato, feito aquilo. Eu sabia que ambos tinham um bom emprego e que eram financeiramente confortáveis, mas… cinco mil?
– Lee… — sussurrei. — É muito.
Ela revirou os olhos.
– Não, não é — respondeu. — Você vai precisar, acredite em mim. Compre tudo. Berço, roupas… Guarde o seu dinheiro para a faculdade e para as outras contas. Sam e eu conversamos… e decidimos que esse cartão era o melhor presente para você.
Eu senti as lágrimas tomando conta dos meus olhos.
– E-eu não posso aceitar — continuei. — Você já fez muito… Você me colocou em seu seguro saúde, pelo amor de Deus! Leah, eu… eu…
Ela revirou os olhos novamente.
– Bella, aceite, ok? — cortou-me. — Ou você não acha que eu tenho o direito de mimar o meu afilhado?
Eu ri, embora ainda não estivesse certa sobre o presente que ela havia me dado.
– Afilhado? — indaguei. — Você já decidiu, por conta própria, que vai ser a madrinha do meu bebê?
Ela me deu um pequeno soco no braço de brincadeira.
– Claro que serei — riu. — Ou você acha que a deixarei chamar outra pessoa? Óbvio que não!
Ainda rindo um pouco, eu puxei a minha irmã para um abraço e respirei fundo, sem conseguir acreditar em tudo o que ela tinha feito — e vinha fazendo — por mim nos últimos meses. Chorei um pouco, também, já que eu não conseguia controlar as minhas lágrimas mais, enquanto a agradecia sem parar. Afinal, eu não tinha ideia do que eu estaria fazendo se eu não tivesse o apoio de Leah e Sam.
Ao menos, eu tinha os dois comigo.
– Não se preocupe com isso, ok? — Ela me apertou um pouco mais. — Descanse, relaxe, procure não ficar tão estressada. Você e o bebê merecem isso.
Eu sorri.
– Agora, Bella… — Ela se afastou um pouco, seu rosto agora sério, mantendo seus olhos nos meus. — Você tem que contar ao Edward, ok? Vocês têm que conversar. Evitar falar no que aconteceu no Ação de Graças não vai ajudar em nada. Por isso, sente-se e converse com ele, ok?
Eu assenti, mas não disse nada. Eu não sabia se estava pronta para falar com Edward sobre isso ainda. Abracei a minha irmã mais um vez e tornei a agradecer, antes de me virar e acenar. Encontrei-me com Sam na porta, se despedindo de Edward e me atirei nos braços do meu cunhado, sentindo as lágrimas encherem os meus olhos novamente.
– Obrigada pelo presente — eu murmurei. — Significa muito para mim.
Ele riu, afagando as minhas costas.
– Não se preocupe com isso, baixinha — respondeu. — Tudo do bom e do melhor para o meu afilhado.
Eu me afastei e ergui a sobrancelha, enquanto limpava as minhas lágrimas.
– Você também? — perguntei, rindo.
Ele assentiu.
– Claro! — disse. — Nada de chamar outra pessoa, senhorita Swan.
Abracei-o mais uma vez, antes de ele se afastar. Por fim, suspirei pesadamente e, ignorando Edward completamente na porta do nosso apartamento, eu entrei, indo direto para a cozinha e começando a limpar tudo.
Fiquei sozinha durante algum tempo, mas não muito. Logo, senti a presença do meu namorado na porta da cozinha, mas não me virei. Continuei a limpar tudo, guardando a comida que havia sobrado e colocando os pratos no lava-louças.
– Bella? — Ele chamou, dois minutos depois.
Eu respirei fundo e fechei os olhos, ainda com raiva e magoada pela maneira que ele vinha agindo nesses últimos dias.
– Sim? — respondi, sem me virar.
Eu o senti se aproximar, mas continuei limpando, embora as minhas mãos estivessem tremendo. Congelei, porém, quando senti as mãos dele em minha cintura, puxando-me para o seu peito.
– Me desculpe — sussurrou. — Por ter agido daquela maneira, por ter te deixado sozinha… eu só… eu só não tenho ideia do que…
Virei-me, deixando que ele me visse, para que ele soubesse quão magoada eu tinha ficado. Suspirei pesadamente, sem saber o que dizer. Eu não queria brigar com ele, mas também não queria só dizer ‘tudo bem’ e seguir em frente como se nada tivesse acontecido.
Minha irmã estava certa em uma coisa: nós definitivamente precisávamos conversar. E se eu ainda não conseguia contar a ele sobre o que havia acontecido no feriado de Ação de Graças, ao menos poderíamos falar sobre certas coisas. Sobre as atitudes, por exemplo.
– Eu também não tenho ideia do que estou fazendo, Edward — eu comecei. — Você acha que tenho? Que sonhei em ser mãe aos dezenove anos?
Ele suspirou e olhou para baixo, mas não disse nada.
Eu respirei fundo e fechei os olhos, tentando me acalmar.
– Não quero brigar com você — disse. — De verdade. Mas… machucou, sabia? Machucou passar o feriado sozinha enquanto você saía com os seus amigos, como se eu ou o bebê não importássemos.
Edward continuou calado.
– Eu só… — suspirei. — Estou cansada, ok? Podemos conversar depois? Eu realmente só quero tomar um banho e dormir.
Não esperei que ele dissesse nada, porque sabia que começaria a brigar e discutir com ele a qualquer momento. Certa de que precisava me acalmar um pouco, eu fui até o quarto e peguei um pijama, antes de seguir para o banheiro e me trancar lá. Quando saí, vinte minutos mais tarde, a casa estava praticamente escura.
E Edward estava sentado no sofá, olhando para mim com um pequeno sorriso nos lábios.
– Leah me disse que você parecia cansada e que não era bom para você e para o bebê se você se estressasse muito — comentou. — Então… que tal você vir aqui, se sentar ao meu lado e escolher um filme? Está passando alguns bons filmes de Natal e eu sei que você gosta…
Eu o olhei por um momento, sem saber o que fazer.
– Eu até fiz pipoca! — comentou, mostrando a vasilha no centro da mesa.
Sorrindo um pouco, eu caminhei até ele e me sentei ao seu lado. Ele nos cobriu com um cobertor, antes de ajeitar as almofadas ao nosso redor, do jeito que eu gostava. Estiquei as pernas e as coloquei na mesa do centro, antes de, mesmo de forma relutante, colocar a minha cabeça em seu ombro.
Nenhum de nós disse nada durante algum tempo. Edward pegou a pipoca e colocou no colo, antes de me entregar o controle e, como havia prometido, me deixar escolher o filme que iríamos assistir. Nós demos uma boa risada, apenas curtindo o momento.
E quando o filme acabou e eu comecei a me levantar para levar a vasilha — agora vazia — para a cozinha, ele me segurou, seus olhos verdes me fitando com atenção.
Deus, eu espero que o bebê tenha os olhos dele.
– Eu sinto muito, de verdade — ele murmurou. — Eu sinto por ter te deixado sozinha, ok? Nada justifica isso.
Eu assenti.
– Só, por favor… não faça isso novamente, ok? — pedi.
Ele assentiu.
Deixei que ele me abraçasse e respirei fundo, apoiando a minha cabeça em seu peitoral. Fechei os olhos e fiquei ali durante algum tempo.
Só não me desaponte, Edward, por favor, me vi pensando.
Porque eu não sabia se iria conseguir lidar com isso.
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Os dias se passaram rapidamente e, para a minha surpresa, Edward ficou comigo no Ano Novo. Ele ainda parecia diferente, mais quieto do que antes, e por vezes eu o via com um olhar tão triste que sentia vontade de chorar.
Mas, pelo menos, ele não tinha voltado a fugir de tudo passando horas e horas com os amigos dele.
Entretanto, assim que o ano de 2014 começou e nós voltamos à nossa rotina com a universidade, algo mudou. Era uma quarta e ele parecia bem e feliz. Como chegamos cedo à faculdade, ele me acompanhou até a sala da minha primeira aula e beijou-me suavemente, abraçando-me com cuidado, antes de seguir para a sua sala. Eu me peguei sorrindo, feliz por ele estar tentando.
Mas essa felicidade não durou muito.
Ele ficou na faculdade estudando até um pouco mais tarde, na biblioteca, e eu, como não tinha que me preocupar com aquilo por agora, peguei o seu carro e fui para casa. Ele prometeu que estaria em casa na hora do jantar e, me sentindo verdadeiramente animada pela primeira vez em semanas, eu preparei algo especial para nós dois.
E Edward não apareceu.
Ele chegou tarde, meio bêbado, e não respondeu as perguntas que eu fiz a ele, se limitando a dizer que estava com sono e que conversaríamos no dia seguinte.
Só que nós não conversamos.
Ele voltou a sair com seus amigos e nós mal nos víamos. Ele estava dormindo ao meu lado sempre que eu acordava e nós sempre íamos juntos para a faculdade. Mas só conversávamos sobre a consulta do bebê — eu sempre o lembrava que ela estava se aproximando.
E que nela, nós provavelmente saberíamos o sexo do bebê — o que me deixava mais animada ainda.
Edward não parecia animado com isso, porém. Ele se limitava a balançar a cabeça, indicando que tinha escutado, mas nunca dizia nada. Ele tinha se fechado novamente.
E eu não tinha ideia do que fazer.
Quando o dia da consulta chegou, eu acordei mais cedo do que deveria, animada demais. Era um sábado e Edward e eu não tínhamos aula naquele dia, por isso, eu não imaginei que teria problemas com ele sumindo o dia todo.
Entretanto, ao olhar para a cama e ver que ele não estava ali e depois de olhar o apartamento todo e constatar que ele estava vazio, eu suspirei pesadamente, sentindo meus olhos enchendo de lágrimas.
Eu não conseguia acreditar que ele tinha saído antes de eu ter acordado, não conseguia acreditar que ele estava agindo daquela maneira, deixando-me sozinha.
Nervosa, peguei meu celular e digitei uma mensagem rápida, lembrando-o da consulta. Esperei durante alguns minutos, mas ele não respondeu. Ainda chorando um pouco, eu corri para me arrumar.
Eu não deixaria que Edward estragasse completamente o meu dia. Eu iria para essa consulta e descobriria o sexo do meu bebê — um bebê que ele não parecia querer mais.
Tomei um banho rápido, tentando não pensar nisso, e quando saí dele, mandei mais uma mensagem para Edward. Fiz algumas panquecas e as comi rapidamente, e quando já estava pronta, saí do apartamento, um pequeno sorriso nascendo em meu rosto quando me encarei no espelho do elevador e vi que dava para notar um pouco da minha barriga, graças à blusa um pouco mais apertada que eu usava.
Peguei um táxi e disse o endereço, antes de encostar a cabeça no banco e fechar os olhos por um momento. Senti o meu celular vibrar e sorri, pensando que era Edward, dizendo que estava a caminho, mas meu sorriso morreu quando eu vi que era Leah.
Minha irmã estava, também, ansiosa para saber o sexo do bebê.
Assim que sair da consulta, me mande uma mensagem! Mal posso esperar!
Eu suspirei pesadamente e respondi, dizendo que ela saberia assim que eu chegasse em casa, e coloquei o celular novamente na bolsa.
Edward não viria.
Edward não estaria comigo quando a médica anunciasse o sexo do bebê.
Eu senti as lágrimas tomando conta dos meus olhos, mas os apertei com força, impedindo-me de chorar. Eu não queria que a médica me visse daquele jeito, não queria que ninguém do consultória dela me visse daquela maneira.
Paguei o taxista e saí do carro assim que ele estacionou, murmurando um ‘obrigada’. Informei à secretária que havia chegado e, após entregar os documentos necessários, sentei-me.
Meus olhos varreram o local, encontrando diversas mulheres sentadas, algumas rindo e conversando com o seu parceiro, outras acariciando uma barriga muito maior do que a minha. Fiquei ali, inquieta, enquanto esperava a médica me chamar, e suspirei, aliviada, quando o meu nome foi chamado, cerca de vinte minutos depois que eu havia chegado.
– Bom dia, Bella. — A Dra. Adams sorriu gentilmente. Eu vi que ela olhou para trás, provavelmente à procura de Edward, e imediatamente virei o rosto, não querendo que ela visse a tristeza ali. — Veio sozinha hoje?
Eu forcei um sorriso para fora do rosto e assenti, mas não dei maiores explicações.
Nós conversamos um pouco, como sempre, e eu expliquei para ela como esse mês havia sido. Tentei não me mostrar muito excitada quando eu perguntei se já era possível saber o sexo e ela respondeu que sim, mas, pelo seu sorriso, eu pude ver que não obtive muito êxito.
– Então, vamos lá? — Ela indicou à porta ao lado. — Vamos ver o quanto esse bebê cresceu.
Um sorriso enorme tomou conta do meu rosto e eu rapidamente fui para a já tão conhecida sala, mais rápido do que o costume, ansiosa para saber se eu estava esperando um menino ou uma menina.
– Você tem alguma preferência? — A médica indagou, já ao meu lado, colocando o gel em meu ventre.
Eu neguei.
– Sinceramente, não — respondi. — Mas quero começar a pensar em nomes… e quero preparar o berçário do bebê, então preciso saber se escolho azul ou rosa.
Ela riu.
Não demorou muito para a imagem aparecer na tela e as lágrimas tomarem conta do meu rosto, como sempre acontecia quando eu via o meu filho. Eu prestei atenção em tudo o que a médica falava, incapaz de dizer algo.
– Parece que alguém está chupando o dedo — ela comentou, fazendo-me rir.
Ela continuou observando tudo de forma atenta e eu fui ficando mais ansiosa a cada minuto que passava.
– E então? — indaguei, quando não aguentava mais esperar. — É possível saber o sexo?
Ela olhou-me rapidamente, sorrindo. Quando ela assentiu, eu sorri ainda mais.
– É um menino? — tornei a perguntar, antes que ela pudesse dizer alguma coisa. — Ou é uma menina?
Ela riu.
– Consegue ver aqui, entre as perninhas do bebê? — Ela apontou para a imagem. Eu estreitei os olhos e levantei a cabeça um pouco. — Bem, mamãe, parece que você terá… uma menina!
Eu senti as lágrimas encherem os meus olhos e, dessa vez, não impedi que elas caíssem. Continuei encarando a imagem, um sorriso enorme no rosto. Uma menina.
Depois dessa notícia, mal consegui prestar atenção ao resto da consulta e ao que a médica dizia.
Agradeci a ela por tudo e, após me despedir, marquei a minha próxima consulta com a secretária e saí do local, ainda sorrindo, a imagem que a médica havia imprimido em minhas mãos. Peguei outro táxi e, após dar a ele o endereço do meu apartamento, eu me perdi completamente no meu bebê. Na minha menina.
Entretanto, assim que entrei no apartamento, vazio demais, eu senti novas lágrimas tomando conta de mim, mas não mais de felicidade. Eu sempre teria essa memória, de saber o que eu esperava, mas Edward não.
E tinha sido escolha dele.
Sentindo-me de repente muito cansada, eu caminhei até o sofá e me sentei ali, minha mão esquerda indo até a minha barriga e a acariciando, enquanto eu segurava a imagem da ultrassonagrafia. Eu havia esperado por esse dia, imaginando-o de diversas maneiras…
Mas nunca desse jeito.
Suspirei pesadamente, balançando a cabeça e procurando me acalmar. Lembrei-me de alguns artigos que eu tinha para ler, que provavelmente me ajudariam a me distrair, e estava prestes e me levantar para pegá-los, quando escutei o barulho de chaves e a porta sendo aberta, fazendo com que eu congelasse no sofá.
Mantive meus olhos na porta, observando Edward entrar, sério. Ele passou pelo pequeno corredor que havia ali, jogando as chaves na mesinha e colocando seus materiais ali por perto, o que me fez franzir o cenho, já que nós não tínhamos aulas nos sábados. Ele se virou em direção ao quarto, por fim, mas parou de andar ao me ver ali.
– Bella — murmurou, acenando rapidamente com a cabeça.
Eu engoli em seco e fechei os olhos por um momento, antes de abri-los. Edward e eu ficamos calados durante alguns instantes, até ele notar as marcas de lágrimas em meu rosto e a ultrassonografia em minhas mãos.
– Está tudo bem? — indagou.
Eu ri de forma amarga e me levantei, fechando as minhas mãos em punho. Ele realmente iria fingir que não tinha acontecido nada? Que ele não havia perdido uma consulta do bebê? Respirei fundo, tentando me controlar e me acalmar, mas foi em vão. Encarar Edward, e vê-lo tão despreocupado, como se nada tivesse acontecido, só fazia com que eu sentisse mais raiva.
– Se está tudo bem? — gritei. — Você realmente está perguntando se está tudo bem?
Ele franziu a testa, parecendo confuso.
– Hmmmm… — murmurou, ignorando o fato de que eu havia acabado de gritar. — Eu não posso perguntar se está tudo bem?
Eu ri novamente, sem conseguir acreditar que ele estava agindo daquela maneira. Eu ainda estava assustada com essa gravidez, ainda achava que a minha filha iria me odiar, e agora aqui estava eu… brigando com a pessoa que deveria, acima de tudo, ficar ao meu lado em um momento como esse.
Não era pedir muito, era?
– Você não se lembra mesmo, não é? — sussurrei.
O olhar em seu rosto me disse o que eu precisava saber: ele tinha se esquecido da consulta.
– Hoje era o dia que descobriríamos o sexo do bebê, Edward — continuei, quando ele não disse nada. Ele arregalou os olhos, porém, mas eu continuei rapidamente, não querendo ouvi-lo naquele momento. — Aparentemente, isso não importa mais para você, não é?
– Bella… — começou. — Merda, eu… me desculpe. Eu precisei estudar um pouco e, depois, acabei começando uma partida com os meus colegas e…
– Eu já imaginava — dei de ombros, limpando as lágrimas, tentando não demonstrar como as atitudes dele vinham me magoando. — Deixa para lá. Já passou, não é? Não importa mais.
Respirei fundo, de repente me sentindo muito cansada. O que tinha começado como um dia perfeito, com uma ótima notícia, tinha terminado desse jeito. Eu só queria, agora, dormir um pouco…
– Não, Bella, eu…
Eu ignorei o que ele estava falando, ignorei até mesmo a vontade que eu tinha de olhá-lo, de atravessar a sala e me jogar nos seus braços. Sentia-me cansada demais para ter outra discussão com Edward. Só queria deitar e dormir.
– Bella? — Ele tornou a chamar, quando percebeu que eu não estava prestando atenção.
Balancei a cabeça e suspirei, erguendo-a e encarando aqueles olhos verdes que eu tanto amava. Eu realmente o amava — e muito. Entretanto, aquele Edward por quem eu havia me apaixonado, que esteve ao meu lado desde quando éramos crianças, parecia tão distante e tão diferente agora.
– Está tudo bem — dei de ombros. — Vou me deitar um pouco, estou cansada.
Virei-me e caminhei até o quarto, mordendo o lábio inferior com força para evitar que as lágrimas caíssem. Quando cheguei ali, lembrei da imagem na minha mão direita e a ergui. Um pequeno lado meu desejava que eu a escondesse de Edward, que não deixasse que ele soubesse que seríamos pais de uma menina. Mas eu não era assim. Magoada ou não, eu sabia que ele tinha direito de saber sobre aquilo.
– E bem, não sei se te interessa ou não... — murmurei, em um tom baixo, sem me virar para fitá-lo. — Mas… nós teremos uma menina.
E então eu entrei no quarto e fechei a porta, sem esperar por uma resposta.
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