O rosto de Stiles empalideceu o que não era pra menos, pois ninguém mais ninguém menos que sua “namorada” estava na porta, vendo uma cena não muito agradável para os olhos dela. Stiles não era o único assustado ali, visto que Derek também estava bastante sem jeito, já se levantando da cama e fazendo com que o garoto se levantasse também.

– O que você está fazendo aqui? – ele não tinha o que dizer, não estava certo fazendo aquilo, mas de qualquer forma, tinha que se esforçar para que nada acontecesse. Buscava uma camisa, uma roupa qualquer, um buraco para se meter e nunca mais sair, até que encontrou uma das camisas de Derek e vestiu.

– O que eu estou fazendo aqui?! O que você estava fazendo? Deitado com esse... argh! – sua voz estava exaltada, seu corpo parecia pronto para atacar, continha uma raiva imensa.

– Você está na minha casa, não ache que pode entrar aqui e falar o que quiser de quem quiser, entendeu? – embora Derek também estivesse errado quanto ao ocorrido, ele ainda tinha razão sobre aquilo, por mais que quase todo mundo já tivesse passado por ali e dado uma pontinha de estrago no loft do rapaz.

Os olhos de Malia brilhavam num azul intenso, suas garras já queriam sair de tanta raiva que ela sentia, mas aquilo não adiantaria de nada, e embora ela fosse muito intensa, reconhecia que sua atitude violenta seria inútil daquela forma. – Eu vou embora, continuem se curtindo, imbecis! – ela deu uma última olhada para Stiles, sua feição esmaeceu e aquilo doeu no garoto tanto quanto nela. Deu as costas e saiu, empurrando a porta com uma força tão anormal que o baque foi barulhento e a porta abriu mais uma vez pela força do impacto.

O garoto não sentia o chão, não via as paredes, parecia estar em uma queda livre eterna para o pior lugar do mundo. Seus joelhos cederam e caíram no chão, fazendo com que o garoto sentasse no solo frio do loft.

– O que foi isso aqui? – Peter descia as escadas apressado, ele vestia apenas uma calça de moletom branca que balançava de acordo com os movimentos apressados nos degraus. – Vocês estão bem? – seu olhar foi direcionado à Stiles, ajoelhado no chão e com o olhar fixo no ‘nada’. – O que houve Stiles? – ele se aproximou lentamente, seus olhos agora fitavam Derek que também se aproximava.

– Peter. – Derek levou um dedo à boca como se pedisse silêncio, logo ajoelhou ao lado do garoto e o puxou para si, mantendo o rosto dele encostado em seu peito enquanto seu queixo era apoiado na cabeça do garoto. – Tudo vai ficar bem. – sua mão grande agora afagava os cabelos da parte de trás da cabeça de Stiles.

– Não Derek. Não vai... – seus olhos ainda estavam bem abertos, não conseguia nem sequer piscar, parecia estar vivendo em um pesadelo.

Peter logo se ajoelhou também e abraçou o garoto junto ao sobrinho, aproveitando para beijar a cabeça dele e esfregar a ponta do seu nariz na orelha dele. – Nós estamos aqui com você. – sussurrou com uma voz rouca e calma.

○○○

Depois de muito tempo sendo consolado por Derek e por Peter, todos finalmente caíram na real, ainda estavam ali, tinham que fazer algo mais além de pensarem no ocorrido, então cada um fez sua higiene matinal e logo o café estava na mesa, embora Stiles ainda estivesse um pouco em choque, na varanda do loft, pensativo.

– Isso vai ser difícil pra ele. – falou Peter, com uma xícara de café na mão, se aproximando de Derek que observava o garoto pela janela imensa de dentro do ambiente.

– Ele precisa da gente mais do que nunca, isso não vai ficar assim. Ela saiu daqui com os olhos quase derramando sangue, tenho certeza que irá se vingar dele. – os braços de Derek estavam cruzados, mostrando o seu peito volumoso no tecido da camisa cinza de gola ‘V’, seu ombro estava sendo afagado por Peter, ambos observando tamanha tristeza ali, por trás daquele vidro. Derek virou o rosto e estendeu a mão até a xícara que Peter segurava, puxando-a e dando um breve gole no café que havia ali dentro, soltando o recipiente que ainda era segurado pelo tio. – Vamos... – o desejo real de Derek era consolar o garoto sozinho, mas Peter também poderia ajudar. Antes que eles pudessem abrir a porta da varanda para atravessar, o toque do celular de Stiles foi ouvido, e de forma rápida Peter o pegou, finalmente abrindo a porta e indo na direção do garoto, o olhar perdido na floresta agora se virava para o celular na mão de Peter.

– Obrigado. – sua voz foi quase um sussurro. Ele tomou o telefone da mão do mais velho e atendeu, Scott ligava.

Stiles? Tudo bem? Já soube da novidade? – ele parecia feliz do outro lado da linha.

– Fala logo, cara. Não tô muito bem não. – sua voz expressava o que realmente estava sentido.

– O que aconteceu? Eu espero que nada de tão ruim. Mas enfim, estranho não saber ainda, mas já que não sabe vou te falar. Sabe aquele lobo que estava te caçando? Então, ele foi embora da cidade hoje. Quer dizer, não sei ao certo se ele foi embora ou se foi morto, porque o Chris falou que ele tinha ido, mas não disse exatamente para onde, e também a Lydia me mandou uma mensagem, falando que não sentia mais nenhum perigo rondar você. Agora pode voltar pra casa, não precisa mais ficar ai, não é legal? A Malia não esteve ai hoje pela manhã? Ela ficou bem feliz assim que soube da notícia e disse que queria lhe contar pessoalmente. – sua voz exalava alegria, o que já era de se esperar.

Stiles sentiu como se seu coração fosse atravessado por uma espada em chamas, logo depois retirado do seu corpo e esmagado com uma maça repleta de espinhos por toda a esfera, e como se aquilo não bastasse depois lhe jogaram álcool e tocaram fogo. Era daquela forma que estava se sentindo ao saber que tinha acabado com a felicidade da garota, e a felicidade dela era por saber que ele também ficaria feliz, o que o magoou ainda mais. Seu rosto novamente estava esbranquiçado, imaginava que ela pudesse estar chorando em algum canto, ou descontando a raiva em algo, ou pior, em alguém. – Eu... – ele estava sem palavras. – Vou comunicar aqui e logo volto pra casa. – desligou o telefone sem nem se despedir direito do amigo. De certa forma, estava feliz por saber que foi libertado daquele terror que era saber que havia alguém o perseguindo, querendo mata-lo, e ainda por cima, esse alguém ser um lobo, mas não tinha lugar para a felicidade quando pensava em Malia e como ela devia estar.

– O que houve? Está tudo bem? – Derek se aproximou dele, deixando Peter um pouco para trás.

– Eu não estou mais em perigo. Chris deu um jeito no lobo. – ele continuava com o rosto entristecido. – E Malia veio aqui justamente para me dar a notícia, e ela estava feliz... Estava. – uma lágrima escorreu pelo seu olho esquerdo, ele não esperou que Derek ou Peter se aproximassem para consolá-lo, mas fez isso por conta própria, abrindo os braços e já indo na direção do lobo, abraçando-o com força e desmoronando num choro abafado, visto que seu rosto estava escondido entre a nuca e o ombro de Derek. – Peter. – ele sussurrou em meio a soluços e lágrimas, chamando para que ele também participasse daquilo, o que prontamente foi atendido.

●●●

Já era manhã de segunda-feira, Stiles já estava de pé, ainda com certo remorso pelo dia anterior, carregando uma culpa sem igual. No domingo mesmo ele arrumou suas coisas e foi embora do loft dos Hale, precisava de um tempo sozinho e os dois lobos concordaram e incentivaram o garoto. Ele nem sequer tomou café, e seu pai havia feito comida, o que era raro. Só conseguiu ir até seu Jeep e dirigir para a escola, estacionando no lugar de sempre, o único diferencial era que Scott não o acompanhava mais até os corredores, pois ele chegava mais cedo para ficar com Kira por mais tempo. As roupas de Stiles eram as mais comuns possíveis, aquela camisa branca com uma de botões com estampa xadrez por cima, o velho jeans azul e um par de tênis brancos, sem contar com a mochila nas costas que compunham o look básico da escola. Ele caminhou por toda a extensão da calçada, subiu as escadas e então abriu a porta para entrar no local. Para a sua surpresa, ao abrir ali, todos no corredor o olharam, e não era um simples olhar, cada um parecia olha-lo de uma forma diferente. Sentiu-se como Lydia, todo ano, primeiro dia de aula, sempre uma roupa diferente e extravagante. Mas aquele não era o motivo da atenção voltada para ele – Essa não... – sussurrou para si já imaginando o que fosse.