Unusual Couple

7 Movimentos Cautelosos


O celular de Derek tocava insistentemente, mas ele só acordou de fato quando Peter o cutucou e sussurrou em seu ouvido que o celular estava tocando. Os olhos dele se abriram, a primeira visão foi do rosto do seu tio, sorrindo apenas com os lábios e olhando para ele, tão próximo que quase retirou o celular do bolso e o quebrou para poder ficar mais tempo com ele, ainda mais pelo carinho que Peter fazia nos cabelos do sobrinho, que o deixava tão... dele. Derek retirou o celular do bolso da calça e viu várias ligações perdidas de Scott junto a algumas mensagens, logo percebeu que aquilo era urgente. Seu tronco se ergueu na cama e ele se sentou, obrigando Peter a levantar também e se preocupar com a situação, removendo a faixa que estava enrolada em sua barriga e percebendo que não havia mais ferimento algum ali.

– O que houve? – perguntou Peter observando o semblante preocupado de Derek.

– Stiles sumiu. – respondeu já colocando as pernas para fora da cama e indo até onde havia jogado sua camisa na noite passada.

– Aonde você vai, Derek? – Peter retirou o cobertor da cintura e levantou da cama, indo até um pequeno armário ali e abrindo com pressa, procurando qualquer roupa que lhe servisse.

– Eles nos ajudaram ontem, tio. Eu preciso ajuda-los também. – nem se deu conta, mas havia chamado Peter de tio pela primeira vez, e aquilo era devido à proximidade dos dois.

– Eu vou com você. – Peter já havia colocado uma calça jeans azul e estava apenas colocando uma camisa branca, casual, já se adiantando e deslizando os pés para dentro dos tênis também brancos.

– Não Peter, você precisa des... – a fala de Derek foi interrompida quando Peter se aproximou e segurou em seu rosto, e o mais novo percebeu que ele iria fazer mais que aquilo, mas seus olhos foram fechados e ele movimentou a cabeça como se negasse o que iria fazer ao segurar o rosto de Derek. Os olhos de Peter se abriram mais uma vez e seus lábios estremeceram, ele pretendia uni-los aos de Derek naquele momento, não se importava com o parentesco, não se importava do que viesse a acontecer, ele só queria senti-lo como homem.

– Você não vai me deixar, Derek. – proferiu um tanto nervoso, puxando o sobrinho para si e o abraçando com força, logo o soltando e caminhando até a escada, descendo primeiro que o outro.

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Lydia estava aos prantos, no corredor, sentada ao lado da porta, enquanto Kira tentava mantê-la calma, mas parecia piorar tudo. Malia e Scott estavam dentro do banheiro, e embora a garota também estivesse com o emocional abalado, queria salvar o garoto de qualquer jeito, ela gostava dele, se sentia na obrigação de ajuda-lo. O cheiro era inconfundível, um lobisomem havia estado ali, mas não era possível distinguir quem poderia ter estado lá. O diretor da escola olhava tudo com estranheza, por mais que pedisse para os alunos se retirarem dali, Scott e Malia continuavam lá dentro, e aquilo era estranho para quem não sabia o que eles eram.

– Derek está aqui. – falou Malia, dirigindo o olhar para Scott que afirmou como se já tivesse notado.

– Peter também. – ele nem sequer havia lembrado o parentesco de Malia com o mais velho, na verdade, aquilo era insignificante no momento. – Vamos! – continuou Scott, saindo do banheiro junto com a garota, ambos sendo seguidos por Kira e Lydia que iriam aonde quer que eles fossem.

– Eu conheço esse cheiro. – Peter estava logo abaixo da janela que dava para o banheiro, aquele cheiro lhe era familiar, tentava lembrar onde já havia sentido ele.

– Esse cheiro me vem vagamente na cabeça, mas eu não lembro exatamente onde senti, mas foi... – pausou e lembrou-se do ocorrido com Peter na noite passada. – recente! Peter, os lobos que lhe atacaram. – Derek descobriu de quem era o cheiro, era do lobo que escapou do ataque a Peter.

– Vocês descobriram alguma coisa? – Scott chegou correndo, seguido de Malia e as outras duas.

– Foi um dos lobos que me atacaram ontem à noite, o único que fugiu, ele pegou Stiles, eu tenho certeza. – falou Peter.

– Então vamos atrás dele! O que estamos esperando, ele machucar o Stiles ou coisa assim? – disse Malia nervosa, já dando as costas ao grupo para seguir os rastros que não existiam, mas logo Scott segurou em seu braço, evitando que ela fizesse algo sem pensar.

Pobre Stiles, pensou Derek, com o rosto completamente infeliz, e Peter viu aquilo. Num momento rápido, ele pensou em simplesmente abraça-lo e tentar acalma-lo, mas ninguém ali estava sabendo da nova relação de Derek e Peter, embora soubessem da proximidade repentina dos dois, não sabiam ainda que trocavam carinhos, e o olhar de Derek direcionado a Peter só confirmou que não seria bem vinda nenhuma demonstração de afeto, não ali.

– Foi tudo minha culpa! Se eu não tivesse mexido no relógio dele, ele não teria chegado tão cedo, não teria ido ao banheiro e poderia estar na aula, agora, apresentando o trabalho de Finstock comigo. – novamente abraçou Kira e pôs-se a chorar, que afagou o cabelo da amiga para mantê-la calma.

– Não foi culpa sua, você não podia evitar, e não fez por mal. – falou Kira numa voz calma, tentando retirar aquela culpa que ela sentia.

– Vamos! Eu sei onde eles estão. – Peter atravessou na frente de todos, Derek foi logo atrás seguido de Malia, Scott e as duas garotas.

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Stiles tremia, e não era de frio, mas sim de medo. Pela primeira vez em algum tempo, não sentia proteção de absolutamente ninguém, estava encolhido em meio a algumas máquinas quebradas, o lobo que o havia sequestrado logo à frente, procurando algo no meio dos destroços.

– Por favor, podemos conversar, meus amigos podem ser seus também e não sentirá falta de mais ninguém. – ele falava como se tivesse encontrado a solução para tudo, mas o rapaz virou para ele com o rosto ainda mais enfurecido, agora fazendo seus olhos brilharem e suas garras saltarem. Ele correu para perto de Stiles e segurou em seu queixo com firmeza, fazendo a garra do polegar ser esfregada no lábio inferior do rapaz, que fechou os olhos imediatamente e sentiu algumas lágrimas serem derramadas no rosto.

– Você está vendo aquilo ali? – ele virou o rosto de Stiles para o meio da fábrica abandonada, obrigando-o a olhar para um lugar comum.

– Mas... Eu não vejo nada. – falou Stiles em soluços.

– É, mas ontem eu vi mesmo caído no chão, bem ali – apontou para o local – meus amigos serem mortos, três deles. Dois deles mortos pelo caçador, e o outro por aquele maldito lobisomem. – ele apertou o rosto do garoto com mais força e soltou em seguida, começando a passar as palmas das mãos nos olhos, como se quisesse esquecer aquilo.

– Eu sinto muito pelo senhor, mas eu não sabia, eu fui apenas ajudar um amigo. – falou Stiles tentando manter a calma que corria do seu corpo junto com o suor.

– E eu estou honrando os meus amigos! – o rapaz virou-se com rapidez e caminhou novamente até o garoto, já com as garras saltadas, as presas também. Rosnou e foi ao encontro do garoto, já erguendo o braço para descer direto na garganta do garoto.

Do lado de fora, um grito agudo foi ouvido, e o lobo recolheu as garras de imediato, tentando tapar as orelhas para não ouvir aquilo que parecia querer explodir sua cabeça, fazendo com que ele caísse no chão de tanta agonia.