Unusual Couple
4 Família deve permanecer unida - Parte 2
Notas iniciais
Depois de muita insistência de Peter, Derek finalmente o havia deixado partir, mas não completamente. O tio não poderia simplesmente ganhar todo aquele amor contido do sobrinho de uma forma tão natural e depois larga-lo, não sabendo até mesmo se voltaria vivo.
•••
Peter chegara ao local combinado com alguns minutos de antecedência, era uma fábrica abandonada próxima a estrada que dava acesso a Beacon Hills. Dias antes, Chris havia espalhado alguns boatos de que haviam alguns novos lobisomens por ali que, por vergonha de serem o que eram, se escondiam no local. Os caçadores morderam a isca e comunicaram a ida à cidade, era a oportunidade para Chris acabar com aquela ameaça de uma vez por todas.
Chris chegou à fábrica e preparou Peter para o que viria, dando-lhe alguns pontos para serem postos nos ouvidos, pois já havia colocado as famosas estacas que liberavam um som incomodo aos lobisomens, aqueles pontos serviriam para reverter o efeito dos sons das estacas, o que não afetaria em nada a audição de Peter.
O caçador subiu um lance de escadarias e se posicionou com sua pistola numa plataforma escura na parte superior do solo, mirando bem para onde Peter estava e mantendo a arma pronta para qualquer coisa que pudesse acontecer, até que finalmente percebeu o lobo farejar algo, e então seus olhos brilharam, suas presas apareceram e suas garras foram postas para fora, o que significava que havia alguém ali.
De uma forma rápida, um dos caçadores caiu do telhado, bem na frente de Peter, enquanto outro caiu atrás dele, da mesma altura. Peter estava perdido, sem saber o que fazer, já que nenhum dos outros dois havia aparecido.
– Então, viemos à procura desses novos lobos. Você por acaso é o dono do bando? – perguntou o caçador que estava atrás de Peter, ele era moreno, mais baixo que o alvo, seus olhos brilhavam em amarelo, deveria ser um beta, o que era estranho por ser tão temido.
– Não sinto cheiro de mais ninguém por aqui. – completou o outro, branco, loiro, alto, olhos bem azuis, o beta que mais tinha pose de alfa comparado ao outro visto anteriormente. – Será que estamos em uma emboscada, Philip? – conversava com o outro que começava a rir da situação, preocupando Peter, parecendo ter controle de tudo.
– Emboscada? É o que parecia! – surgiu mais um do meio da escuridão, com algumas das estacas de Chris nas mãos, quebradas entre as garras afiadas, que fez Chris se arrepender amargamente por não ter ligado assim que os primeiros apareceram. Ele era da mesma altura do que se chamava Philip, com cabelos negros e rosto barbado em loiro, provavelmente pintado.
– Hm... Que lobinho malvado temos aqui, não? – Falou o beta mais alto de todos aproximando-se de Peter vagarosamente e fazendo com que seus olhos brilhassem com mais intensidade. – E provavelmente não está sozinho. Jacker! – gritou o beta, fazendo o último deles surgir, na plataforma onde estava Chris, mais especificamente segurando os braços do caçador com um dos seus braços e o pescoço dele quase sendo esmagado pelo outro.
– Tudo sobre controle, chefe! – respondeu Jacker de cima da plataforma com Chris bem seguro em seus braços.
– Um bando sem um alfa, eu presumo. – Peter, sempre debochado, aquele seu sorriso encantador e sarcástico surgia, em plena ousadia. – Que tipo de lobos são vocês? – novamente sorriu, mas para a infelicidade do mais velho, o branco alto segurou em seu pescoço firme, com as garras quase perfurando ali, conseguindo levanta-lo com a força da sua raiva.
– O tipo de lobos que vocês não deveriam se meter. – falou num tom ameaçador e ao mesmo tempo sedutor, abrindo a boca para proferir mais algumas palavras e tendo como surpresa um chute de Peter em seu abdômen, fazendo-o soltar de imediato e novamente Chris tomar controle da situação, conseguindo puxar uma arma da parte de trás da sua cintura e atirar em Philip, direto no coração, que fez o lobo cair no chão como se estivesse agonizando. A bala estava carregada com wolfsbane e era forrada de prata, era provável que ele tinha morrido naquele exato momento.
Jacker soltou Chris e deu-lhe um chute nas costas, fazendo com que ele batesse nas grades da plataforma que estava e caísse daquela altura, por sorte, em cima de algumas caixas de papelão que amorteceram a queda.
O beta do bando levantou-se do chão e então o que havia destruído as estacas pulou por cima dele, surpreendendo Peter e caindo por em cima do mais velho, dando-lhe um soco na face no imediato momento da queda.
Chris levantou-se das caixas e Jacker pulou em sua frente, mas ele foi mais rápido e retirou uma faca de prata do apoio que tinha em sua perna e lhe esfaqueou o ombro, fazendo o lobo cair no chão com dor. Enquanto isso, Peter conseguiu empurrar o lobo de cima dele para longe, mas então um baque surdo foi ouvido. Uma pistola que o beta havia tirado da cintura acertou Peter na barriga, e o mesmo permaneceu no chão.
– Peter! Não! – um grito veio de longe, era Derek, correndo, parecia em câmera lenta, provavelmente os olhos do mais velho estavam vendo as coisas diferentes, ou a bala estava lhe causando alucinações.
Derek pulou em cima do beta do bando e segurou em sua garganta firme, apertando ali com força e logo impedindo o mesmo de respirar, e assim que o viu sem forças, rasgou sua jugular com as garras, fazendo com que o outro que havia sido empurrado para longe saísse correndo.
Chris certificou-se que o esfaqueado estivesse debilitado o suficiente e foi socorrer Peter, mas Derek já estava com ele nos braços, com sangue nos braços, lágrimas nos olhos e o rosto trêmulo. – Vá embora daqui agora, Argent! – proferiu Derek erguendo o rosto e mostrando sua feição cheia de raiva, capaz até mesmo de avançar no pescoço dele e degola-lo ali mesmo, mas era muita desgraça para uma noite só, e ele tinha ciência de que não era tudo culpa de Chris, Peter também tinha sua parcela de culpa.
O caçador somente foi ao lobo caído e retirou sua faca dele, dando-lhe outra facada direta no coração, acabando por mata-lo e então saindo daquele local.
– Peter, não me deixe, você prometeu Peter... – falou manso, com a mão completamente ensanguentada, mas para afagar o rosto do tio, aquilo não significava absolutamente nada.
A cabeça do mais velho martelou, ele realmente havia prometido aquilo, não poderia deixar o sobrinho sozinho daquela forma, não poderia deixar que seu carinho e afeto por ele fossem criados em vão, não poderia abandoná-lo. – Derek... – falou com dificuldade na voz, quase um sussurro. – É wolfsbane, eu não vou te deixar, mas preciso da ajuda de alguém. – completou a frase quase inaudível.
As veias negras já começavam a se formar ao redor do ferimento, se aquilo atingisse o coração de Peter, ele deixaria Derek da pior forma possível, e o que ainda pesava mais no ambiente era o fato de Derek não poder ajuda-lo por se tratar de uma bala de prata, feriria ele também, mas aquilo pouco importava, sua família era mais importante, ele tinha que salva-lo de qualquer forma, então se atreveu a enfiar o dedo no buraco do machucado contra a vontade de Peter que não podia nem sequer evitar, chegando a tocar a bala, mas tirando o dedo de imediato ao sentir o mesmo queimado.
– Não, eu vou te ajudar. Eu vou! – o tronco de Derek desceu, sua testa entrou em atrito com a de Peter, uma lágrima caiu no rosto do mais velho que logo pode sorrir, percebendo que o sobrinho realmente se importava com ele. – Eu amo você Peter. – Novamente o dedo de Derek adentrou o ferimento, e em meio a vários gritos de dor e angústia, ouviu-se um barulho agudo, incomum. A bala saíra de dentro do mais velho pelo esforço de Derek.
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