Unusual Couple
28 Desesperadamente Livre
O xerife batia insistentemente na porta do quarto de Stiles, não ouvia nada lá dentro. Nenhum sinal de choro, de raiva, de coisas quebrando, absolutamente nada. Por várias vezes tentou abrir a porta, mas ela estava trancada, com razão, ninguém sabia o que poderia acontecer caso alguém agisse por impulso.
– Stiles, eu só quero conversar, por favor, abra a porta. – o xerife continuou tentando abrir, sem sucesso.
Um barulho foi ouvido de dentro do quarto, tudo indicava que Stiles estava se levantando da cama pelo ranger das molas do colchão. Logo passos foram ouvidos, cada vez mais próximos até que finalmente a porta fora destravada. O garoto voltou para a cama antes que a porta fosse aberta.
O pai de Stiles entrou no quarto e observou, seu filho parecia uma criança emburrada ou triste com alguma coisa que tivesse magoado alguém que ele gostava. Estava deitado de bruços, abraçado com um travesseiro que escondia sua face afundada nele. – Eu não vim brigar com você. – ele se aproximou da cama e sentou próximo ao garoto que nem sequer se moveu.
Derek já havia subido as escadas, não tinha aparecido na porta do quarto, ficou apenas encostado na parede aguardando alguma coisa, ele sabia que não seria nada fácil aquela conversa.
– Não quero que me responda ou que me explique nada, só ouça. – disse o xerife. – Eu sei que você não é gay. – falou vendo o rosto do filho se virar.
– Pai... – ele foi interrompido.
– Eu disse que é só pra me ouvir, não precisa falar nada. – pôs a mão no ombro do filho e continuou. – Mais uma vez, eu sei que você não é gay, eu sei que você não gosta de homens dessa forma, sei também que você é um garoto muito especial. Não é porque você está... – ele pensou em uma palavra melhor, mas não lhe veio à cabeça. – É. Namorando o Derek, que vai significar algo. Se você está assim com ele, acredito que ele seja um cara bastante legal, e se ele merece o seu amor, merece o meu respeito. – o rosto de Stiles mostrava certa confusão, mas ele não ousou abrir a boca. – Derek é homem, eu sei disso. Mas não importa, se você gosta dele, se é ele quem você quer namorar, que assim seja. Eu me sinto até melhor por saber disso, ele é um lobisomem, pode te proteger quando eu não estiver por perto. – ele riu ainda meio sem jeito.
– Obrigado... – Stiles sentou na cama e abraçou seu pai, que retribuiu.
Derek agora se aproximou da porta, ficou apenas encostado na soleira observando eles dois ali dentro, um sorriso interior lhe afligia.
– Quer dizer que eu tenho um genro agora? – o xerife soltou Stiles e virou, olhando Derek que estava envergonhado pelo que tinha ouvido.
– É o que parece. – ele sorriu timidamente.
Ele levantou da cama e caminhou até Derek, o beta de imediato lhe estendeu a mão em forma de cumprimento, mas o xerife segurou a mão dele e o puxou, dando um abraço forte no mais novo genro. – Faça meu filho feliz, ele não assumiu esse namoro por acaso. – deu dois tapas nas costas de Derek e se afastou. – Ah, só peço que não fiquem de muito amasso na minha frente, certo? – ele sorriu e continuou caminhando pelo corredor, descendo para a cozinha.
– O que foi isso? – perguntou Derek ainda sem acreditar no que tinha acontecido.
– Parece que meu pai aprovou, e se ele aprovou estamos oficialmente namorando. – Stiles abriu um sorriso particularmente feliz.
– Vamos aproveitar que ele está lá embaixo então, somos livres agora. – Derek caminhou com rapidez até a cama de Stiles e sentou lá, encostando-se na cabeceira e tendo o namorado acolhido em seu peito. – Eu amo você sabia? – ele sorriu.
O sorriso de Derek era excepcionalmente lindo, por mais que fosse irregular, ele tinha caninos bem expostos e aquilo o fazia encantador. – Não sabia, fala de novo? – Stiles riu e abraçou Derek com força, erguendo o rosto e tendo a boca beijada pelo namorado.
– Será que seu pai acharia ruim se eu ficasse o dia inteiro aqui? – ele sorriu olhando para Stiles.
– Não podemos abusar da boa vontade dele, mas como eu bem conheço ele, vai me chamar pra ver um filme e ficar vendo o dia inteiro, se você o acompanhar, aposto que vai ser taxado como o melhor genro do mundo. – a sugestão de Stiles era atraente.
– Stiles, eu estava pen... – o xerife passou pela porta do quarto e observou aquela cena. Aquilo ainda era estranho, estranho demais para ele se acostumar, mas o abraço dos dois se desfez com rapidez assim que ele apareceu. – Bons garotos. – ele sorriu ainda tímido. – Então. Eu estava pensando se poderíamos ver uns filmes hoje, Derek pode nos acompanhar se não tiver nada mais importante. – sugeriu.
– Senhor, nada é mais importante se eu estiver com seu filho. – Stiles virou o rosto para ele e sorriu. – E eu adoraria ver uns filmes hoje. – ele já se movia pela cama para levantar.
– Bem. – ele ainda não via muito bem aquilo, mas seria questão de costume, logo Derek seria parte da sua casa. – Eu só vou escovar os dentes e logo desço. Enquanto isso Stiles pode colocar o filme. – ele continuou a andar na direção do seu quarto no fim do corredor.
– Temos exatamente quinze minutos. – o garoto virou o rosto para Derek e levou a mão até a gola da sua camisa, fechando em punho com o tecido entre os dedos.
– Quinze minutos pra q... – a boca de Derek foi tomada por um beijo feroz de Stiles, ele parecia não sentir aquilo há anos, mas o mais velho entrou no ritmo e agarrou firme a nuca do namorado, se tinha uma coisa que ele sabia lidar muito bem era com a intensidade.
○○○
O casal já estava apostos no sofá, Stiles sentado no maior e Derek em uma poltrona ao lado do sofá. O xerife já descia as escadas, ele agora já encarava aquela cena melhor, se obrigava a pensar que Derek era apenas um amigo que Stiles tinha convidado para ver uma maratona de filmes com seu pai num domingo comum. Um amigo que abraçava seu filho com vontade, um amigo que era um lobisomem, um amigo que beijava seu filho, um amigo que seu filho chamava de namorado, esse era o amigo que ele pensava.
– Pai, eu escolhi uns filmes policiais, sei que não gosta disso, mas... – Stiles riu, Derek também, consequentemente o xerife riu também.
– É um assunto bastante interessante. Eu saio da delegacia, mas a delegacia não sai de mim. – ele caminhou até o sofá maior e sentou um pouco distanciado do filho. – Antigamente os namoros eram dessa forma, um longe de outro, nem davam as mãos por vergonha. – o xerife já conseguia brincar com a relação do filho e aquilo era ótimo, significava que ele já estava no processo de aceitação.
– Você disse sem amassos, não vamos nos amassar. – falou Stiles.
– Mas isso não significa que precisam ficar longe um do outro. Derek agora é seu protetor quando eu não estiver por perto, e se algo de ruim acontecer com ele a culpa vai ser toda sua, ouviu? – ele olhou para Derek que assentiu de imediato.
– Seu filho agora é minha responsabilidade. – ele levantou da poltrona e foi até o sofá, sentando ao lado de Stiles. – E meu namorado. – sussurrou só para Stiles.
– Amassos! – advertiu o xerife.
– Tá, desculpa. – disse Stiles dando um tapa no braço de Derek que ficou confuso, o que ele tinha falado?
O filme já começava, os olhos do xerife eram fixos na tela, os do casal ao lado nem tanto, mas se queriam a aprovação do Sr. Stilinski tinham que ao menos tentar. Por mais próximos que estivessem Stiles ainda se sentia longe do namorado. Sua mão foi vagarosamente ao encontro da de Derek, as duas agora se seguravam, os dedos eram entrelaçados e toda a distância ia embora.
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