Unusual Couple
17 Confiança
Notas iniciais
– O que você está fazendo aqui? Meu pai também está? – Stiles empurrava Derek pela barriga como se tentasse fingir que ele não estava ali, como se tentasse esconde-lo para que o colega de trabalho do seu pai não o visse, mas já era tarde demais.
– É... – Parrish observou Stiles desajeitado e corado de vergonha, Derek também não estava diferente. – Seu pai me mandou aqui pegar alguns papéis, falou que estavam no quarto dele, imaginei que fosse aqui em cima e subi. – para ele, aquilo era normal, mas ver o desespero de Stiles ao tentar fingir que nada havia acontecido, ele sentiu como se estivesse acobertando um crime.
– Sim, é logo ali na frente. – ele respondeu ainda envergonhado, não sabia o que fazer.
– Seu pai sabe disso? – perguntou o policial com a feição completamente calma.
– Não, nem eu mesmo sei. – realmente o rosto de Stiles mostrava um completo desconforto, Derek só observava a cena.
– E vai continuar sem saber. Pode ficar sossegado. – ele sorriu. Um sorriso tão cativante e verdadeiro que passava confiança a qualquer um.
– Obrigado. – finalmente Derek falou algo. – Ficamos te devendo essa. – ele ainda não conseguia sorrir de forma sincera na frente dos outros que não fossem Stiles ou Peter, mas se esforçou um pouco e ergueu o canto dos lábios tentando mostrar um sorriso um pouco forçado.
– Derek, não é? Derek Hale? – falou o policial, já formando um diálogo em meio a toda aquela vergonha passada.
– Isso. – assentiu, estendendo a mão direita em forma de cumprimento, que logo foi apertada pelo guarda, seu contato era direto nos olhos azuis do beta.
– Acho que vocês querem ficar sozinhos. Vou pegar os papéis que seu pai me pediu e logo vou embora, não quero atrapalhar o momento. – novamente ele sorriu, já tendo soltado a mão de Derek. Seguiu para o quarto do pai de Stiles e lá entrou.
– Podemos confiar nele, Stiles. Ele é realmente confiável. – Derek apertou o ombro do garoto aflito.
– Eu sei que sim. Mas ele trabalha com o meu pai, será que não vai olhar estranho pra ele depois disso? – ele realmente se preocupava com aquilo, mas já estava saindo do quarto junto com Derek, indo na direção das escadas.
– Meu rapaz, com um par de olhos daqueles é difícil ‘olhar estranho’ pra alguém. – Derek riu e sentiu um empurrão do garoto, ambos já desciam as escadas.
– Ah é? Então vai lá no quarto e pega ele já que os olhos dele não são estranhos, babaca. – Stiles emburrou-se, seu rosto estava com o mau humor típico de Derek.
– Foi brincadeira, fica calmo. – os dois já se dirigiam juntos a porta, até que Derek empurrou Stiles nela antes que ele pudesse abri-la e prendeu seu corpo com o dele, seus olhos fixos no olhar do garoto, sua boca a centímetros de distância, mesmo que ele quisesse, não podia escapar. – Quer dizer que você pode querer o Peter e eu não posso elogiar olhos bonitos? – Derek sorriu de canto como se não desse importância caso aquilo fosse verdade, e era, ele sabia.
O garoto engoliu a seco, quase se entregando para o lobo. – Eu... O Peter... O que, Derek? – tentou dar uma de desentendido, porém, sua voz falha e o gaguejar já haviam lhe dedurado.
– Não se preocupa. Tá tudo bem. – a boca do mais velho entrou em contato com a de Stiles, que logo levou sua mão aos cabelos de Derek e seguraram ali com firmeza. A língua do moreno passeava calma pelo interior da boca de Stiles, que vez ou outra usava a sua para “brincar” com a dele, até que foi ouvido um pigarro de propósito, fazendo ambos pararem com aquilo de imediato e fitarem a direção de onde aquilo vinha, era Parrish com vários papéis na mão logo atrás deles.
– Não queria atrapalhar, mas vocês estão na única porta de entrada e eu preciso sair. – ele sorriu, aquele sorriso era seu cartão de visitas.
Novamente o rosto de Stiles corou, havia esquecido completamente que o colega do seu pai estava ali, e mais uma vez ele tinha pego os dois se beijando, e dessa vez, mais intensamente.
– Fique a vontade. – Derek saiu de perto de Stiles e o puxou, permitindo que o policial pudesse então abrir a porta.
– Obrigado pessoal. Se cuidem ai e não se preocupem, eu não vi nada, embora tenha gostado bastante do que não vi. – as últimas palavras foram ditas com urgência como se fossem apenas para ir embora logo, e assim que acabou de falar, puxou a porta atrás de si com pressa, tentando anular o que tinha dito.
– Ele... Derek! – Stiles riu um pouco sem jeito, surpreso pelas palavras do rapaz.
– Você não está tão surpreso quanto eu, rapaz. – Derek imaginou mil e uma coisas depois das palavras ditas pro Parrish, e todas essas mil e uma tinha Stiles no meio. Aquele garoto nunca sairia dos seus pensamentos, nem mesmo dos mais íntimos. – Agora eu preciso ir, antes que alguém mais chegue ou que façam uma festa só pra todos verem nosso beijo. – mais uma vez veio uma gargalhada da parte de Derek, que abriu a porta e saiu.
– Derek! – gritou Stiles, encostando-se na soleira da porta, logo tendo a visão do rosto de Derek mais uma vez.
– Fala pequeno. – era o novo apelido de Stiles, Derek sabia daquilo e o garoto mais ainda.
– Vem dormir comigo? – Stiles sussurrou aquela parte, sabia que Derek ouviria mesmo de longe, sua audição aguçada lhe permitiria aquilo.
– Eu te ligo. – proferiu com um sorriso no rosto, dando as costas para o garoto na porta e finalmente seguindo seu caminho.
○○○
Não se passou muito tempo depois que Derek saiu, um barulho de moto foi ouvido do lado de fora da casa de Stiles, a moto de Scott estacionando na vaga antes da garagem onde deveria estar o carro do xerife caso ele estivesse em casa. Stiles caminhou até a porta com calma e a abriu, percebendo que o amigo já ia fazer o mesmo assim que ele o fez.
– Fala ai Scott, pode entrar. – eles se cumprimentaram da maneira deles e Scott entrou, retirando o capacete e dando uma respirada profunda. – Diz ai, o que te trouxe por... – ele foi interrompido pela fala de Scott.
– Derek esteve aqui. O que ele queria? – a feição de Scott não era das melhores, estava preocupado com o amigo, por mais que ele não parecesse ruim ou algo do tipo, muito pelo contrário.
– Derek? Que Derek? – o olhar do garoto desviava para todos os cantos da casa, até um mero humano percebia que aquilo era mentira. – Ah, o Derek. Ele não esteve aqui que eu me lembre. Ou esteve quando meu pai estava aqui e eu na escola, mas fala ai, o que foi? – tentou mudar de assunto, mas ele retornou.
– Stiles, ele acabou de sair daqui, o cheiro é recente demais, é forte demais, parece que ele teve contato com algo ou... – novamente respirou fundo, o cheiro de Derek era inconfundível, e vinha mais forte não da casa, mas sim de Stiles. – O que ele fez com você? Ele teve contato contigo, eu sinto o cheiro muito forte em você. – o olhar dele era preocupado.
– Olha, eu tomei banho se é isso que você tá querendo dizer. Quer dizer, tomei banho pela manhã, antes de ir pra escola, mas juro que não me sujei. – o garoto estava sendo sarcástico, como sempre.
– Stiles! Eu sou seu amigo, seu irmão. O que você está escondendo? Eu posso te vingar pelo que o Derek te fez, me fala logo! – ele pressionava de uma forma que fazia seus olhos vermelhos brilharem.
– Nós estamos juntos, é isso! – a pressão fora demais, Stiles cedeu.
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