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2 Amor
Notas iniciais
Há algum tempo venho me debatendo sobre o que eu deveria escrever, desde que escrevi sobre Rosseau algumas coisas começaram a me assombrar, uma delas sendo o medo de um texto não ser bom o bastante para ser visto por alguém; também houveram conflitos familiares que acabaram definitivamente com o casamento de meus pais, e com isso, muitas coisas a qual eu valorizava com toda minha força, nessa incluindo família e amor, acabaram se tornando medos que eu não desejo em minha vida.
Quando ouvimos falar de amor, normalmente pensamos na pior parte dele, o fim. Afinal tudo tem um fim e porque nossa mente se vaga até esse momento, para mim, ainda é um mistério. Desde crianças temos uma imagem de amor espelhada no relacionamento de nossos pais e familiares, o amor deles reflete em como nos sentimos sobre ele e como vamos demonstrar em algum ponto em nossas vidas; esperamos pela pessoa que nos faça ter borboletas dentro de nosso corpo ao menor toque, mas quanto mais velhos ficamos mais irreal se torna tal sentimento, pensamos em nos formar, em ir para alguma faculdade... Ter um bom emprego. Quanto mais velhos ficamos mais esquecemos como o amor deveria ser, nosso coração começa a diminuir até um ponto no qual ele não existe mais. Amor se torna algo que não queremos e não precisamos dentro de nosso dia a dia. Não posso dizer que já amei alguém (já gostei de alguém, mas amar, não sei se um dia amarei), mas posso lhe dar uma certeza, só notamos que amamos uma pessoa verdadeiramente quando a perdemos.
Por isso, não cuidamos quando o temos em nossas mãos, se torna algo tão familiar... Como uma rotina sem fim; algo que você tem como tanta facilidade e por tanto tempo, após um tempo se torna banal. De século a século vemos o amor ser escrito e representado de várias maneiras, alguns o idolatravam e pensavam nele como a melhor coisa que poderia acontecer em sua vida; outros (entre os ultra-românticos e algumas vezes, realistas) mostravam como a pior dor que um ser humano poderia sentir, dramatizado com a morte de muitos personagens que amaram demais ao longo de suas vidas. Alguns autores dentro do romantismo e ultra-romantismo, nunca ao mesmo chegaram a conhecer o tão chamado amor que colocavam em um pedestal, usavam de sua imaginação para criar a tão perfeita mulher (que poderiam ser representadas por suas mães e/ou irmãs) e o tão perfeito relacionamento que fariam seu personagem sofrer a tal ponto que a vida era pior que a morte.
Oscar Wilde, um de meus poetas e autores clássicos favoritos, trás para mim o perfeito significado do que o amor realmente é. Como ele parece ser. Ele mata. Figurativamente e literalmente, e nem ao menos nos importamos, pois a sensação de amar alguém é única e pode ser sentida de várias maneiras por cada pessoa; não importa se doer... Ou se matar. Por que você amou, e isso é o suficiente.
“(...)
Eu soube, então, a idéia lacerante
que o atormenta, e o faz correr,
e o faz olhar, tristonho, o céu radiante,
radiante, e alheio ao seu sofrer:
de matou aquela que adorava,
– por causa disso vai morrer.
No entanto (ouvi) cada um mata o que adora:
o seu amor, o seu ideal.
Alguns com uma palavra de lisonja,
outros com um duro olhar brutal,
O covarde assassina dando um beijo,
o bravo, mata com um punhal.
Uns matam o Amor, velhos; outros, jovens;
(quando o amor finda, ou o amor começa);
matam-no alguns com a mão do Ouro, e alguns
com a mão da Carne — a mão possessa!
E os mais bondosos, esses apunhalam,
– que a morte, assim, vem mais depressa.
Há corações vendidos, e há comprados;
uns amam, pouco, outros demais;
há quem mate a chorar, vertendo lágrimas,
ou a sorrir, sem dor, sem ais.
Todo homem mata o Amor; porém, nem sempre,
nem sempre as sortes são iguais."
(...)”
OSCAR WILDE – A BALADA DO CÁRCERE DE READING
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