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6 A Rainy Day
Notas iniciais
O dia estava chuvoso e frio, nublado, preto, do jeito que eles gostavam. Vampiros tinham essa pré disposição pra gostar de coisas mórbidas. Afinal, eles eram mórbidos. E gostavam de ser assim. Assim como um dia frio. Um dia parado, um dia pacato, onde o melhor que se tinha a fazer era olhar as gotas solitárias da chuva batendo na janela. Assim que eles eram. O corpo morto, gélido, os pensamentos vultuosos. Mórbidos. Assim como o dia que passava lentamente aos olhos atentos do Vampiro que observava de uma grande Janela de vidro seus súditos vigiando tudo do lado de fora da base. Sentado em seu Trono, ouviu a porta se abrir, e viu um de seus servos, um tipo de secretário pessoal, entrar na sala.
– Chefe? — Perguntou curvando-se.
– Sim, meu caro? — Respondeu educadamente como sempre. Acreditem ou não, César, como era chamado, a fim de fazer referência ao título usado na Roma Antiga, era um "homem" respeitador. Conquistou a lealdade de seus servos com seus ideais de superioridade sem obrigar a ninguém. Mas respeitador daqueles que ficavam do seu lado, apenas.
– A primeira parte do plano já começou, senhor. — O Vampiro de corpo esmirrado respondeu, levantando-se. — Hoje de tarde deve ser concluída, para amanhã, começarmos com a parte dois.
– Ótimo, ótimo! — Exclamou batendo as mãos, fazendo os ondulados cabelos, castanho claro, que ficavam pouco acima do ombro balançarem. — Espero que tudo dê certo. Nosso futuro depende disso. — Disse levantando-se, virando para a grande janela, dando as costas ao secretário. — Pode ir, vá descansar! Não preciso mais dos seus serviços por hora.
– Obrigado, chefe. — O subordinado agradeceu, deixando seu superior sozinho.
– Agora as coisas começam a ficar sérias. — Pensou alto com um sorriso diabólico formando em seus lábios. — Se minhas suspeitas estiverem certas, a Princesa e a Rainha não perdem por esperar...
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– Sabe, princesa. Você disse que ia falar pro Mordomo Menta fazer o nosso jantar. Não que nós iríamos fazê-lo. — Uma vampira levemente irritada constatou preparando uma bandeja cheia de morangos, framboesas e tomates.
– Tá reclamando do que? — Jujuba respondeu de costas, tentando cortar cenouras sem muito sucesso, já que vários pedaços "voavam" com as "porradas" que a mesma dava com o facão. — Você só tem que lavar as frutas. Agora, eu aqui... — Disse dando mais uma porrada. — Tenho que lavar, descascar, cortar, cozinhar...
– Tá, tá, entendi seu ponto. — Marceline disse com um risinho lembrando-se de como Bonnie detestava cozinhar. Quando as duas ficavam na casa da Abadeer, a anfitriã fazia as refeições enquanto sua namorada ajudava com outras coisas. — Mas vamos trocar? — Perguntou segurando a cintura da princesa direcionando-a para sua bancada com as bandejas de frutas. — Você faz a minha a eu faço a sua. Que tal? — Concluiu sem perder a chance de provocar um contato maior entre ela e a outra menina, apoiando a cabeça em seu ombro. — É mais fácil pra ti.
– Marrrrcy. — A Princesa do Reino Doce grunhiu, logo depois fazendo um sinal de negação com a cabeça, que agora estava abaixada, enquanto suas mãos apertavam forte a borda da bancada de mármore. — O que eu te disse sobre provocações?
As reações de Bonnie continuavam a confundir a Vampira. Era só ela encostar nela que pronto, falava que era provocação e ficava arrepiada. Oras, não é minha culpa se eu desencadeio esse tipo de reação. Pensou divertida. Mas ela alega não sentir nada... Preciso tirar isso a limpo... E eu acho que sei como. Deu um sorriso dando um beijinho na pele exposta do ombro da princesa.
– MARCELINE! — Gritou empurrando a garota agora a sua frente. Mais uma provocação daquele tipo e a Princesa cederia aos seus desejos. — PARA!
– Eu só apoiei minha cabeça em você e te dei um beijinho. — Marcy constatou com um sorriso brotando em seus lábios. Isso, tá dando certo. – Amigas não fazem isso?
– Não.– Bubblegum respondeu cruzando os braços sobre seu peito, fuzilando a vampira com o olhar. — Não fazem.
– Hmmm, mas eu acho que fazem. — Marceline retrucou sugando a cor de um dos morangos que ela havia pego.
– Mas nós não fazemos.
– Certo. — Ela disse jogando a fruta na pia. — Então eu acho que... — Continuou, segurando seu queixo. Isso Marceline, você tá indo bem.– Nós não podemos ser amigas. Vamos fazer o seguinte... — Disse se dirigindo a uma das janelas do cômodo. Que ela tenha a reação que eu espero, oh glob.– Eu te ajudo com o antídoto, mas não vou ficar aqui com você sob proteção. Eu me viro sozinha... Manda me chamarem se precisar. — Concluiu dramaticamente, flutuando, ameaçando sair.
– Você não fari- Bonnibel tentou dizer mas a mesma se interrompeu quando viu que a Rainha estava cada vez mais próxima de sair pela janela. Correu em sua direção dando um pulinho para alcançá-la, já que ela estava no ar, agarrando-a pela cintura e puxando-a com tudo para si. A vampira não fez a menor força contra o puxão da Princesa, um sorriso de vitória aparecendo, enquanto as duas iam de encontro ao chão da cozinha.
– Sua idiota! — Bonnie gritou ficando por cima da sua ex, prendendo seus pulsos acima de sua cabeça, com suas macias mãos e pressionando sua cintura com seus joelhos, afim de evitar uma fuga. — Idiota, idiota, idiota! Como pôde passar pela sua cabeça sair do castelo em uma situação dessas?! — Esbravejou sem dar tempo da outra menina responder. — Já parou pra pensar no que poderia ter acontecido?! Eles estão atrás de você! E se eles te pegassem... — A princesa tremeu só com o pensamento de algo acontecer com Marceline, seus olhos marejando com a visão de sua amada morta. — O que seria de mim sem você? — Falou baixinho, abaixando a cabeça. Agora as lágrimas corriam livremente por suas bochechas rosadas.
Então ela ainda tem sentimentos por mim, assim como eu suspeitava. Pensou uma Marceline com um pouco de remorso por ter feito sua garota chorar. — Bonnie, eu não iri-
E como se um choque de realidade tivesse corrido pelo corpo de Jujuba, a mesma interrompeu a vampira. — Oh Glob, eu não quis dizer isso. Quer dizer, não dessa forma. Olha, esquece. — Disse limpando o rosto com as costas da mão, libertando o braço de Marcy. — Só não faz mais isso. — Concluiu tentando se levantar. Porém, a Herdeira da Noitosfera sentou-se no chão, mantendo a princesa em seu colo, segurando-a pela cintura.
– Bonnibel, me escuta. — Disse séria. — Eu não iria sair do castelo. Só queria ver sua reação e tirar umas dúvidas.
Ao ouvir tais palavras, a feição da Princesa tomou uma expressão raivosa. Como assim ela faz uma coisa dessas só pra ver minha reação e tirar uma porcaria de dúvida?! Pensou irritada. Quando estava pronta para recomeçar a gritaria, a pergunta que Marceline fez calou sua voz.
– Você ainda gosta de mim, não gosta?
– O-O que? — Gaguejou, virando o rosto. — Marcy, o-olha, eu j-já diss-
– Olha pra mim. — A Rainha pediu, segurando no queixo da rosada, fazendo-a olhar para si. — Fala a verdade, Bonnie. Não pode ser tão ruim assim gostar de mim... — Continiuou cabisbaixa. — Eu sei que eu sou um monstro, você mesma disse naquela tarde, mas não pode ser tão ruim, pode?
– Não, pelo amor de Glob Marcy, não. — Jujuba disse segurando delicadamente o rosto da vampira com suas duas mãos, tocada pelo jeito que ela se sentia. De tudo que ela podeia ser, monstro era uma das coisas que ela definitivamente não era. — Por mais clichê que isso pareça, o problema não é você. Você foi a melhor coisa que me aconteceu desde o primeiro dia que eu te vi. Você me fez perceber o que o verdadeiro amor é, foi a única que ficou do meu lado em todos os momentos, é a única que faz meu coração bater mais rápido e mais devagar ao mesmo tempo, você quem me fez mulher. — Falou corando. — Você me amou de todas as maneiras possíveis, me fez e ainda me faz te amar cada vez mais. No entanto... Nós não podemos ficar juntas. — Constatou tristemente, vendo a vampira a abraçar forte e chorar baixinho na curva do seu pescoço. — Olha pra mim, por favor. — Pediu fazendo carinho nos longos cabelos negros, vendo aquelas íris, agora negras, a encararem. — Eu te amo. Sempre amei e sempre vou amar. Mas não tem como. Desculpa.
– Bonnie, por favor. — Suplicou. — Eu sei que nós nem voltamos, mas se você me deixar de novo... E-eu... Não sei se vou aguentar. Por favor... — Pediu de novo. — Dê uma chance pra nós.
– Marceline... — Jujuba sussurou, soltando um suspiro. Como ela podia negar alguma coisa pra sua Rainha? Ainda mais quando ela queria a tal chance que estava sendo pedida? Pela primeira vez em anos, a Princesa fez o que ela precisava fazer por si, o que ela queria fazer. Segurou a vampira pela nuca, o polegar acariciando seu rosto pálido, trazendo a menina cada vez mais para perto de si. Olhou no fundo de seus olhos e depois para sua boca perfeitamente desenhada. Era um pecado uma pessoa ser tão bela, tão... atraente. Chegava a ser desumano. Repetiu o processo algumas vezes. — Nunca devia ter te deixado. — Dito isso, inclinou-se sobre sua amada, unindo seus lábios depois de dois longos anos.
O momento teria sido perfeito, se pelo lado de fora das janelas, as duas meninas não estivessem sendo observadas.
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