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17 Capítulo 16 - O grande Dia
Acordei quase pulando da cama quando ouvi o meu celular tocando. Me atirei no chão para atende-lo em meio a minhas cobertas que me entrelaçavam.
– Bob?
– Eu tenho uma coisa séria pra te falar...- A simples menção da palavra séria fez meu coração bater forte e meu estomago revirar.
– Diga...- Eu tentei não parecer preocupado enquanto me desenrolava das cobertas e começava a sentar no chão do meu quarto.
– É que... sabe o concurso de bandas? ...Então, eu esqueci de avisar a você que é em outra cidade...
– Cara, explica direito...- Eu não estava entendendo nada, acho que provavelmente por culpa do sono.
– Eu não avisei a ninguém que o concurso é em outra cidade. Vamos ter que dar um jeito de conseguir a grana e viajar porque a apresentação é em três dias.
– Tá brincando comigo né? Não, por que você pirou geral cara. Como eu vou conseguir grana pra viajar... COMO EU VOU CONSEGUIR SAIR DE CASA? — Eu já estava estressado com o Bob por isso por que ele veio até minha casa com todo mundo e me fizeram a proposta de tocar com eles e esse filho da puta sabe o quanto tocar é importante pra mim.
– Relaxa que ninguém tá sabendo disso também, então não se sinta enganado! — Eu só pude soltar uma risada irônica e começar a andar de um lado pro outro. Eu queria muito participar desse concurso e já tinha dado um duro danado com toda a galera, isso era injusto.
– Ok. Eu vou dar um jeito aqui por que eu quero muito isso e eu prometi a vocês. Tem mais alguma coisa que eu deva saber?
–Não não, eu fiquei entusiasmado com todos e acabei esquecendo desse detalhe. Desculpe.
– Trate de avisar a todos sobre isso... eu vou ver o que posso fazer sobre essa viagem.
Desliguei o celular o joguei na cama tentando pensar em algo que eu pudesse fazer.
Nos encontramos todos na casa do Ray aquela tarde e agora todos já estavam comentando sobre a viagem. Todos estavam surpresos com a noticia e um pouco desapontados pois parecia que uma chance de tocarmos em publico seria jogada pelo ralo.
– Eu tive uma ideia.- Me levantei rápido do chão onde eu estava jogado e os encarei com um olhar faiscante e todos me olharam surpresos e curiosos. — É o seguinte.. Vamos juntar nosso dinheiro pra podermos ter o que comer... Bob você é bom em cálculos, faça uma conta rápida sobre quanto nós vamos precisar desde gasolina até comida...Vamos pegar a caminhonete velha do meu pai e partimos de noite
Eu falei tão rápido e todos fizeram um tremendo esforço para me acompanhar.
– Você pirou né? — Mikey me olhou com espanto.
– Sim, eu pirei mesmo. Estou ansioso demais por isso e não quero abrir mão de nada. Vocês me botaram nessa agora a decisão é de vocês... Topam?
Foi mais rápido do que eu esperava, todo começamos uma corrida contra o tempo entre juntar nossa grana e fazer uns abastecimentos com comidas de casa pra fazer uma economia na estrada e depois veio o mais chato, esperamos pela noite.
Olhei para o relógio e estava marcando onze e meia, minha maninha ainda estava acordada pois eu podia ouvir a voz dela vindo do quarto de meus pais. Esperei um tempo que parecia uma eternidade até que finalmente pude ouvir os roncos de meu pai. Essa era a minha chance.
Desci as escadas e fucei o casaco do meu pai que estava sobre o sofá pegando a chave. Como minha mãe tinha um sono leve eu não poderia me arriscar em ligar aquela caminhonete barulhenta então abri a porta da garagem e com cuidado soltei o freio de mão deixando a mesma andar de vagar até a esquina que era levemente inclinada. Enfim girei a chave na ignição. É claro que eu não tinha carta de habilitação e os outros garotos tão pouco mais isso não me importava. Dirigi com certa dificuldade até o parque que foi o lugar combinado de nos encontrar e lá estavam todos me esperando e junto estava primo de Ray, Billie que também iria conosco — por que ele era o único em que Ray confiava e que poderia dirigir. Meus olhos brilharam quando vi Gee trazendo minha guitarra e então eu desci para ajudar o Bob com sua bateria.
A C10 do meu pai era um bom quebra galho pra nós, era velha e enferrujada mais cabia perfeitamente nossos instrumentos (bem apertados junto a nós).
Até conseguirmos nos arrumar na caminhonete e enfim sair daquele parque já havíamos perdido quase meia hora e o tempo não parava. Nos apressamos a sair logo da cidade e como estava de madrugada era bem difícil de seguir o caminho.
Era uma verdadeira aventura, sair de casa com um carro velho e correndo o risco de sermos pegos, mais nada iria nos parar agora. Me chame de louco mais preciso de uma cerveja agora!
Percorremos setenta e três quilômetros até finalmente chegar a nosso destino, e quando eu falo destino era apenas a entrada da cidade. Fomos o caminho todo enchendo a cara e curtindo um som enquanto Billie se contentava apenas com seu cigarro e a estrada.
– Acorda seu molenga! — Eu senti um tapa em minha cabeça e a voz de Mikey me chamando.
– Merda...- Resmunguei enquanto coçava meus olhos notando que havia adormecido no carro.- Onde estão os outros? ...
– Foram todos com o Bob ver sobre a parada da banda... Eu fiquei aqui pra te acordar — Seu olhar era de zombaria, mesmo sobre os óculos. Mikey estava zombando de mim logo cedo, que filho da mãe!
– Eu já acordei...- Bocejei e saí da parte de traz da C10 de um salto.- Estou faminto...
– Eu também... Acho que o Ray vai dar um jeito de comprar algo...
– É bom que traga mesmo! — Eu falei tentando parecer serio e logo me atirei no chão ficando sentado e olhando pra baixo esperando que todos voltassem.
– Ahhh, Frank?
– Sim? -Olhei para cima tentando encarar seu rosto mais o sol forte da manhã me impediu.
–Nada... Ele exitou e me deixou pensando por alguns segundos noque ele queria me dizer.
–Fala!
– Ahh, E-u.. eu só queria saber o que existe entre você e o meu irmão... Que vocês não se desgrudam isso todos sabem, mais eu queria saber...
– Eu também gostaria de saber o que é..- Eu completei a frase dele e parei pra pensar novamente nisso. Esse assunto me deixou com um nó na garganta porque não tinha definição pro que rolava entre mim e o Gerard e isso me frustrava.
Passamos um bom tempo tentando falar sobre qualquer coisa inutil pra quebrar aquele clima de velório que tinha caido sobre nós depois daquele assunto e até que deu certo. Logo todos nós estavamos reunidos e tinhamos a certeza de uma coisa: Nossos sonhos estavam prestes a se realizar.
Tinhamos um dia inteiro pra nos prepararmos pra apresentação e isso me deixava com um frio na barriga. A ansiedade mexeu muito comigo porque eu comi boa parte da nossa comida e no fim da tarde comecei a encher a cara junto com todos, estavamos tentando passar o tempo o mais tranquilamente possivel mais eu estava abusando.
Provavelmente estava parecendo precisar de ajuda pois Gerard se levantou e me retirou de perto de todos e me levou para um canto onde tinhamos montado umas barracas pra passarmos a noite. Gee me sentou em uma pedra e ficou parado em minha frente se apoiando em seus joelhos parecendo esperar por uma reação minha. Mesmo bebado eu tinha uma conciência sóbria e podia me virar sozinho.
– Porque me ajudou? Posso ter bebido mais não perdi a cabeça
Eu falei meio que brincando mais ele me encarava de um jeito diferente do que eu esperava. Aproximei meus olhos dos dele e um pouco tonto por causa do alcóol e encarei seus olhos penetrantes.
Meus sentidos estavam ficando aguçados demais? Eu podia sentir a pele dele sem nem ao menos toca-lo. Seu cheiro vinha até minhas narinas... Seu cheiro próprio misturado com vódka e cigarro era hipnotizante. Colei meus labios nos dele moldando-os perfeitamente. Era como se estivesse beijando-o pela primeira vez e um tsunami de sensações me derrubava e me enfraquecia de um modo delicioso.
As mãos de Gerard tocaram meus ombros e nuca enquanto aquele beijo foi se tornando desesperado. Minha lingua se apoderou da boca dele de tal modo que implorava em provar de seu gosto.
Não era uma sensação fácil de controlar, era forte demais pra se conseguir pensar. Logo eu ja estava me inclinando para cima dele e nós dois nos esticamos sobre o chão gramado perto dos sacos de dormir que estavam espalhados pelo chão. Meu corpo em cima do dele me fazia sentir nossos corações batendo junto quase se fundindo num só.
Suspirei entre o beijo e não pude conter a vontade de mais contato. Retirei minha camisa e ele observou meu peito nu entre ofegos.
Me apressei em retirar sua camisa também e ali vi seu corpo levemente arrepiado. Eu sentia tanta coisa ao mesmo tempo que parecia explodir num desejo tão desesperado e então me uni a ele a céu aberto e sem nenhum pudor.
Quando acordei pela manhã eu estava junto a Gee dividindo um saco de dormir. Ele estava dormindo profundamente sobre meu peito e isso me deixou calmo. Todos os outros estavam um pouco mais afastados de nós e isso significa que eles sabiam o que havia acontecido. Eu deveria me sentir envergonhado mais isso não aconteceu, eu estava feliz demais pra poder me importar com detalhes bobos.
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