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13 Capítulo 12 - O aluno novo


Eu estava muito nervoso com o meu primeiro dia de aula numa escola nova. Estamos em setembro o que não ajuda em nada a fazer amizades já que todos estão mais concentrados no final do ano do que qualquer outra coisa, além de que eu tive problemas pra me adaptar no outro colégio, sempre foi assim, por eu ser um tanto gordinho contribui pra caramba pra que te zoem e te façam de esparro, é um saco!

Brincadeiras estupidas sempre foram uma coisa que me perseguia e eu estava decidido que não iria rolar isso na nova escola, não mesmo!

Olhei para papel em minha mão onde estavam anotadas as minhas aulas e a sala que eu ficaria. Era dificil entender o que ela queria me dizer e mesmo o colégio sendo pequeno eu não entendia a separação das turmas então pedi ajuda ao que me pareceu ser um veterano que estava passando por ali.

- Hey, poderia me ajudar a encontrar a minha sala? Eu estou meio perdido por aqui — eu perguntei quase sem jeito. Pessoas mais velhas costumam ser esnobe com novatos.

- Claro, deixa eu ver isso...- ele pegou a folha de minha mão e começou a ler. Ele um cara magro e alto e tinha um sorriso particularmente contagiante, me pareceu ser um cara de boa.

- É no corredor a direita, segunda sala. Mais eu não me apressaria se fosse você porque os professores costumam atrasar bastante...

- Ah sim, valeu!

- Nada cara. E seja bem vindo... — ele sorriu largamente e isso me fez sentir mais seguro sobre o que poderia vir naquele colégio.

Encontrei a sala e entrei de modo a me acomodar no canto onde havia janelas, um particular gosto por olhar as pessoas do lado de fora que me causam leve sensação de liberdade.

Quando soou o segundo sinal eu observei atentamente as pessoas entrando na sala e aquele garoto que eu havia pedido ajuda mais cedo estava conversando animado com um cara um pouco mais alto que ele e bem mais magro. Era engraçado vê- lo falar e a maneira que mexia as mãos.

Notei que a professora surgiu na porta e pude observar que era uma senhora de meia idade. Tratei de me levantar e entregar o papel de transferência para que ela assinasse.

- Seja bem vindo sr. Bryar. — A professora disse animada enquanto assinava o nome "Stevens" no espaço que indicava a matéria de História. Notei que a caligrafia era um tanto exagerada e as letras tomaram quase o espaço todo separado para a assinatura dela.

Acrescentou rapidamente meu nome a lista de chamada e eu voltei a me sentar enquanto observava que algumas pessoas me olhavam, era meio estranho ficar na frente da sala logo no primeiro dia de aula.

Durante a aula eu notei que a sr. Stevens não era uma pessoa chata como parecia, diferente dos meus antigos professores que eram um tédio ela explicava a matéria com clareza. Isso me ajudaria bastante a entender uma matéria que era vaga em minha mente.

A hora passou rápido e na ultima aula antes do intervalo eu notei que logo seria hora de ficar sozinho. Quando o sinal soou eu me levantei meio sem jeito, era a tortura de enfrentar quinze minutos sem ter ninguém para me fazer companhia.

Comecei a andar pelo espaço da escola conhecendo eu mesmo a propriedade. Era uma escola pequena e bem comum e com uma quadra bem ampla e uma arquibancada pequena e estreita. As linhas no chão que marcavam o campo de futebol estavam bem vivas indicando que havia sido pintada recentemente.

Resolvi me dirigir até o refeitório onde um aglomerado de gente se estendia por uma fila a caminho de pegar a comida da escola, eu até que pegaria mais não queria ficar com um bafo de feijão com salsicha quando voltasse pra sala.

Me acomodei em um banco e tamborilei meus dedos sobre a mesa esperando o tempo passar. "Como a hora demora quando se está sozinho", murmurei para mim mesmo entediado.

Eu estava distraído mexendo nas caixas de som velhas do meu pai quando ouvi alguns gritos na rua. Passaram correndo em frente a porta da garagem que estava aberta três garotos e eu reconheci um deles.

Era o garoto que eu havia pedido ajuda no meu primeiro dia de aula.

- Coram seus filho da puta, ele vai alcançar a gente...- Eles estava correndo do cara que vinha atrás deles e gritando alguma coisa sobre serem baderneiros. Eu pude apenas rir do que estava vendo enquanto arrumava os fios que eu iria conectar nas caixas de som.

- Anda logo...- Eu ouvi um cara de cabelos cheios falar para o mais baixo dos três se apressar a esconder atrás de uma daquelas caçambas de jogar lixo.

Eu perdi completamente a atenção do que estava fazendo para olhar o que eles estavam fazendo e vi o mais magro deles se esconder entre a cerca de madeira da garagem da minha casa e enfim o senhor que eu tinha ouvido gritar aparece na esquina

- Não apareçam mais por aqui, eu vou chamar a policia! — e voltou, apressado para sua loja. Eu era novo no bairro mais já conhecia o sr. Warrick, ele havia ajudado minha mãe com boa parte da nossa mudança.

Resolvi pregar uma peça nos garotos que estavam se preparando para sair de seus esconderijos.

- Hey... O que estão fazendo por aqui, estão invadindo minha casa! — Eu disse com a vós mais séria possível para ser convincente.

- Gerard, sai logo dae... — O cara de cabelos cheios falava enquanto puxava o mais baixo deles de tras da caçamba de lixo enferrujada.

-Eu conheço você. É o cara novo não é? — Ele falou como se quisesse me distrair para que os outros fugissem e então eu não me aguentei na postura séria e comecei a rir.

- Tudo bem... Eu vi o que vocês estavam fazendo

- Algum problema eu ter me escondido aqui na sua casa?

- Não, não — eu coço a cabeça espalhando meus cabelos claros sobre meus olhos. Os outros dois garotos vieram se aproximando lentamente como se estivessem receando que eu fizesse alguma coisa para eles.

- Podem vir, eu não mordo.- brinco.

O garoto de cabelos cheios se apressa em pular pela pequena cerca e caminhar a passos largos até onde estavam espalhadas quatro caixas de som, alguns cabos e um amplificador velho que eu havia deixado espalhado.

- Que tranqueirada... — comenta um deles.

- Que nada, são fodas. Você mexe com essas coisas?

- Oh, sim... eu opero som lá no trabalho da minha mãe e toco batera nas horas vagas.- Eu faço um movimento com as mãos como se estivesse tocando uma bateria imaginaria e rio.

- Cara, isso é muito maneiro... Ah, eu sou o Ray e esses são Gerard e Frank. — Eu observo ele apontar do garoto magro para o baxinho na ordem em que falava.

- Sou o... Bob! — falei depois de hesitei por alguns segundos em dizer o meu nome. Não que eu estivesse mentindo mais é que eu prefiro que me chamem assim.

- Hey, que tipo de nome é esse? — Frank perguntava me encarando com graça. Ele era pequeno mais tinha coragem de encarar um quase desconhecido — eu — com tanta cara de pau.

- É o meu nome ... — Eu o encarei e ri da careta que ele fez. — Me chamo Robert, mais prefiro Bob.

- Isso paresse nome de cachorro...- comentou Gerard com uma risada nada discreta e eu ri. Eles estavam me zoando mais eu nem ligava por que o clima era de brincadeira.

- Cachorros são legais, Gerard...- Frank fez bico e me agarrou com tudo, abraçando e eu retribui todo atrapalhado e todos nós rimos.