Until Your Last Breath
60 Luzes e Fumaças
Notas iniciais
A música estava alta, as luzes cintilavam em cores fortes e vibrantes, a fumaça mesclada entre gelo seco e cigarros, o cheiro de álcool e outras substancias reinavam no ambiente. Dê a eles álcool e música e logo estarão perdidos em seus próprios desejos, pensou Harley observando as pessoas na pista de dança, suando e se pressionando umas nas outras, em um dos cantos um casal passava no limite — e nem se importavam, em outro os jovens competiam quem conseguia puxar mais cocaína sem enfartar, e no camarote estava os mais influentes, perigosos, comerciantes e companheiros de negócios de Coringa, rodeados por mulheres plastificadas que haviam topado aquela noite por dinheiro.
Tudo parecia correr bem, Harley bebia um copo de whisky e observava o movimento, reclinada sobre as poltronas. Um dos homens de Coringa estava ao seu lado garantindo sua segurança e pronto para prestar qualquer serviço que ela precisasse, enquanto o próprio estava ouvindo as propostas e bajulações de seus "companheiros".
— Me traz outro, duplo. — Harley entendeu o copo para o homem sem olhar para ele.
Ele praguejou mentalmente que estava lá para servir ao criminoso e não a vadia mimada dele.
Harley já estada entediada de ter que esperar sentada enquanto todos os outros se divertiam. Ela olhou ao redor e só havia homens, aqueles criminosos ela os dividiam em categorias: os de ternos caros (poderosos), os de ternos baratos (que estão no caminho, mas ainda estão duros demais para se considerarem ricos), os fortes (capangas, subordinados, canalhas e vários outros palavrões) e por fim, os que encaravam todos e andavam de um lado para o outro fingindo saber o que está fazendo (esses não duram muito), mas era divertido vê-los nervosos.
Bufando alto, ela se levantou e se debruçou nas grades, passando as pernas sobre elas e ficando pendurada do lado de fora. Como havia 3 linhas de ferro na grade, ela se virou para elas e ficou pendurada de pernas ao ar, o vestido cintilante fazia suas cores refletirem contra a luz. Usando toda a força que tinha nos braços, ela estava pendurada apenas pelas mãos em uma altura de 5 metros, então entendeu que havia sido uma má ideia. Ótimo, ótimo, nada de pânico, agora preciso descer.
Mesmo com as mãos suando, ela desceu uma das barras, e depois a outra.
— Ei, pode me dar uma ajudinha aqui? — Ela gritou para as pessoas que estavam abaixo dela.
Um dos homens sorriu, naquela altura e de vestido? Era uma visão privilegiada. Uma das mulheres que estavam próximas gritou ao ver a psiquiatra pendurada acima deles. O grito estrondoso fez com que o operário da iluminação jogasse o refletor branco por cima de Harley e a música imediatamente parou. Droga.
Todos viraram lentamente a cabeça em direção a ela, inclusive Coringa, interrompendo sua conversa. Se o objetivo dela era sair sem que ele percebesse, estava tudo arruinado. Um homem se aproximou e se posicionou em baixo estendendo os braços, indicando que ela poderia saltar. Harley soltou aos mãos e foi agarrada ao aterrissar.
— Nossa, você é forte — Harley diz totalmente constrangida arrumando o cabelo, todos ainda olhavam para ela — Eu só vim pegar.. uma bebida! Isso, podem continuar! — Ela faz sinais descompassados para cima como se quisesse que a música continuasse.
A música voltou a tocar e as pessoas voltaram ao que estavam fazendo, nada felizes pela interrupção repentina. Harley caminhou até o bar e se sentou.
— O que vai querer? — O homem de meia idade responsável pelas bebidas se inclinou para ela.
— O que tem? — Ela pergunta distraída, só havia sentado ali para disfarçar a vergonha que passou.
— Bom, isso é um bar — Ele ergue as mãos, tornando patética a pergunta dela.
A música para novamente.
— Dessa vez não fui eu! — Harley diz em defesa.
As pessoas procuram quem é o novo imbecil chamando atenção. Coringa está parado, imóvel, segurando a barra em sua frente, o refletor paira sobre ele.
— Ui, é o meu amorzinho — Harley fica em pé para ouvir o que ele tem a dizer, quando a multidão se deu conta de quem se tratava, começaram a se desesperar — Que isso? Por que todo mundo está gritando?
O barman que atendia ela saiu correndo.
— Mas você nem trouxe minha bebida! — Ela grita para ele, que já está longe — Tudo bem, eu te espero voltar!
A multidão começou a se desesperar e correr em todas as direções procurando uma saída, que obviamente, não existia: estava tudo selado. Coringa permaneceu imóvel mas teve um ligeiro sorriso de canto ao ver o desespero das pessoas, aquele som é mais satisfatório que música.
— Calem a boca! — Um dos homens que estava lá em cima gritou, apontando armas para a multidão, mais cinco como ele fizeram o mesmo. Todos estavam presos, e agora eram reféns.
Os homens que conversavam com Coringa permaneciam sentados, apenas observando, como qualquer noite normal.
Como as pessoas não paravam de gritar, um deles atiraram em uma das luzes, partindo-as em mil pedaços, o susto fez com que entendessem a ameaça, o próximo tiro poderia não ser em uma luz. O barulho foi cessando e as pessoas se limitavam a expressar seu medo em apertar as mãos ou chorar baixinho. Como a grande maioria estava bêbada ou drogada (ou os dois), é compreensível não entenderem o que fazer.
— Que noite maravilhosa! Estão se divertindo? — Coringa pergunta sorrindo, alto o bastante para ecoar pelo ambiente, as pessoas olham uma para as outras — Eu fiz uma pergunta! — Ele grita, sua expressão muda imediatamente
As pessoas balançam a cabeça assustadas, indicando que estavam.
— Que bom! Toda a festa foi preparada com muito carinho... por mim — Ele aponta para si mesmo, as pessoas ficam apavoradas mas fazem o possível para se conter — Dito isso, o que vocês tiveram foi um chá de boas-vindas, agora a festa vai começar!
— Ai, eu adoro suas frases de efeito! — Harley exclama batendo palminhas.
Coringa desce para o primeiro andar, as pessoas se espremiam nas portas principais de saída, Harley estava sozinha enquanto todo o espaço até a pista de dança estavam vazios. Os subordinados, armados, dispersava a multidão e fazia-a caminhar até o centro do lugar.
— Então.. — Coringa encara as pessoas, leva a mão até a cintura e puxa uma arma prateada brilhante, todos imediatamente se apavoram — ... vamos começar.
E aponta para elas.
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