Until You Were Gone
1 Starting Again
Notas iniciais
— Luke, você já esta pronto? — Lydia deu vários tapas na porta do quarto enquanto falava, sua voz soava abafada e distante. — Eu não vou te esperar mais, estou indo!
Continuei a olhar o teto, deitado em minha cama, o quarto estava escuro e frio, como o resto daquele lugar. Sentia minhas orelhas zunirem. Me perguntei qual era o sentido de tudo aquilo, não ia adiantar nada fazer tudo de novo, as coisas sempre deram errado e isso não ia mudar, eu já estava acostumado, podia sentir toda a merda vindo outra vez e outra vez.
Suspirei levantando da cama, joguei o celular no bolso do meu casaco e peguei a mochila.
— Tente mudar, pelo menos dessa vez. — Ela falou pela terceira vez naquela manhã, enquanto dirigia. Ignorei e apenas aumentei o volume da musica no fone de ouvido. Eu sabia que Lydia só dizia aquilo por pena, porque ela sabia que nada ia mudar, ela já tinha tido experiências demais para não saber.
A verdade é que eu sou um daquele tipo que nunca fica para contar a história. Tinha me mudado para cá fazia algumas semanas, mas já podia dizer que New York é apenas mas uma cidade e aquela seria apenas mais um colégio. Mais uma colégio para pessoas como eu, para adolescentes que são considerados inadequados, loucos, que não se encaixam em nenhum lugar. Esse tipo de escola é a ultima oportunidade, depois disso seu lugar esta reservado no hospício, e eu já havia tido oportunidades demais para uma só pessoa.
Observei as feridas em minhas mãos, elas não tinham sarado completamente, algumas tinham um contorno meio esverdeado em volta, voltei a olhar a janela, minhas mãos já estiveram pior. Eu só não estou onde devia estar por causa do meu velho de merda.
O carro parou do outro lado da rua, onde ficava uma praça simples e mal cuidada, e em frente estava ele, não parecia muito diferente de outros colégios em que eu já estivera, exceto pelas grandes grades enferrujadas que o separavam do mundo. Sorri, era engraçado o quanto aquilo podia ser oprimente.
— Luke não estrague tudo, por favor... — Não terminei de ouvir, sai do carro e caminhei em direção a escadaria da entrada, vários alunos estavam chegando, enquanto outros apenas esperavam mais pessoas chegarem. Havia todo o tipo de gente ali, não me surpreendi, eu sabia que todos eles tinham seus podres, independente da sua aparência. Não era a toa que estavam naquele colégio.
— Percy, será você pode me ouvir por um segundo? — Ouvi uma garota loira gritar, assim que entrei e segui pelo corredor. Ainda conseguia ouvir seus gritos quando cheguei em meu armário. Eu não me importava em conhecer novas pessoas, ou ter que conversar com alguém novo.
Aquilo era pra mim, mesmo assim eu não estava ligando pra nada, não estava me importando com ninguém e quem é que fosse que estudasse ali, eu só queria sair desse lugar. Ouvi o sinal tocar, era a primeira aula, mas precisava conversar com a diretora antes de ir para alguma sala de aula com cheiro de mofo e creme para espinha.
Onde estava a sala da diretora, que sem duvidas era o lugar mais novo e limpo do colégio, era também bísaro e escroto, havia cadeiras coloridas pela sala de espera, paredes cheias de quadros de pavões e um carpete berrante amarelo, já imaginava o que me esperaria. Assim que passei pela secretaria vi uma garota sair da sala.
Ela tinha um hematoma no pescoço e vestia uma jaqueta de couro preta velha, colares e pulseiras punk, e uma mecha azul brilhava no cabelo preto. Assim que ela passou por mim vi seus olhos brilharem como um raio, percebi que ela olhava para a cicatriz no meu rosto, observei sua boca dar um riso quando viu que eu a encarava, ela virou e saiu, desvie o olhar e segui para a sala da diretora. Bati na porta duas vezes.
— Entre. — Abri a porta e encontrei uma mulher sentada com uma postura impecável, ela deu um sorriso superficial e indicou a cadeira. Sua sala era abafada e com um cheiro perturbador de perfume caro, era igual a sala ridícula de espera.
— Então você é o garoto novo, é... Luke Castellan, certo? — Ela perguntou suavemente, balancei a cabeça, seus óculos brilharam. — Meu nome é Hera, diretora Hera. Você terá que se dirigir a mim assim. Eu estive observando e contatando outras escolas para saber mais sobre você e , rapazinho, é uma surpresa para mim, nunca vi ninguém assim entrar em minha escola, com todos esses incidentes...
Sua voz estava cheia de melação falsa. Ela esperou eu reagir, ou contesta-la, apenas continue a olhar em seus olhos negros. Aquela mulher não sabia o quanto de diretores eu já havia aturado, a velha não era nada, seus jogos eram chatos.
— Mas, como eu disse aqui é meu colégio e eu não estou disposta a deixar você arruinar nada que pertence a mim! Crianças como você, precisam de uma boa lição e aqui você vai aprender. Eu agradeço também a contribuição do seu pai, ele foi muito gentil em ajudar, está instituição. esta dispensado. — Levantei em silencio com um irônico sorriso, e a encarei. Toda aquela bosta de conversa sobre educação é uma fachada pra você levar dinheiro, não pense que sera tão facil de se livrar de mim.
— Diretora, você se esqueceu de entregar meu horário. — Falei tão natural quanto pude. Os lábios dela caíram, num momento de surpresa, mas ela logo recuperou seu tom falso e me entregou o papel com as informações. Saí da sala respirando ar fresco novamente.
Após passar três horas em uma sala cheia de gente, e com um professor que parecia um bode de tão peludo, foi libertador estar em um corredor novamente. Me perguntei quanto tempo aquilo iria durar, até aquelas coisas acontecerem. Precisa encontrar algum lugar de escape, vaguei meio sem rumo pelos corredores, subi ate o ultimo lance de escada, ate o ultimo andar. A porta para a sacada do prédio do colégio estava aberta, seu cadeado havia sido colocado, mas não trancado.
Era difícil ate dali ver o céu, vários prédios cercavam o colégio, e se projetavam para cima, cobriam tudo. Cheguei no murro da borda, era confortável, mas a altura fazia tudo pareceu distante, até a coisas que estavam tão perto.
— Veio aqui para fumar, novato? — Uma voz falou atrás de mim, era a garota da mecha azul. Ela tragava um cigarro, estava linda. Não apenas linda , mas como se sua beleza fosse perigosa e ela escondesse algo por trás disso, eu estava gostando.
— Não, mas a porta estava aberta e pensei em sair. — Ela sorriu, e então soltou a fumaça. Se aproximou e se encostou no murro da beirada, ao meu lado.
— Gostei. — Disse, sua voz soou arrastada e rouca, sem humor. Percebi que de novo observava minha cicatriz. Ela me indicou o cigarro nos dedos, concordando com a cabeça. — Vou te chamar de cara da cicatriz. — Peguei e usei um pouco.
Ela olhava o chão, a alguns metros abaixo, a calçada estava cinza como o céu. Com seu olhos azuis trovejantes, parecia distante de tudo, como se estive sozinha em outro mundo. — E quem é você? — Perguntei, ela desviou a atenção e cravou o olhar em mim.
— Eu... bom, eu sou Thalia Grace.
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