Until We Align
1 Until We Align - Capítulo Único
Notas iniciais
Ash havia conseguido sua liberdade.
Seus cabelos loiros esvoaçavam ao sabor do vento, os olhos verde esmeralda, penetrantes; se enchiam de lágrimas, uma das raras vezes em que se permitira fazê-lo defronte a Eiji, que o abraçara com a intensidade de um amante e o carinho de um amigo. Era aquele tipo de carinho que o jovem que estava prestes a completar seus dezoito anos. O japonês, de feições cansadas, se permitira deitar o rosto no ombro alheio, as mãos repousando no fundo das costas do maior, as semelhantes se afundando nos fios negros, se permitindo dizer as primeiras palavras após minutos de silêncio.
ㅡ Temos de sair daqui, Eiji. A polícia não deve tardar para chegar. ㅡ O nipónico concordara, se levantando primeiro, e ajudando o mais novo a se levantar, o mesmo algo ferido pelos confrontos físicos a que haviam ambos se submetido, em prol da sua sobrevivência. Estendeu a mão para o americano, este se levantando e aí ambos correram para sair dali, tentando também avistar Ibe e Lobo, mas tinham a plena certeza que ambos estariam bem, afinal o homem de cabelos castanho-claros era veterano de guerra.
*****
Chegara o dia da despedida. Eiji mal vira Ash nos últimos dias, ele sempre dizia se encontrar muito ocupado, no entanto Okumura sahia que não era disso que se tratava. Seu coração doía pelas circunstâncias, queria realmente dizer seus sentimentos ao jovem que havia o feito renascer, no entanto, ele parecia querer se esconder, como se o quisesse proteger de algo. A princípio, pensara em entregar a carta através de Soo Ling, com quem havia criado um laço forte após contarem a verdade sobre o que sucedera com Shorter Wong; no entanto, por saber exatamente onde poderia encontrar o loiro, se permitira pedir a Ibe que atrasasse o voo de regresso o mais que pudesse, ele queria ver Ash antes de se ir embora.
O jardim perto da biblioteca estava vazio com excepção de um banco, o loiro estando sentado no mesmo, seus óculos de aros dourados adornando seu rosto de forma angelical, os fios penteados para trás da orelha, expondo seu brinco cor de jade. As mãos do jovem seguravam um livro de Ernest Hemingway nas mãos, um que reconhecia bastante bem, o mais jovem dos Callenreese já lhe tendo falado daquela obra, quando usara metáforas deste para justificar seus atos. O jovem estava tão compenetrado em sua leitura que sequer dera por sua chegada e pelo ato de se sentar ali de forma pacífica, Okumura sorrindo para ele de forma resplandecente, colocando a carta entre as páginas do livro que o outro lia tranquilamente.
ㅡ Boa tarde, sumido. ㅡ Okumura gracejara, se permitindo em seguida sentar lateralmente no banco, Lynx o mirando com curiosidade, como se questionasse o que o japonês ali estaria fazendo. ㅡ Estou me despedindo de você, se você assim quiser mesmo que eu vá para o Japão. ㅡ O olhar do moreno face o loiro era como um pedido silencioso para que o outro o fizesse ficar. Depois de tudo o que passara, o japonês queria permanecer do seu lado, queria conhecer outros lados de Aslan, lados esses que ainda não lhe tinham sido dados a conhecer. Queria poder também assumir de verdade seus sentimentos, esses que haviam crescido com naturalidade derivado de tudo o que tinham passado. De seu lado, o dono dos olhos verdes o encarava de forma incrédula, enquanto abria o pequeno envelope, onde o jovem nipónico havia colocado uma carta ao americano, junto de um bilhete de avião sem data para o Japão, junto de alguns documentos falsos, que havia conseguido obter com a ajuda do novo líder da gangue da Chinatown. Mirou-o confuso, afinal nunca haviam feito algo do gênero por si, e tentava dessa forma encontrar justificativas para aquilo. Eiji sequer lhe dera tempo para colocar qualquer tipo de questão, selando seus lábios de forma rápida, seu rosto se enrubescendo por completo. ㅡ Leia a carta, e se concordar em vir comigo para o Japão, eu estarei te esperando na escadaria da biblioteca, bem ali.
Ash se confundira com tais palavras por momentos, como se tudo lhe parecesse um paradoxo. Eiji já havia se afastado, o deixando ali entregue com o papel cuidadosamente dobrado, que deveria ler. Seu rosto alvo ainda estava pintado de tons de vermelho e um sorriso bobo em seus lábios, os olhos atentos lendo cada palavra num inglês cheio de erros básicos mas entendíveis — ele se esforçara durante aqueles largos meses a seu lado para melhorar sua comunicação oral e verbal, mas ainda assim, cometia alguns enganos.
Não demorou para que terminasse, se permitindo fechar o livro com a folha entre as páginas ressequidas pelos anos e se levantou do banco de jardim, andando rapidamente para a escadaria, vendo o mais velho se levantar na sua direção, correndo logo depois para si e o abraçando, o loiro apertando o corpo alheio para o seu, o rosto alvo se enterrando na curva do pescoço alheia. Lynx se encontrava feliz, mesmo que não soubesse como expressar seus sentimentos, mas Okumura os entendia, já conhecia o loiro bem o bastante.
ㅡ Eu também não quero mais sair do seu lado, Eiji. ㅡ Ash dissera, em um tom baixo, as mãos repousando na sua cintura de forma protectora, seu corpo se colando ao alheio, um sorriso infantil bailando no rosto masculino e bem desenhado. Pela primeira vez em anos, estava em paz, e Eiji podia sentir essa leveza de espírito naquela pessoa por quem sentia tanta coisa, principalmente amor, um sentimento tão puro que não podia ser categorizado de outra forma. Era um amor sem malícia e sem necessidade de outro tipo de definições, era uma vontade de cuidar e ajudar a sarar todas as feridas abertas. Ambos haviam que aprender a voltar a viver, e isso era claro na forma como se entreolhavam, a forma como eram atraídos um para o outro.
Foi assim que Aslan percebera que podia finalmente voar para além do seu horizonte.
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