Until Today | jjk + pjm
1 Capítulo Único
Jimin não se achava dono de muita sorte. Na verdade, ele não se achava dono de nenhum tipo de sorte. Vivia tropeçando pelos cantos, caindo por se desequilibrar até com o vento, se batendo e ficando roxo por nada. Era desastrado de uma forma sem igual! Mas, naquele dia se sentiu sortudo por algum motivo. Tudo estava dando certo desde o primeiro momento em que abriu seus olhos, logo ao acordar, sem precisar se preocupar com despertador algum ou com horário para ir ao trabalho.
Era sábado, ou seja, não precisava trabalhar. Folga. Era exatamente disso que precisava.
Colocou uma música em seu celular e deixou no volume mais alto, desejando que fosse ainda mais espalhafatoso, enquanto saracoteava por seu apartamento em direção ao banheiro para um banho quentinho, aquele que estava habituado a tomar todas as manhãs para despertar. O celular o acompanhou e Jimin fez seu pequeno show particular enquanto lavava os fios de seu cabelo com toda calma que podia.
Ao sair do banheiro, enrolado em uma toalha apenas para não molhar o chão, continuou dançando enquanto escolhia uma roupa para vestir, optando por uma calça jeans e uma camiseta qualquer. Estava de folga, não precisava usar as roupas sociais que seu emprego sempre exigia.
Então foi na direção do seu carro assim que estava pronto, logo dirigindo para um café a fim de se alimentar naquele começo de manhã. Ainda tinha planos, precisava fazer compras. E Jimin sempre amou ter que fazer compras.
Depois de um café da manhã reforçado acompanhado de uma fatia de seu bolo preferido e uma bela caneca de café forte e sem açúcar, Jimin voltou para o seu carro quase cantarolando. Dali iria direto para o supermercado que costumava ir pelo menos duas vezes no mês.
Diferente das outras vezes, o Park conseguiu encontrar uma boa vaga para seu carro no estacionamento e até mais rápido que o normal. Saiu do veículo, buscou um carrinho e adentrou o supermercado sacando do bolso seu celular que continha sua lista de compras que sempre alterava toda vez que algo acabava em casa.
Decidiu começar pelo setor onde sempre demorava mais que era a parte de hortifruti. Gostava de escolher os legumes, verduras e frutas mais frescos e perfeitos aos seus olhos. Quando finalmente estava com tudo escolhido dentro do carrinho, partiu para a seção de pães e laticínios. Jimin andava com a cabeça baixa checando o que ainda precisava comprar em seu celular quando acabou batendo seu carrinho de frente com o de outra pessoa.
— Céus, me perdoe! — Disse Jimin antes de sequer levantar a cabeça para ver onde ou em quem havia batido.
Depois de levantar seus olhos para pedir desculpas mais uma vez de uma forma mais educada, se sentiu ainda mais nervoso e envergonhado já que o homem em quem havia colidido era "incrivelmente lindo" segundo seus próprios pensamentos. Por isso, a única reação que conseguiu ter foi sair dali o mais rápido possível antes que fizesse outra besteira.
Jimin praticamente se escondeu em outra seção, a de doces. Aquele moreno alto e tão belo tinha chamado sua atenção de tal forma, que o Park chegou a pensar que até a parte mais azarada de seu dia — a de esbarrar em outra pessoa — na verdade significava sorte. E ter aquela vista definitivamente era de muita sorte.
Respirou fundo e olhou para o lado, percebendo ser observado pelo mesmo garoto de antes. Seu coração chegou a disparar com o tamanho daquela beleza e também com a maneira que ele sorriu lindamente em sua direção.
Parecia que ele tinha encontrado o amor de sua vida.
E era isso que Jimin sentia.
Até o dia de hoje jamais tinha sentido algo daquela forma e foi quase absurda a maneira que seu coração apertou ao ver o moreno sorrir outra vez e seguir seu caminho. Era como se Jimin estivesse vendo sua felicidade ir embora e seu maior desejo foi correr atrás daquilo que por segundos despertou algo dentro de si que não conseguiria explicar nem se desejasse muito.
Depois de toda aquela emoção de encontrar e perder sua "outra metade" no mesmo momento, Jimin perdeu todo o ânimo de terminar suas compras. Guardou o telefone no bolso traseiro da calça e se dirigiu ao caixa para pagar as poucas coisas que já tinha recolhido. Enquanto suas compras passavam, o Park até tentou encontrar o garoto em quem esbarrou mais cedo, mas sem sucesso.
Apenas terminou de embalar tudo e voltou para o seu carro onde ficou um tempo com a testa apoiada no volante imaginando já uma vida com o moreno de mais cedo. Como ele seria feliz se as coisas que estivesse levando para casa fossem para preparar um jantar romântico para os dois.
— Estou mesmo tão carente assim? Vi o garoto durante cinco segundos e já estou planejando uma vida inteira!
Jimin reclamou consigo mesmo e deu partida em seu carro para dirigir de volta para casa.
Ao chegar em casa Jimin se afundou no sofá sem desejar pensar em mais nada. Estava frustrado, aquela vida de solteiro de fato estava lhe deixando muito mais carente do que desejava admitir. Soltou um suspiro e pegou na sacola ao seu lado uma barra de chocolate. Um doce lhe faria bem de alguma forma, nem que fosse para acabar com sua mágoa.
— Ele era tão lindo, consigo imaginá-lo entrando aqui e me desejando boa noite, nós dois abraçados olhando filme, ele me fazendo carinho e dizendo coisas bonitas. — Choramingou sozinho, bufando.
Talvez uma festa pudesse lhe fazer melhor caso ao menos gostasse de festas.
O Park passou o dia todo deitado no sofá vendo alguns filmes só se levantando dali para pegar pipoca e ir ao banheiro, porém quando sua cabeça começou a doer, achou melhor ir para a cama dormir.
No dia seguinte, Jimin abriu a geladeira para beber um copo de leite, porém não encontrou nada. Isso o fez se lembrar de que não tinha conseguido concluir sua compra no dia anterior. O Park bufou e bateu a porta da geladeira indo se arrumar para sair e voltar ao mercado.
Havia dias em que Jimin se perguntava por qual motivo, razão ou circunstância tinha saído de sua cama quentinha. Aquele começo de manhã era mais um desses nada adoráveis momentos. Semanas já haviam se passado desde que conhecera o garoto moreno no meio do supermercado, agora enquanto andava pelos corredores do lugar tão conhecido por si somente conseguia pensar que tinha planejado toda uma vida ao lado do garoto e nem mesmo sabia seu nome ou se o veria novamente em sua vida.
Jimin sentiu-se mal durante semanas por pensar que o amor de sua vida, sua alma gêmea, tinha lhe dirigido um sorriso e então sumido. Como podia ter planejado tantas coisas com alguém que vira por apenas breves segundos?
— Eu sou um grande trouxa. — Sussurrou enquanto caminhava por entre as paredes cheias de prateleiras, pegando alguns doces e lanches que gostava de levar para o seu trabalho.
Apesar de estar de folga, sempre acabava fazendo em seu fim de semana algo que o lembrava de seu emprego. Era inevitável, afinal.
Fez suas compras com toda calma que naquele momento nem mesmo tinha e suspirou frustrado ao esbarrar em alguém, cheio de esperança, e encontrar uma mulher qualquer que estava ali também comprando. É, o destino havia sido um grande babaca com Park Jimin.
Pagou por tudo que havia comprado e voltou ao estacionamento, guardando suas compras ali dentro e adentrando também o veículo. Pegou seu celular para conectar via bluetooth e poder ouvir no caminho de volta para casa e respirou fundo enquanto outra vez lembrava-se daquele mesmo jovem que tinha visto no outro dia.
Foi então que o destino resolveu ser um pouco mais babaca e estragar um pouco mais o dia de Jimin ao que algo impulsionou seu carro para frente com certa força. No mesmo instante, com o susto, desceu do veículo para averiguar o que tinha acontecido, dando-se conta de que outro carro havia batido no seu. Estava pronto para xingar a pessoa inconsequente, afinal seu precioso carro não merecia uma pancada daquelas. Já bastava o próprio Park sendo socado diariamente pela vida.
— Ah, me perdoa, por favor. — Aquela voz tinha algo diferente e que causou em Jimin um arrepio quase imediato. Quando o Park levantou a cabeça encontrou olhos castanhos e intensos lhe encarando e, em seguida, um sorriso de canto na boca tão bela que ele tinha. — Nós nos esbarramos no outro dia, não?
O pequeno acidente de trânsito até mesmo foi esquecido com aquela troca de olhares. Jimin nem conseguia acreditar que havia reencontrado e de um jeito extremamente inesperado o garoto em quem esbarrou no supermercado semanas atrás.
Jimin só faltou explodir de vergonha na frente do moreno do qual nem mesmo sabia o bendito nome, mas ao mesmo tempo tinha a plena certeza de que seria feliz pelo resto da vida se o tivesse ao seu lado.
O Park já ia fugir outra vez de volta para dentro do seu carro e sair dali o mais rápido possível, mas dessa vez foi impedido.
— Espera! — O moreno segurou sua mão, mas quando viu o olhar nervoso de Jimin encarando a própria mão achou melhor largar — Desculpa... É que, vai parecer estranho, mas você não quer tomar um café comigo?
— O que?! — Disse Jimin com um tom de voz alto demais para o seu gosto — Quer dizer...
— Eu acabei de bater no seu carro, eu sei. Aliás, vou pagar com certeza, mas é que eu não consegui tirar você da minha cabeça desde aquele dia. Aliás, meu nome é Jeon Jungkook. — O Jeon estendeu uma das mãos na direção de Jimin, mas o mesmo ainda estava imóvel — Eu estou sendo estranho, não é? Esquece... Vou te dar meu número para você me mandar quanto o valor do conserto...
Jungkook começou a buscar um papel e uma caneta qualquer na sua bolsa, depois de todo aquele clima esquisito entre os dois, agora era o Jeon que queria sumir dali.
— Eu aceito! — Jimin praticamente gritou de repente assustando o moreno — Quero dizer, eu aceito o café... Seria legal até.
O Park resolver fingir desinteresse, não queria parecer desesperado ou carente na frente da sua tão sonhada alma gêmea que dias antes não sabia que precisava tanto dele para ser feliz.
Era nítido que os dois esperaram por aquele momento. A alegria era tanta que a batida do carro já nem lhes era tão importante assim, tendo em vista que aguentaram semanas por aquilo.
Ignoraram a batida do carro por completo, afinal nem mesmo havia sido tão grave, e então cada um em seu próprio veículo foi de encontro ao café que combinaram previamente. Jimin nem precisou colocar música para cantar durante o caminho inteiro — ainda que este nem fosse tão longo assim.
Já no estabelecimento marcado, os dois escolheram uma mesinha aconchegante em um canto e então desataram a falar como se conhecessem um ao outro pela vida inteira.
— Eu fiquei pensando em você durante esse tempo todo, Jimin. O quão louco isso é? — Riu fraco Jungkook, bebendo de seu cappuccino. — Acho que fiquei te esperando minha vida inteira e não sabia.
Jimin apenas riu com aquela afirmação de Jungkook. Ele ainda não acreditava em nada daquilo e do jeito que era azarado, poderia muito bem estar em um daqueles programas de pegadinhas com uma câmera escondida. A qualquer momento apareceria toda uma produção ao redor deles dizendo que ele caiu feito um patinho em todo aquele teatro.
— Jimin...? — Jungkook chamou a atenção do Park que parecia distante.
— Isso tudo parece mentira... Não estou te chamando de mentiroso, mas a situação inteira. — Jimin repousou a caneca sobre a mesa e colocou seus dois cotovelos sobre o móvel apoiando seu queixo em uma de seus mãos. — Desde aquele dia que eu esbarrei no seu carrinho no mercado e saí envergonhado dali, eu passei a imaginar toda uma vida ao teu lado. Assistindo a filmes abraçados no sofá, você chegando em casa depois do trabalho e me abraçando por trás para me cumprimentar, sendo que eu nem mesmo sei se você tem um emprego! Não sabia seu nome e tinha olhado para você por praticamente cinco segundos. Fantasiei até nossa velhice juntos contando aos nossos netos a nossa história de amor incomum. Então, é muito surreal que você apareça de novo na minha vida batendo na traseira do meu carro, me chamando para sair e ainda dizendo que fez o mesmo que eu durante esse tempo!
Jungkook encarou o Park por alguns longos minutos como se quisesse descobrir algo estampado no rosto de Jimin. Então se levantou de sua cadeira e a arrastou até ficar ao lado do loiro que apenas o acompanhou curioso com os olhos.
O Jeon tornou a se sentar na cadeira, agora ao lado de Jimin e gentilmente alcançou o queixo do Park que apenas deixou o momento fluir. A curiosidade para saber onde aquilo iria parar era maior que qualquer outra coisa.
Visto que Jimin não esboçou nenhum sinal de resistência, o moreno foi se aproximando cada vez mais e quando finalmente sentiu o hálito de café vindo daqueles lábios tão convidativos e avermelhado, Jungkook parou encarando o Park como se quisesse achar permissão em seus olhos. O mais velho não aguentou segurar e apenas acabou com aquela mísera distância entre eles.
Não era um beijo quente ou urgente, mas ainda assim foi o suficiente para eles terem a certeza de que realmente a felicidade de um dependia da felicidade do outro.
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