Until Kingdom Come
33 Capítulo 33
Notas iniciais
A primeira coisa que senti foi choque. Um choque parecido com o que o ser humano sente quando respira o ar depois de um longo tempo submerso por água. Olhei para ele e não me importei com o olhar magoado do Scott ou com o olhar surpreso de Patch. Aproveitei ao máximo esse momento, porque eu sabia que ele teria que partir no próximo, e eu precisava dele. Era quase como uma dor física. Estar separada dele por apenas alguns metros era torturante para mim. Eu queria correr até ele e abraça – lo e não deixa – lo, como se minha vida dependesse disso, e dependia.
Andei até onde ele estava e o encarei. Ele não estava parecido com o Patch que eu um dia conhecera. Ele estava pálido com eu, olheiras fundas e suas mãos estavam cobertas por arranhões e cicatrizes. Eu não sabia como ele as tinha conseguido e esse pensamento me fez desviar o olhar de suas mãos. Ele me olhou confuso e passou a mão no cabelo. Abri a boca para falar e ele foi mais rápido.
- Eu não quero ouvir nada, ok? Eu só quero que você saiba que eu não entendo o motivo de você ter ido embora, mas está tudo bem. Eu quero que você seja feliz, mesmo se for longe de mim. Eu vim aqui porque eu queria entender, entender porque você me deixou, porque fez aquilo comigo. Não tem um só dia no qual eu não me arrependo de não ter salvado você, de ter deixado você passar por tudo aquilo. Eu ...
- Patch – eu comecei.
- Não, deixe – me terminar. Eu sonho com você toda noite, Nora. Eu fico olhando para a minha porta e espero você entrar. Eu sinto tanto a sua falta. Eu vou entender se você não sentir o mesmo. Eu tinha que te encontrar e dizer o quanto eu te amo e o quanto eu sinto muito por tudo que aconteceu. Eu não consigo dormir pensando que nunca mais vou te ver. Eu não consigo respirar quando eu penso que você está por ai, com outra pessoa. Eu te amo, e muito. Eu sinto a sua falta todos os dias. Eu destruí metade do meu apartamento por que eu estava nervoso. Você é a minha melhor amiga, e seja o que for, nós vamos dar um jeito. Por favor, me conte o que está acontecendo. – Ele falou rápido enquanto segurava os meus braços com suas mãos.
- Patch. Como você me encontrou? – eu perguntei e tive que me segurar para não falar tudo para ele.
- Katy conseguiu fazer a Dabria falar. Nora, você quer que eu vá embora? – sua voz falhou na última frase.
- Patch, é complicado. – eu já estava chorando quando disse isso.
- Complicado? Eu vim até aqui, vi você quase o beijando e me declarei para você e você diz que é complicado. Não parecia nada complicado deixar- lo enfiar a língua na sua garganta. – ele estava nervoso. Patch me soltou e começou a ir embora. Eu sentia que eu ia desmaiar, mas não podia deixar-lo ir embora. Corri até ele e agarrei seu braço. Ele me olhou surpreso e eu o beijei. Ele envolveu suas mãos na minha cintura e eu o puxei para mais perto, como se não fosse o suficiente. E não era. Nunca foi e nunca será. Por um momento u esqueci que provavelmente todas as pessoas na rua estavam nos olhando e que Scott deveria estar furioso e o beijei como se tudo dependesse daquilo. Passei as mãos por suas costas e memorizei cada músculo, curva e linha que ele tinha e ele passou a mão no meu rosto, parecendo fazer o mesmo. Eu não queria soltá – lo, mas nós começamos a ficar com falta de ar e o afastei.
- Eu te amo Patch. Eu sempre te amei. Dabria me fez fazer um acordo estúpido com ela e aqui estou eu. Você acha que estava ruim lá? Então imagina aqui. Você não precisa parar de respirar, ou destruir o seu apartamento. Eu não quero que você vá embora e você é a pessoa mais importante do mundo para mim. Meu melhor amigo, meu parceiro do crime e a pessoa que eu mais amo. Eu preciso de você. Nós precisamos de você. Eu não vou a lugar algum e espero que você também não. Você me perdoa por ter ido embora?
- Nora. – ele olhou nos meus olhos com aquele olhar faminto e carente, pegou meu rosto nas suas mãos e me beijou. Eu retribui o beijo e deixei que as lágrimas quentes escorressem pelas minhas bochechas e molhassem suas mãos que estavam no meu rosto. Eu estava quase perdendo o ar, quando senti um par de mãos grandes e firmes segurarem a minha cintura.
- Deixe – a em paz. – Scott gritou.
- Largue –a. Você não sabe o que está falando. -Patch rosnou.
- Eu sei sim. Foi você, não foi? Quem a magoou. Eu sei muito bem quem você é. – isso foi como uma navalha entrando no coração do Patch, porque ele olhou furioso para Scott e lhe deu um soco, fazendo o cair no chão. Mas o que Patch não previu é que eu fosse cair junto. E finalmente eu desmaiei.
Fale com o autor