Until I Die Alone

6 E levou você da minha vida.


Notas iniciais
Mandem reviews? ♥

Diário de Christofer Ingle:

Eu estava indo pra casa, ainda sem nenhuma notícia de Clarice, mas já previa que algo tinha acontecido.

-Precisamos conversar querido. –Me sentei no sofá ficando de frente para mamãe que se sentou na poltrona no outro lado da mesa de centro. –É sobre a Clarice... –Ela suspirou ao falar e eu entendi que coisa boa não poderia ser. –Aconteceu um acidente, bem... Quase um acidente...

-Fala logo mãe. –Eu já estava sentido as lagrimas aquecerem os meus olhos.

-Aconteceu uma fatalidade querido, Clarice, ela não esta mais entre nós. –Meu coração se revirava em um misto de sentimentos, ódio, dor, amor, saudade, meu mundo parecia estar caindo, eu ainda tinha esperanças de vê-la de novo, esperanças de tocar aquela pele macia, de chamar de minha aquela mulher que mais parecia uma garotinha, minha garotinha, de beijar aqueles lábios que me envolviam a cada beijo quase como mágica, tinha esperanças de olhar naqueles olhos profundos, de ouvir daquela voz doce um ‘eu te amo’ mais uma vez, tudo, tudo isso, desmoronou na minha frente quando eu soube que Clarice morrera, como? Ela não podia. Ela sabia que eu não sei viver sem ela. Mamãe veio me abraçar e eu não tinha vergonha de estar molhando a blusa amarelo-queimado dela, ela beijava o topo da minha cabeça e eu sentia as lágrimas escorrendo no rosto dela também, me acalmei o suficiente para perguntar:

-Como mãe? –Ela demorou a responder e com visível dificuldade me contou:

-Ela se matou. Enforcada. –Aquilo aumentou toda dor em um milhão, por que? Que motivos ela tinha pra fazer isso? Seria culpa minha? E eu agüentaria viver além de sem ela, me sentindo culpado? Engolindo o choro mamãe terminou a frase. –A policia disse que ela deixou umas coisas pra você e que só você vai saber, mas eles não devem se importar de esperar até você estar pronto pra saber. –Saber era tudo o que eu mais queria.

-Eu vou amanhã mesmo. –Me desfiz do abraço de mamãe e fui para o quarto, liguei a torneira pra banheira encher e voltando do banheiro fui obrigado a olhar pro mural acima da cabeceira da cama, o mural com as nossas fotos, eu tremi e como num piscar de olhos me vi arrancando todas as fotos e rasgando-as, de que valiam as fotos se os momentos eu jamais reviveria? Sentei na cama, com os joelhos no peito, as lágrimas ainda inundavam meu rosto, olhei pro lado e vi, a única foto que sobrevivera, era a foto que ela dizia ser a mais especial, a foto do mergulho, ela tinha medo de mar, não pude evitar sorrir lembrando daquele dia, segurei a foto pronto pra rasgá-la, a olhei de novo, aquele sorriso, aquele olhar inocente, enfiei a foto na gaveta do criado mudo, levantei da cama, olhei pra trás quando cheguei no banheiro e vi o amontoado de papel fotográfico rasgado na cama, senti novamente a onda de emoções me invadir, soquei a parede por reflexo.

-Eu ainda te amo, onde quer que você esteja, seja lá qual for o por que. –Baguncei o cabelo, olhei de novo pra cama bagunçada e entrei no banheiro.

*

Eu me levantei sem vontade nenhuma de estar de pé, troquei de roupa, não fiz questão de comer, de tomar banho, de nada, quando passei pela sala mamãe perguntou:

-Na onde você vai?

-Na policia.

-Espera, come alguma coisa. –Eu saí porta a fora, liguei o carro, mesmo sem saber se tinha condições de dirigir.

*

-Boa tarde.

-Boa tarde, eu sou Christofer Drew, sobre o caso de Clarice Ferreira. –A recepcionista da delegacia acenou com a cabeça e eu me sentei em uma das cadeiras cinza muito duras da recepção. Um homem fardado, alto, moreno, com um bigode que eu teria admirado muito em condições normais se aproximou:

-Boa tarde, eu sou o capitão Felicy, o delegado me encarregou do caso da sua namorada. –Ele me deu um aperto de mão. –Vamos até minha sala. –Ele me levou até a sala pequena e desconfortável e continuou: -Não há muito o que dizer sobre o caso dela, foi um suicido, forneceu informações importantes ao FBI e a polícia federal brasileira, mas nada em relação diretamente a ela, de qualquer modo, ela deixou isso para você. –Ele me entregou um envelope. Eu agradeci e fui para casa. Mamãe tinha deixado um bilhete dizendo que tinha ido resolver algumas coisas do hospital e visitar uma amiga que estava internada lá também e só voltaria de noite, dei graças a Deus, tudo o que eu precisava era ficar sozinho. Deixei o envelope na cama, eu tinha duvidas de realmente deveria ler, afinal o que estaria escrito ali não mudaria nada. Nunca. Por fim peguei o envelope e tirei a folha de caderno que estava lá dentro, fui até a sacada pra ler, quase não reconheci a caligrafia, que costumava ser formosa e desenhada e estava desleixada, era visível que ela tinha escrito aquilo chorando, havia muitas partes manchadas, respirei fundo e comecei a ler:

Eu sei que neste momento deve estar duvidando do meu amor, mas eu quis começar escrevendo isso: Eu te amo. Em qualquer dia, modo, tempo, mundo, até quando eu parar de respirar. Eu sempre vou te amar. Eu sei que neste momento as palavras gritam na sua cabeça, dizendo que se eu te amasse mesmo não teria motivos pra fazer isso, mas querido, a vida nos ensina uma coisa, amar é muito mais do que estar junto e no nosso caso, o meu amor teve que tirar a minha própria vida pra te dar uma chance de ser feliz. Eu nunca te contei sobre minha vida no Brasil, sobre minha família, você também nunca me cobrou contar. Devia ter cobrado. Meu sobrenome é comum, mas em especial o meu é mais do que conhecido, meu pai... Ah, meu pai. Ele sempre sonhou em ter um filho homem que cuidasse dos negócios e fosse forte para enfrentar a ‘vida’, mas eu nasci, é. Ele sempre me amou muito, me deu carinho e me alertou que eu não teria uma vida fácil, eu não entendia porque, tinha tudo que queria e a empresa seria minha depois que papai se fosse e ele se foi. Tem um ano mais ou menos, agora eu sou a candidata a presidente e dona da empresa de automóveis mais importante do Brasil. Qual o problema com isso? Quando a empresa começou a crescer, meu pai fez um acordo, com caras não tão legais assim, mafiosos, eles liberavam papai dos impostos em troca de parte dos lucros da empresa, sim, papai ainda teria gastos, mas seriam menores do que com os impostos, acontece que nos últimos anos papai não os pagou e o beneficio da sonegação de impostos não é algo que possa ser cortado mais. Enfim, eles mataram o meu pai, eles são cegos pelo dinheiro e agora quem tem que paga-los sou eu, mesmo não tendo assumido a empresa, venho recebendo recados deles e confesso que fui irresponsável de deixar nosso namoro ser público, eu não ligara que me matassem, o problema é que as ameaças eram pra você. Agora, eles não tem o menor motivo pra te ameaçar, a empresa não é mais minha, afinal eu não existo mais e provavelmente nem a empresa por muito tempo. Sim, havia outros jeitos de resolver as coisas, mas pra isso eu teria que envolver o nome de muita gente e provavelmente seria presa, você também teria problemas e era a última coisa que eu queria, que você fosse prejudicado por minha causa. Sinto muito Chris, eu te amo.

-Eu não sabia o que pensar daquilo, como ela pode pensar que eu não estaria do lado dela? Nós podíamos ter enfrentado isso juntos, podíamos ter enfrentado qualquer coisa juntos. As lágrimas tinham voltado a rolar pelo meu rosto, será mesmo que eu seria feliz de novo sem ela aqui? O vento bateu e levou o papel da minha mão e naquele momento tive certeza, levou Clarice da minha vida.

Notas finais
NHAA, Nem sei se ficou bom pensa/ Demorei um pouco mas ta aí *-* Só falta mais um capítulo :D