Unsolved - Especial de Natal
1 Clarissa.
Notas iniciais
CLARISSA
Natal é uma data que me trás alegria e felicidade. – Sempre fomos eu e minha mãe, em todos os natais. – Mas este ano seria diferente, o primeiro Natal sem ela – datas assim me traziam boas recordações, mas sentimentos nostálgicos e tristes.
Não planejei nada, e algo também me dizia que Andrew não se importava com esse tipo de comemoração.
Eu apenas não contava com o furacão Amélia rompendo pela porta da sala, com sacolas cheias de compras e um sorriso enorme no rosto.
— Geralmente eu não costumo fazer nada... Mas esse ano com você aqui Clary, é diferente! – dizia enquanto eu a ajudava a cortar alguns ingredientes.
— O Andrew não gosta desse tipo de data, não é...?
— Ele não se importa, pra ser sincera. – Amélia responde.
Passo o dia ajudando na cozinha. – Arrumamos a mesa, e ela até trouxe uma árvore de Natal para decorar.
— Foi de última hora, mas acho que vai ficar bonito... – diz.
Já pelo cair da noite ela me dispensa da cozinha. – Vou até a sala para decorar nossa árvore. – Ela é de tamanho médio, e vejo ao seu lado uma caixa de enfeites.
Me sento no chão mesmo e começo a decorar. – Me sinto cansada depois de passar o dia inteiro na cozinha, mas não deixo o desânimo me abater.
Enquanto penduro os enfeites me recordo de natais passados. – Em que eu e mamãe fazíamos isso juntas. – Se eu soubesse que a perderia, teria me dedicado mil vezes mais a esses momentos.
Só percebo que estou chorando quando sinto as lágrimas molharem o tecido da minha blusa. – No mesmo momento em que levo o dorso da mão ao rosto para secar a porta se abre.
Tento disfarçar o choro, mas Andrew já me viu. – Me concentro ao máximo em pendurar os enfeites e tento não fazer contato visual.
Noto que ele deixa algo em cima do sofá e se aproxima da onde estou. – Ele se senta no chão de frente pra mim e nesse momento olho em seus olhos.
Estão azuis tão claro que me lembra uma manhã de sol. – É irresistível olhar em seus olhos.
— O que houve? – indaga.
Fico em silêncio por alguns segundos até respirar fundo.
— Lembrei da minha mãe. – digo mirando meu olhar no enfeite vermelho que está entre meus dedos.
— Datas comemorativas fazem isso com as pessoas. – seu tom de voz é frio e me incomoda.
Ele parece perceber, pois sinto seus dedos tocarem os meus e tirarem o enfeite da minha mão. – Volto a fita-lo.
— Você não se importa?
— Existem muitas coisas que eu não ligo... Mas se essa bosta de Natal é importante pra você... – Andrew coloca o enfeite na árvore enquanto meu olhar não poderia ser mais surpreso.
Ele começa a decorar em silêncio junto comigo. – O clima é meio constrangedor, já que esse não é o tipo de coisa que ele faz, ou gosta de fazer.
Mas me sinto grata. – Por ele simplesmente se sentar aqui e fazer isso.
— Ela era minha família... – digo sem pensar muito.
— Nós escolhemos nossa família. – Andrew diz depois de alguns minutos.
— O que quer dizer?
— Clary querida, me ajuda... – Amélia adentra a sala e sorri assim que nos vê sentados. – Que coisa mais linda! Preciso tirar uma foto desse momento...
— Não mãe! – Andrew diz irritado. – Nada disso...
— Sorriam! – Mas antes que ele possa se levantar e fugir daquele momento, Amélia pega o celular e registra o momento.
— Apaga isso! – Andrew diz revirando os olhos e eu rio.
— Para de ser chato! – Amélia rebate. – Clary pode me ajudar a terminar de ajeitar a mesa? Andrew vai se arrumar... Depois eu termino de dar os toques finais nessa arvore.
Faço o que ela pede e Andrew também – mesmo que a contragosto.
— Espero que Andrew tenha chamado os garotos e que eles não cheguem aqui atrasados... – Amélia diz resmungando enquanto terminamos de arrumar a mesa.
— O que disse Amélia?
— Hã? – pergunta sem graça. – Não falei nada demais...
— Os garotos vão vim? Você planejou isso tudo...?
— Não fui eu. – diz deixando um sorriso estampado no rosto. – Foi o Andrew.
— Porque ele faria isso? Andrew nem gosta de Natal... – a surpresa na minha voz é evidente.
— Mas ele gosta de você. – Amélia sorri mais largo quando vê meu rosto ficar vermelho de vergonha. – Ele ficou preocupado que você se sentisse mal nesse dia, por causa da sua mãe... Mas por favor Clary não conta pra ele!
— Claro. – digo sem reação. – Ele pediu pra você fazer tudo isso?
— Sim. A ideia foi toda dele... Eu como mãe e cúmplice só executei o plano!
Assim que termino de ajudá-la subo para me aprontar. – Quando adentro o quarto Andrew não está. – Tomo um banho relaxante pensando no que Amélia me disse.
Não consigo acreditar que ele tenha planejado isso pra mim. – Sorrio involuntariamente me recordando dele decorando a árvore comigo.
Me arrumo com calma. – Visto um vestido vermelho de tamanho mediano, ele é bem soltinho e me deixa a vontade. – Deixo o cabelo solto e faço uma maquiagem leve.
Saio do quarto e no corredor escuto vozes animadas na sala. – Desço a escadas e vejo Julie, Nick e Dave sentados na sala.
Cumprimento todos com alegria e desejo feliz Natal. – em Julie dou um abraço mais demorado.
Amélia e Andrew se juntam a nós na sala. – Andrew se senta ao meu lado no sofá. – Ele está vestido casualmente, mas permanece tão lindo quanto a primeira vez que o vi.
Megan chega um pouco depois e se junta a nós. – A conversa está rolando e noto que Julie e Nick estão isolados em um mundo só deles.
— Você está linda pra caralho... – Andrew diz baixo no meu ouvido.
Viro meu rosto e olho em seus olhos. – Estamos muito próximos por estarmos um ao lado do outro.
— Obrigado. – agradeço e sorrio pra ele.
— Estou quase mandando todos embora e aproveitando essa noite com você. – diz bem baixo. Sinto meu rosto ficar vermelho e ele me lança um sorriso malicioso.
Megan e Amélia entram em uma pequena discussão sobre o horário da ceia. – Amélia nos proíbe de comer qualquer coisa antes da meia noite. – Isso gera piadas de Dave e até Andrew aproveita pra debochar do momento.
O clima está bom, a conversa, o lugar. – Sinto que pertenço a isto.
A meia noite todos vamos para mesa e comemos. – Até quase literalmente não aguentar mais.
Entre algumas conversas paralelas e risos Andrew me diz algo interessante.
— Entende agora quando eu digo que nós escolhemos nossa família? – indaga.
Observo todos na mesa e me sinto feliz. – O último rosto para que eu olho está ao meu lado. – Andrew.
— Família. – Sorrio sentindo meu coração aquecido.
— Família. – Ele repete baixinho.
Jogamos mais um pouco de conversa fora e nossos amigos começam a ir embora.
Amélia é a última a ir. – Eu a agradeço imensamente e a abraço apertado.
Eu e ele ficamos sozinhos na sala. – Tiro meus sapatos e prendo o cabelo. – Andrew tira os sapatos e a camisa.
Estou literalmente largada no sofá. – Ele que está ao meu lado na mesma situação. – comemos demais e agora apenas existimos.
— Obrigada. – digo quebrando o silêncio entre nós.
Sua atenção se volta pra mim. – Já que a pouco ele estava entretido com um programa qualquer da TV.
— Mas... – O Interrompo com um beijo antes que ele formule uma frase.
Sinto sua boca na minha. – Seus lábios macios me beijam lentamente. – Minhas mãos acariciam seus cabelos, enquanto as suas tocam minha cintura com leveza.
— Eu sei que foi você que planejou isso. – digo assim que paramos o beijo.
Ele me puxa pra mais perto e me senta em seu colo. – Coloco uma perna de cada lado.
— Só queria vê-la bem... – Andrew diz baixo e quase constrangido.
— Você me fez muito feliz hoje. – Sorrio sincera pra ele.
Sinto sua boca pressionar a minha novamente. – Borboletas dançam em meu estômago. – O beijo dele me enfeitiça e me leva pra outro universo.
Interrompo o beijo em buscar de ar. – Andrew encosta a testa na minha e me olha nos olhos.
— Você é minha família. – digo sentindo meu coração bater forte.
— Eu sou? – sua indagação é frágil e me recordo do quanto ele sofreu e de quantas pessoas importantes ele perdeu.
— Sim. – O vejo sorrir com sinceridade pra mim e sinto que posso explodir de felicidade.
Pela primeira vez em dias não estou pensando em como minha vida está em risco, se Andrew vai ou não voltar pra casa seguro. – Só estou pensando em como esse é momento me trouxe uma felicidade encantadora.
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