Unseen Eyes
1 Introdução
Notas iniciais
Algumas vezes, seres etéreos, cansados de sua monotonia cotidiana e eterna, observam os humanos com suas curtas vidas agitadas. Por vezes dramáticas.
Não importa a origem desses seres, ou até mesmo a definição de sua existência, eles apenas estão lá, como consciências ambulantes no curto véu da realidade. Não são espíritos, ou almas penadas, são apenas entidades cansadas. Cansadas de existirem apenas em livros, contos, lendas ou apenas na mente humana, que então, resolveram existir. Mesmo que bambas em uma linha tênue do existente e do inexistente. São o tudo e o nada, e como tais, atendem por diversos nomes.
Eu, se puder me dar a honra de ser usado como exemplo, faço parte dessas “entidades”, singelamente falando. Não é nada fácil ser o que somos. Quando decidimos existir, não havia nada que mencionasse o infinito tédio que enfrentaríamos por sermos imortais.
Nossa única vantagem, é que temos visão clara e limpa em todas as dimensões. E o fato de sermos onipresentes e oniscientes. Onipotentes... Diria que somos apenas pelo fato de não ter com o que competir poder. O mundo etéreo é extremamente pacifico e monótono.
Mas, como eu dizia anteriormente, antes de divagar sobre o profundo significado de minha existência, quando entediados, entidades etéreas, observam silenciosa e minunciosamente a vida agitada de humanos. E, apesar da maioria não acreditar, o cotidiano de alguns desses seres, pode ser deliciosamente interessante.
Eu prefiro vidas dramáticas. Meu desejo por drama e lágrimas é absurdamente doentio, palavras da minha querida amiga Morte. Mas fazer o que? Eu odeio finais felizes. Ou universos onde tudo dá certo. Isso não existe, não na minha humilde opinião.
Enfim, sem mais delongas, iniciarei o enredo de um pequeno garoto, que provou que o trauma,unido a cegueira, são tão efetivos quanto as mais grossas lentes, para enxergar o mundo que o cerca.
Me acompanhem animados, essa simplória história, me fez ver humanos com outros olhos.
Tudo começou – De maneira bem clichê, devo acrescentar. – com uma explosão. Apenas grupos protestantes com granadas de mão e três bananas de dinamite, o necessário para colocar toda a mansão Crowsly a baixo em menos de um minuto. Aquela gloriosa construção, antes a maior casa de toda a cidade, voltou ao pó, ao nada. O Sr. Crowsly era o único culpado, mas obrigou toda sua família sucumbir às cinzas. Não que eles não tivessem culpa no cartório.
Mas havia algo por trás daquela explosão, uma tragédia. Algo completamente planejado, calculado e bem efetuado. Um plano, de meses de preparação, que enfim saiu apenas do papel e foi posto em prática. O assassinato da família Crowsly, perfeitamente camuflado.
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