Unsaid
2 Capítulo 2
Notas iniciais

RON
Ao chegar ele correu para o quarto do casal, onde tinha certeza de que a encontraria. Ela dormia tão serenamente que sentia dó em acorda-la.
Todas às vezes.
Quando ela dormia parecia ser seu único momento de paz, quando se libertava dos pensamentos carregados.
Ela achava que ele não sabia, mas Ron prestava mais atenção nela do que ela pensava.
Ele também sofrera, ainda sofria, mas era forte pelos dois, por ela. Tivera medo e ainda temia que ela o deixasse, que ficar ao seu lado a lembrasse do pesadelo que viveram tempos atrás. Muitas vezes passava as noites insone, vigiando.
Ela o afastara, o rejeitara e ele podia jurar que o relacionamento estava fadado ao fim. Desde então pisava em ovos e pensava mil vezes antes de falar. Só não era como antes, quando não havia traumas e dor entre eles. Sem falar que nunca conversaram abertamente sobre o que acontecera, algo que Ron desejava, pois muitas vezes acordava pela manhã e não sabia em que pé estavam.
Felizmente, ele era paciente.
Um pouco mais de um ano se passara desde o ocorrido, no entanto Ron continuava paciente. Ele se apaixonara pela Hermione decidida, que sempre soube o que queria, que encontrava soluções para problemas que nem existiam ainda. Todavia precisara aprender a conviver com essa nova Hermione: cabisbaixa, reclusa e distante.
Até que semanas atrás ela o procurou, como não procurava há meses e ele achou que tudo poderia voltar ao normal.
Mesmo assim ele foi paciente.
Ron encontrou o teste de gravidez por acaso no mesmo dia em que ela o fizera, mas como proteção não dissera nada. Não queria, mas precisava dar tempo e espaço a ela, não iria confrontá-la, mas queria, como queria...
E, quem sabe, ela apenas estivesse esperando para fazer uma surpresa, contar de um jeito especial.
Mas então, os dias foram passando e se tornaram semanas.
Os sintomas eram os mesmos da outra vez. Hermione desconversava, dizia que havia comido algo que lhe fizera mal ou que não dormira bem. Às vezes até mesmo fingia que não havia nada de errado.
Em cima da cômoda, ele vira o receituário do doutor Borges, embaixo de sua bolsa: onde ela achava que ele não veria, mas ele reparava nesses pequenos detalhes.
E isso o magoava. Não saber como ela se sentia quando eles sempre compartilharam tudo, quando ele sempre sabia o que ela queria, quando costumavam ser o porto seguro um do outro e agora tinha medo de falar algo errado.
Ele só precisava ser paciente.
— Oi, Mione. – ele deitou-se encostando a cabeça no ombro dela, o nariz enterrado nos cabelos cacheados aspirando o cheiro de canela e baunilha de um dos muitos cremes que Hermione gostava de usar.
— Oi, Ronald. – a voz sonolenta, enquanto ela se virava na cama para encará-lo. Ron riu discretamente, seu nome soava deliciosamente em seus lábios. – Faz tempo que chegou?
— Uns cinco minutos. – seus lábios se encontraram despretensiosamente. Um beijo rápido, um cumprimento após um longo dia separados.
Ela se aconchegou em seus braços, aspirando fortemente seu perfume. Reconheceria aquele cheiro em qualquer lugar, ela mesmo o presenteara com aquela fragrância inebriante, um verdadeiro achado.
— Senti sua falta. – Hermione declarou e algo se aqueceu dentro de Ron. Ele também sentia falta dessa demonstração de carinho. Eles se viam todos os dias, comiam juntos e dividiam a mesma cama, mas ele sentia saudades. Não era a mesma coisa, por isso procurava aplacar esse sentimento sempre que ela permitia.
As mãos pequenas e macias encontraram um caminho pelo corpo do rapaz. Qualquer toque o deixava em êxtase, não necessariamente em um sentido sexual. Ele só queria Hermione.
— Nós temos que nos arrumar, vamos jantar com Harry e Ginny, lembra? – Ron disse em meio aos beijos. As mãos de Hermione ousadamente tentavam tirar sua camisa.
A contragosto ele se afastou.
Era tudo o que ele mais queria nesses últimos meses: seus beijos, seus carinhos, sua entrega. Aos poucos ela o deixava tocá-la como antes e nas últimas semanas transaram quase todos os dias como loucos, inconscientemente compensando por todos os dias em que a tristeza reinou.
Mais um sintoma da gravidez, ele imaginava.
Só queria que ela lhe contasse.
Hermione espiou as horas no celular, dormira por 3 horas.
— Ainda temos tempo. – ela ronronou, beijando seu pescoço, um ponto estratégico que sabia muito bem deixa-lo sem argumentos.
Como Ron sentira falta de suas atitudes impulsivas, de quando ia atrás do que queria. Ele amava quando ela o provocava para transar, por isso muitas vezes fingia desinteresse.
E como negar momentos de amor quando Hermione estava tão disposta, mesmo após toda a atenção que lhe dedicara pela manhã antes de sair para o trabalho?
Ginny e Harry poderiam esperar um pouco.
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