Unraveled
5 Pictures of You
Notas iniciais
Capítulo 5: Pictures of You
O espelho do meu quarto parecia menor diante do caos que se instalara ali dentro nas últimas três horas. Peças de roupa estavam estendidas sobre a cama, jogadas pelo encosto da cadeira e acumuladas no tapete de vime, como se um furacão têxtil tivesse atingido o meu pequeno refúgio em Forks. Minha respiração estava curta, e o buraquinho no meu septo interatrial protestava com pequenas pontadas de pura ansiedade, fazendo meus dedos batucarem freneticamente contra a penteadeira de madeira escura. Era sexta-feira à noite. O dia do encontro oficial com o Dr. Edward Cullen.
— Bella, pelo amor de Deus, pare de respirar como se estivesse prestes a hiperventilar! — Rosalie Hale exclamou, cruzando as longas pernas impecáveis enquanto inspecionava um vestido de veludo cotelê azul-escuro com uma expressão crítica. — É só um encontro com o Edward. Sim, ele é um Cullen, sim, o meu ex-namorado Emmett é um poço de grosseria comparado à fidalguia do irmão, mas o homem é de carne e osso. Recomponha-se.
— Ela não consegue, Rose! O coração dela está literalmente batendo na gola do casaco — Alice Brandon cantarolou, surgindo de dentro do meu guarda-roupa com três cabides nas mãos e um brilho maníaco nos olhos azuis. Ela jogou uma saia xadrez preta e cinza sobre os meus joelhos. — Nós precisamos de algo que diga “eu sou uma artista misteriosa e despretensiosa”, mas que ao mesmo tempo não faça o cardiologista achar que ela vai desmaiar de hipotermia.
— Meninas, por favor, não pressionem a minha filha — Renée interveio, entrando no quarto com um sorriso doce e acolhedor, trazendo uma xícara de chá de cidreira que ela depositou na minha mesa. Ela caminhou até mim, ajeitando uma mecha do meu cabelo molhado com um carinho que, por um instante, fez a paranoia da negligência recuar na minha mente. — Bella, querida, você está linda de qualquer jeito. Vista algo que faça você se sentir segura. O Edward me pareceu um rapaz adorável na igreja, ele não está interessado nas suas roupas, mas sim em você.
O esforço conjunto da minha mãe e das minhas duas melhores amigas era o retrato vivo de um afeto que a minha mente deprimida costumava ignorar, mas que naquela noite parecia quente demais para ser renegado. Depois de um debate acalorado que envolveu Alice medindo a largura dos meus shoulders e Rosalie descartando duas blusas de gola alta por considerá-las "dignas de um funeral vitoriano", o veredito foi alcançado.
Acabei vestindo um suéter de tricô macio na cor verde-oliva — que Alice jurou que destacava os reflexos castanhos dos meus olhos —, uma saia preta de alfaiataria que ia até os joelhos e meias-calças grossas para suportar o inverno de Forks. Nos pés, minhas botas de couro rústicas e confortáveis. Quando me olhei no espelho, com o cabelo caindo em ondas naturais pelos ombros e os lábios destacados por um gloss discreto que Rosalie praticamente me forçou a passar, não vi a paciente defeituosa que eu costumava enxergar. Vi uma mulher de vinte e sete anos prestes a viver um romance.
Quando a buzina suave ecoou lá fora, pontualmente às dezenove horas, meu estômago despencou em um desfiladeiro de borboletas. Me despedi do comitê de estilo no topo da escada e desci, abrindo a porta da frente para encontrar Edward de pé sob a névoa fina, apoiado na lateral de um sedã prata impecável. Ele vestia um sobretudo escuro sobre uma camisa de gola rolá preta, os cabelos bronze desalinhados daquele jeito charmoso que parecia desafiar a gravidade. Quando ele me viu, seus olhos verdes se dilataram de um modo tão explícito que toda a minha timidez pareceu valer a pena.
O restaurante para onde ele me levou era um pequeno e sofisticado refúgio italiano escondido nos limites de Port Angeles, chamado La Bella Italia. O ambiente era imensamente acolhedor, iluminado por velas de cera que derretiam sobre garrafas de vinho antigas, com paredes de tijolos aparentes e o som suave de um piano tocando ao fundo.
A conversa fluiu com uma facilidade assustadora. Edward se mostrou o homem mais atencioso que eu já conhecera; ele afastava a cadeira para eu me sentar, servia a água com uma delicadeza cirúrgica e me ouvia falar sobre meus desenhos com um interesse tão genuíno que me fazia esquecer de respirar. Pedimos um risoto de cogumelos e dividimos uma porção de pães artesanais com ervas. Entre uma garfada e outra, nossos dedos se esbarravam casualmente sobre a mesa, e cada toque daqueles enviava aquela conhecida corrente elétrica direto para o buraquinho do meu coração, mantendo-me em um estado de doce transe.
Depois do jantar, caminhamos abraçados para fugir do vento frio até o cinema local, onde Edward já havia garantido os ingressos para o filme mais comentado do momento: The Drama, o novo longa estrelado por Robert Pattinson e Zendaya.
Nos acomodamos nas poltronas dos fundos da sala escura. Durante as duas horas de projeção, a proximidade física de Edward era quase magnética. Ele descansou o braço no apoio compartilhado, e na metade do filme, sua mão longa envolveu a minha de forma natural, os dedos se entrelaçando aos meus com uma firmeza protetora. Eu mal conseguia me concentrar na atuação dramática na tela; toda a minha existência estava focada no calor da pele dele contra a minha.
Quando as luzes do cinema finalmente se acenderam e os créditos começaram a rolar, nós nos levantamos, rindo da intensidade do roteiro. Caminhamos em direção ao estacionamento quase vazio, o vapor da nossa respiração cortando o ar gélido da noite. Edward passou o braço ao redor da minha cintura, puxando-me para perto do seu sobretudo, e soltou uma risada baixa, uma expressão divertida moldando suas feições esculpidas sob a luz amarelada dos postes.
— Sabe... eu preciso te confessar uma piada interna dos meus tempos de faculdade — ele começou, o tom brincalhão fazendo seus olhos verdes brilharem. — Quando eu estava na Europa, os meus amigos de residência médica costumavam me zoar sem parar sempre que saía algum filme desse ator. Eles diziam que, se eu deixasse o meu cabelo um pouco mais bagunçado, eu pareceria exatamente o Robert Pattinson na época em que ele fez o Cedrico Diggory, naquele filme do Harry Potter.
Parei de caminhar instantaneamente, virando o meu corpo para encará-lo de frente. Apoiei as mãos no peito do seu sobretudo escuro e estreitei os olhos, inspecionando cada linha do seu rosto perfeito: o maxilar angular, o nariz reto, o formato dos olhos intensos e, claro, o cabelo bronze bagunçado de forma milimetricamente charmosa. Soltei uma risada limpa e alta, a primeira risada verdadeiramente livre que saía da minha garganta em meses.
— Meu Deus, Edward... você realmente é a cara dele! — brinquei, cobrindo a boca com a mão enquanto ria da comparação tão absurdamente precisa. — Agora eu nunca mais vou conseguir desver isso. Eu saí para jantar com o galã de Hollywood e nem sabia.
Edward sorriu, aquele sorriso torto e devastador que reduzia a minha capacidade de raciocínio a pó. No entanto, a diversão em seu rosto foi dando lugar a uma intensidade diferente, mais profunda e concentrada. Suas mãos subiram da minha cintura para os meus shoulders, e seus polegares acariciaram a lateral do meu pescoço, injetando uma calmaria quente diretamente na minha corrente sanguínea.
O estacionamento estava em completo silêncio, exceto pelo som suave da chuva que voltava a fustigar as copas dos pinheiros ao longe. O clima era de um romantismo tão puro e fofo que parecia saído de uma das páginas dos meus livros de romance favoritos. O veneno da inadequação na minha cabeça tentou sussurrar que eu não merecia aquilo, mas o olhar devoto de Edward baniu qualquer pensamento sombrio.
Ele inclinou a cabeça ligeiramente, aproximando o rosto do meu até que eu pudesse sentir o calor da sua respiração com aroma de hortelã contra as minhas bochechas gélidas.
— Bella... — ele sussurrou, a voz saindo em um tom grave, aveludado e trêmulo por um nervosismo puramente humano. — Eu gostaria de fazer uma coisa... se você me permitir.
Não precisei responder com palavras. Minhas pálpebras caíram pesadas enquanto eu inclinava o rosto minimamente para a frente, em uma entrega silenciosa e absoluta.
Edward eliminou a distância restante entre nós com uma lentidão torturante. Quando seus lábios macios e quentes finalmente tocaram os meus, o mundo ao redor simplesmente desapareceu. Foi um super beijo — profundo, calmo e carregado de uma urgência contida que fez minhas pernas fraquejarem. Minhas mãos subiram pelos ombros dele, enroscando os dedos nos cabelos bronze da sua nuca, enquanto a boca dele se movia contra a minha com uma ternura que parecia tencionar colar cada uma das minhas rachaduras internas. No segundo em que nossas línguas se encontraram, a corrente elétrica que antes era apenas uma faísca explodiu em um incêndio confortável dentro do meu peito.
O buraquinho no meu coração não doeu; pela primeira vez em vinte e sete anos, ele pareceu completamente preenchido pelo calor daquele homem que prometera me proteger do mundo — e de mim mesma.
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