Unpleasant Shadow

1 Sombra Indesejável


Notas iniciais
Fics escritas do nada - parte II.

Certo, uma hora vou apanhar por escrever fics baseadas em fotos bonitinhas que acho no Google u.ú Sério, acho que é uma compulsão... õ.o

Tipo: "Olha, parece a Akuna! Vou escrever uma fic com ela!" XD *apanha*

Espero que gostem! n.n

Passava um pouco das sete e o sol já havia se posto completamente, dando lugar ao veludo negro estampado de estrelas. Dante eventualmente se pegava pensando a respeito do mundo onde seu anjo vivera por algum tempo com seus iguais – não que ela fosse um anjo completo, mas os outros anjos a viam como um.

Mas não se dava ao luxo de fazê-lo por muito tempo.

Porque, se o homem estivesse fitando o céu por mais tempo do que deveria, já era fisgado pelos comentários inconvenientes de Akuna a respeito dos seus possíveis pensamentos.

-... –hesitou, cruzando os braços e recostando-se no parapeito da janela.

Sabia que a idéia de céu-paraíso era falsa, mas sempre imaginava o mundo em que os anjos viviam como um lugar cheio de nuvens, em um panorama bem diferente do qual humanos estavam acostumados e com o sol sempre se pondo em algum ponto do horizonte até onde os olhos alcançavam.

Era uma visão infantil, sabia.

Mas era inevitável.

-No que está pensando?- ouviu o sussurro de sua sombra, sendo desperto de seus devaneios. –Sempre fica meio silencioso enquanto olha para o céu.

-Nada- disse, dando de ombros e fechando a janela.

O tempo estava frio e ele pretendia tomar um banho quente – outro inconveniente de ter Akuna como sua sombra.

Despiu o colete, já deixando o sobretudo sobre a cama, e entrou no banheiro, ficando tenso como sempre ficava perto da hora do banho. Não tinha problema em ser visto por outras mulheres nu – aliás, problema nenhum – mas certamente eram situações bem diferentes.

Ele já estava com alguém e não pensava em Akuna como uma mulher com quem poderia ficar.

E ela permanecia calada durante todo o processo.

O que tornava as coisas ainda mais desagradáveis, embora soubesse que também não seria agradável tê-la conversando consigo enquanto tomava banho.

A mulher-demônio o fitava cuidadosamente sem a consciência deste – por mais que desconfiasse, nunca tivera certeza – e examinava seus movimentos. Podia notar, sim, que ele ficava mais tenso. Mas era inevitável olhá-lo.

Seus músculos bem definidos, sua tez bronzeada, seus cabelos úmidos grudando na pele enquanto a água caía sobre seu corpo.

Ele era a epítome da beleza.

Seus cabelos branco-prateados podiam, sim, ser peculiares em pessoas tão jovens, mas não deixavam de ser incríveis, apenas ornamentando sua beleza rudemente natural.

Até mesmo seus olhos azuis.

Era apenas nesses poucos minutos que invejava a pequena Charlotte.

*****

Selena e Charlotte conversavam na sala, sentadas no sofá, enquanto Julians fitava a televisão como se realmente conseguisse se concentrar na mesma enquanto as duas tagarelavam. Mas não era como se isso o incomodasse.

Ouviram um ruído e Charlotte, a moça de pele alva e cabelos vermelhos, longos e cacheados, olhou para a porta.

Viu Dante aparecer, sem camisa e com os cabelos úmidos.

Sorriu para ele, que a olhou de canto e esboçou um sorriso antes de se dirigir para a cozinha. A mestiça tornou a fitar Selena sem notar que esta trocara um olhar cúmplice com Julians, parecendo ligeiramente preocupada.

Este revirou os olhos e se levantou, caminhando até a cozinha.

-Hm? –a menina o olhou, ligeiramente curiosa.

-Achei que iria querer sundae- ele falou, simplesmente, e a ruiva pestanejou algumas vezes antes sorrir e concordar. Era estranho uma atitude dessas vinda do meio-anjo meio-demônio, mas achou melhor aproveitar. –Já volto.

O homem alto, de cabelos longos e em um peculiar tom azulado, entrou no cômodo e Dante apenas ergueu o olhar para ele rapidamente antes de voltar a fitar a taça de sorvete.

-Aqui- e entregou a taça. Não por cortesia, fora apenas automático.

-... –o outro aceitou, servindo sorvete de morango na mesma antes de procurar pela cobertura. Tinha a pele alva, os músculos bem definidos e uma expressão séria que tornava seus pensamentos indecifráveis. –Selena está preocupada.

-Todos nós estamos. –ele deu de ombros. –Não vai mudar até que consigamos uma forma de parar Anne.

-Não quanto a isso. –o homem franziu o cenho e o outro arqueou uma sobrancelha, como se perguntasse a respeito do que era. –Com o fato de Akuna estar... Abrigada em sua sombra.

-O quê, pretende me delatar?- a voz da mulher pareceu irritada.

-Não isso. –Julians revirou os olhos, retrucando logo em seguida. –Não que você possa se aborrecer se decidíssemos fazer algo do tipo, está conosco de favor, demônio.

-... –a mulher-demônio se calou.

Desejou sair da sombra do mestiço e fazer o homem olhar para a negritude de seus olhos para fazê-lo sofrer, nem que fosse ao menos um pouquinho. Mas, infelizmente, era como ele havia dito: ela estava ali de favor.

-E então o que é?- Dante arqueou uma sobrancelha.

-Charlotte é muito ingênua, Dante. –ele replicou. –Quando concordamos que Akuna se esconderia em sua sombra, ela não pensou no que isso significaria. Que Akuna estaria presente com você em todos os momentos. Todos.

-E agora ela está com ciúmes de mim, é isso?- a mulher de traços orientais indagou e eles poderiam imaginá-la arqueando uma sobrancelha.

-Exatamente o contrário. Ela não sente ciúmes. –Julians cruzou os braços. –Mas devia... Considerando que até para tomar banho vocês precisam estar juntos.

-... –o outro franziu o cenho e hesitou.

-Não é necessário sentir ciúmes. –Akuna falou, impaciente. –Não é como se eu estivesse ali fisicamente. Não posso simplesmente sair da minha sombra para, sei lá, atacar o Dante no banho sem que os outros demônios sintam minha presença.

-Então, se não houvessem demônios te caçando, você me atacaria no chuveiro?- o homem arqueou uma sobrancelha.

-... –a mulher ficou em silêncio, deixando bem claro suas verdadeiras intenções se a situação fosse outra.

-Não posso simplesmente isso deixar assim. –Julians franziu o cenho e cruzou os braços, impaciente. Dante fez o mesmo, mas estava um pouco incomodado com a transparência da mulher-demônio quanto à suas intenções.

Estava tudo bem enquanto ela pudesse apenas olhar, mas e quando os demônios se cansassem de procurá-la e a japonesa se tornasse livre para ir e vir sem se preocupar?

-Não se preocupe, Julians. –Akuna deu um muxoxo. –Não vou fazer nada que acabe ferindo Charlotte. Apesar de tudo, ainda dependo de vocês para esconder minha presença.

-... –o homem franziu o cenho para a sombra de Dante, como se esta fosse a culpada.

E era. Não, literalmente, a sombra, mas a mulher que estava na sombra dele.

Então pegou o sundae e saiu da cozinha.

Dante também fez o mesmo, parecendo incomodado, e sentou-se no sofá, considerando que Selena saíra e que a mestiça estava sentada apenas com Julians, saboreando o sundae de morango que ele lhe trouxera.

Quando o fez, automaticamente a ruiva acomodou-se do seu lado e ele passou o braço pelo ombro dela, ambos ficando em uma posição confortável.

A presença um do outro já era naturalmente agradável.

-Aceita, Dante?- a garota ofereceu a colher com o sorvete de morango e o mestiço sorriu de canto.

-Valeu, Char, mas vou deixar passar, a julgar pela cara que o Julians está fazendo. –comentou, divertido. –Acho que ele fez o sundae só para você.

-Não sou tão infantil. –o outro revirou os olhos.

-Hm, então eu quero um pouco do sundae- Dante sorriu, no que a moça deu o sorvete na boca dele, no que Julian obrigou-se a disfarçar sua insatisfação. Era como se a conversa de agora há pouco não houvesse surtido efeito naquele maldito mestiço.

*****

Passava um pouco de meia-noite e Charlotte estava acomodada em seu peito, cochilando, enquanto os créditos de algum filme subiam na televisão; assistira ao mesmo sem realmente prestar atenção e acordou de seus devaneios no final.

Fitou a mestiça adormecida e sorveu o perfume que ela exalava.

A pegou em seus braços cuidadosamente e ela se aconchegou, no que ele guiou-a para o quarto no andar de cima, onde a depositou na cama.

Fitou a figura frágil e, enquanto ela dormia, perguntou-se se poderia colocar um aviso ao lado dela dizendo: “Cuidado, ela pode quebrar.” Seria bem adequado e ele acabaria se preocupando menos.

-Hm... –ela gemeu preguiçosamente e murmurou. –Não se preocupe com o Julians, Dante...

-...?- ele arqueou uma sobrancelha. Não sabia que ela fazia o tipo sonâmbula.

-... Eu entendo que não há outro jeito de esconder a Akuna sem que seja em sua sombra e... –seus olhos ainda estavam fechados; não era possível que ela estivesse dormindo de verdade, era? -... É lógico que eu tenho ciúmes... Mas eu confio em você.

-Obrigado- o mestiço sorriu, afagando os cabelos rubros e tirando alguns fios do rosto dela.

-... –então ela abriu os olhos lentamente e tornou a fechá-los. –Eu te amo tanto...

-Eu também te amo- e depositou um beijo leve nos lábios dela antes de sair do quarto, deixando que ela dormisse. Deu um suspiro aliviado e lançou um último olhar para a mestiça antes de fechar a porta.

-Ela é muito pura. –Akuna comentou.

-Hm- Dante sorriu, sem perceber que o adjetivo que a mulher-demônio usara fora pejorativo. –Acho que vou ter que fazer por merecer a confiança dela.

-Você também é ingênuo demais. –a japonesa deu um muxoxo.

-... –o mestiço deu de ombros antes de descer as escadas.

Não faria tanta diferença o que Julians ou Selena achava, contanto que Char ainda confiasse nele. E acordou com esse pensamento em mente, decidindo que iria comprar pizza, saindo antes que o pessoal acordasse.

-Hey, Akuna- chamou em voz baixa, enquanto esperava pela pizza.

-Sim, mestre?- ela indagou, sussurrando.

-Você realmente pensa em me agarrar durante o banho?- ele arqueou uma sobrancelha, ligeiramente curioso, e o homem não viu, mas ela revirou os olhos.

-Não. –retrucou. –Você é muito egocêntrico.

-Não sou egocêntrico. –o mestiço se defendeu. –Foi você quem falou!

-Eu não disse nada. –Akuna deu de ombros, indiferente. –Foi vocês dois que inferiram algo a partir do meu silêncio.

-Lógico. –ele replicou, irônico. –Por isso as pessoas dizem: “quem cala, consente”.

-Não fique falando sozinho por aí ou as pessoas vão achar que você é autista. –a mulher retrucou, no que ele obrigou-se a olhar em volta e notar que estava começando mesmo a chamar atenção.

Irritado, pagou a pizza e voltou para a loja.

-Hey, Dante, você comprou pizza de novo!- a ruiva o repreendeu assim que ele chegou em casa. Delicada e doce como ela era, sequer parecia uma repreensão. –Você não devia comer só essas porcarias.

-Hm... Certo, amanhã penso nisso.

-Pensa mesmo?- ela arqueou uma sobrancelha.

-Não- o mestiço sorriu, beijando-a de leve nos lábios antes de abrir a caixa. –Quer uma fatia da parte de calabresa ou da de frango?

-Idiota- ela bateu de leve em seu braço, mas sorriu. –De frango.

-Aqui- e entregou para a mestiça uma fatia em um prato, pois sabia o quanto ela era antiquada a respeito do quão rudimentar era se alimentar com as mãos. A garota aceitou e ele olhou para Julians de canto. –Você não come, né?

-Se sabe, por que ainda pergunta?- o meio anjo meio demônio arqueou uma sobrancelha.

-Porque sou o rei da retórica. –Dante zombou, fazendo o outro revirar os olhos, mas ambos riram, animados. Charlotte meio que acabou rindo junto com eles, apreciando a instável amizade que eles tinham.

Akuna limitou-se a pensar no que conversara com Dante há pouco.

Era lógico que, se não fosse mais caçada, pensaria na possibilidade de atacar o mestiço no chuveiro, mas achou que não era conveniente para si deixá-lo tão alarmado. Afinal, dependia dele, para sua infelicidade.

E não poderia machucar a mestiça enquanto isso acontecesse.

Só o que podia fazer nesse meio tempo era ser a desagradável sombra que o seguia por todos os lugares, fossem quais fossem.

Notas finais
Cá estou.

Desde que li Because of my Blood II, fiquei com vontade de postar o problema que Dante passaria em ter a mulher-demônio como sombra, mesmo porque ele estava com a Char.

Mas o amor supera tudo *apanha* Certo, parei de dar spoilers.

Reviews? n.n
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!