Unmei no Ai

1 Pressentimentos


Notas iniciais
itálico - sonhos
negrito - pensamentos

"Sabe quando mergulhamos e olhamos para cima? "

"Por alguns segundos, ficamos em um estado de torpor ao ver a luz brilhando sobre a superfície da água agitada. Quase surreal, como um sonho extremamente iluminado. "

"Seus olhos doem ao fitar as faixas brancas, enquanto prende a respiração seu corpo flutua imóvel, sentindo a água ao seu redor, seus olhos hipnotizados pela luz, se esquecendo do mundo, e você não sente absolutamente nada? "

"Sinto como se estivesse vivendo isso."

—----------

—Na proporção 1,5 sobre 1,8 é igual 5 sobre 6. Tem-se 6 vezes 1,5 igual 5 vezes 1,8, ou seja, 9 igual a 9, agora vamos ao próximo "termo desconhecido na proporção".

O professor terminou a explicação, e logo voltou a escrever novas contas na lousa.

—Essa merda não termina nunca?

Um garoto sussurrou para o outro ao fundo da sala, por trás das apostilas de pé, o que cochichou lia um mangá hentai e o outro rabiscava desenhos em seu caderno, suas carteiras juntas no canto da sala.

—Sei lá quando termina essa porra, mas a melissa já morreu.

Olhou de relance por cima da apostila, na carteira a frente uma cabeleira loira estava deitada sobre a mesa, a apostila de pé a escondia, e a mão estava com o lápis travado sobre um numero incompleto.

—Perdemos mais um bom soldado. — O garoto do hentai disse com tom de pêsames.

—não é melhor acordar ela?

O garoto desenhando disse em duvida, era sempre uma dúvida acordar a garota.

—Cutuca ela você, ainda quero ser pai.

Disse lembrando da última vez em que quase foi "castrado".

—aff... -pegou um lápis e olhou em duvida se deveria fazer aquilo...

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

—Você sabe!

O loiro a encarou enquanto simplesmente continuou olhando pela janela a vista da grande cidade feita de areia, sua figura ainda imóvel perante o outro.

—Sabe que eu sei Naruto, eu sei de tudo.

Sua voz era fria. O tom controlado em que ela sempre se colocava quando esses assuntos surgiam simplesmente o tirava do sério.

Porque ela não admitia que sentia medo? Que sabia que aquilo tudo era muito para ela? Ele estava ali! Estava ali para ela!

—Me conte! Isso não vai mudar em nada! Eu prometo que não farei nada nem vou falar a ninguém! -O loiro a segurou pelos ombros fortemente, mas ela continuava a olhar pelo vidro o movimento nas ruas.

— Olhe para mim.

Relutante, a garota olhou nos olhos do maior.

Verdes contra azuis.

—Você não está pronto ... não agora.

Guiou uma das mãos gélidas até a mão que apertava fortemente seu ombro direito e apenas segurou-a delicadamente. Uma troca de olhares e Naruto perdeu a força, deixando os braços caírem ao lado do corpo, respirou fundo e exalou pelo nariz, os ombros caindo em derrota.

A mão quente escorregara como água por seus dedos gélidos.

—Gaara ainda está machucado, tenho que examiná-lo.

Olhou mais uma vez os olhos azuis e viu uma parede de gelo que não deveria estar nos olhos calorosos do loiro.

Ainda estavam distantes um do outro, e não sabia quando tudo voltaria ao normal.

Ou se voltaria.

Não tinha culpa tinha?

Apenas fez o que deveria ser feito.

E parecia que ninguém estava disposto a ver seu lado.

Seus dias depois do sequestro do Kazekage, sua morte e ressurreição, estavam resumidos em exames médicos no ruivo e em interrogatórios dos conselheiros e equipe anbu de Suna.

Naruto não entendia e não estava pedindo que entendesse, mas ele deveria saber à hora em que não devia mexer com ela, boas as intenções ou não.

De certa forma, Naruto era um egoísta idiota. Ele nunca ficaria parado vendo as pessoas com que ele se importa sofrendo. Ele faria qualquer coisa para amenizar seu sofrimento e tirar sua dor, tudo por uma crença egoísta de que os outros não deveriam sofrer enquanto ele pudesse fazer algo sobre isso.

Para ela não foi surpresa quando colocou os pés em Suna novamente e um esquadrão Anbu esperava por ela ao fundo de toda a multidão que estava na entrada dos muros da cidade pelo Kazekage.

Quando todos estavam distraídos comemorando, saiu de seu lugar ao lado de Naruto e se dirigiu silenciosa até os Anbus, e sumiram na multidão a levando para seu período de prisão.

Naruto não demorara para perceber sua ausência e ao saber de sua situação exigiu como amigo de Gaara e seu salvador, que permitissem que visse o que estavam fazendo com a loira.

Claro que eles não deixaram, mas quem conseguira segurar o jinjuriki quando esse queria algo?

E foi assim que ele invadiu o lugar e viu um dos muitos interrogatórios aos quais estava sendo submetida na época.

Viu através do vidro, viu nos olhos azuis as centelhas de raiva. Viu o brilho vermelho neles ao ser esbofeteada ao se recusar a responder uma pergunta. Viu o vidro de observação da sala de interrogatório rachar, enquanto Naruto tentava entrar lá aos socos.

Kakashi sabia, Gai sabia.

Ela era prisioneira de Suna pela morte do kazekage.

Ficou exatamente cinco dias como prisioneira, exatamente o tempo em que Gaara havia entrado em coma logo após seu resgate e fora liberada assim que Gaara acordou e se inteirou de sua situação.

Apesar da ênfase que o ruivo colocou em sua inocência, em seu interior concordava com todos que estavam contra ela.

Era culpada.

Andou até o fim do corredor do hospital em que ela e o loiro estavam e desapareceu em uma das curvas.

Não olhou para traz.

— — — — — -- — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

—Melissa, acorda!

Sentiu varias pontadas seguidas em um ponto entre suas costelas.

Abriu os olhos lentamente, teve um pouco de dificuldade para levantar a cabeça já que sua bochecha colou na pagina do caderno, mais logo superado o obstáculo, olhou discretamente ao redor.
estava em sua sala de aula, o professor ainda estava escrevendo no quadro negro e ainda eram nove da manhã, aquilo que sonhou não era real, e estava agradecida por aquela sensação no peito sumir. Se virou para trás vendo os dois garotos a olhando temerosos.

—que foi?-falou em um tom baixo para que o professor não notasse, logo se espreguiçando.

—não vai nos matar?-o garoto que segurava o lápis disse a olhando come se fosse de outro mundo.

—... não? -Arqueou uma sobrancelha, ia perguntar o porquê das caras estranhas que seus amigos estavam fazendo, mas foram interrompidos em seu pequeno dialogo pela voz do professor.

—Não é Caio? -O professor falou parando sua explicação e chamando a atenção do trio maravilha.

—Ah! Sem dúvida sor!-respondeu o garoto do hentai se pondo reto na cadeira com um grande sorriso amarelo, concordando com a cabeça, o garoto que estava desenhando fizera o mesmo, enquanto a pequena loira colocava uma poker face.

—Então venha aqui na lousa fazer esse exercício, Melissa — o professor ofereceu o giz como um desafio.

Sobre a classe pairou risadinhas e cochichos, a garota suspirou e se levantou da cadeira, foi até o professor pegando o giz e analisou a lousa.

Sua mão começou a se movimentar sem parar, números e mais números começavam a ocupar a lousa e depois de alguns segundos a equação estava pronta.

O professor olhou com uma sobrancelha levantada para a conta. A classe ficou silenciosa.

—Está certo.

Encarou pelo canto de olho a garota que o olhava, usando uma touca preta larga, quase cobrindo seus olhos verdes, os cabelos loiros acinzentados e escuros desciam em cascata de dentro do gorro, seu moletom demasiadamente largo fazia ela parecer menor ainda.

Porque ela sempre se cobria dessa maneira?

O sinal tocou, anunciando o recreio, em menos de alguns segundos, todos os alunos haviam saído da sala.

Após entregar o giz de volta ao professor saiu calmamente para o corredor, sem pressa enquanto os alunos das outras classes saiam em um amontado apressado até as escadarias para o pátio vários andares abaixo.

Seguiu sendo uma das últimas alunas ainda no andar, mas diminuiu o passo ao ver uma mulher parada na saída para as escadas, olhando para ela com as mãos ocupadas com um pequeno guardanapo.

—Melissa, seu remédio.

a mulher mais alta disse após a garota se aproximar o suficiente, a voz baixa passando despercebida pelos outros alunos, o que melissa agradeceu interiormente por.

—Obrigada, Laura.

Com as bochechas um pouco coradas de vergonha pegou o guardanapo que a moça carregava, dentro do embrulho um pedaço de banana e 3 remédios distintos, rapidamente pegou a banana e mastigou, e colocou um comprimido exageradamente grande de cada vez a cada engolida da banana, a moça continuava a observando calmamente durante todo o processo, fazendo a garota apressar o passo para que aquilo terminasse.

—Sua avó pediu para avisar que a Sheila que vai te levar para casa hoje, para você esperar na secretaria.

A mulher mais velha disse assim que se certificou que a menina tomou todos os remédios, estendendo a mão para a criança entregar o guardanapo amassado novamente, o que a loira fez prontamente.

—ok.

com um comprimento de cabeça e as bochechas coradas, correu até as escadas para o pátio, a garganta apertada como se uma mão invisível estivesse apertando seu pálido pescoço.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — --

Mexendo o canudo distraidamente de sua coca e apoiando o rosto em sua mão, refletiu sobre o que sonhou. Estava em Suna? O que eram aqueles pensamentos em seu sonho? Aquela garota era ela?

—Meu deus, o apocalipse está chegando! Primeiro ela não mata a gente e agora não toma coca? Se tá bem Melzinha? — Disse Caio deslizando os dedos pelos cabelos castanhos claros em formato de cuia, os olhos cor de mel fitavam a garota, enquanto ajeitava seu corpo magro no banco, dando um sorriso desajeitado de aparelho.

—tem razão, acho melhor cobrar logo o macaco depilado do meu irmão antes que o mundo acabe.

O garoto de pele cor de chocolate disse, imitando a ação do amigo, e passando a Mão pelos cabelos como velcro curto, os olhos negros entre o outro garoto e a loira, dando um sorriso de sua própria piada, exibindo dentes com aparelho de borrachas negras.

A garota não disse nada e apenas largou o canudo enquanto mostrava graciosamente o dedo médio, fazendo nascer uma careta na cara dos dois.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

—Circo dos sonhos?

A garota ao fundo lia em voz alta com grande duvida de estar ficando com problemas de visão.

—Isso mesmo Melissa, o Circo dos Sonhos, uma grande reunião de culturas em um único lugar durante 3 dias! — A mulher mais velha terminava de sublinhar o nome na lousa e se virou para a turma da 6ª serie.

—e é para lá que vamos à excursão com o dinheiro arrecadado — a professora terminou de dizer aquilo com felicidade para classe.

Enquanto a professora continuava falando de como era esse grande circo com ingressos nada baratos, melissa olhava distraidamente uma pequena formiga que andava por sua carteira, totalmente concentrada nela até que acordou de seu transe quando viu que um polegar esmagar o inseto e logo a mão sair de sua vista.

Olhou pelo canto de olho e viu caio limpar a mão na calça prestando atenção em Túlio que falava alguma coisa sobre GTA.

Abaixou novamente a vista agora encarando seu estojo, mas sua visão ia além dele, como se enxergasse através do mesmo, da mesa e do chão.

Os três estavam com suas carteiras juntas, sempre ria mais fácil quando estava com os dois, mas dessa vez ela não riu em nenhuma das piadas sem graça de Túlio ou dos chingamentos de Caio ao outro, estava muito mexida com o sonho que teve.

Aquela sensação de aperto no peito que não ia embora, e o mau pressentimento.

—Quando a gente vai ir sora?

—Na próxima sexta, todos peguem as suas agendas para anotar o que vão precisar levar.

A garota parava de funcionar quando pensava, ao contrario da classe e do mundo que continuavam funcionando

Hoje é quarta...

Seu rosto se contorceu em uma careta de raiva.

Odiava ficar incomodada a longo prazo.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

—Vê se vai para escola hein menina!

A mulher loira disse dentro do carro para a garota que acabara de sair dele e se encontrava em frente a um grande portão cinza.

—vou tentar.

A garota disse com um sorriso envergonhado, enquanto à mulher arrancava com o carro logo desaparecendo na esquina a alguns metros.

Seu sorriso desapareceu no mesmo momento em que viu a funcionaria de sua avó que era encarregada de lhe buscar no colégio sumir com o carro na esquina, uma expressão vazia tomou suas feições. Talvez cansaço fosse visto, e uma raiva passiva de tudo.

Apertou o botão do interfone, com certa dificuldade já que havia uma velha grade a frente quase impedindo que seu dedo alcançasse o botão amarelado. O interfone por ficar mais alto que ela na parede, a menina teve que ficar agarrando a grade, enquanto esperava alguém atender.

—Alo?

Ouviu a voz rouca de seu avô. Apertou novamente o botão para falar.

—Sou eu, abre aí.

A porta se abriu, e a loira fez seu caminho até sua casa pela rampa de entrada, e logo até seu quarto sem prestar atenção ao redor.

Tirou os sapatos com os próprios pés e as meias também, logo o grande casaco e a touca estavam jogados ao chão, ajeitou os fios rebeldes com a ponta dos dedos se livrando do uniforme.

Andou tranquilamente até o armário e puxou de dentro de uma grande pilha uma trouxa de roupa fazendo-a desmoronar, mais foi mais rápida e fechou a porta do armário sem se importar com a bagunça lá dentro. Colocou rapidamente seu pijama e jogou o restante das roupas usadas em um canto.

Aproximou-se da escrivaninha em que se encontrava um laptop branco com a tela negra, passou o dedo sobre o mouse, fazendo a tela se acender mostrando janelas de download.

Sentou-se a frente do computador e começou a usar, mas quase pulou da cadeira quando um boneco da prateleira caiu sobre a mesa do nada.

Pegou surpresa a figura e analisou o boneco loiro.

... Naruto...

Um arrepio a atravessou, enquanto colocava a miniatura devagar em seu lugar.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -

As mãos passavam habilmente pelo corpo pálido emitindo uma luz verde, fechando as feridas e ao mesmo tempo trazendo um conforto ao ruivo que era examinado.

—Bom, tirando a morte e alguns ossos quebrados o senhor está bem Kazekage-sama.

Finalizou aquela frase com um sorriso calmo, os homens mais velhos a observavam ao lado de anbus que vigiavam cada movimento da loira.

—Saiam.

A voz de Gaara saiu firme e cortante, dirigida aos conselheiros e aos anbus ali presentes.

—Mas- um anbu tentou retrucar mais logo foi cortado.

—Saiam!

A voz raivosa do ruivo soou alta por todo o cômodo, fazendo os presentes se retirarem sobrando apenas ele e a loira.

Tão logo o quarto ficou vazio, a garota se jogou no banco ao lado da cama, sua cabeça caiu para traz enquanto respirava fundo.

—Não seu mais quanto tempo vou aguentar.

Melissa disse baixo, sua voz soando rouca na posição que estava. O sussurro saiu de seus lábios e pareceu que nada foi dito, como uma ilusão, um segredo que escapara e se dissolvera ao tocar o ar ao redor.

O ruivo ajeitou suas costas ao encosto da cama, enquanto olhava fixamente os olhos verdes da garota. Os cabelos loiros estavam sem brilho e desarrumados, olheiras fundas e escuras se destacavam na pele clara como leite.

—Há quanto tempo não dorme Meri?

A voz saiu calma, já sabendo a resposta.

—um dia ou dois... -a menor desviou o olhar, sabendo que sua mentira não convencera nem ela mesma, quanto mais a Gaara.

—Mais de uma semana.

O tom que Gaara usou colocou um ponto final a qualquer objeção que melissa pudesse fazer, quase uma acusação contra sua imprudência.

—Tenho que cuidar do senhor, sabe que me culpo por não ter impedido ...tudo.

Os olhos esmeralda perderam o brilho, enquanto fitava com culpa os aquamarinas de Gaara.

Os dois se olharam numa conversa muda, que foi interrompida por um bocejo de melissa, que logo depois olhou envergonhada o Kazekage pela falta de decoro.

—Desculpe...

—É normal.

O silencio se instalou na sala, mais logo foi quebrado pela voz rouca do ruivo.

—Eu entendo por que não interferiu.

A garota tentou interromper, mas logo foi calada com um olhar.

A falta de som irritava os ouvidos da loira, apesar de ser um pouco reconfortante não estar sendo acusada a cada instante.

—Vá dormir. — Disse por fim, encerrando o assunto. — Não precisa ficar aqui, estou bem.

—Quero te deixar perfeito antes.

Disse aquilo distraidamente, prestando mais atenção no Cós da calça de Gaara do que da conversa em si.

O ruivo viu a ansiedade por trás das palavras de Melissa, e inclinou levemente a cabeça antes de falar.

—Não quer ter que encarar Naruto, não é?

Relutou em responder, mas ao perceber que a resposta era obvia, resolveu direcionar sua atenção para o tronco despido do ruivo, era bom se render as futilidades femininas algumas vezes, como admirar um abdômen detalhado como o de Gaara sem se sentir culpada.

Talvez as coisas tivessem sido mais fáceis, se tivesse escolhido diferente.

—O senhor ouviu? — Disse por fim, se referindo à briga do dia anterior.

—Acho que todo o hospital ouviu. -a loira podia jurar ter ouvido um tom de zombaria na voz do Kazekage, e não pode evitar soltar um muxoxo de irritação.

—Vá falar com ele.

Gaara disse logo após a loira lhe dirigir um olhar seco.

Após ver que nada conseguiria, suspirou se levantando, se dirigindo a saída do quarto.

— — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

O caminho até o quarto 352 do melhor hotel de Suna, cuja clientela eram embaixadores e membros importantes da política ou empresários, foi pesaroso em fato.

Abriu lentamente a porta do grande quarto. Realmente Gaara queria que seu melhor amigo tivesse todo o conforto que precisasse. Ao contrario do que esperava encontrá-lo na cama dormindo, o encontrou observando a cidade, debruçado sobre o parapeito da grande janela.

Durante alguns segundos, a idéia de ir embora pareceu tentadora, mas enquanto encarava as costas do loiro, soube que não poderia.

—Oi.

Naruto se virou vendo melissa se postar ao seu lado na janela.

—Pensei que estivesse dormindo...

Falou novamente em resposta ao silencio do garoto.

—Não consegui pregar o olho.

Falou enquanto passava as mãos pelo rosto tentando se manter desperto.

O silencio se postou entre os dois, eles poderiam compartilhar um laço, mas isso não tornava os relacionamentos mais fáceis.

A falta de dialogo começava a ficar insuportável, até que pelo canto de olho Naruto viu a garota se afastar e ouviu a porta se fechar atrás de si.

Encarou o horizonte, o sol se escondendo atrás das grandes muralhas de areia. O quarto e tudo nele ganhou um tom alaranjado, incluindo Naruto, que sentia os olhos arderem, mas não quis saber se era por estar fitando diretamente o sol, ou pelas lagrimas que brotavam discretamente em seus olhos ao ver a garota partindo.

—Merda!

Falou raivoso enquanto golpeava o parapeito com força, fazendo-o se rachar

— Porque — mais um soco foi dado — Eu sempre estrago tudo?

Deixou sua cabeça pender para frente.

Poucos segundos se passaram quando quase deu um pulo de susto no momento em que dois braços circularam seu tronco e um corpo se apoiou no seu.

Abaixou o olhar, as mãos pequenas pareciam centelhas de brasa da maneira em que o sol refletia na pele de porcelana da garota. As unhas compridas pintadas quase luxuriosamente de vermelho, desapareciam entre o tecido de seu casaco o qual a garota agarrava.

— .... Me desculpe, é que só ... eu só preciso que você entenda.

Naruto permaneceu imóvel enquanto a quieta voz da garota penetrava seus ouvidos, o hálito frio fazia sua pele se arrepiar e sua vontade era de virar e prender a loira para sempre em seus braços, longe de qualquer coisa que pudesse lhe fazer mal.

Sentia-se tão impotente, tão inútil, havia falhado em garantir a felicidade e a segurança da garota as suas costas tão rápido quanto quando havia jurado a ela lhe prover tudo isso de qualquer maneira.

Se sentia indigno, não era um homem de verdade, havia falhado em proteger melissa das más línguas, dos cochichos maldosos, dos olhares de repulsa, das acusações caluniosas, de interrogatórios torturantes, tão facilmente como a menor conseguia se esconder em seus braços, ela fora arrancada deles, e nada pode fazer contra isso.

Seu sangue fervia apenas de imaginar.

—Estou cansada...

A voz agora era manhosa. Se virou, tendo permissão das pequenas garras em sua blusa que se soltaram para que conseguisse completar a ação.as esmeraldas que eram os olhos de melissa brilhavam por lagrimas que se recusavam a cair.

—Eu só ... é muita coisa e você ...

Melissa levantou a cabeça para encarar os olhos azuis do loiro a sua frente e ficou hipnotizada pelo reflexo do pôr do sol neles junto com um redemoinho de emoções. Talvez fosse isso que mais gostava em Naruto. Ele conseguia mostrar todas as emoções através do olhar. Mas quando viu no canto dos olhos do rapaz a pele morena úmida e os cílios molhados, não pode evitar de sentir um aperto no peito.

— .... Eu não quero te perder.

Palavras não eram mais necessárias.

Lentamente, ficou na ponta dos pés para unir seus lábios ao do rapaz.

Naruto a abraçou protetoramente, e por alguns segundos tudo que importava era o agora, eram os dois ali no calor dos raios vermelhos do sol, era os dedos delicados por entre seus cabelos em sua nuca e a pele macia e sem marcas das costas frias de Melissa.

Ao se separarem permaneceram ali, Naruto arfava levemente com a testa apoiada na de Melissa, a respiração da loira também era rápida e gelada contra seu rosto, e observou com um aperto em seu peito os olhos da garota se abrirem e focarem nos seus.

—fique comigo.

Encarou os olhos azuis a milímetros de distância dos seus, as palavras foram ditas quase contra seus lábios pela voz rouca do rapaz, e por alguns instantes, conseguiu se esquecer da responsabilidade que estava pendurada em seu pescoço.

Fechou os olhos novamente e respirou fundo descansando sua testa contra o Hitaiate de metal que descansava na testa do loiro.

—Sempre.

— — — — — — — — — — — -- — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — —

Arregalou os olhos, sua respiração acelerada quase a fazia engasgar.

Viu que ainda estava em seu quarto mais a perspectiva mudara, só depois de alguns segundos notou a dor nas costas e no braço.

Foi ai que viu que havia caído da cama.

Levantou-se e pegou seu relógio de pulso do criado mudo e viu que eram 04h34min da manhã. Se sentou na cama com os olhos ainda arregalados e sua respiração agora se acalmando.

Os cabelos que antes estavam presos em um coque alto se soltaram e a rodeavam despenteados, sua silhueta sendo iluminada por um abajur no canto do quarto.

respirou fundo uma, duas, três vezes se lembrando dos exercícios de relaxamento que tivera e aos poucos acalmou seu coração disparado, e sua bexiga que se contraia mesmo estando vazia.

passou as mãos pelo rosto e prendeu desajeitadamente seus cabelos novamente em um coque, dessa vez apertado demais em alguns cantos e fitou uma de suas paredes brancas.

O que eram aqueles sonhos?

Seu relógio de pulso apitou no silencio do quarto e Melissa olhou de canto de olho para os números que brilhavam na tela antes de estender a mão e pegar os remédios e o pedaço de pão que estavam ao lado dele.

E porque eles pareciam mais reais do que sua realidade?

—-----------------------------------------------

Notas finais
como eu disse, essa fanfic foi feita para meu entreterimento, por isso a consistência de tempo de postagem pode variar, se gostou por favor comentar;compartilhar;recomendar e divulgar, isso ajuda e muito saber que as pessoas querem ler.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.