(Un)lost

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Oi gente ♥ Depois de penar bastante escrevendo, finalmente consegui finalizar a one-shot para o evento 'Uma Imagem Vale Mais Do Que 1000 Palavras' do grupo Curtidores da SasuHina/BR, nesse evento cada um recebia uma imagem e deveria fazer uma one baseada nela. Minha imagem foi feita pela ROCZ, o link vai estar nas notas finais. A música do inicio é How Do You Feel? da banda The Maine. Espero que gostem ♥

(Un)Lost.

Como você se sente?

Qual é sua condição?

Você está vivo, mas está vivendo?

Me dê sua voz e eu a ouvirei

Você está completo ou há algo faltando?

The Maine

Escuridão e solidão eram duas coisas que passaram a me acompanhar assim que meus pés adentraram o pequeno recinto que seria meu cárcere pelos próximos anos. 2 anos para ser mais exato, e nenhuma visita durante os primeiros meses. Eu não saberia dizer em que dia da semana estávamos, muito menos uma estação do ano. Tinha pequenas noções de manhã, meio do dia e noite pelas 3 refeições diárias que eram entregues pela pequena portinhola anexada a porta de ferro.

Os dias se arrastaram em silencio. Minha mente mergulhava em perguntas confusas sobre o que eu faria quando saísse dali. Reconstruiria o clã? Voltaria a ser um ninja regular de Konoha? Mas o que mais me assombrava era: poderia, um dia, me perdoar pelas atrocidades que havia cometido? Poderia me perdoar pela morte de Itachi?

Passos e um cheiro incomum tirou-me de meus devaneios. Era algo floral, mas não enjoativo, lavanda talvez? O barulho da chave virando e a porta sendo aberta era estranho, a luz do corredor irritou meus olhos acostumados com o escuro.

— Ohayou, Uchiha-san. — Uma voz melodiosa disse, tentei encontrar um nome para ela, mas minha mente não colaborava. — Você poderia me acompanhar por gentileza?

Assenti sem jeito e levantei-me da minha companheira dos últimos tempos, uma pequena e dura cama. Segui, o que agora sabia ser uma mulher de longos cabelos preto-azulados, pelos corredores da prisão ANBU.

— Para onde você está me levando? — Minha voz era rouca, estranha para meus ouvidos, resultado dos inúmeros dias sem uma palavra sequer. — Resolveram mudar de ideia e me executar?

— Oh, não. — Ela respondeu. — Apenas estamos te transferindo para outro lugar menos... solitário.

Então alguns meses haviam se passado desde meu encarceramento. Não tinha certeza se queria saber exatamente quantos, apenas continuei seguindo a ninja pelos corredores.

Meu novo lar era bem mais iluminado, a cama parecia um pouco mais confortável e uma pequena cesta repousava em cima da mesa de canto. Meus pés levaram-me até ela e pude encontrar alguns livros, comidas variadas, produtos de higiene pessoal e uma troca de roupas.

— Você poderá receber visitas a partir de amanhã. — A ninja disse trancando a grade tão diferente da enorme porta de ferro que estava acostumado. Pude perceber agora o desenho em sua máscara, um leão. — Espero que se sinta melhor aqui.

— Você não me disse seu nome.

— Não, eu não disse. — Ela respondeu, sua voz melodiosa ecoando pelo corredor. — Até amanhã, Uchiha-san.

▬

As horas pareciam passar mais rápidos em minha nova cela, os livros ajudavam, assim como a alimentação melhor. Mas algumas coisas não haviam mudado: o sentimento de culpa e os malditos pesadelos. Era impossível dormir por muito tempo, eu sempre despertava suando e com o coração batendo tão rápido que chegava a doer.

E então eu lavava o rosto, desajeitado, e voltava minha atenção para os livros. Eram cinco, uma coleção, que contavam a história de um menino bruxo. Eu nunca diria isso em voz alta, mas eram livros realmente bons. Fugia de toda a realidade do mundo ninja e, ao ler aquelas palavras, eu conseguia me sentir menos... sujo.

Os livros foram devorados no intervalo de uma semana, aproximadamente. Comecei a contar os dias através das refeições e das idas e voltas de minha guarda. Naruto e Sakura estavam em uma missão, ela havia dito, então tive tempo de sobra para ler sem interrupções.

— Você só pode estar brincando. — Murmurei irritado ao fechar o quinto, que agora eu sabia não ser o último, livro.

— Algum problema, Uchiha-san? — A voz melodiosa da ANBU disse, voltando o rosto escondido pela máscara para me encarar.

— Aparentemente essa coleção de livros não está completa. — Bufei irritado.

Tantas coisas para se preocupar e minha mente se irritava por não saber o final daquela história. Parabéns, Uchiha Sasuke, você está se tornando um patético.

A risada da mulher me pegou de surpresa, era bonita como uma música. Ela fechou o livro que trazia nas mãos e minha mente imaginava que um sorriso brincava em seus lábios.

— Não achei que você iria gostar. — Eu podia perceber o tom divertido de suas palavras. — Posso trazer os dois últimos para você amanhã.

— Eu não disse que g... — Comecei, mas ao refletir as palavras dela minha mente ficou confusa. Ela havia trazido os livros?

Quem era ela, afinal? A voz melodiosa fazia com que eu tivesse pequenos flashes de minha infância, mas nem um rosto, nem um nome. Balancei a cabeça e murmurei que sim, gostaria que ela trouxesse o restante dos livros.

Eu não teria nada melhor para fazer de qualquer jeito.

▬

Demorou mais alguns dias até que as visitas realmente viessem. Naruto continuava espalhafatoso como sempre, ele ardia em uma animação que era inacreditável, e praticamente impossível, de ser retribuída por mim. Sakura estava distante, e eu entendia suas ações. Anos se passaram, decisões foram tomadas e ações prejudiciais, a ambos, foram feitas. Eu não esperava uma Sakura de braços abertos, e, confesso, que era um alivio não a encontrar assim.

E, ainda com todo o receio com minha pessoa, ela foi gentil o suficiente para ajudar-me com o curativo em meu braço amputado. Eu o trocava todos os dias, mas de modo desajeitado.

— Obrigado. — Murmurei para que apenas Sakura ouvisse. Ela me olhou surpresa e balançou a cabeça com um discreto sorriso. Se encostou em uma das paredes e passou a observar a tagarelice infinita de Naruto.

O Uzumaki parecia ter assunto para horas e era engraçado ver as diferenças entre nós, totalmente opostos e melhores amigos. A vida, na maior parte das vezes, era incompreensível. Ele apenas parou de falar quando minha guarda disse, de forma gentil, que o horário de visitas havia acabado.

O loiro saiu da cela com promessas que voltaria logo e que tentaria, a todo custo, que Kakashi diminuísse minha pena, além de algo relacionado a comida de qualidade que, conhecendo Naruto, deveria se referir a um enorme lamen do Ichiraku. Sakura murmurou um pequeno até logo, que foi respondido com um acenar de cabeça.

Não demorou muito para que minha guarda também se despedisse, seus passos ecoaram pelo longo corredor, mas seu cheiro, tão único a ela, ficara no ar. A misteriosa ANBU era sempre substituída, durante a noite, por um ninja muito menos cordial.

Os pesadelos não foram tão fortes naquele dia.

▬

Os dias pareciam passar cada vez mais rápidos, as visitas do time 7 eram constantes e os livros que minha guarda insistia em trazer faziam bem o trabalho de me distrair: eu mergulhava em suas páginas e esquecia do mundo a fora. Até as noites pareciam mais leves, e eu agradecia silenciosamente por isso.

Um dos maiores indicadores de que os dias estavam passando era minha barba e cabelo, ambos estavam maiores do que eu gostaria, mas todas as vezes que tentava ajeitar um deles a frustração me vencia. Era impossível fazer aquilo com apenas uma das mãos.

— Precisa de ajuda com isso? — Minha guarda disse, provavelmente o barulho da tesoura sendo jogada dentro da minúscula pia havia tirado a mulher da sua concentração em um de seus livros.

Engolir meu orgulho e aceitar ajuda ou ficar cada vez mais incomodando com o tamanho da barba e cabelo?

— Por favor. — Eu murmurei, a resposta era óbvia. Se passasse mais um dia com aquela quantidade de pelos no rosto, nem mesmo os enredos fantásticos conseguiriam acalmar minha irritação.

Ela abriu a grade que nos separava e entrou em meu pequeno recinto, deixando o livro que carregava na mesa de canto. Pela primeira vez prestei atenção na ANBU, o corpo esbelto era coberto pelo característico uniforme, mas a espada não estava pendurada em seu ombro. O cabelo chegava até o final da lombar e era de um tom diferente, como um céu numa noite sem estrelas E o que mais me encucava era seu cheiro, além da voz melodiosa, que traziam lembranças distantes.

Mas nunca um rosto.

A guarda pegou alguns apetrechos na cesta que ficava em cima da mesa, gilete, espuma de barbear e um vidro que eu ainda não tinha visto. Arrastou a cadeira para perto da pia e indicou para que eu sentasse ali.

Quando ela começou seu trabalho minha pele arrepiou-se com o toque desconhecido, suas mãos eram suaves e macias, tão diferentes da minha. A máscara cobria seu rosto. Tentei encontrar respostas em seus olhos, mas até eles eram escondidos. Ela trabalhava em silencio, a lâmina passava suavemente por minha pele e depois mergulhava na água corrente para retirar o excesso de pelos.

Fechei os olhos e me permiti aproveitar aquele momento. As pessoas normalmente não chegavam perto de mim, muito menos perderiam tempo me ajudando com barba e cabelo. As pessoas me temiam, mas não parecia ser o caso da mulher a minha frente.

— Você não tem medo de mim? — Perguntei quando ela terminou e se afastou para limpar a gilete.

— Eu tinha, confesso. — Sua voz melodiosa preencheu meus ouvidos. — Mas não acho que você seja a mesma pessoa de meses atrás, você não estaria aqui se fosse.

As palavras dela me pegaram de surpresa, mas estavam certas. Eu não era mais aquele Uchiha Sasuke mergulhado no ódio, perseguindo a vingança como se fosse a única coisa que importasse naquele mundo. Eu não era mais um ninja louco por poder.

Agora eu era um homem quebrado, tomado pelo remorso, que tentava pagar por seus crimes e encontrar um novo sentido para continuar vivendo.

As mãos habilidosas pegaram a pequena tesoura jogada na pia e passaram a cortar meu cabelo desordenado. Ela penteou os fios embaraçados com os dedos e aquilo pareceu familiar demais.

Uma pontada surgiu em meu coração: dona Mikoto fazia exatamente esses mesmos movimentos ao aparar minhas pontas rebeldes.

Engoli seco e ignorei as sensações que tentavam se apossar de meu corpo, não era possível que eu estivesse me tornando sentimental de uma hora para outra. Tentei afastar esses pensamentos lembrando-me dos livros que a ANBU havia trazido e entramos numa pequena conversa sobre seus personagens e enredo.

Suas palavras tomaram conta da minha mente mesmo depois que ela se retirou, levando consigo todos os instrumentos usados no corte. Seu ‘até logo’ ecoando pelos corredores me trouxe uma sensação nova: que aquilo realmente fosse um até logo.

▬

Suave. Essa era a palavra perfeita para definir minha guarda e as semanas que se seguiram. Era agradável ter alguém, fora Naruto e Sakura, para conversar, mesmo que fosse apenas sobre os livros que ela trazia regularmente. Eu até preferia, era muito mais fácil conversar sobre coisas que fugiam da minha realidade. Era muito mais fácil fingir ser uma pessoa normal do que encarar toda a merda do mundo real.

Quando levantei, desajeitadamente, da cama para minha higiene matinal e café da manhã, estranhei o guarda parado do lado de fora das grades. Não era a habitual ANBU melodiosa, nem mesmo o ninja que costumava ficar durante a noite, era uma pessoa diferente, desconhecida.

— Certo, não é como se fossemos amigos ou algo do tipo. — Murmurei para mim mesmo e mergulhei em minhas tarefas diárias.

Lavar o rosto e partes intimas, escovar os dentes e tomar café. Não era mais preciso trocar o curativo em meu braço amputado, ele havia cicatrizado decentemente então eu apenas colocava uma faixa simples para evitar qualquer atrito naquela região.

O restante da manhã foi gasto em uma extensa meditação, aquilo ajudava a acalmar os demônios em minha mente, além de permitir algumas horas de sono a mais.

Depois do almoço, exercícios para evitar que meu corpo enferrujasse e então, mergulhar novamente nos livros. As horas passaram rapidamente a partir daí, quando me toquei a janta já havia esfriado e o sono batia a minha porta. Olhei rapidamente para fora das grades: nenhum sinal da ANBU.

Suspirei, coloquei o livro ao lado da cama e deixei que a escuridão me englobasse. Semanas tinham se passado desde o último pesadelo e minha tola mente achava que eles não voltariam. Ledo engano, eles voltaram.

E voltaram ainda piores.

Eu sufocava aos poucos, meu coração doía de tão rápido e desesperado. O massacre Uchiha acontecia e, novamente, eu era incapaz de pará-lo. Itachi morria em minhas mãos e eu sabia, agora sabia, tudo o que ele havia passado e a culpa ameaçou me sufocar ainda mais.

Eu podia sentir as lagrimas quentes escorrendo por meu rosto, mas não podia me mexer. Não podia gritar, não podia respirar. As mesmas lembranças passavam como um filme, de novo, de novo e de novo.

E, cada vez mais, eu torcia para que aquilo acabasse e eu morresse de vez.

— Sasuke. — Uma voz me chamava ao fundo, tentei responde-la, mas nenhuma voz saia de minha garganta.

Nenhuma voz, nenhuma respiração. Eu não tinha certeza se aquilo era um sonho ou realidade, mas sensação de estar sufocando era real.

— SASUKE! — Ela gritou e, finalmente, meu corpo se moveu e meus olhos se abriram. Tentei focar em seu rosto, mas a sensação de sufocar ainda estava presente.

Meus pulmões intensificaram a troca gasosa, mas não parecia surtir efeito. Meu coração batia cada vez mais rápido, tentando levar oxigênio aos órgãos vitais.

— Olhe para mim, Sasuke. — Sua voz melodiosa pedia com urgência. — Foi apenas um pesadelo, olhe para mim.

Meu rosto virou em sua direção, mas meus olhos não conseguiam focar em seu rosto. Meu corpo se desesperava, minha mente se desesperava. Lágrimas queimavam meus olhos e soluços escapavam por minha garganta.

— Vamos, Sasuke. Olhe para mim por favor. — Ela pedia, sua voz embargada. Suas mãos suaves seguraram meu rosto com delicadeza e, ao mesmo tempo, força. Ela parecia determinada a me tirar daquele inferno.

E então encontrei seus olhos. Olhos tão diferentes, olhos pálidos, olhos como a lua. Olhos que demonstravam preocupação e medo.

O mesmo medo que eu sabia refletir em meus próprios.

Eu não saberia dizer quanto tempo ficamos ali, com ela segurando meu rosto e me encarando com seus olhos de lua. Mas ela ficou.

Ficou até minha respiração voltar ao normal, até que os soluços parassem e as lágrimas parassem de vir.

Pela primeira vez em muito tempo, alguém havia ficado por mim.

▬

Hyuuga Hinata, esse era o nome dela. Após o episódio do surto ela havia se apresentado, não era preciso esconder mais seu nome. Eu tinha visto seu rosto e ela tinha visto meu momento de maior fraqueza.

E ela não se afastou após me ver chegar no fundo do poço.

A máscara agora ficava pendurada em sua cintura, deixando o belo rosto a mostra e sua voz parecia ainda mais agradável. Com o passar dos dias as lembranças de infância foram retornando a minha mente, jantares e reuniões dos clãs, bochechas coradas na academia e almoços que apareciam em meu armário após a morte dos meus pais.

As conversas se tornaram mais pessoais, perguntas sobre a família dela e seu destino como líder do clã, eu lembrava vagamente das suas preocupações, desde criança, quanto a esse fardo. Fardo esse que nunca tive que carregar já que Itachi era o mais velho. Ela contou sobre a morte do primo e como isso a levou até a ANBU.

E eu lhe contei algumas coisas de minhas andanças, ainda como subordinado de Orochimaru. Mas não fui capaz de contar tudo, não ainda. No fundo eu tinha medo de afastá-la, por mais que ela acreditasse que eu não fosse mais a pessoa de tempos atrás.

Coisa que ela afirmava em muitas de nossas conversas.

Os pesadelos voltaram mais vezes, mas nenhum causou uma reação tão grande quanto aquele dia. Na única vez que chegou perto de acontecer ela estava lá.

Ela sempre estava lá.

Eu não saberia dizer se estava apenas cumprindo seu dever como ANBU, e guarda, ou se ela tinha algum tipo de empatia comigo. Minha mente se dividia entre as duas possibilidades, mas sempre que pendia para o lado da empatia eu balançava a cabeça e dizia que não era possível.

Quem teria empatia pelo vingador Uchiha?

Suspirei e levantei da cama ao ouvir seus passos ecoando no chão frio. Quando ela chegou até as grades um sorriso pintava seus lábios rosados, a Hyuuga parecia alegre.

— Tenho boas notícias para você. — Ela disse e eu pude ouvir mais passos no corredor, passos que não reconhecia. Quando a pessoa parou em frente as grades pude ver de quem se tratava.

Rokudaime Hokage e meu antigo sensei, Hatake Kakashi. Sua feição demonstrava cansaço, o cargo de kage não deveria ser tão glamouroso afinal.

— Hinata disse que você está se comportando bem, Sasuke. — Ele disse e eu podia imaginar um sorriso irônico embaixo de sua máscara. — E ela acha que faria bem para você sair desse lugar apertado.

Meus olhos procuraram os perolados da Hyuuga e fizeram a pergunta silenciosa: porque ela estava fazendo aquilo? A resposta foi um pequeno balançar de ombros seguidos por um sorriso discreto.

— Após horas e mais horas de conversas inúteis e estressantes... — Kakashi continuou, gesticulando com as mãos. — Eu e os conselheiros resolvemos lhe dar um voto de confiança.

— E...

— Não estamos extinguindo sua pena. — Ele me interrompeu. — Estamos lhe dando uma liberdade condicional. A senhorita Hyuuga ficará responsável por você pelos próximos 12 meses. — Ele procurou por algo em suas vestes e continuou: — E você usará essa tornozeleira, ela vai restringir o uso de chakra e dizer sua localização.

Meus olhos pulavam entre os dois sem saber o que dizer. Eu estava esperando apodrecer na solitária por dois anos, definitivamente não estava esperando por isso. Kakashi explicou que eu poderia utilizar as instalações do clã Uchiha e que teria acesso a minha herança assim que saísse da prisão.

Eu não estava acreditando naquelas palavras até colocar os pés na casa principal do clã Uchiha, meu antigo lar. O distrito estava velho, grande parte destruída e a casa estava embaixo de toneladas de poeira. Mas era minha casa afinal.

As sensações e sentimentos se misturaram ao entrar ali, ao caminhar pelos quartos de Itachi e de meus pais. A Hyuuga não me acompanhou nessa primeira caminhada, ela parecia respeitar a dor que aquela casa me trazia.

Após alguns minutos me encontrei com a morena e fizemos uma grande faxina, se aquela seria nossa moradia por 12 meses — no meu caso pelo resto da vida — deveríamos deixá-la habitável. Nos dias que se passaram pequenas reformas foram feitas, primeiro na casa principal, e depois nas casas que ainda estavam relativamente inteiras.

Eu tinha planos de aluga-las, por mais que minha mente ria da ideia e me provocava dizendo que ninguém alugaria algo de um criminoso em condicional.

Tudo o que me restava era tentar.

▬

— O que o seu pai acha da sua... missão? — Perguntei a morena. Estávamos caminhando pelo centro de Konoha, a limpeza na casa principal havia sido feita e agora precisávamos de comida e mantimentos.

— Não tenho certeza se ele tem conhecimento. — Ela respondeu com um suspiro. — Eu não moro no clã desde que entrei para a ANBU e foi determinado que Hanabi seria a próxima líder.

Havia uma pitada de dor em suas palavras, mas não atrevi fazer mais perguntas. As compras foram feitas em silencio, um silencio incrivelmente reconfortante. Eu podia sentir os olhares atravessados em cima de nós, principalmente dirigidos a mim. Eu não era o único surpreso por ter sido “liberto” mais cedo afinal.

Passamos na casa da Hyuuga para que ela pegasse algumas coisas como roupas e pertences pessoais. Ela teria que me vigiar 24h por dia e, consequentemente, morar no distrito Uchiha.

Minha mente perguntava como seria aquilo. Como seria morar com alguém que você não conhecia totalmente, mas que já lhe ajudara tanto. Suspirei e espantei as perguntas, as possibilidades me deixariam louco.

Ao voltar para casa fiquei encarregado de guardar as compras em seus devidos lugares enquanto Hinata se acomodava em um dos quartos. Minutos depois, ainda vestindo seu uniforme, a morena desceu as escadas e decretou que faria o jantar.

Fiquei a observando durante todo o processo, escondendo meu rosto em um livro qualquer quando seus olhos pairavam em mim por muito tempo. Ela trabalhava de forma graciosa, deslizava pela cozinha como se a conhecesse há muito tempo e o cheiro que preencheu a casa era delicioso.

Hyuuga Hinata cantarolava baixinho ao cozinhar. Quando a confrontei sobre isso, alguns dias depois, as bochechas ficaram coradas e ela confessou que era um costume de sua mãe. Os olhos perolados ficaram marejados, mas ela não chorou.

Com o passar dos dias pude perceber que ela nunca chorava na minha frente, mas eu ouvia seus soluços na madrugada quando ela achava que eu estava dormindo. Eu queria poder ajudá-la, do mesmo jeito que ela havia feito comigo, mas eu não conseguia me intrometer, minha mente sempre falava que ela não confiaria em um cara como eu.

E assim, as semanas foram passando.

▬

Nossos dias se arrastaram em pequenos treinos, já que meu chakra era limitado pela tornozeleira, reformas e horas de leitura. A conversa fluía entre as refeições e as pausas dos treinos, conversas simples, grande parte delas se referindo aos livros que estávamos lendo no momento.

Era agradável e suave. Não podia pedir mais do que aquilo quando sempre esperara que apodreceria na cadeia. Aquilo era muito mais do que eu imaginava, muito mais do que eu merecia.

Observei a mulher parada em minha frente, sua respiração estava descompassada, o peito subia e descia conforme o ritmo cardíaco acelerado, as bochechas estavam coradas e o suor escorria por seu rosto. Seus olhos perolados demonstravam divertimento pelo ocorrido segundos atrás: ela havia me vencido.

Mas é claro que aquilo era por conta da tornozeleira. Quando disse essas mesmas palavras para ela uma gargalhada saiu de seus lábios.

— Sim, tenho certeza que é por isso. — Ela disse após vários segundos rindo da minha cara emburrada. Revirei os olhos e murmurei que o almoço era por minha conta. Eu poderia não cozinhar tão bem quanto ela, mas passei a maior parte da minha vida sozinho então sabia me virar muito bem.

O almoço acabou sendo bem simples, mas muito agradável. Gyudon1, missoshiru2 e, o que não podia faltar nunca, salada de tomates. Hinata ficara surpresa ao descobrir minha paixão por tomates, eles existiam em todas as minhas refeições. Quando ela me questionou sobre isso apenas dei de ombros e murmurei que todos tinham uma comida preferida, não é mesmo?

Depois do almoço a Hyuuga disse que iria até o cemitério e se eu gostaria de acompanhá-la. Balancei a cabeça positivamente e murmurei que tomaria um banho rápido. Vinte minutos depois estávamos a caminho do tradicional cemitério de Konoha, a morena utilizava seu uniforme completo e a máscara que escondia suas feições.

Os jazigos dos Hyuuga ficam relativamente perto dos Uchiha então me permiti alguns minutos observando a lápide de meus familiares. Palavras ficaram presas em minha garganta, assim como lágrimas presas em meus olhos, mas não deixei que escapassem. As lápides estavam limpas e bem cuidadas, me perguntei quem teria esse trabalho todo.

Suspirei e caminhei em direção a minha guarda, ela havia retirado a máscara e o vento balançava seu longo cabelo. Ela estava agachada e arrumava um pequeno arranjo de girassóis em cima do túmulo do primo.

— É minha culpa... — Ela sussurrou, as palavras eram encharcadas de lágrimas e remorso. — Ele ainda estaria vivo se eu.... Se eu...

Minha primeira reação foi agachar na sua frente e pegar seu rosto em minha mão. Olhos negros e perolados, esses que demonstravam surpresa por minha reação, se encontraram. Não demorou muito para que ela desabasse e o choro se intensificasse. A puxei em um abraço desajeitado e deixei que as lagrimas fossem derrubadas em meu peito.

Assim como ela esteve por mim antes, eu estava ali por ela agora.

— Uma guerra é uma guerra, Hinata. — Murmurei entre seus fios, minha única mão fazia um carinho desengonçado em seu cabelo. — Você não poderia mudar o que aconteceu, não importa o quão forte você fosse. — O choro diminuiu de intensidade e continuei: — Neji fez uma escolha, ele escolheu ser livre e te salvar. Você não pode se culpar ou zombar disso, você tem que honrar a escolha dele, Hinata, e viver da melhor maneira possível.

Vários minutos se passaram até que a morena conseguisse se acalmar, ela permaneceu com a cabeça em meu peito durante todo esse tempo. No caminho de volta para o distrito Uchiha ela, com a máscara de volta em seu rosto delicado, confessou tudo sobre a morte de Neji. A dor em suas palavras era praticamente palpável, deixei que ela descarregasse tudo o que estava sentindo.

— Muito obrigada, Sasuke. — Disse quando chegamos a casa principal, ela tirou a máscara e me encarou com seus olhos de lua. — Eu nunca.... Nunca dividi isso com ninguém, é como se um peso saísse das minhas costas. Eu.... Obrigada.

Deixei que um sorriso escapasse de meus lábios e assenti com a cabeça. Ela tomou o caminho dos quartos e eu fiquei parado em frente ao sofá da sala tentando, inutilmente, que meus batimentos cardíacos voltassem ao normal.

▬

Oito meses tinham se passado desde que coloquei os pés naquela casa. Nossa rotina continuava praticamente a mesma, exceto que agora as reformas já tinham sido completadas e as casas alugadas. Fiquei surpreso quando recebi as propostas, apesar de ter reformado não achava que elas seriam realmente alugadas.

Mas foram e agora algumas famílias dividiam o distrito Uchiha comigo.

Caminhávamos pelo centro de Konoha em direção ao Ichiraku, Naruto e Sakura estavam dando uma pequena festa de noivado e ambos fomos convidados. Olhei para a herdeira Hyuuga e seu rosto parecia incomodado com algo, ela não vestia o uniforme ANBU mas sim um vestido florido de alças finas e rasteirinhas enfeitavam seus pés.

Leve e suave, como tudo o que dizia a respeito a morena.

— Algum problema? — Perguntei e ela parou para me encarar.

— É um pouco frustrante sabe... — Hinata começou, sua voz tão baixa que tive que me aproximar mais para ouvi-la. — Ele nem ao menos se deu o trabalho de responder minha declaração e... Bem, sabemos o que está acontecendo agora.

Hinata era uma luz. Mas não era incomoda e espalhafatosa como sol, ela era como a lua. Sua luz iluminava a escuridão de forma gentil, as vezes imperceptível por muitas pessoas. Mas ela estava lá, mesmo nas horas mais sombrias, mesmo nos piores dias. Ela era pura. Colocava as necessidades de todos a frente das suas, ajudava sem pedir nada em troca, distribuía sorrisos e olhares esperançosos mesmo quando estava quebrada por dentro.

E ela estava quebrada, seu coração ainda pedaços pela morte do primo e, agora eu sabia, pelo amor não correspondido. Encarar seus olhos que demonstravam tristeza e confusão fazia com que eu quisesse protegê-la e tomar suas dores para mim. Fazia com que eu quisesse reconfortá-la, mostrar que eu estava ali para ela.

— Naruto é um babaca. — Eu comentei e ela soltou um pequeno riso. — Ele não merece alguém como você, hime.

Ela me encarou por mais alguns segundos e afastou o olhar com as bochechas coradas, antes que o fizesse pude perceber uma faísca de um sentimento diferente ali. Balancei a cabeça e voltamos a caminhar suavemente em direção ao restaurante.

A noite passou como um flash, meus olhos pousaram na morena em vários momentos, ela parecia mais relaxada perto dos amigos. Quando tomamos o caminho de volta para casa um pequeno sorriso brincava em seu rosto e, quando uma chuva torrencial caiu sobre nós, uma risada maravilhosa saiu de seus lábios.

Quando nossos pés tocaram a madeira da varanda da casa principal, nossos corpos estavam encharcados até os ossos, ambos tentamos torcer o máximo da água acumulada nas roupas antes de entrar na casa e correr para um banho quente.

Assim que entrei no chuveiro deixei que a água quente espantasse os medos que ameaçavam tomar conta da minha mente, assim como os sentimentos confusos que passaram a tomar conta de meu coração. O sorriso da Hyuuga fazia com que meu ele palpitasse mais rápido e, sempre que ela saia para entregar seus relatórios diários, eu desejava que ela voltasse logo e enchesse a casa com seu cheiro de lavanda e a voz melodiosa.

Céus, o que aquela mulher estava fazendo comigo?

Desliguei o chuveiro e demorei vários minutos para me secar e colocar uma roupa confortável, nada muito quente já que o tempo estava fresco. Desci as escadas e procurei Hinata pela casa, a achando sentada na varanda observando a chuva. Ela estava enrolada em uma manta fina e uma xicara de chá repousava em seu colo.

— Fiz uma xicara para você. — Ela disse, as bochechas estavam coradas e o sorriso emoldurava seu rosto. Sentei ao seu lado, peguei o chá e observei as gotas caírem.

Após alguns minutos engajamos em uma conversa sobre os livros que estávamos lendo. Era incrível como o estoque de livros da Hyuuga parecia nunca se esgotar, ela sempre tinha novas séries para me apresentar quando eu terminava a anterior.

O tempo passou rapidamente e quando percebi, o sono tomava conta de mim. Olhei para o lado e a morena cochilava de mal jeito. Sorri levemente, levantei e levei as xícaras de chá para cozinha. Voltei a varanda e peguei a Hyuuga no colo, um pouco desajeitado devido à falta de um braço. Ela murmurou palavras incompreensíveis e afundou o rosto em meu pescoço, sua respiração quente fazia com que minha pele arrepiasse.

Subi as escadas e entrei em seu quarto, eu ainda não tinha entrado ali e a morena, mesmo sem mudar muita coisa, tinha dado seu próprio toque no ambiente. A coloquei cuidadosamente na cama e a cobri com a manta que estava usando na varanda.

— Oyasumi, hime. — Sussurrei e depositei um pequeno beijo em sua testa. Ela se mexeu, mas não acordou, o que eu agradeci internamente.

Caminhei até meu próprio quarto e me joguei na cama. A pergunta do banho voltou novamente: o que aquela mulher estava fazendo comigo? Balancei a cabeça e fechei os olhos, tentando afastar esses pensamentos.

Nos dias que vieram eu finalmente descobri que, definitivamente, Hyuuga Hinata estava despertando sentimentos em mim que eu nem sabia que existiam.

E, por incrível que pareça, eu estava gostando de cada segundo daquilo.

▬

Levantei da cama e meu corpo se arrepiou com o chão gelado. O inverno tinha chegado, assim como o fim da minha pena. Coloquei uma blusa mais quente e desci as escadas. Hinata estava sentada na mesa de jantar rodeada de pergaminhos, e na ponta repousava o habitual café da manhã.

— Ohayou. — Murmurei ao sentar do lado dela.

— Ohayou. — Ela respondeu com um sorriso contido, notei que algo em seus olhos não estava certo. — Animado pela sua liberdade?

— Acho que sim... — Disse e voltei meus olhos para a comida.

A verdade era que eu não estava animado, não totalmente. Seria um alivio poder sair tranquilamente e não ter mais o chakra limitado, isso é obvio. Mas ao mesmo tempo eu perderia a companhia diária da Hyuuga, e eu havia me acostumado com aquilo.

Havia acostumado com suas palavras doces e suaves, sua comida maravilhosa e a melodia que saia de seus lábios quando ela pensava que eu não estava por perto. Estava acostumado com os debates literários, os treinos e observar enquanto ela brincava com as crianças que agora viviam nas casas alugadas.

Estava acostumado com a presença de Hyuuga Hinata e toda vez que pensava que ela partiria no fim do dia uma pontada atacava meu coração.

— Kakashi-sama quer que nos apresentemos a ele hoje.

— Certo... — Eu murmurei em resposta. — Podemos ir após o café.

A morena concordou com a cabeça e terminou de preencher seu pergaminho. Enquanto eu terminava de comer ela subiu as escadas e colocou seu uniforme, assim como a máscara.

Parecia que algo estava entalado em minha garganta durante todo o trajeto até a sala do Hokage. Hinata estava silenciosa, mas eu não podia encarar seus olhos para tentar adivinhar o que ela estava pensando.

Horas e mais horas foram perdidas na análise da minha sentença, desde os dias na solitária, os meses na cela comum e o ano na condicional. A Hyuuga fazia relatórios diários sobre os acontecimentos, como todo bom ANBU faria. No fim, o Hokage e seus conselheiros determinaram que eu havia cumprido minha pena e que estava livre. Poderia voltar as minhas atribuições como ninja, mas as missões seriam simples no começo. Apenas concordei com a cabeça, minha voz estava presa em minha garganta.

A tornozeleira foi retirada, Hinata murmurou que precisava pegar as coisas dela no distrito e todos na sala concordaram. Novamente o caminho foi feito em silencio e, ao chegar na casa, ela subiu diretamente para seu quarto.

Caminhei até algumas árvores que enfeitavam o jardim dos fundos e encarei a paisagem que ela ajudara a cuidar durante esses doze meses. Tudo naquela maldita casa me lembraria a Hyuuga, tudo ali faria com que eu sentisse sua falta.

— Sasuke... — Ela me chamou e eu virei para encará-la. Ela não usava mais a máscara e seu rosto estava levemente inchado, como se estivesse chorando minutos antes. — Sabe... eu tive receio no começo, medo até. Aquele dia eu te disse que não tinha mais medo de você, mas era um blefe. Eu temia o que podia acontecer, temia não ser forte o suficiente para te parar se fosse necessário.

— Mas então você se mostrou diferente... — Hinata continuou e eu pude ver seus olhos brilharem com as lágrimas. — Naquele dia, durante o pesadelo, eu percebi quem você era. Tão parecido comigo, uma alma quebrada procurando um sentido para continuar vivendo.

— Hin...

— Meu dever não era apenas vigiá-lo, mas ajudá-lo também. — Ela confessou e virou de costas. — E no fim, foi você que acabou me ajudando. — A voz dela começou a ficar embargada. — Muito obrigada, Sasuke, por tudo.

A Hyuuga começou a se afastar, mas as palavras finalmente saíram de minha garganta.

— Você foi como uma luz, Hinata. — Confessei e andei em direção a ela. — Eu estava perdido, estava sufocando, eu não sabia qual direção seguir ou que decisões tomar. Eu estava me afogando e, naquele dia do pesadelo, você me puxou para a superfície. E, mesmo sabendo que não merecia alguém como você por perto, todos os dias eu acordava agradecendo por você ter sido designada a me vigiar.

Nossos corpos estavam a poucos centímetros e distancia agora e eu podia ouvir sua respiração cada vez mais profunda, como se tentasse acalmar algo dentro de seu coração. Quando a perolada finalmente falou, não consegui acreditar nas palavras que saiam de seus lábios rosados.

— Eu estou apaixonada por você, Sasuke. — Ela sussurrou tão baixo que eu poderia ter imaginado suas palavras. Meus olhos se arregalaram e um calor se espalhou por meu peito.

— Repita. — Eu pedi, minha voz demonstrando urgência. Segurei sua mão e fiz com que ela virasse para me encarar. Seus olhos perolados brilhavam e as bochechas estavam vermelhas.

— Eu estou apaixonada por você. — Repetiu e levou uma das mãos ao peito. Uma lágrima escorreu de seus belos olhos e minha mão automaticamente a limpou, segurando seu queixo em seguida.

Quando nossos lábios se encontraram sensações novas tomaram conta de meu corpo. Ela era quente, doce e calma. Arrepios se espalharam por cada centímetro de pele. As mãos dela se entrelaçaram em meu pescoço e uma delas se embrenhou por meu cabeço, fazendo com que um suspiro escapasse de meus lábios.

Minha mão foi até sua cintura e a puxou mais perto, numa tentativa vã de fundir nossos corpos. Cada segundo que se passava naquele beijo minha mente dizia que só podia ser ilusão. Era muito bom para ser verdade.

— Eu estou apaixonado por você. — Confessei quando o beijo se quebrou. Estávamos com as testas grudadas e nossos olhos se encaravam. Um sorriso maravilhoso surgiu em seus lábios inchados.

Hinata não fora embora naquele dia. Nem no próximo, ou nos outros que vieram.

Notas finais
O que acharam? Essa é a one mais longa que já escrevi, demorei bastante tempo para escreve-la. O título dela vem da música (Un)Lost do The Maine que, assim como How do you feel?, me ajudou bastante para desenvolver a one. Confesso que tive muita dificuldade com a imagem no começo, não conseguia pensar em nada bom o suficiente até que isso saiu, espero do fundo do coração que vocês gostem. Todos os créditos da imagem vão para a Rocz: http://rocz.deviantart.com/art/WWU-6-SasuHina-513366790 Gyudon: é um prato japonês que consiste em uma tigela de arroz coberta com carne bovina e cebola cozidos em um molho levemente adocicado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!