Unlike Cinderella...
29 Capítulo 28 - The First Attack...
Notas iniciais
POV Prince
O sol se dava seus primeiros sinais do dia quente que estava por vir quando despertei de meu inquietante sono. Olho para o lado, suspirando em alivio ao ver que Manu continuava a dormir ao meu lado.
Observo seu rosto angelical e sorrio apaixonado. Acaricio a sua bela face de leve, na tentativa de não acordá-la. Isso me acalma um pouco. Desde a morte de Elliot, a dois dias atrás, as coisas vem se complicando cada vez mais.
– Você está tão pensativo. – sussurra a garota, ainda de olhos fechados.
– Desde quando está acordada? – pergunto, aproximando-me mais e a abraçando com carinho. A morena se aconchega em meus braços e abre os olhos, analisando o meu rosto.
– O que houve Prince? – pergunta, levando sua mão até meu rosto.
– Nada demais. – digo, beijando a mão de minha namorada, na sequência.
Manu suspira um pouco frustrada, não satisfeita com a resposta. Permanecemos por um tempo em silêncio, apenas aproveitando o momento de calmaria.
Olho, rapidamente, o relógio na cabeceira da cama e percebo que já está na hora de levantar. Separo-me de Manu, sem vontade alguma de sair da cama e do lado da morena.
– Prince? – chama Manu, espreguiçando-se na cama.
– Sim? – pergunto, dirigindo-me ao banheiro do meu quarto.
– Tem certeza que não quer voltar para a cama? – pergunta a garota, fazendo-me parar no meio do caminho o olhar para a bela morena deitada em minha cama.
Manu sorria de maneira provocativa, fazendo todos os pelos de meu corpo se arrepiarem. Sorrio da mesma forma que a morena e viro-me por completo para ela.
– Oferta extremamente tentadora, mas, infelizmente, terei que recusar. – respondo, aproximando-me de Manu e a beijo com intensidade. Não demoro muito e me afasto da mesma. – No entanto, quem sabe não nos divertimos a noite?
Manu gargalha com a minha proposta. Observo a sua risada e meu coração se enche de alegria por saber que sou o motivo do belo sorriso da minha morena.
– Não é uma má ideia. – admite, depois de um tempo. – É melhor você se apressar ou irá se atrasar.
Concordo, balançando a cabeça e a beijo mais uma vez, mas agora com mais calma e carinho. Dirijo-me ao banheiro do quarto, deixando para trás a garota, que, mesmo acordada, continuaria deitada por um tempo.
Durante o banho, inúmeros pensamentos começam a se fazer presente em minha mente. Tantos problemas para resolver e nenhum com uma solução aparente. E, mais uma vez, a morte de Elliot se torna o ponto chave de minhas preocupações.
A notícia da morte do jovem adolescente abalou todos os que o conheciam. Os que sabiam do segredo de Ally, sentiram mais ainda por sua perda, afinal, não importava o que tivesse acontecido no passado, Elliot foi um herói.
No entanto, a culpa vem consumindo de maneira inexplicável Ally e Austin. A dor de perder um amigo é grande, mas saber que ele morreu para protegê-los parece ser ainda pior. Eu, melhor do que ninguém, entendo essa dor sufocante e inexplicável.
Trish e Dez, juntamente com Dallas e Cassidy estão apoiando ao máximo ao casal, mas as coisas não estão tão fáceis assim, pois, Elliot também era amigo deles.
Com a morte do moreno, Austin decidiu que o melhor a fazer era parar com a banda até que a situação de Ally fosse resolvida. Kelvin, Pablo e Jason concordaram com a ideia do loiro, afirmando que era o melhor a se fazer. Austin deixou claro, também, que precisava, mais do que nunca, se dedicar aos treinos.
Infelizmente, Jimmy não ficou nem um pouco contente com a notícia e, com isso, o contrato foi desfeito, desolando, ainda mais, os quatro adolescentes. Eu ainda tentei conversar com o homem, mas ele já havia tomado a sua decisão e a única coisa que restou foi aceitar a situação.
O que impressionou tanto a mim quanto a Manu e Tyler foi o avanço que Dez, Trish, Cassidy, Dallas e, principalmente, Austin tiveram nos treinos. O loiro melhorou, consideravelmente, as suas habilidades de ataque e defesa nesses dois dias que se passaram desde o incidente.
O comportamento de Austin, ao mesmo tempo que me dá esperanças, faz com que eu me preocupe mais ainda com o loiro. Austin matou quatro pessoas no mesmo dia em que perdeu um amigo e descobriu que a vida de Ally corre muito mais perigo que imaginava. Muita informação para processar ao mesmo tempo pode levar a pessoa a loucura.
No entanto, havia uma coisa que me acalmava, ao menos um pouco. Ally e Austin estão cada vez mais próximos. Um entende a dor do outro e estão lado a lado, apoiando e sendo apoiado.
Saio do banho e seco meu corpo com uma toalha que estava em cima da pia e a prendo em minha cintura. Deixo o banheiro, balançando os cabelos, tentando secá-lo.
– Manu? – chamo, assim que vejo que a morena não está na cama.
– Aqui está. – diz Manu, entrando no quarto com uma bandeja com o nosso café da manhã e a colocando em cima da cama. – Coma um pouco, enquanto eu vou tomar um banho.
Enquanto a morena estava no banho, começo a tomar meu café da manhã. Alguns minutos depois, meu celular começa a tocar, tirando o silêncio do lugar.
– Alô? – atendo, sem ver o número que me ligava no visor do celular.
– Prince? – fala a pessoa do outro lado da linha.
– Nina? Aconteceu alguma coisa? – pergunto, estranhando a ligação.
– Infelizmente, sim. – começa a mulher, parecendo receosa em contar o ocorrido. – Tenho notícias de Krósvia.
– O que aconteceu? – pergunto, preocupado.
– Gavin visitou Krósvia ontem à noite. – diz e sinto meu coração parar por um momento. – Ele e sua mãe se encontraram na parte mais afastada da cidade e do castelo. Não sei ao certo o que aconteceu, mas a rainha voltou muito abalada. Eu soube, também, que alguns espiões de Rhosália e Targarión estão rondando o castelo.
– O que? – digo, sem acreditar que em tão pouco tempo, nossos dois maiores inimigos resolveram nos atacar. – Mas, e os guardas reais? Não houve nenhuma ordem de expulsar os inimigos?
– Isso é o mais estranho, Prince. Sua mãe deu ordens para que nenhum dos espiões fossem atacados. Aparentemente, a rainha está protegendo os nossos inimigos. – informa Nina, preocupada.
– Não pode ser verdade. – falo, analisando a situação. – Minha mãe pode não estar nas melhores condições, mas ela jamais colocaria o reino em perigo se não fosse por algum motivo. Eu a conheço bem. Nina, você precisa descobrir a verdade.
– Não é tão simples assim, Prince. – diz a mulher. – A situação de Krósvia é muito mais complexa do que você imagina. O reino está, praticamente, sem um governante. A rainha não sai de seu quarto desde que o rei Lester foi atacado. O povo está assustado e não faz ideia do que está acontecendo. O boato de que a princesa não está no país já foi espalhado e isso só amedronta ainda mais a população. Nenhum dos parlamentares podem interferir nas ordens da rainha Penny.
– Que ordens? – pergunto, confuso.
– Nenhuma informação deve ser passada ao povo e se alguém ousar tentar tomar o controle de Krósvia será acusado de traição e poderá receber a pena de morte. – relata, surpreendendo-me.
– Como? O que minha mãe pensa que estar fazendo? Isso é loucura. – a indignação começa a tomar conta de mim. As consequências das atitudes de minha mãe podem ser gigantescas.
– Eu preciso de novas ordens, Prince. Os homens estão esperando por algum plano. – diz Nina.
– Por enquanto, continue mantendo contato com Gregory e os outros guardas reais. Peça para que eles investiguem se existe a possibilidade de Edgar¹ e Gavin terem feito algum tipo de aliança. Se os reinos de Rhosália e Targarión estiverem juntos, as coisas pode, se tornar muito mais perigosas que imaginávamos. – digo, suspirando cansado.
Manu sai do banheiro e me olha preocupada. Parecia saber que havia alguma coisa de errado. Ela se aproxima da cama e se senta ao meu lado, esperando que eu finalizasse a ligação para que eu lhe contasse o que estar acontecendo.
– Tudo bem. – concorda Nina. – E que eu digo sobre a princesa? Os homens estão ansiosos por notícias de Ally.
– Digam que ela está bem. Não revele muito sobre Ally. Mesmo eles sendo homens de confiança, não quero que eles corram o risco de saberem demais. Organize as tropas e mande-os aguardar por novas ordens. Do jeito que as coisas estão indo, o melhor a se fazer é se manter preparado. – respondo, suspirando cansado, em seguida. – Se tiver mais alguma informação, por favor, ligue imediatamente.
– Não se preocupe. Se eu tiver mais alguma notícia de Krósvia, você será o primeiro a saber. – avisa Nina.
– Certo. Vemo-nos no enterro de Elliot. Até mais. – digo, recebendo a confirmação de Nina em resposta. Desligo o celular e suspiro frustrado.
– O que houve? – pergunta Manu, preocupada.
– Nina acabou de me ligar com algumas notícias de Krósvia. – falo a Manu, vendo a morena ficar mais tensa ainda.
– O que ela disse? – pergunta, com cautela.
– As coisas não estão nada bem. Minha mãe parece ter enlouquecido e está colaborando com Gavin e Edgar. Alguns espiões de Rhosália e Targarión estão rondando o reino e a rainha deu ordens para que nenhuma medida fosse tomada. – explico. A surpresa se torna presente na expressão de Manu.
– Isso é loucura! – exclama, sem acreditar.
– As notícias não param por ai. – continuo, sentindo minha cabeça começar a doer só de imaginar os problemas que estão por vir. – Aparentemente, não é segredo para ninguém que Ally não está em Krósvia. Minha mãe não se manifesta e a população está em pânico.
Manu solta um suspiro frustrado e se levanta da cama, começando a andar de um lado para o outro, algo que sempre faz quando está nervosa.
– Isso não é bom. – afirma, parando de andar por um momento, encarando-me com intensidade. – As coisas estão acontecendo rápido demais. Desse jeito, a guerra se iniciará mais cedo do que imaginávamos.
– Eu sei e isso me preocupa. – falo, levantando da cama e abro a porta do guarda-roupa, procurando uma bolsa grande que coubesse tudo o que eu iria precisar.
– O que você vai fazer, Prince? – pergunta minha namorada, preocupada.
– Está na hora de Ally saber de tudo. – digo e vejo Manu arfar, surpresa pelo o que eu havia dito.
– Você tem certeza disso? – questiona Manu.
– Eu não queria que isso acontecesse, mas já não podemos mais adiar. Agora que uma tragédia já aconteceu, acredito que as coisas só irão piorar. Se Edgar tiver se juntando com Gavin, o melhor a se fazer é preparar Ally para o pior. Do jeito que as coisas estão indo, meu pai, talvez, não resista até o final da guerra. – falo, apertando meu punho, ao lembrar a situação de meu pai. – Eu jurei proteger e ajudar minha irmã e é isso que eu irei fazer.
Ouço Manu começar a andar em minha direção. Em alguns segundos, sinto seus braços em volta de mim. Correspondo ao caloroso abraço da morena, sentindo-me um pouco melhor.
– Não se preocupe, Prince, tudo vai acabar bem. – afirma Manu, enquanto eu acaricio sua cabeça. – Você é Phillip Dawson, o homem que eu amo. Sei que é capaz de fazer o que quiser. Agora, levante sua cabeça e melhore esse seu humor depressivo. Que eu saiba, o único capaz de ensinar a Ally como lidar com as feras que cercam o reino é você. Então, faça o que precisa ser feito.
[...]
– Os garotos devem estar perto de chegar. – aviso Manu, enquanto mexo em meu celular. – Quando minha irmã e Austin chegar, quero que os dois venham comigo. Eu os levarei até o nosso QG. Treine os outros e depois vá com Tyler e eles até lá. Preciso primeiro conversar às sós com os dois.
Manu olha para mim e balança a cabeça, concordando com o que foi dito. A morena volta a sua série de chutes e socos no saco de areia que se encontrava bem no meio do galpão.
– Será que eles estão bem, Prince? – pergunta Manu, enquanto ainda continuava a inserir golpes no saco de boxe. – Hoje é o enterro de Elliot. Não seria melhor deixar para conversar com eles amanhã?
O enterro de Elliot será realizado no final do dia e a escola dos garotos permaneceu fechada desde a confirmação e divulgação do fato. Para todos os efeitos, Elliot foi morto durante um assalto. O garoto reagiu ao ataque e acabou levando um tiro. Sobre as outras feridas, como medida de segurança, ninguém poderia ver o corpo, pois isso foi o "pedido da familia".
Por sorte, a mãe de Elliot sabia da história de Ally e concordou em colaborar a esconder o segredo. Claro que a mulher estava extremamente abalada. Primeiro ela havia perdido o marido em um acidente de carro e agora o filho. No entanto, em nenhum momento a mulher culpou Ally e seus amigos. Apenas disse que o filho fez o que achava certo e que nada poderia mudar o que havia sido feito.
Com o tragédia, Ally, Austin e seus amigos se concentraram ainda mais em seu treinamento. O que me preocupava era a reação de Austin após matar a primeira pessoa, mas, até o momento, ele tem se mostrado forte. Provavelmente, tenha entendido que se quisesse continuar ao lado de minha irmã, precisaria enfrentar situações cada vez mais complicadas.
– Não. Eu prefiro acabar logo com isso. – afirmo, observando a morena.
– Tudo bem. – diz Manu, dando por finalizada o seu treino diário. A morena tira as luvas de boxes que usava e pega a toalha em cima do banco que estava próximo de si e seca seu rosto e pescoço.
– Mas, eu estou preocupado com Ally. – digo, aproximando-me da linda morena. – Ela ainda não aceitou muito bem o que aconteceu, mas Austin e os outros estão a apoiando muito e fazendo de tudo para que ela não se sinta culpada.
Observo Manu por um tempo, enquanto a mesma toma um pouco de água. Seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo alto e usava um top e um short preto junto a sapatilha de boxe, como sempre usa quando está treinando. Admiro-me de como uma mulher pode ser tão bela assim.
Ela solta um suspiro triste e a encaro, procurando respostas. Ela olha para mim e se aproxima, dando um rápido beijo em meus lábios. Vejo em seus olhos angustia e tristeza.
– Ele não deveria ter morrido. – afirma Manu.
– Eu sei, mas não podemos fazer mais nada agora. Precisamos seguir em frente e garantir que não tenha sido em vão. – digo, tentando transmitir alguma segurança. Assim como ela, eu não conseguia parar de pensar que a morte de Elliot podia ter sido evitada.
– Eu tinha que ter feito alguma coisa. – Manu continua a se culpar.
– Você fez, Manu. Matou o cara que atirou em Elliot. – falo, usando um tom mais carinhoso, e acaricio sua bela face. – Pare de se culpar.
– Eu devia ter atirado antes, Prince. Deveria ter checado que todos estavam, realmente, mortos. Eu cometi um grave erro e a consequência foi fatal. Por minha culpa, um garoto de apenas 18 anos ter morrido. – diz a morena, apertando os punhos com força. Seu olhar esboçava uma culpa incalculável.
– Continuar se culpando por algo que não teve culpa, Manu, não vai adiantar nada. O único culpado nessa história foi Gavin. Nós sabemos que ele armou para nós. Ocupou-nos com aqueles homens e deu um jeito nos nossos agentes. Agora, mais do que nunca, precisamos treinar aqueles seis. – falo.
Manu permanece calada por um tempo, como se pensasse sobre o assunto. Ela sorri em resposta e suspira mais determinada. Vê-la assim fez meu dia melhorar. Aproximo-me mais e a puxo para um beijo.
A cada vez que tenho a morena em meus braços, sentindo seus toques, mais eu me apaixono. E, por mais clichê que possa ser, eu a amo por completo. Acima de seus defeitos e qualidades, eu sinto que posso ser quem eu quiser e conquistar tudo que eu quero se eu estiver ao seu lado. Mesmo sabendo dos riscos que existem ao amar uma pessoa quando se leva uma vida como a minha, eu, simplesmente, não consegui evitar.
– Hei, casal de namorados, será que podem parar de se engolir? – ouço a voz de Tyler se manifestar. Manu e eu sorrimos em meio ao beijo e, é claro, como não perdemos a chance de irritá-lo, continuamos a nos beijar. – Qual é, gente? É sério, eu não preciso presenciar esse tipo de coisa a essa hora.
– Deixe-os, Tyler. – dessa vez, quem se revelou foi minha irmã mais nova. – Eles só estão aproveitando.
Separo-me de Manu e viro-me em direção as vozes. Coloco-me atrás de minha namorada, a abraçando de maneira carinhosa. Observo as expressões de cada um presente no galpão. Apesar de tudo, eu posso ver que eles ainda não perderam as esperanças.
– Olá. – cumprimenta Austin, sorrindo um pouco sem graça. – Espero não estarmos atrapalhando nada.
– Mas, eu não! – fala Tyler, rindo. – Espero que eu tenha interrompido da forma mais chata e insuportável possível.
– Calado, Tyler! – ordena Manu, rindo do primo². – Você fala como se nunca tivesse me feito passar pela mesma coisa.
– Só é divertido quando eu faço. – diz Tyler, sorrindo ironicamente. Como resposta, Manu dá língua para Tyler e o mesmo repete a ação.
– Tão maduro da parte deles. – digo para os adolescentes que riam com a discussão infantil de Manu e Tyler. — Entrem e já podem se arrumar. A Manu e o Tyler cuidaram do treinamento de vocês hoje.
– Não vai nos treinar? – pergunta Cassidy.
– Eu preciso resolver alguns problemas. – informo, recebendo um olhar ainda mais confuso dos seis.
– Problemas? – questiona Dez, olhando desconfiado. – O que houve?
– Não se preocupem. Eu só preciso encontrar alguns conhecidos. – digo, sorrindo.
– De qualquer forma, é melhor vocês irem se trocar. O treino hoje vai ser mais pesado que o de costume. – avisa Manu, fazendo todos, com exceção de Austin e Ally, soltarem reclamações. – Nem adianta reclamar. – Austin, você fica.
O loiro estranha o pedido, mas confirma. Voltando a ficar ao lado de Ally, que sorri carinhosa para ele. Assim que os adolescentes saem, permanecendo no local apenas Austin, Ally, Manu, Tyler e eu, olho para minha namorada e vejo a mesma balançar a cabeça, como se soubesse que eu precisava da sua confirmação.
– Ally, Austin, preciso que venham comigo. – digo, observando a cara confusa de minha irmã e Austin.
– Por que? – pergunta, desconfiada.
– Os assuntos que irei tratar hoje são de seus interesses também. – explico e veja menina suspirar cansada.
– Nosso interesse? O que está planejando, Prince? – pergunta o loiro, desconfiado.
– O que houve? – escuto Tyler sussurrar para Manu, preocupado.
– Ele vai contar sobre Edgar. – murmura Manu, em resposta.
Tyler arregala os olhos de leve, como se não acreditasse no que ouviu. Ele abre e fecha a boca, algumas vezes, parecendo querer falar alguma coisa, mas desiste. Talvez, assim como Manu, ele não concordasse com minha escolha, mas não iria interferir e apoiaria.
– Apenas venham comigo. – digo.
Austin e Ally se encaram por um momento e balançam a cabeça, ainda se olhando. Viro-me para Tyler e Manu e os dois apenas nos olham, esperando alguma reação.
– Tudo bem. – diz Ally, encerrando o silêncio. – Mas, nós conseguiremos voltar a tempo para o enterro de Elliot?
– Não se preocupe. – digo. – Não iremos demorar.
Despeço-me de Manu com um rápido selar de lábios e de Tyler com um aceno. Saímos do galpão e entramos em meu carro. Durante o trajeto, os adolescentes permaneceram calados, mas de mãos dadas. Vez ou outra eu os olhava pelo vidro retrovisor interno do carro.
Observá-los me fazia lembrar de Manu e eu com a mesma idade que eles. Tão jovens e corajosos. Mesmo passando por tantos problemas, Austin e Ally continuam unidos. Por mais que se conheçam a tão pouco tempo, o amor que nutrem é forte o bastante para enfrentarem qualquer perigo apenas para ver o outro bem.
E, antes que eu percebesse, nós já havíamos chegado ao nosso destino. Desço do carro e Austin e Ally fazem o mesmo. Analiso suas feições e faço sinal para que me sigam.
Aproximo-me da caverna que se encontra a nossa frente, rodeada por vegetação, aparentando não ser visitada a anos e empurro uma parte da parede do interior do lugar, abrindo, assim, uma grande porta no fundo falso da caverna.
– Onde estamos? – pergunta Austin, analisando o lugar.
– Eu irei explicar tudo lá dentro. Vamos entrar. – digo e ambos balançam a cabeça, concordando.
Ao entrarmos, o cenário mudou completamente, revelando inúmeras pessoas correndo de um lado para o outro, enquanto mexiam em seus aparelhos eletrônicos. Havia também, várias armas e projetos espalhados pelo o grande QG.
– Mas... Uau... – diz Ally, impressionada.
– Nossa... Que lugar é esse? – pergunta Austin, encantado com o agitado quartel general.
– Aqui é o meu QG. – digo, começando a descer as escadas, dando a mão para ajudar a minha irmã a descer. A mesma aceita a ajuda e começa a descer devagar. — A maior parte das pessoas que trabalham aqui são de Krósvia.
– O que vocês fazem aqui? – pergunta Ally, curiosa.
Terminamos de descer as escadas e logo sou cumprimentado por alguns agentes que corriam apressados pelo local. Observo o espaço por um tempo e sorrio ao perceber que tudo permanece em ordem, ou quase isso.
– Depois que eu sai de Krósvia, reuni uma boa quantidade de pessoas, juntamente com Tyler e Manu, que pudessem me ajudar a proteger Krósvia, mesmo que a distância. Tyler entrou para o APP, alguns anos depois de termos criado o Special Operations Squadron of Krósvia³, ou, como normalmente chamamos, SOSK. – digo, caminhando por meio da bagunça, na intenção de ir para a minha sala.
Ally e Austin escutavam o relato, encantados pela quantidade de pessoas que trabalhavam no SOSK. Não era para menos, até mesmo eu, ainda me impressiono por poder contar com um esquadrão tão grande como esse.
Antes que eu continuasse a relatar qualquer outra explicação, Nina aparece e se surpreende ao nos ver ali. Sorrio cordialmente para a diretora da escola de minha irmã e uma das pessoas de minha confiança.
– Prince? Austin e Ally? O que estão fazendo aqui? – pergunta, sem esconder seu espanto.
– Sra. Gibson? – diz Ally e Austin, admirados.
– Oi Nina. Eu preciso conversar com os dois e nada melhor para contar a verdade do que a minha sala, não é mesmo? – digo, sorrindo desanimado.
A mulher me analisa e não demora a entender as minhas intenções. Ela suspira alto e balança a cabeça, negativamente. Ele permanece em silêncio, por um momento, parecendo refletir sobre o que dizer.
– Manu sabe disso? – pergunta, com um pouco de tristeza em seu olhar.
– Sim. – respondo, olhando em seus olhos.
– Tudo bem. Se acha que é o melhor a se fazer. – diz, sem ânimo para me contradizer. Ela me estende um envelope branco e um pen drive e olha para os adolescentes por alguns instantes. – Dentro do envelope estão algumas fotos tiradas ontem após a chegada da rainha. O pen drive possui algumas informações sobre Gavin e Edgar que Gregory achou que poderia ajudar de alguma forma. A sua sala está sendo usada para o planejamento de algumas operações, já que estamos com muitos problemas para resolver hoje. No entanto, a sala 208 de reunião está vazia.
– Certo. Obrigada, Nina. – agradeço, pegando os objetos que haviam sido estendidos. – Ligue para Mike e Mimi e diga para que venham até aqui. Adiante o assunto, sim?
– Como desejar. – afirma a mulher, com seriedade. – Com licença.
– Desde quando a Sra. Gibson é sua secretária, Prince? – pergunta Austin, assim que a mulher abandonou o local.
– Ela não é minha secretária, Austin. – digo, rindo, voltando a andar. – Nina está mais para meu braço esquerdo. Depois de Manu, ela é a mulher que mais me ajuda a comandar esse lugar. Ela e seu falecido marido foram os primeiros membros da SOSK depois de Manu, Tyler e eu. Ela é como se fosse minha irmã mais velha.
– O que aconteceu com o marido dela? – pergunta Ally.
– Morreu me protegendo. – digo e vejo o espanto de Ally. – Se não fosse por Leon, eu teria sido atingindo por um tiro.
Os adolescentes permanecem calados, surpresos pela coincidência. As cenas da morte de meu amigo voltam a rondar a minha mente. Eu entendo a dor de Ally, porque já passei por isso. Foi a partir daquele dia que eu jurei obter sucesso na minha missão e que Leon não teria morrido em vão.
Quando finalmente chegamos a sala de reuniões, abro a porta e dou passagem para os outros dois entrarem. Assim que eu entro, fecho a porta e observo o lugar por um tempo. A sala é composta de inúmeras tecnologias. Basicamente, tudo ali possui um sensor que ajuda na hora de planejar as missões e a vigiar inúmeras partes do mundo.
Caminho até a parte central dos controles do imenso computador do lugar e digito algumas coisas. Em poucos minutos, as imagens de Krósvia começam a aparecer na tela, assustando Ally.
– Kró... Krósvia? Mas... Mas como? – pergunta a morena, assustada.
– Desde que sai de Krósvia, eu jamais deixei de observar meu país. – explico, olhando para a linda garota, sorrindo fracamente. – Por mais que tivesse sido uma ordem de nossos pais, eu jamais deixaria de tentar proteger você e meu povo.
– Então, Krósvia é assim? – questiona Austin, surpreso. – Uau, é incrível! Eu nunca vi um lugar mais bonito que esse!
Austin estava extremamente encantado com a beleza do lugar. Não o culpo. Krósvia é um dos lugares mais bonitos que existem, no entanto, infelizmente, também é um país instável. As batalhas e cenários de guerras podem definir a maior parte da história do país.
– Sim, Krósvia é um país lindo, mas não trouxe vocês aqui para falar da beleza de lá. – digo, chamando a atenção dos adolescentes. – Recebi algumas informações de Krósvia e acredito que a guerra esteja muito mais próxima de começar do que imaginávamos. Em todo caso, preciso revelar algo a vocês que vem sido guardado em segredo por nossa família a um bom tempo, Ally.
– Mais segredos? – diz Ally, sorrindo cansada e parecendo não tão surpresa por isso. – O que mais eu preciso saber, Prince?
– Eu vou ir direto ao assunto. – falo, respirando fundo, em seguida, preparando-me, emocionalmente, para o que estava para revelar. – Ally, o Edgar...
– Prince, as notícias não são boas! Seu pai... – sou interrompido pela entrada brusca da jovem morena em meu escritório. No entanto, a mesma para de falar assim que ver que não estou sozinho.
– Kira?! – exclama Ally, sem acreditar na pessoa que via.
– Ally! – diz a garota, em resposta, abraçando a amiga, mas não demora muito para soltá-la.
– O que aconteceu com meu pai, Kira? – pergunto, sentindo meu coração bater mais forte.
A morena solta a minha irmã e volta a me encarar. Em seus olhos eu conseguia enxergar um certo desespero. Aquilo só faz meus sentidos me alertarem de que as notícias não são nada boas. Kira respira fundo e começa a revelar o que tanto a perturbava:
– O hospital em que seu pai estava foi atacado. Gregory acabou de entrar em contato e nos disse que o rei foi sequestrado! A mensagem era clara: Krósvia acaba de sofrer seu primeiro ataque oficial da união do reino de Rhosália e Targarión!
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Continua...
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