Unkiss Me
20 Now you know me better
– Oi. Oi! — Falei quando vi o Adam saindo do prédio. Ele me olhou um pouco surpreso. Não sei por qual motivo, já que tenho certeza de que os amiguinhos contaram pra ele quem eu sou.
– Faz um tempo que não te vejo, Sarah.
– Meu nome é Laura, na verdade.
– Ah, sobre investigação, disfarce e tal... Sério mesmo que você desconfiou de mim?
– A investigação não está mais nas minhas mãos e eles te falaram como você entrou no meio disso.
– Eles acham que eu mandei matar o Jordan. Isso é um absurdo! Me perguntaram onde estive essa semana. Meu melhor amigo morreu. Eu fui pra casa, oras.
– Lamento por ele.
– Obrigado. Tem notícias da Carly?
– Carly? Ela tem falado comigo às vezes.
– Ela namorou o Scoot. Ela é quem vocês deviam interrogar. — Arqueei uma sobrancelha. — Não que eu ache que ela esteja envolvida, porque pensar isso é até um pouco estranho, mas ela deve saber das coisas, conhecer gente desse meio.
– Não sei mais de nada, Adam. Vai voltar pra faculdade?
– Preciso. Essa semana vão ser as provas finais. Eu sei que vou pegar algum exame, ainda mais por ter faltado uma semana.
– Boa sorte nas provas.
– Obrigada, Laura. — Nos despedimos e ele entrou no carro dele. Quando entrei novamente no prédio, fui direto pra sala do chefe. Chegando lá, eu tive uma surpresa. O que a corregedoria estaria fazendo lá?
– Qual o problema, Parker? — Ele perguntou logo depois que eu bati na porta.
– É sobre uma investigação. Mas posso resolver depois. — Estava quase fechando a porta novamente quando me pediram pra voltar.
– É com você mesmo que queremos falar, agente. — Um deles falou e eu entrei, fechando a porta logo em seguida.
– Algum problema?
– Claro que você foi avisada sobre a investigação da NYU passar pra divisão de homicídios, não foi?
– Ahn... Fui. E eu e o meu parceiro enviamos todas as evidências e anotações.
– Gostaríamos de saber porque continua investigando, já que não tem mais permissão pra isso.
– Eu não to investigando. — Ok. Isso não é totalmente verdade.
– Você tem falado com suspeitos, testemunhas, ligado e visto vítimas.
– Mas eu não estava investigando. Uma das vítimas é meu amigo.
– Reunião amanhã às 09h00 no prédio da corregedoria, senhorita Parker. Aconselho a não se atrasar. — Eles saíram da sala e ficamos somente eu e o chefe. Ele não estava com uma das melhores caras.
– Eu te avisei sobre investigar por fora.
– Não fiz nada ilegal. — Com exceção de ter transado com o Isaac, mas isso ninguém precisa saber. — Eles não tem nada contra mim.
– Sabe que quando eles falam "reunião", na verdade...
– Sei. — O interrompi. — Eles querem dizer "interrogatório". Eu só queria saber se não tem como o senhor convencer a corregedoria de que seria melhor se nós ficássemos com a parte das drogas. Eu acho que a investigação seria bem mais ágil. Até porque, homicídio é só uma parte do problema. Se acabarmos com as drogas, os assassinatos somem. Uma coisa leva a outra.
– Eu sei, Parker. Mas isso não sou eu quem decido. Assim como eu sou o seu chefe, eles também são. Até mais que eu! Isso pode te encrencar, Laura.
– Eu só estava tentando ajudar. Eles não pegaram mais ninguém ainda. Falando nisso, os dois suspeitos acusaram o Adam. E eles o soltaram!
– Isso não está mais sobre nossa responsabilidade! Eu quero que você pare com essa investigação a parte agora! — Saí da sala dele. Steves olhava pra mim como se me perguntasse o que aconteceu lá dentro.
– Corregedoria vai me interrogar amanhã. — Disse de uma vez. Eu tinha certeza de que estava com uma cara de cu, mas não ligava.
– Eles sabem do Isaac?
– Eu espero que não. Quer dizer, todos sabem que somos amigos. Mas...
– Já entendi. Acho que não vai dar em nada. Já me chamaram lá também. Já chamaram até o chefe!
– Eu sei. Mas é um pouco preocupante.
– Nada vai te acontecer. Tira esse bico da cara. — Ele olhou no relógio. — Vamos pra casa. Já são quase oito horas.
– Topa ir no Top Hops?
– Quer encher a cara, Laurinha?
– Não pretendo ir de ressaca no interrogatório amanhã.
– Você quem sabe.
(...)
Ponto pro Steves. Acordei com uma dor de cabeça dos infernos. Me arrumei e fui até o prédio da corregedoria.
– Tem um interesse pessoal nessa sua investigação? — Foi a primeira coisa que eles me perguntaram.
– Talvez. Eu gosto de terminar o que começo. Fora que, esse caso é claramente da narcóticos. Pra começar, eles soltaram um dos suspeitos. Se estivesse na narco, já teríamos solucionado.
– Então, acha que foi uma decisão incompetente?
– Chame do que quiser. — Ele respirou fundo. Por um momento, pensei: "Fodeu. É agora que fico suspensa". Mas isso não aconteceu. Pelo menor por enquanto.
– E aquele Isaac? O que tem entre vocês?
– Somos amigos. Nos conhecemos enquanto eu estava infiltrada na NYU.
– Ele disse que era pra você ter tomado o tiro.
– Eu sei.
– Não é comum nem mesmo amigos tomarem um tiro por outro
– Ele disse pra mim que o Scoot mirava na minha cabeça. Por isso ele se jogou na frente. Disse que ele sairia machucado, mas que, pelo menos, ninguém morreria.
– Foi o que ele contou também. Duas visitas por dia enquanto ele estava no hospital... — Um deles disse lendo um papel.
– Ele tomou um tiro por mim! Esperava que eu fizesse o que? O mínimo que eu podia ter feito era visitá-lo.
– Vocês já se beijaram? — De duas, uma: ou eles já sabiam através do Scoot, Adam ou até mesmo por aquela menina que pegamos; ou eles "jogaram verde" pra ver se eu falaria alguma coisa.
– Quem disse isso?
– Ninguém. Não vai me responder?
– Uma vez. Mas isso não quer dizer nada.
– Ele é um menor de idade!
– Por menos de quatro meses.
– Como policial, você sabe que isso não interessa muito.
– Foi um beijo. Não teve nada de sexual ali. — Os dois se entreolharam. — Vocês vão me suspender por isso?
– Não. — Eles demoraram um pouco pra responder. — Mas esperamos que não ocorra mais nenhuma investigação por conta. — Eles me liberaram e eu fui pro trabalho.
(...)
Jantei com a família do Isaac. Eu achei que eles me bombardeariam de perguntas, igual no dia anterior, mas foi ao contrário. Não que eles não tenham me feito perguntas, mas foi na medida do confortável. Acho que isso tem dedo do Isaac, mas não reclamei. A mãe dele pareceu um pouco relutante em deixá-lo sair, mas não falou nada.
– Aonde vamos? Ontem você disse que iríamos jantar, mas já comemos. — Ele perguntou enquanto eu dirigia.
– Você disse que queria me conhecer de verdade.
– Hm... Agora eu sei coisas sobre você.
– Você sabe o que todos sabem. Agora vou te levar pra você conhecer... Posso dizer que os detalhes sobre mim.
– Certo... — Ele achava graça.
– Por que tá com essa cara?
– Não to com cara nenhuma. Demora pra chegar lá?
– Não muito. — Depois de, mais ou menos, 20 minutos, chegamos em frente ao meu prédio.
– Você mora aqui?
– Sim.
– Sozinha? — Olhei pra ele sorrindo de canto. — Perguntei com nenhuma malícia.
– Mentiroso. — Murmurei. Quando entramos no meu apartamento, eu sabia que ele queria xeretar tudo, mas não fez nada. Só olhou de longe. — Não tenho ideia do que você quer fazer.
– Agora você que é a mentirosa. — Revirei os olhos.
– Não te trouxe aqui pra gente transar. Ou não só pra isso. Bom, se quiser assistir alguma coisa, aquela caixa perto do aparelho de DVD tá lotada de coisas.
– Faz coleção de filmes?
– Não diria coleção, mas também não diria que tem poucos. Tem bastante box de seriados também.
– E essa estante aqui? Uau! Tem mais de cem, não tem? — Ele perguntou olhando pra minha coleção de vinil.
– Tem quase quinhentos. Quatrocentos e oitenta e um, pra ser exata. Comecei essa coleção faz pouco tempo. A maior parte eu peguei do meu pai. Queria ter algo dele quando vim morar sozinha. Mas só comecei a coleção um tempo depois.
– Você começou isso há pouco tempo? Tem certeza? Você já tem vários! — Isaac quase tirou um deles da estante, mas eu parei a mão dele.
– Pelo amor de Deus, estão em ordem. — Ele começou a rir.
– Desculpe. Quer chegar aos mil?
– Pretendo passar. Claro que eu não vou lotar meu apartamento com discos de vinil igual gente louca faz por aí, mas quero ter uma boa quantidade.
– Por quê? — Dei de ombros.
– Eu acho legal ter eles na minha estante. Fora que eu gosto da maioria das músicas que tem em cada um deles. E não me diga que eu não escuto pelo vinil porque eu sei disso. Steves me chama de "viciada deprimida". — Isaac riu. — Absurdo, né? Também achei. Pelo menos ele não me chamou de "solitária".
– Lá na república não dava pra reparar muito, já que você dividia o quarto, mas olhando seu apartamento, acho que você tem mania de limpeza.
– Um pouco. Eu gosto de ter as coisas em ordem. E lá na república era quase impossível. Carly é mais bagunceira do que o meu irmão. E olha que pra superar, a pessoa tem que ter o dom de deixar as coisas bagunçadas. — Ele me deu um beijo na bochecha.
– Posso dizer que conheço uma grande parte de você? — Isaac me abraço pela cintura.
– Acho que sim. Não deixo qualquer um conhecer meu apartamento. — Falei convencida e dei um selinho nele.
– Eu gostei daqui. — Sorri de canto.
– Obrigada. — Falei sorrindo de verdade. Ele me beijou. A única vez que o Isaac me beijou assim, acabamos na cama. E não preciso falar que foi exatamente isso que aconteceu dessa vez.
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