Unkiss Me.
3 3i
Conversamos a noite toda aquele dia.
Depois que Áurea adormeceu pude ver o sol nascer e mostrei a Maya minha casa, cada canto dela. Mostrei meu quarto azul claro, quase da cor do céu no final da tarde. Mostrei o quarto de Áurea, minha pequena biblioteca…. Coloquei ela a par das novidades. Contei que papai sumiu, sobre o garoto que eu estava conversando e em como ele me entediava. Ela me contou sobre o namorado, seu nome era Lucas. Segundo ela, ele era legal, mas a entediava, também. Preferia jogar videogame a sair com ela. Preferia sair com os amigos a sair com ela. E bem, desde pequena o que Maya mais gostava de fazer era viajar, conhecer novos lugares, novas pessoas e ele a estava aprisionando. Ela disse que estava apenas procurando uma desculpa melhor para jogar o anel de compromisso no lixo. Típico de Iaia... Ela odiava namorar. Depois, ela tocou algumas músicas no violão pra mim. Maya tocava muito bem e quando tocou “anjo do céu” várias lágrimas rolaram de ambos os lados da tela do computador. Nossas mães cantavam essa música para nós quando éramos pequenas e saíamos acampar. Ao desligar, prometemos nos ligar no outro dia e que não ficaríamos mais longe uma da outra e que no próximo mês, Maya viria me ver e conhecer Áurea.
Acordei com uma dor de cabeça que me fez ficar deitada com Áurea agarrada à mim a manhã toda e boa parte da tarde. Era sábado, então poderíamos ficar de preguiça por algum tempo. Quando levantei, coloquei-a sentada no sofá assistindo desenhos e fui fazer nosso almoço.
– O que acha de macarrão para o almoço, pequenina?– perguntei a Áurea, que bateu palminhas e assentiu com a cabeça. — Bom, então, dois pratos de macarrão bem gostosos saindo! – ri para ela e voltei a preparar o macarrão.
Assim que sentamos na mesa, meu celular começou a tocar. Era Tim, o menino que eu estava conversando.
“Oi Tim, o que houve?" — perguntei. Ele nunca me ligava.
“Oi, Aurora… E-e-e-eu queria sa-sa-saber se você gosta-gosta-gostaria de sair comigo hoje a noite." — ele gaguejou.
Não estava afim e nem teria onde deixar Áurea. Não levaria minha irmã junto.
“Olha, Tim… Não tenho onde deixar a Áurea e não posso levá-la junto. Fica para outro dia, tudo bem? Fico feliz que tenha me convidado, mas realmente não posso…" expliquei.
“Ah, tudo bem… Então eu vou aí. Chego em 2h." e desligou.
Fiquei incrédula. Como assim?! Não. Não queria ele aqui. Mas o que eu poderia fazer?
– Bom, pelo visto, teremos visita, Rê. — terminei de lhe tratar e a peguei ela no colo, indo para o quarto. - Precisamos tomar banho, nos arrumar e arrumar a casa. Colabora com a irmã, tudo bem? Então, sem choro, linda. — sorri e ela sorriu de volta.
Tomamos banho juntas, como sempre e nos arrumei rápido, indo arrumar a casa logo em seguida. Não sabia o que fazer. Por que ele estava indo até minha casa? Não queria. Sem contar que eu estava radiante por ter virado a noite em companhia de M., e ele, com seu mau humor, acabaria com tudo.
Organizei a casa, lavei a louça, coloquei outro desenho para A. assistir e corri pedir ajuda para Maya, dizendo que estava irritada e não o queria aqui. Ela, em sua vez, riu, como eu sabia que faria.
“Você não pode se irritar tanto se não sabe nem o motivo do garoto estar indo aí. Relaxe, Rorinha.." ela disse e, bem, tinha razão. Agradeci e me preparei psicologicamente para a visita de Tim.
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